Notas iniciais
Olá, pessoal, tudo bem? Espero que estejam gostando da fanfic, eu me empenhei bastante nela. Obrigada por lerem. Até a próxima e se deliciem com este novo capítulo. ^^

Scotland Yard. Esta palavra me assombrava durante aquela madrugada: só de imaginar a polícia de Londres investigando sobre os possíveis culpados pelo incêndio na mansão Middleford e atentado a homicídio, me deixava aflita. Tremi ao imaginá-la arrombando a porta da casa da família Phantomhive e levando todos nós para uma sala claustrofóbica a fim de nos torturar até fornecermos todas as by Savings Sidekick\">informações necessárias.

Até que ponto eu aguentaria a tortura? A partir de qual momento que eu enlouqueceria?

Minha mente era uma maldita: quanto mais eu tentava relaxar e descansar, mais ela construía cenas terríveis. Cansei-me daquilo e levantei da cama. Estava ventando do lado de fora. Calcei os chinelos, pus o roupão e saí do quarto: eu precisava caminhar um pouco pelos corredores para esfriar a cabeça.

Iluminando o caminho com as velas do candelabro de cobre, me recordei de quando encontrei Meirin próxima ao bosque: após conversarmos, nos unimos a Bard e Finny, que estavam decepcionados com seus respectivos desempenhos na batalha anterior. A governanta tentava nos animar, porém ela também se apresentava cansada, ferida e constrangida. Não dialogamos muito na volta: apenas pegamos a carroça puxada por uma mula, que estava escondida num by Savings Sidekick\">local entre as árvores, e voltamos para a mansão. No meio do caminho eu tentava procurar por alguma evidência de que Ciel e Sebastian estivessem por perto, mas vi nada além da própria escuridão.

Adormeci no meio da viagem e acordei sobressalta, com Meirin me puxando gentilmente pelo braço. Tanaka nos recepcionou com uma caixa de primeiros socorros. Rimos de seu jeito hesitante em estender uma gaze para o ferimento do braço de Bard.

A jovem empregada me ajudou a tomar banho. Meu corpo doía e meu rosto ainda ardia devido ao tapa que levei de meu pai. Quando a água quente tocava minha pele, eu sentia um pouco de dor, porém aguentava o incômodo em silêncio. Eu pensava em Ciel e em Charlie: será que eles haviam se reencontrado após o incidente?

-Lady Elizabeth, desculpe por isso, mas o quarto de hóspedes está uma bagunça. – a ruiva me disse. – Já que o mestre não se encontra e nem a usa mais, a senhorita pode dormir na cama dele se desejar.

-Como assim “nem a usa mais”? – perguntei já imaginando a resposta.

Ela me respondeu:

-Desde que ele voltou com Sebastian, não tem necessitado tanto de sono quanto de alimento. Creio eu que seja porque ele não é mais humano.

-Entendo. – respondi. Suspirei e dei um meio sorriso: — Por mim, sem problemas.

Embora a cama dele fosse mais macia do que a minha e o ambiente silencioso, eu não conseguia dormir. Então, levantei e lá estava eu vagueando pelos corredores e prestando atenção nos objetos de decoração.

De repente, passei diante de um cômodo que tinha a porta entreaberta e olhei de relance. Meus olhos captaram um objeto brilhante. Retrocedi alguns passos e continuei olhando pela fenda a fim de visualizar se havia alguém lá dentro. Empurrei a porta e não vi ninguém, embora a lareira estivesse acesa. Olhei ao redor e meus olhos fixaram-se novamente naquilo que chamou a minha atenção e fiquei encantada quando o identifiquei como um belo sabre. O cabo dele era prateado com detalhes em dourado.

Minha mãe sabia usar um daqueles. Aliás, graças às histórias sobre suas façanhas como esgrimista, eu cresci com a curiosidade e vontade de saber lidar com uma arma daquelas. No final das by Savings Sidekick\">contas, aprendi tão bem que meus pais ficaram com medo de eu utilizar aquilo com intenção de machucar alguém e começaram a desaprovar meu aperfeiçoamento. Somente meu irmão que ainda ficava ao meu lado sob o protesto de que, apesar de eu ser uma dama, devia saber me defender.

Movi a espada pelo ar e me virei simulando que eu enfrentava um inimigo. Ao esticar o braço dolorido, senti um espasmo de dor e cambaleei derrubando um vaso no chão. Larguei o sabre no momento do baque e olhei apavorada para a cerâmica espatifada.

-Ai, meu Deus, Ciel irá me matar!

De repente, uma voz soou próxima ao meu ouvido e senti um hálito morno em meu pescoço:

-Se fosse para te matar, já teria feito isso antes mesmo de você derrubar o vaso.

Quase dei um grito e fiquei constrangida com aquilo. Me arrependi imediatamente por estar perambulando pela mansão naquele horário. Virei para trás tentando achar as palavras certas:

-Ciel... Bem... É que... Eu... Não... Conseguia dormir e... – reparei que estava sozinha no cômodo.

Olhei melhor ao meu redor tentando acha-lo. Ouvi a voz dele do lado de fora:

-Eu não estou apresentável ainda. Desculpe ter sumido.

-“Apresentável”? Como assim? – pus as mãos na cintura sem compreender.

Ele suspirou:

-Apesar de já ter feito isso outras vezes, não consigo recuperar minha forma humana.

Encolhi os ombros e entendi:

-Ah, sim. – contornei os pedaços de cerâmica e fui à direção à porta. – Mas, tudo bem, Ciel. Eu te vi se transformando naquela hora. Eu estou bem.

-Eu não... – ele murmurou.

Abri a porta e olhei para os lados, porém não vi meu primo pelo corredor, mas a voz dele continuava eminente:

-E aquela cara de assustada fazia parte da encenação? – ele indagou risonho.

Abaixei a cabeça e ri baixo ao me recordar do momento. Admiti:

-É, foi uma surpresa ver que você é daquele jeito, porém já era de se esperar que você escondia alguma coisa, certo?

-Se fosse apenas uma coisa, acho que eu estaria bem.

-Pare de chorar. – fiz uma carranca.

Ciel retrucou:

-O que você quer que eu diga? Além de ter uma aparência bizarra, minha personalidade é complexa e já me alimentei de almas. Precisa de mais alguma coisa para piorar? Por favor, não responda...

-Pessimismo faz parte da nova personalidade também, é? – cocei a cabeça com impaciência.

Um silêncio curto se estendeu. Ele respondeu num suspiro:

-Acho que isso é medo mesmo.

Me compadeci:

-Ah, Ciel... – andei na direção da sala de estar ao reparar que a voz dele começava a se afastar para aquela direção. – Você está bem, pelo menos? Onde está Sebastian?

-Sim, estou. – ele respondeu. – Eu e Sebastian fomos procurar por Charlie nas redondezas, porém aquele maldito fugiu novamente. Quando voltamos para a mansão, meu mordomo disse que iria buscar por informações para nós. Agora temos que espera-lo retornar.

-Entendi. – pus as mãos para trás e fiquei olhando para as paredes da sala de estar. Insisti: — Será que tem como parar de se esconder? Não dá para conversar com você sem te ver.

-Certeza disso? – ele hesitava.

-Claro. – respondi com firmeza.

-Ok, então. – ele se reintegrou atrás do sofá e me encarando com os olhos vermelhos vívidos.

Observando ao longe, reparei que os chifres de carneiro montês ainda estavam no alto de sua cabeça, porém a expressão que Ciel tinha era similar a de uma criança que havia feito uma travessura e agora estava com medo de receber bronca. Com naturalidade, sentei no sofá, me inclinei para a parte detrás e disse:

-Nem traumatizei.

Ele franziu as sobrancelhas:

-Satisfeita?

Apenas meneei a cabeça. Desfiz o sorriso e abaixei os olhos:

-Acho que eu devo te pedir desculpas.

-Ah, é mesmo... – ele se recordou. – Por que você fugiu de casa?

-Como eu já devo ter dito, você sabe o porquê. – rolei os olhos e virei para frente. Continuei sem jeito: — Pior que ele me expulsou de lá também.

O escutei suspirar e se levantar. Virei para trás e pude visualizá-lo melhor: de fato, ele não estava tão assustador quanto dizia estar ou talvez já estivesse voltando a sua forma “normal”. Ciel me encarou e eu parei de observar seus movimentos. Abaixei a cabeça e murmurei:

-Desculpe. Eu sei que você me disse para aceitar isso, pois meu novo destino será assim, mas é difícil da mesma forma, Ciel. Odeio mentir. O que adianta eu estar ao lado de alguém, que a sociedade estima tanto pelos seus bens materiais, e me sentir abandonada da mesma forma?

Ele virou de costas, pôs uma das mãos na cabeça e suspirou pesaroso de novo. Meu rosto começou a queimar de vergonha e minha voz ficou trêmula:

-Pode ficar com raiva de mim, eu vou entender. E também pode me chamar de teimosa. Só que saiba que eu estou tentando mudar, viu?

Dessa vez, ele não fez reação alguma. Pensei nas palavras que acabei de proferir e imaginei se alguma delas havia o ofendido ou decepcionado profundamente. Sem contar que parte daquilo que eu disse foi de forma leviana: eu não suportava Richard o suficiente para aceitar que em meu “novo destino” me tornasse esposa dele. Me aproximei cautelosa pelas costas do jovem Phantomhive e tentei suavizar o assunto:

-Desculpe de verdade por isso. É que é muita informação de uma vez só pra mim e...

Repentinamente, ele virou para mim me abraçou forte. Desta vez, quem não soube o que fazer fui eu. Levei alguns segundos para mover meus braços ao seu redor e corresponder o abraço.

Ele afagou meus cabelos e murmurou:

-Droga.

-Desculpe. – repeti.

-Não, não é você. – ele respondeu calmo.

Arqueei uma sobrancelha:

-É o quê?

Mais um longo período de silêncio. De repente, ele me apertou um pouco mais e desabafou:

-Eu estou começando a me apegar a você e isso não vai ser bom... – Ciel calou-se repentinamente. Senti que aquilo foi por causa de sua busca pelas palavras certas naquele momento. Ele suspirou: — Você sabe qual é o problema tanto quanto eu, mas mesmo assim eu não quero te deixar, Lizzy. Sinto um profundo remorso por não ter lhe escutado quando eu tinha chances de crescer com você, sorrir e chorar com você, ver o sol nascer e se por com você e, com certeza, envelhecer com você. Eu ia perder meu ódio aos poucos e me tornaria uma pessoa melhor, mas não foi isso o que aconteceu. Perdoe-me por ter te abandonado, por estar me tornando algo desprezível, por não envelhecer e te fazer sentir-se mal por causa disso. Peço desculpas pela confusão causada há dias, pelas dores de cabeça e vezes que eu falhei. Porém, apesar de tudo isso, eu me sinto feliz em ter te reencontrado depois de tanto tempo. Através de você, finalmente pude sentir e valorizar coisas que tinham significado nenhum para mim antes. E, estranhamente, estou me sentindo um pouco mais humano do que demônio, sendo que antes era possível reparar o inverso progredindo aos poucos. Então, acho que devo dizer “obrigado” agora, não é? Ahn? – ele reparou que eu estava engolindo o choro. Se afastou e franziu as sobrancelhas: — O que foi que eu disse?

-Desculpe, eu prometi que não ia fazer isso de novo e está se repetindo. – respondi com a voz quebrada, tentando conter as lágrimas. – Porcaria!

Ciel deu um pequeno sorriso e me revelou:

-A maior parte dos demônios não tem emoções. Raramente você conhece um que chora, então eu te peço que não deixe de se expressar, por favor. Você é sensível.

Meu rosto queimava de vergonha. O limpei com o dorso da mão e murmurei constrangida:

-Por causa dessa sensibilidade que eu venho fazendo tantas coisas precipitadas e só dando trabalho.

Ele rolou os olhos:

-Pare de dizer isso, por favor. — segurou minhas mãos, me olhou nos olhos e perguntou: — Você me promete uma coisa?

-O quê? – minha visão estava meio embaçada.

Ele sorriu, mas quando fez menção de falar, Sebastian apareceu na sala e disse agitado:

-Eu tenho novas informações.

-Agora? – Ciel não deixou de demonstrar o incômodo.

-Desculpe, mas isso é importante. – Sebastian falou num tom que parecia me desprezar ali, porém ignorei.