Notas iniciais
Olá, pessoal, tudo bem? Aqui vamos nós com mais um capítulo de "Kurohanayome". Espero que estejam gostando. Desde já gostaria de anunciar uma super novidade, entretanto eu preciso do apoio de vocês para torná-la realidade aqui no Nyah!: na verdade, esta fanfic já está terminada. Eu apenas estou postando os capítulos lentamente porque [risca]eu sou má *apanha*[/risca] quero que vocês absorvam a magia de cada capítulo aos pouquinhos e ninguém se afogue com muitas informações de uma vez.
Alguns meses após o término, Akemi ficou no meu pé e eu, com saudades (admito), decidi escrever uma continuação.
Desejo postá-la aqui também após terminar de atualizar essa aqui, entretanto preciso do feedback de vocês para saber se vale a pena ou não. Porque quando uma história é chata, todos querem que termine de uma vez por todas. Necessito saber a opinião da maioria. Você que favoritou minha fanfic, você que é meu leitor-fantasma... Só um recadinho para mim vale muito!
Enfim, chega de lero-lero e vamos lá! Boa leitura e até a próxima. o/

Agora nos chamávamos Isabelle e Celine, duas irmãs donas de uma indústria de cosméticos no sul da França, que tinha uma filial de vendas na Inglaterra. Tínhamos toda uma “história” e “provas” de que nossos negócios haviam feito a diferença na economia britânica. Um disfarce perfeito para infiltrarmos naquela reunião.

-Mas, por que eu tenho que me chamar Celine? Isso não facilita associarem esse nome ao meu verdadeiro? – Ciel ajeitava a peruca alaranjada.

O olhei com o canto dos olhos e sorrindo boba. Sebastian suspirou e passou uma mecha da franja postiça do Conde para trás da orelha do próprio:

-O mestre pediu para que não escolhêssemos um nome muito diferente senão teria problemas para associá-lo ao seu disfarce. Depois, esse cabelo é de cor diferente a sua cor de nascença. Não tem como os humanos suspeitarem.

Suspirei ajeitando a saia de meu vestido azul turquesa cheio de laços:

-“Celine” é a sua cara.

Ele perguntou retórico e impaciente:

-Por que será?

Pus a mão enluvada no queixo dele e disse gentil:

-Está bonito.

Ele resmungou:

-Por favor, eu sei que você está com vontade de rir.

O observei novamente dentro daquele vestido vermelho com rosas fixadas na cintura. Inclinei meu corpo para a janela da carruagem e murmurei olhando para fora:

-Você sabe que eu não gosto de mentiras.

A diligência parou de repente. O cocheiro nos avisou que havíamos chegado. Sebastian abriu a porta e ajudou a mim e a Ciel desembarcarmos. Quando pus os pés no chão, avistei a carruagem de Lau logo atrás. Ele desceu acompanhado por Ranmao e os outros criados. Embora o condutor da diligência tivesse dito que havíamos chegado, os cavalos haviam parado numa distância consideravelmente grande da entrada.

Ciel aproximou-se dos recém-chegados e disse sem rodeios:

-Muito bem, vocês sabem o que devemos fazer. As distrações devem ser tiradas de perto de Sua Majestade e, enquanto vocês fazem isso, eu cuido do resto. Se eu precisar de ajuda, mandarei um sinal, entenderam?

-Sim, senhor! – eles bateram continência.

Lau apenas observava a pequena reunião com um braço sobre os ombros delicados de Ranmao. Eu estava ao lado de Sebastian e escutei o demônio perguntar:

-Será que dessa vez será o suficiente?

O encarei curiosa:

-Até você apresentando descrença?

Ele apenas virou o olhar para mim e respondeu:

-Lady Elizabeth deve ter visto o estrago que aquele anjo fez. Não queira nem imaginar o que uma casta revoltada é capaz de fazer.

Pendi os ombros:

-Entendo plenamente, porém não podemos desanimar. Se der tudo certo, não será uma situação tão complicada.

Ele olhou para o céu escuro e resmungou:

-O problema é não saber se dará tudo certo.

Ciel virou-se para nós e disse:

-A vida é como um jogo de xadrez. Você apenas sabe qual será o próximo ataque depois de realizar a sua jogada. – fez um sinal com a cabeça e passou por nós. – Vamos logo.

Quando entramos no salão, automaticamente me senti reprimida. Corri para o lado de Ciel e esbarrei nele sem querer. Ele me segurou pela mão e me lançou um olhar questionador. Corei:

-Desculpe.

Ele deu um meio sorriso e murmurou:

-Fique calma.

Muitos conhecidos meus estavam lá, mas ninguém me reconheceu. Comecei a imaginar se isso era porque eu ficava muito diferente de óculos ou então aquelas lentes haviam sido passadas em algum tipo de magia para que as pessoas não se recordassem de mim. O anfitrião da festa aproximou-se de nós de modo acolhedor e, enquanto eu tentei me soltar, Ciel acanhou-se subitamente e gaguejou um resmungo:

-Ele de novo não!

-Sejam bem-vindas, senhoritas! Sou o Visconde de Druitt! – ele disse galante e beijou nossas mãos.

-Obrigada. – respondi ajeitando meus óculos.

Ele se aproximou de mim e disse de modo encantador:

-A senhorita tem belos olhos. Qual é o seu nome?

Quase esqueci de meu pseudônimo:

-Eli... Isabelle Neveu. Esta é minha irmã, Celine Neveu. – apontei para Ciel, com a voz quebrada.

O visconde segurou minhas mãos e olhou para Ciel com um sorriso amistoso:

-Ela é igualmente bela a você.

Encarei meu primo estático e quase implorei por ajuda em pensamentos para me livrar daquele nobre, que conseguiu demonstrar ser mais intimidador do que qualquer outra coisa, se uma jovem loira e de porte elegante não aparecesse nesse momento e dissesse risonha:

-Meu caro visconde, você está assustado as pobres meninas!

Era a rainha Alexandra. Sorri aliviada quando o galanteador da festa me soltou. Olhei de relance para Ciel e comecei a imaginar se algo do tipo havia acontecido com ele na outra vez que se disfarçou de garota, mas achei melhor deixar essa pergunta para lá.

-Desculpe. Mas, elas não são lindas, Vossa Majestade? – ele perguntou.

-Muito. – a rainha disse gentil olhando para mim e Ciel. Alexandra falou ao cavalheiro empolgado: — Vá cumprimentar os outros convidados, daqui a pouco vamos começar.

-Sim, Vossa Majestade. – ele fez uma reverência e se afastou de nós me olhando calorosamente. Isso me intimidava aos poucos.

A rainha pediu desculpas:

-Me perdoem pelo comportamento de Druitt. Eu o pedi para que ajudasse a recepcionar os convidados por ele ser muito cortês, porém ele tem fraqueza por belas damas. Pelo menos, eu diria que vocês têm sorte em passarem pelo conceito dele.

-Obrigada, Vossa Majestade. – nós dois respondemos fazendo reverência.

Alexandra moveu as mãos em sinal de reprova e disse rindo:

-Por favor, não precisam fazer isso. Hoje todos nós somos iguais, estamos comemorando o progresso de nosso país na economia.

Ciel fingiu interesse, encarnando Celine:

-Seria interessante conversar com Vossa Majestade sobre as novas ideias para ajudarmos os lucros da sociedade inglesa.

Alexandra respondeu prontamente:

-Isso deve ser tratado com meu marido. Ele está se arrumando para descer aqui.

-Desculpe a intromissão, mas o rei já não devia estar aqui com os convidados ajudando a recepcionar? – Ciel olhou para mim em seguida e comentou: — Geralmente, é o anfitrião principal que fica na porta do salão.

Achei que aquela fala foi petulante demais para ser dita para a rainha. Pensei em suavizar a situação, mas Alexandra respondeu com uma ponta de hesitância:

-Sim... Mas... – olhou para os lados e sussurrou: — Ele não está muito bem hoje.

-O que ele tem? – os olhos de Ciel tornaram-se hipnotizadores e desviei o olhar antes que eu padecesse dos mesmos efeitos que a pobre Alexandra sofria naquele momento.

Ela ficou corada e abaixou o olhar. Disse com um vago sorriso:

-Ultimamente, ele não está bem de saúde, mas já está se tratando. Em breve ele ficará melhor. Bem, se me dão licença, eu tenho que ajudar a recepcionar as pessoas também. – se retirou.

Neste momento, me pus imediatamente ao lado de Ciel e observamos a movimentação ao redor. Sebastian apareceu por trás de nós e murmurou:

-Ele está no andar superior, então?

Meu primo pareceu deduzir o que o demônio tinha em mente e disse o encarando sobre o ombro:

-Acho que devemos analisar o campo inimigo antes de irmos direto à fonte, Sebastian.

O mordomo protestou:

-Se demorarmos demais, provavelmente Charlie adivinhará que estamos aqui e se preparará para nos atacar.

Ciel virou-se para trás e respondeu:

-Com certeza ele já deve ter planejado alguma coisa bem antes de chegarmos. Ele sabe que não iremos desistir.

Ousei olhar os olhos do Phantomhive novamente e vi que eles voltaram a ter aquele aspecto frio e sedutor de antes, diferente daquele intenso de alguns minutos atrás. Apenas observei mestre e mordomo discutindo e disfarçando a importância do assunto com sorrisos gentis e gestos naturais por um bom tempo até eu suspirar e dizer:

-Eu vou dar uma volta pelo salão.

Ciel me olhou e perguntou:

-O que pensa em fazer?

Parei, virei para trás e estendi os braços para os lados:

-Oras, estamos aqui como convidados de uma festa. Vamos nos divertir, certo?

Ele deu um meio sorriso e balançou a cabeça, compreendendo o que eu quis dizer. Começou a tocar uma valsa e vários nobres se moveram para o centro do salão. Nós ficamos parados e observando a organização dos pares. Estendi as mãos para Ciel e perguntei:

-Quer que eu te chame para dançar também?

Meu primo cruzou os braços contra o corpo e fez uma carranca. Sebastian o agarrou e disse:

-Deixe que eu mesmo dou um jeito nisso.

Então, mesmo sem querer dançar, Ciel foi conduzido pelo demônio para o centro do salão e eles dançaram com um pouco de desentrosamento. Eu abafava minhas risadas com as mãos. Alguém tocou em meu ombro e, ao olhar para o lado, me tornei séria. Era o visconde que me chamava:

-Me concede a honra dessa dança, senhorita?

Ele já estava começando a me assustar, porém, quando pensei em negar o pedido, reparei que meu irmão estava olhando para o lado onde eu estava e dei minha mão imediatamente para o nobre loiro que me chamava. Pior que eu reparei que o visconde sorriu satisfeito com meu ato.

Quando a música terminou, escutamos uma voz grave soar sobre nossas cabeças. Ao erguer os olhos, vi o rei batendo palmas no alto da escada e dizendo:

-Realmente é maravilhoso vê-los todos unidos aqui. Temos o reino mais lindo e rico do Mundo graças a vocês. Obrigado pela presença nesta noite.

Os nobres curvaram-se perante ele. Curvei-me também e, com a cabeça baixa, procurei por Ciel ao meu redor. Eu queria me livrar de minha companhia logo.

Depois de um breve discurso sobre o assunto da noite, fomos direcionados até a extensa mesa de jantar. Logo vieram vários servos nos servir. Enquanto as pessoas comiam, muitos manifestavam suas ideias para o rei e ele os respondia calmamente. Eu o encarava do local onde eu estava, procurando alguma incidência de que ele estava doente. De repente, seus olhos fixaram-se nos meus e voltei a encarar meu intocado prato. Edward VII perguntou:

-Então, Isabelle e Celine Neveu... Fiquei feliz em finalmente conhece-las pessoalmente. Como tem sido os negócios?

Ciel que respondeu:

-Uma maravilha. As importações cresceram bastante nestes últimos meses.

O rei bebeu um pouco de vinho e disse orgulhoso:

-Ouvir que tudo está evoluindo soa como música para meus ouvidos.

De repente, escutei um resmungo próximo a mim:

-Palhaçada.

Olhei discretamente e senti o sangue sumir de meu rosto: meus pais estavam lá e meu pai que havia resmungado isso. Cutuquei a cintura de Ciel e sussurrei:

-Eles estão aqui.

Ele respondeu naturalmente, enquanto fingia gostar da comida:

-Eu sei.

Fiquei apavorada:

-Por que não me falou?

-Para você não ficar assim. Agora calma.

Bastou ele dizer essas palavras para meu coração se acalmar.

Após o jantar, os convidados ficaram livres para conversar entre si em quanto uma banda tocava músicas suaves, cujas notas se espalhavam pelo ambiente. Eu tomava cuidado para não esbarrar nas crianças que corriam pelo salão ou nos garçons que tinham passos silenciosos. Por fim, avistei a rainha conversando animadamente com uma mulher e, quando me aproximei, vi que era mamãe. Reparei que ela tinha um olhar triste.

-Frances, eu sinto muito. – Alexandra dizia.

-Eu estou preocupada, Vossa Majestade. Minha filha desapareceu desde o dia do incidente. – mamãe demonstrava que ainda estava chocada.

Eu não sabia quais eram as conclusões que meus pais tiraram a respeito do que aconteceu na mansão. Com certeza, a polícia estava investigando e apresentou fatos que, apesar de não serem à altura do que eles presenciaram, deviam ter aceitado a fim de permanecerem na realidade e tentar não ir para o caminho da loucura, embora realmente tivesse acontecido uma batalha entre anjos, demônios e cães infernais ali naquela noite.

Pensei em correr na direção de minha heroína espadachim e abraça-la, mas eu sabia que aquele não era o momento adequado. Vê-la triste era uma coisa rara e também era sinônimo de que a dor estava sendo maior do que seu orgulho. Virei de costas para aquilo e me senti mal. Corri para o jardim a fim de respirar ar fresco e observar o céu, que começava a apresentar alguns pontos brilhantes no alto.

Do lado de fora ainda era possível escutar a “sinfonia aristocrata” vinda do salão: risos, vidro batendo, sons de instrumentos de corda, pés e cadeiras sendo arrastadas no piso. Fiquei pensando se os nobres ali presentes realmente se importavam apenas com seus títulos, posses e conquistas, pois vi ninguém manifestar preocupação com as estranhas mortes que aconteciam entre o próprio meio. Aquilo estava estranho: era como se algo ocultasse a verdade diante dos olhos de muitos e, os poucos que a viam, eram eliminados rapidamente.

Respirei fundo: aquilo devia ser esclarecido de uma vez por todas naquela noite.