Notas iniciais
Espero que gostem~

Coloquei a mão sobre a testa para evitar pelo menos um pouco do sol. Nem estava tão calor, mas era de manhã e o céu estava limpo, sem nenhuma nuvem para me proteger.

Cheguei ao lugar planejado e suspirei aliviado por ver a grande cerejeira que tinha na sua frente. Esperei por mais alguns minutos já que havia chegado cedo demais. Mas era meu primeiro dia de trabalho e estava entediado em casa, então resolvi sair mais cedo. O que foi uma decisão muito boa, por que se tivesse saído no horário certo, estaria atrasado, considerando todas as vezes que tinha parado em alguma sombra. Vi um carro preto chegando e parando na minha frente, onde uma mulher de meia idade com vários documentos na mão saiu. O carro voltou a andar e saiu virando a esquina. A senhora continuou folheando os papeis e quando levantou o olhar, fez uma cara um tanto confusa e olhou ao redor, coçando a cabeça e murmurando algo que não ouvi. Ela reclamou e olhou seu relógio de pulso.


– Essas crianças, sempre atrasadas no primeiro dia! — ela disse, obviamente não tinha me visto ainda, então sai da sombra e caminhei até perto dela.



– AHHHHHHHHHH! - quando me viu, seu olhos se arregalaram e soltou um grito agudo - A quanto tempo você está ai? — ela disse, ainda surpresa.



– Eu estava aqui antes da senhora — já estava acostumado com essa situação, então apenas respondi de jeito calmo.



– Bem, deve ser você mesmo — ela disse olhando em volta e vendo que não tinha mais ninguém ali. Suspirando, levantou seus óculos de grau e me encarou.


– Sim, sou eu — disse de modo respeitoso. Ela deveria ser a diretora das escola em que daria aula. E não, não sou um gênio. Meu nome é Kuroko Tetsuya e esse é meu primeiro dia de aula no jardim de infância.


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A diretora me levou até seu escritório, que era localizado bem nos fundos da escola, completamente o oposto de onde eu ficaria.


– Bem, aqui é minha sala — ela disse, indo se sentar e me sinalizando para fazer o mesmo. Disse um "com licença" baixo que não foi respondido.

– Você vai cuidar de cinco crianças — arrumou seus óculos novamente e continuou lendo alguns papeis que estavam jogados em sua mesa — Seus nomes são... Akashi Seijuuro, Kise Ryouta, Aomine Daiki, Midorima Shintarou e Murasakibara Atsushi. Todos tem mais ou menos a mesma idade e ficará com eles até a professora original melhorar do resfriado, o que deve acontecer amanhã, porém, se seus serviços forem satisfatórios... — ela finalizou deixando a frase em aberto — Alguma pergunta?

Acenei negativamente com a cabeça. Já tinha vindo aqui outras vezes e sabia como se virar. Me levantei e caminhei em direção a saída, mas a voz da diretora me parou:


– Ah, e mais uma coisa... — ela finalmente levantou os olhos para mim, e se soubesse como seu olhar era gélido, preferia não ter tido essa experiencia — Cada um deles tem uma personalidade um tanto...Diferente. E várias professoras já se demitiram por causa delas e me deram muita dor de cabeça. Então, terá que ter muito cuidado e principalmente muita paciência com eles... O que me faz pensar que escolhi a pessoa certa — ela sorriu com educação.


Fiz uma pequena reverencia e declarei:

– Vou dar o meu melhor — abria e passei pela porta de madeira.

Caminhei em direção ao pequeno parque que ficava na entrada da escola, ali estavam as cinco crianças, sendo cuidadas por uma mulher que identifiquei como a cozinheira. Ela já tinha uma certa idade e seus cabelos brancos estavam despenteados, mostrava uma cara nervosa que passou para alívio quando me viu. Assim que me aproximei das crianças ela foi embora rapidamente, aos fundos da escola perto da diretoria.

Suspirei e olhei para os seres na minha frente, que haviam parado com suas atividades e me encaravam. Mas não me encaravam de um jeito normal... Não para crianças pelo menos.

– Olá, me nome é Kuroko Tetsuya — disse pela segunda vez naquele dia — Vou cuidar de vocês agora — falei com muita suavidade. Afinal, eram só crianças depois de tudo.

Eles pararam de me encarar e olharam todos ao mesmo tempo para um menino á minha esquerda, o mais baixinho deles, mas o que tinha cara de ser mais esperto. O mesmo mudou de uma carranca para um enorme sorriso, dando um passo a frente.

– Olá! — disse de forma animada — Meu nome é Akashi Seijuuro, muito prazer em conhece-lo! — apesar de seu rosto — agora — ser inocente, senti um calafrio percorrer minha espinha. Essa frase aparentemente normal fez as outras crianças se apresentarem também. Como uma ordem... Pensei ter visto o reflexo de alguma coisa brilhante nas suas mãos, mas ignorei.

– Meu nome é Midorima Shintarou — um garoto de cabelos verdes arrumou os óculos e se curvou- Prazer em conhece-lo — falou educadamente e voltou ao seu lugar. Ele tinha uma aparência calma e era quieto para sua idade, mas ainda mais normal que o primeiro garoto. Há não ser, talvez, por um estranho coelho de pelúcia com uma gravata que carregava.

– Murasakibara Atsushi — um garoto alto — o mais alto entre eles — falou simplesmente, enquanto dava uma passo de volta ao seu lugar e colocava na boca alguns biscoitos de chocolate. Não parecia muito animado, mas essas crianças eram estranhas, de modo que não me importei excessivamente com isso.

– OOOOOOOOOI — disse um menino loiro e muito, muito animado — Meu nome é Kise Ryouta e estou muito, muito, muito muito, muito, muito, muito — ele continuou falando isso de modo frenético, então a criança ao lado cansou de esperar e se intrometeu quando Kise teve que parar para tomar folego. Algum tempo depois descobri que ele estava tentando dizer que estava "muito feliz por me conhecer". Que gracinha.

– Yo — os cabelos-azuis-escuros disse — Me chamo Aomine Daiki — ao contrário de Midorima (ou seria Murasakibara?) ele não falou com nem um pouco de respeito em sua voz, ela continha um pouco de agressividade e preguiça em seu tom. Ele bocejou e coçou os olhos, dando a impressão de que acabará de acordar.

Assenti e sorri docemente para todos.

– Bem, agora que nos conhecemos, por que não voltam a brincar? — todos olharam novamente para o ruivo, que só deu de ombros e andou em direção ao escorregador. Todos voltaram a suas atividades normais. Alguns entraram para dentro da sala — Midorima-kun e Murasakibara-kun — enquanto outros continuavam no parquinho. Pensei e conclui que era melhor ficar aqui fora, já que os dois meninos mais "normais" entraram e não acho que me dariam muitos problemas.

Akashi continuava no escorregador, mas não descia de lá, apenas olhava para todos abaixo dele com um ar superior. Ele levantou o objeto que brilhou antes e vi que era uma tesoura vermelha. Parecia um mini e estranho cetro para o mini e estranho rei do parquinho.

Fui até ele e tentei conversar.

– Não acha que andar com uma tesoura é meio perigoso?

Ele olhou pra mim de um jeito inteligente demais para uma criança tão pequena. Estava com um pouco de medo, mas não demonstrei, apenas continuei olhando em seus olhos (que até agora não tinha notado que eram de cores diferentes um do outro).

– Talvez seja mesmo — ele disse depois de pensar um pouco — Mas isso depende de que mãos as dominem — ele sorriu, dessa vez não tão inocente, um pouco mais sério.

Exatamente por isso que não quero que você fique com elas, pensei. Porém, não disse nada.Se até agora ninguém havia tirado aquilo de suas mãos, eu não iria insistir.

– Acho melhor não ficar ai parado... — Akashi-kun disse e me surpreendeu — Não sou sua única preocupação — sorrindo, apontou para a frente. Segui seu olhar e vi Aomine-kun jogando basket. Não sabia o que tinha de errado nisso, mas esse ruivo parecia entender das coisa, então fui até o moreno. Antes de chegar lá, já percebi qual era o problema.

Aomine-kun era talentoso com a bola, apesar de seu tamanho, quase conseguia acerta-la dentro da cesta.

Quase.

Depois de tentativas frustadas, Aomine se irritou e jogou a bola muito forte no canteiro de rosas que a diretora gostava tanto. Duas ou três rosas tinham se despedaçado, mas haviam centenas de flores ali, então não era muito visível. Suspirei aliviado e peguei a bola, indo consolar um Aomine muito inquieto.

– Acho que isso é seu — entreguei a bola a ele, mas se recusou a pegar. Me sentei ao seu lado e pelo canto do olho vi que Akashi nos observava.

– Não quero mais — ele fez um biquinho manhoso

– Por que? Você estava indo tão bem.

– Mentiroso! Eu sou horrível! — ele falou irritado e cruzou os braços

– Alguém já te disse que você é ruim? — perguntei

– Não — ele falou confuso — Eu já sei disso.

– E alguém já te disse que você é bom? — ele se entristeceu um pouco e negou com a cabeça

– Bem, então eu estou te dizendo agora — me levantei e fiquei de pé na sua frente — Você é bom, Aomine-kun. Apenas não desista que você vai ser o melhor jogador do Japão! — estiquei meus braços para dar mais enfase. O sol do meio-dia batia nas minhas costas e percebi que eu gostava muito dele. Isso me deu a ideia da frase seguinte — E você vai ser uma luz muito forte e bonita — sorri e os olhos de Aomine se arregalaram — Promete que vai continuar treinando? — falei um pouco mais baixo e docemente. Aomine assentiu rapidamente e parecia emocionado e surpreso ao mesmo tempo — Bem, então temos uma promessa — estendi o dedinho mínimo e ele o pegou com o seu próprio, assim fazendo aquele acordo infanti que as crianças levam tão a sério. Aomine sorriu e saiu correndo pra voltar a jogar basket.

Tudo bem, já foram dois, agora...

Voe, passarinho! Voe! — ouvi o loirinho gritando. Me virei e vi que ele segurava um pássaro que provavelmente havia caido do seu ninho, que estava naquela cerejeira enorme. Apesar de boas intenções, Kise estava quase matando aquele filhote. Ele o jogava para o alto e chegava a ficar irritado pelo pássaro não voar — Que tipo de pássaro é você que não voa? — ele disse, segurando o passarinho á sua frente e perguntando como se ele fosse mesmo responder. Fui até ele e impedi a ave de cair mais uma vez.

– Kise, ele não pode voar — eu disse gentilmente, segurando o passarinho meio desajeitado nos meus braços.

– O quê?! Por que? — ele perguntou indignado — Ele é uma ave, e as aves voam.

– Eu sei — respondi, paciente — Mas ele ainda é muito novo. Assim como você não consegue fazer várias coisas sem ajuda, ele não consegue voar sem sua mãe — caminhei alguns metros onde vi uma escada encostada na parede da escola e a usei para colocar o pássaro de volta no ninho. Kise me observava com atenção.

– O que foi? — perguntei quando desci de novo

– Estou esperando — ele disse

– Esperando o que? — disse confuso mas mantendo o rosto calmo

– Minha mãe vir e ajudar o passarinho a voar — ele respondeu cheio de lógica infantil

– O que? Não. Não é a sua mãe. É a mãe dele – expliquei apontando pro ninho

– Ahhhhh! — Kise disse surpreso e depois abriu um sorriso gigante — Bem, agora ele vai poder voar, né?

– Sim, e do jeito que você o ajudou, talvez ele pense que você é a sua mãe — eu disse dando um mínimo sorriso e levando a escada ao seu devido lugar para evitar acidentes. Kise murmurou alguma coisa emocionada atrás de mim, mas não pude ver seu rosto. Senti ele se aproximar e me dar um abraço carinhoso por trás. Quando me virei, ele já tinha ido brincar perto de Aomine-kun. Antes de entrar e ver como os outros dois estavam, procurei por Akashi, que muito disfarçadamente me olhava e dava pequenos risos divertidos. Seu ele não fosse onze anos mais novo que eu e batesse na minha cintura, eu estaria morrendo de medo.

Suspirei e entrei na "sala de aula" (que servia praticamente pra mesma coisa que do parque, já que eles não faziam lição). Na sala, também havia uma parte separada que era chamada de cozinha, mas não era exatamente uma. Havia apenas um microondas e uns armários para guardar comidas de fábrica que vinham em embalagens, como os biscoitos que Murasakibara devorava. Quase gritei quando vi aquele menino tão fofo com a boca cheia de biscoitos e farelo em seu cabelo lilás. Me ajoelhei na sua frente, pegando um pano e passando em sua boca, que estava suja com chocolate.

O menino se aproximou do meu rosto e acho que corei um pouco, mas ignorei sua aproximação. Ele ficou assim por mais alguns segundos e depois se afastou, sorrindo um pouco.

– Kurochin-sensei tem um cheiro doce — me perguntei se esse cheiro não vinha dele, já que tinha tanto chocolate por seu corpo — Mas não é só doce, tem um pouco de menta também... — inclinou a cabeça pro lado de modo pensativo, depois pegou meu queixo com as mão pequenas — Me lembra sorvete — ele disse, lambendo os lábios ao lembrar do doce.

Fiquei sem reação por um tempo, mas depois respondi:

– Bem, eu gosto muito de sorvete — sorri

– Eu também — ele sorriu ainda mais, com os olhos meio sonolentos.

Nesse momento, percebi que toda sua roupa havia se sujado também.

– Murasakibara-kun, você tem outra roupa? — perguntei delicadamente mudando de assunto. Ele balançou a cabeça e puxou minha mão (ainda segurando um pacote de bolachas com a outra) me levando até o canto em que suas mochilas estava guardadas. Ele vasculhou por um momento a bolsa da mesma cor de seus cabelos e depois de um segundo me entregou diversas blusas e calças. Sorri meio feliz. Isso devia acontecer frequentemente para ter tantas roupas extras. Porém, seu corpo todo estava sujo também, então além de trocar suas roupas, teria que lhe dar um banho. O peguei no colo e o levei para o banheiro, sentando-o no vaso sanitário e ligando o chuveiro. Mas enquanto regulava a temperatura, ouvi um som abafado e alto de vários objeto caindo no chão.

– Fiquei aqui, tudo bem? Eu não demoro — disse para Murasakibara-kun passando as mãos na sua cabeça e saindo do banheiro. Voltei a sala e vi Midorima-kun se esticando para alcançar um livro na estante (que já estava quase vazia, pois ele havia derrubado vários livros tentando pegar apenas um). Me aproximei e peguei o livro para ele, o entregando. Vi o título e lhe perguntei:

– Midorima-kun, não acha que isso é meio difícil para sua idade? — o título deixava claro, era "A Odisséia". Que apesar de ser uma adaptação, continuava sendo um tanto grande para ele.

– Não duvide das minhas capacidades — ele disse, pegando o livro da minha mão e indo se sentar no "cantinho da leitura". Sorri, não tinha jeito. Midorima-kun era um completo tsundere. Me aproximei dele novamente.

– Sabe, eu já tive que ler esse livro para a escola — tentei puxar assunto — Mas em uma versão muito maior — me sentei ao seu lado e encostei a cabeça na parede, ele olhava para o livro, mas sabia que me escutava — Onde estudo, tem uma biblioteca enorme e com muito livros, para todas as idades. Acho que gostaria de ir lá, é um lugar muito legal que vou quando me sinto sozinho. Por que assim que pego o livro, eu me esqueço da solidão — Sorri. Disse isso pois sabia que Midorima-kun era uma criança solitária, seus pais eram grandes empresários e ele passava a maior parte do tempo com babás e os avós maternos. Eu morava sozinho também então entendia, só que ele era apenas uma criança. Devia ser muito mais complicado.

E tenho quase certeza que vi um pouco de alegria no rosto de Midorima-kun, por saber que tinha alguém na mesma situação que ele.

– Quer que eu leia pra você? — perguntei, mesmo sabendo que tinha outras coisas a fazer. Então fiquei aliviado quando ele negou.

– Eu consigo fazer sozinho — ele disse, talvez soubesse das minhas ocupações — Mas...Se quiser mesmo ler, pode fazer isso na hora de dormir.

Hora de dormir? Ah, sim. Mais de tarde, depois do lanche, todos íamos arrumar os colchões e descansar um pouco, seria uma boa oportunidade. Concordei e o deixei sozinho, mas não fui ao banheiro como gostaria, pois ouvi um grito histérico de Kise vindo do parquinho. Segui o som e vi Akashi ameaçando Kise com sua tesoura. Sabia que iria ter problemas se não a tirasse dele, mas teria problemas se a tirasse também. Quando cheguei mais perto, vi que Akashi lançava um olhar assustador para Kise e o mesmo tinha um machucado no joelho.

– Akashi, pare te machucar Kise com a tesoura — peguei Kise no colo e dei um olhar pidão de cachorrinho para Akashi se comportar. Me virei e dei outro aviso — Aomine-kun, já disse para não estragar o canteiro de rosas — Suspirei e conclui que não dava para deixa-los sozinhos aqui fora — Vamos todos para dentro — ouvi reclamações, mas eles obedeceram. Deixei Aomine e Akashi junto á Midorima-kun e fui ver Murasakibara no banheiro, levando Kise comigo. Atsushi já tinha tirado seus sapatos e meias e tentava tirar as calças também, mas tinha se embolado todo. Deixei Kise na pia e o ajudei.

– Ahhhh, Kurokocchi-sensei — franzi a testa para o adjetivo estranho — Está doendo! — ele chorou

– Já estou indo — falei enquanto tirava a camisa de Atsushi. Kise parou de chorar um pouco e me olhou com olhos atentos. Coloquei a criança dos doces no chuveiro espaçoso e fui até Kise, colocando um curativo no seu machucado e (me lembrando de quando era menor e me machucava), dei um leve beijo no seu joelho. Ele começou a chorar ainda mais.

– Por que estava chorando agora?

– Eu...Também quero...Tomar banho...Com Kurokochi-sensei — ele disse entre soluços e abriu um berreiro maior ainda. Suspirei pela enésima vez naquele dia.

– Tudo bem, então — disse começando a tirar a roupa dele — Mas não chore mais.

– Sim! — ele disse novamente animado e sorrindo. Tinha acabado de tirar sua última peça de roupa quando vi duas cabecinhas espiando pela porta. Aomine e Akashi nos observavam e sem dizer nada, entraram no banheiro e tiraram suas roupas sozinhos.

– O que estão fazendo?

– Não é hora do banho? — Aomine-kun perguntou com falsa inocência

– E mesmo se não for, não é legal deixar crianças sozinhas enquanto dá banho nas outras — Akashi se intrometeu, sempre com lógica. Eles tinham razão, então o que me restava era chamar Midorima para tomar banho com a gente também.

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– Aomine, para de jogar água nos outros meninos — eu disse, passando shampoo nos cabelos verdes de Midorima. Eu planejava dar banho neles, mas fiquei não molhado, que eles me convenceram a tomar banho tambem. Então lá estávamos nós. Seis garotos nus, dividindo um box muito maior do que o normal. Enxaguei os cabelos cor de musgo e passei condicionador em Murasakibara-kun, me preocupando com a conta de água da escola.

– Pare com isso, Aominechi! — Kise disse irritado, dando uns passos para trás e esbarrando na minha cintura com força. Soltei um gemido baixo com a dor repentina, mas logo ela melhorou.

– Desculpe, Kurkochi-sensei! — Kise disse muito preocupado e quase chorando de novo — Eu realmente sinto muito!

– Tudo bem, Kise. Foi um acidente — o consolei

– Não! Eu machuquei você e preciso fazer sarar — ele se aproximou do meu membro exposto

– Ki-Kise-kun! O que está fazendo? — corei

– Não é isso que se faz quando alguém se machuca? — ele disse, inocente

– Sim, mas...

– Então, fique quieto e me deixe cuidar de você — dessa vez sem inocência nenhuma

Os outros meninos apenas olhavam com atenção Kise se aproximar e, mais delicadamente do que eu fiz, dar um beijo na ponta do meu membro. Reprimi um gemido e corei ainda mais. Principalmente quando olhei para todos eles e quase vi lampadas de ideias se formando acima de suas cabeças. Se aproximaram de mim e começaram a fazer movimentos bruscos, me machucando em váris partes do corpo e imitando Kise, esse que por sua vez, ficou desesperado e alegou que a ideia tinha sido sua e, portanto, só ele podia me tocar assim.

– Meninos, por favor... Parem com isso! — dei uns passos pra trás e me encostei na parede. Não podia acreditar que estava sendo assediado por meninos tão pequenos!. Eles se aproximavam novamente de mim, mas Akashi interrompeu:

– Não — ele ordenou em um tom de conversa normal, mas foi o suficiente para fazer todos pararem — Deixem ele ir — ele me encarou por uns segundos silenciosos e deu um pequeno aceno de cabeça.

Fiquei um pouco agradecido pela ordem, mas vindo desse menino, suspeitei. Os outros garotos olharam pra seu líder e entenderam a mensagem subliminar. Kise começou a pular de felicidade. Aomine fez uma comemoração típica de basket. Midorima abaixou a cabeça e riu discretamente. Murasakibara pegou minha mão e sorriu abertamente quando olhei pra ele.

– O que foi? — perguntei, mas fui ignorado pelas crianças, então não insisti e terminei de lavar o último cabelo — Tudo bem — disse depois de um minuto quando todos já estavam mais calmos — Vamos sair — houve reclamações quando disse isso, mas logo depois todos já estavam alinhados na saída do box e esperando eu os seca-los. Tive medo que eles — Kise — começassem a reclamar de frio, então eu não me enxuguei, apenas coloquei uma toalha ao redor da cintura. O primeiro foi Murasakibara, seguido por Kise, Aomine, Akashi e Midorima, que ficaram me esperando enquanto eu me trocava — o que pessoalmente eu fiquei incomodado considerando o que eles acabaram de fazer -. Quando finalmente todos saímos do banheiro, já era mais tarde do que pensava e imaginei que já eram hora de dormir. As crianças voltaram as suas atividades normais, mas agora percebi eles fazendo uma coisa que antes era somente de Akashi. Eles me observavam. Não como o ruivo, por que eles não tinham tanta tendencia pra psicopata, mas me sentia estranho mesmo assim.

Quando terminei de arrumar os colchões e os lençóis, eu não os chamei, eles vieram por si próprios até mim, silenciosamente se deitando amontoados e deixando um pequeno espaço no meio. Midorima me entregou um livro que queria que eu lê-se e fiquei agradecido por ser feito para crianças. Os meninos se aproximaram de mim e deitaram confortavelmente ao meu redor.

Daiki colocou sua cabeça sobre meu peito e Ryouta fez o mesmo do outro lado, e podia sentir os dois competindo espaços pela maior parte do meu corpo. Atsushi colocou sua cabeça perto da minha e fez leves carícias nos meus cabelos. Shintarou ficou com a cabeça no meu outro ombro, acompanho a história com o rosto sonolento. No meio da história, vi que todos já dormiam, menos Seijuuro. Esse olhava para mim com curiosidade e os olhos estreitados.

– Você está confuso, não é? — ele perguntou e como eu disse, ele sabe das coisas — Quer saber o por que da comemoração no banheiro? — ele perguntou e eu assenti curioso. Ele encostou a cabeça no travesseiro e olhou pro teto de madeira, ficando em silêncio por um tempo e depois falando: — Sabe quantas professoras tivemos desde que entramos aqui? — balancei a cabeça negativamente — 14 — ele disse normalmente e olhou pra mim sorrindo orgulhoso — E nem estamos no meio do ano. Todas pediram demissão pois não aguentavam ficar conosco por um mês inteiro.

– Mas pensei que a outra professora estivesse doente...

– Por que ela acha que você não vai durar também — disse de modo muito inteligente, dando a perceber que ele já sabia sobre todas as informações da escola — Você é muito novo, ela não imaginaria que fosse o escolhido.

– O escolhido?

– Sim, escolhido por nós — ele sorriu — Essa escola não funciona como as outras, não é uma simples diretora que toma as decisões. Somos nós. As crianças — ele rolou no colchão e ficou de frente pra mim, apoiando a cabeça nas mãos. Me lembrei na frase incompleta na diretoria "Porém, se seus serviços forem satisfatórios..." , claro, satisfatórios pra eles

– Difícil de acreditar, não é? Mas ela é apenas uma das pequenas peça do meu jogo, e eu decidi que nenhuma das outras professoras tem capacidade suficiente para estar nele. Até agora — ele estreitou os olhos (talvez não de propósito) ameaçadoramente e, no fundo deles também notei curiosidade — Você é diferente, mas não sei se é um diferente bom ou ruim — devia ser mesmo estranho, afinal, ele estava acostumado a sempre saber de tudo e conhecer uma pessoa nova que distorcesse toda a sua lógica, não devia ser agradável.

– Você também é diferente, Akashi-kun. E eu também não sei se é bom ou ruim — ele levantou as sobrancelhas com falso espanto

– Você é idiota? Essa não é uma questão obvia?

– Não, por que Akashi-kun, apesar de ser diferente, ainda é uma criança, e como todas as outras crianças daqui, vou dar meu melhor pra cuidar e proteger — sorri, ele me olhou com seus olhos heterocromáticos por tanto tempo que por pouco não corei, mas fiquei incomodado. Depois ele se virou no colchão e se cobriu com o cobertor

– Você é mesmo idiota — ele era o único que não estava perto de mim, então tirei um dos meus braços debaixo de Aomine e peguei-o com uma mão, o colocando com algum esforço sobre meu peito, e já que ele era o menor, coube perfeitamente ali. Akashi ficou surpreso, mas não recusou o contato, na verdade, ele olhou pra mim e sorriu maliciosamente.

– Se queria ser tocado, era só pedir — ele passou a língua nos lábios

– Akashi-kun, já esta na hora de dormir — ele sorriu e se encolheu sobre mim


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Horas depois fui acordado por um diretora impaciente que anunciou ser hora de ir embora, acordei as crianças e as dei um lanche rápido antes de irem. Cada um deu uma despedida típica, Kise chorando e precisando ser puxado por seus pais para ir embora; Murasakibara me dando um beijo muito doce na bochecha; Aomine ficando meio sentindo e me dando um comprimento com as mão, as batendo umas nas outras (se eu não me engano de basket também);Midorima corou um pouco e me deu uma figurinha que estava escrito "Boa sorte!" com letras grandes e verdes, e por fim, Akashi caminhou até a saída balançando a tesoura vermelha em suas mãos, e antes de desaparecer no carro, o vi dando um sorriso e embora não pudesse ouvir, tenho quase certeza que ele disse "Nos veremos em breve, Tetsuya-sensei".

Depois de ganhar meu pagamento, fui para casa pensado naquelas crianças que trabalhavam como soldados naquela creche, isso daria uma bela história. Sorri levemente, eles ficariam muito bonitos quando crescessem e gostaria de ver isso, entretanto se eles fizeram coisas tão...estranhas comigo tendo essa idade, quando ficassem mais velhos, não sei se poderia aguentar. Quando entrei em casa, o telefone estava tocando,e pra minha surpresa era a diretora:

Tetsuya?– ela perguntou

– Sim?

– Eu estava pensando se você poderia ficar o resto da semana... Não, eu estava pensando se você não gostaria de cuidar das crianças até o final do ano

– Mas o que aconteceu com a professora antiga? — perguntei preocupado

O marido a encontrou em casa machucada e sangrado muito e, aparentemente seus machucados foram feitos por pequenas lâminas– sua voz ficou mais sombria na última parte e não precisei que ela me dissesse que essas marcas eram de tesouras. Akashi-kun realmente é diferente, mas ele não era o único, aquelas crianças eram muitos especiais

– Então sua resposta é...?

– Claro que vou cuidar delas — não podia ignorar uma ordem desse jeito, não queria acabar como uma de suas vítimas

Ótimo, então amanhã, na mesma hora– ela disse aparentando felicidade — Ah, e Tetsuya-kun, obrigado por seus satisfatórios serviços.

Desliguei o telefone e sorri, apenas torcendo para não ser estuprado.



Notas finais
Espero que tenham gostado, por que eu gosto de reviews :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!