Kurohanayome - A Noiva de Negro
24 Epílogo
Notas iniciais
Eu estou pensando no que fazer da minha vida de agora em diante (leia-se: fazer com as minhas histórias lol). Qualquer coisa, logo vocês serão notificados sobre qualquer outro trabalho meu. A continuação de Kurohanayome (que eu batizei de Kurotsuma) ficou encostada, então, por enquanto, irei falar nada sobre ela.
Lamento pelos erros que essa fanfic contém. Sim, por mais que eu revise, assim como qualquer outra pessoa, sempre tem pontas soltas nessa teia de aranha que todo escritor forma para desenvolver sua narrativa. Porém, não irei por minhas mãos novamente no que já está feito, porém pego isso como exemplo para aperfeiçoar nas próximas vezes.
Essa fanfic foi uma das melhores coisas que eu fiz na vida. Não falei nada, mas o motivo pelo qual me levou a escrevê-la foi me livrar da tristeza que uma pessoa que amei demais me causou após me trair e me deixar para trás. Kuroshitsuji, Yana Toboso, os comentários de amigos e pessoas que nunca vi na vida, mas são especiais já, acabaram me "salvando" nesse meio tempo e me fazendo enxergar que eu sou boa o suficiente para algo sim.
Enfim, que fique a dica: quando você pensar que depende de outras pessoas para demonstrar o seu melhor, repense nisso. Na verdade, seu valor excede a qualquer julgamento de qualquer um.
Ok, chega de papo furado e vamos lá. Deleitem-se, comentem se quiserem e até a próxima, pessoal. Obrigada. ♥
Haviam se passado alguns meses após o incidente. O inverno havia chegado ao fim depois de demonstrar que ainda era uma estação rigorosamente fria. Pude concluir que os problemas climáticos daquele ano não eram ligados à mãe natureza, mas ao fato de que os anjos estavam sendo pedras tão grandes no meio do caminho que até os fenômenos físicos aos arredores da Inglaterra estavam sendo afetados.
O rei havia se estabilizado e começado um tratamento de saúde eficiente. Logo seu emocional se equilibrou e ele se pôs a trabalhar para consertar todas as coisas erradas que foram deixadas pelo caminho por aqueles últimos meses. Apesar de estar aliviado, eu mantive meus olhos nele e sempre busquei informações a respeito das novidades vindas da realeza para com o povo.
Até que, um dia, ele me chamou para uma reunião solene no palácio. Eu e Sebastian chegamos no horário marcado. Quando desci da diligência, muitos olhares curiosos se voltaram para mim, sendo alguns cheios de inveja e desconfiança, porém ignorei todos e rumei para os portões.
Suas Majestades estavam assentadas em seus respectivos tronos. Edward VII levantou-se quando eu me aproximei e disse em voz alta para todos os nobres e servos presentes:
-Devido aos grandes esforços e méritos obtidos desde sua volta para o nosso país, quero tornar o Conde Phantomhive meu conselheiro honorário. Ele será meu braço direito e as pessoas que o respeitarem estarão respeitando a mim.
Todos aplaudiram. Sorri discretamente para a multidão. Embora um título a mais ou a menos não mexesse com a minha cabeça, eu sabia que ser tão estimado pelo rei me dava vantagens para as minhas investigações como cão de guarda do trono.
Após um pequeno discurso, todos foram dispensados para a festa particular. A rainha levantou-se do trono e veio em minha direção. Ela tinha voltado com suas expressões juvenis. Cumprimentou-me:
-Parabéns, Ciel. Fico feliz que tenha conseguido esta honra. – virou-se para Sebastian e disse bondosa: — Seu mestre é uma pessoa incrível.
Meu mordomo sorriu gentilmente e respondeu diplomata:
-A família Phantomhive em si é incrível. Sinto-me honrado por trabalhar para eles.
Alexandra passou a mão no cabelo e seu sorriso continuou estampado no rosto:
-Você também é um mordomo incrível, Sebastian. Desde que vi você e Ciel juntos, reparei que sua dedicação a ele é admirável.
Eu e Sebastian nos olhamos: na verdade, sabíamos que ele era obrigado a me servir de modo digno. Tudo graças ao pacto que nunca teria fim. Apesar de Hannah ter me tornado mais humano do que demônio após me reviver, minha alma ainda estava distante das garras daquele demônio de olhos vermelhos, que seduzia as pobres mortais aonde quer que fosse. Ele a respondeu educadamente:
-Obrigado, Vossa Majestade.
Cortei o assunto:
-Bem, acho que devemos ir agora. Adoraria ficar um pouco mais na festa, mas tenho alguns outros assuntos para resolver hoje. – franzi as sobrancelhas e inclinei a cabeça de lado: — Será que Sua Majestade ficará constrangida comigo?
Alexandra moveu a mão num sinal de desdém e piscou um olho:
-Não se preocupe, ele não é mais criança. – riu. – Agradecemos muito a presença de vocês e todo o trabalho. Mande lembranças a Elizabeth por mim.
Desfiz meu sorriso e não disfarcei a curiosidade:
-Faz tempo que se viram?
A rainha virou-se para trás e balançou a cabeça:
-Sim. Desde antes do incidente no salão. Aliás, faz muito tempo mesmo que a vi. Achei que ela estava viajando com você, mas os pais dela me contaram que vocês ainda não se casaram... Ela está bem? – desta vez, quem demonstrou preocupação foi Alexandra.
Refleti: haviam ocorrido alguns encontros entre os nobres posteriormente ao dia que derrotamos Charlie e os outros. Lizzy havia retornado à casa dos pais na manhã seguinte após chegarmos à minha mansão. Apesar de ter tentado acalmá-la, ela se demonstrava muito agitada e, pelo visto, não se perdoava de forma alguma por ter trocado nosso filho – que nem nasceu – por minha ressurreição.
Pelo visto, naquele meio tempo que não nos vimos, pois precisei sumir por um tempo da casa dos Middleford para resolver problemas pessoais e fazer algumas investigações com a ajuda dos shinigamis, ela havia se isolado dentro de casa.
A jovem rainha ainda me olhava com uma ponta de aflição. Levantei o olhar e fui sincero:
-Na verdade, não sei, mas irei vê-la agora.
Alexandra sorriu de modo aliviado e comentou:
-Você realmente a ama, não?
Depois de tanto tempo sem aquela reação, senti minha face avermelhar. Ri fraco e murmurei:
-Na verdade, fiquei sem vê-la há um tempo devido a alguns contratempos, mas recompensarei este meu erro agora mesmo.
-É uma forma de expressar o amor por alguém, oras. – às vezes, Alexandra esquecia a etiqueta que era própria para a sua posição e agia como uma amiga próxima. Mas, isto era o que tornava aquela humana especial. – De qualquer forma, vá lá logo e não deixe sua noiva esperando.
-Sim, Vossa Majestade. – bati uma continência e me retirei.
Alexandra riu.
Do lado de fora do castelo, Sebastian me perguntou sem vontade:
-Você irá atrás dela agora?
Suspirei:
-Você ainda se sente ameaçado com isto?
Ele admitiu:
-Dizem que deixar o lado humano de um demônio secundário aflorar pode ser algo perigoso... Ele pode voltar a ser um mortal, mas com a alma intocável.
“Demônio secundário” seria um humano que foi transformado num ser daqueles devido a algum incidente sobrenatural que o envolveu, assim como ocorreu comigo. Sorri sarcástico:
-Você não poderá tocar na minha alma de uma forma ou de outra, Sebastian. Depois, Elizabeth tem culpa de nada.
Ele abriu a porta da diligência e retrucou:
-Se o filho do barão, que estava comprometido com ela, não tivesse sido pisoteado até a morte naquela festa, eu queria ver o que você diria agora, mestre.
Olhei para ele sobre o ombro de modo furioso. Sebastian continuou de cara fechada. Sem dizer mais alguma palavra, me acomodei próximo a janela e olhei para o lado de fora, de braços cruzados: havia certas coisas que era melhor não discutir, pois não valiam à pena. Eu sabia que iria brigar com Sebastian por muito tempo por causa daquilo, então eu já deveria “adestrar” a minha paciência para não mordê-lo – pelo menos, não em público.
Naquele momento, eu estava preocupado com Elizabeth e nada mais era importante além de saber se ela havia cumprido o que me prometeu.
~ Elizabeth ~
As paredes daquele quarto pareciam se mover: era como se o cômodo diminuísse e aumentasse de tamanho o tempo todo. Isso durante o dia. À noite, eu sentia que elas vinham se estreitando e, em algum momento, apertavam todos os móveis ao centro do mísero cubículo e esmagavam meu corpo. Então, eu acordava apavorada e não conseguia dormir.
Por mais que eu tentasse garantir aos meus pais que eu estava bem, a cada dia que se passava eu me sentia pior. Hannah me visitava em meus sonhos e os pesadelos constantes me perseguiam até quando eu estava acordada.
Quando soube que Richard faleceu, não posso dizer que fiquei feliz ou triste: apenas senti nada diante disso, mesmo usando trajes negros em sinal de luto por meu “noivo”. Meus pais se lamentaram muito, pois ele era uma pessoa importante para a nossa família bem antes de surgir a ideia de casamento arranjado, mas eu senti nada. Não sei se foi indiferença a existência dele ou eu estava perturbada o suficiente com o que fiz naquela mesma noite que ele morreu.
Eu queria que Ciel me detestasse por causa daquilo. Eu sei que, de qualquer forma, tínhamos a obrigação de trazê-lo de volta para o mundo dos vivos, pois ele era o “rei” daquele jogo de xadrez. Mas, mesmo assim, eu não conseguia aceitar. Comecei a por a culpa em Hannah, por ser tão astuta, e, no fim, a pus sobre meus ombros por ser tão sentimental e agir por impulso: se eu não a tivesse escutado, talvez Sebastian fizesse algo, talvez Undertaker soubesse de algo, talvez...
Apenas talvez...
Ciel tornou-se mais cuidadoso comigo. A princípio, me senti melhor, porém a culpa começou a pesar sobre minha cabeça e achei melhor me afastar de tudo e todos e evitar que me vissem até aquele sentimento passar. Eu conseguiria lidar com ele sozinha, Ciel não precisaria se preocupar.
Entretanto, foi pior: todas as noites, quando eu colocava a cabeça no travesseiro, me recordava das palavras dele antes que eu adormecesse exausta naquela noite...
-Elizabeth, eu já te falei... – Ciel suspirou, contornou a cama e sentou-se ao meu lado. – Esta não é uma situação que não poderemos resolver. Sem contar que, querida, você está se preocupando com algo que ainda não existe.
Fiquei na defensiva:
-Mas, como eu poderei me casar com você e logo de cara passarmos por algo deste tipo? Ciel, não que eu me arrependa de ter te trazido de volta, mas a forma que isso foi feito foi tão... – abaixei a cabeça e a sustentei com ambas as mãos. Eu estava tão assustada que as palavras sumiam de minha mente repentinamente.
Ele resmungou alguma coisa e me abraçou:
-Elizabeth, pare com isso... – disse com clareza próximo ao meu ouvido. Pediu: — Olhe para mim.
Continuei de cabeça baixa. Ele insistiu um pouco alterado:
-Olhe para mim.
Levantei o olhar e reparei que ele franzia as sobrancelhas de modo irritado. Balbuciei:
-Desculpe.
Ele encolheu os ombros:
-Tudo bem. Mas, me escute, por favor. Nós vamos dar um jeito e Hannah não conseguirá nada. Você vai ver. – ele suavizou a expressão.
Minha cabeça girava insistentemente. Eu tentei me expressar confusa:
-Mesmo assim... Correr riscos deste tipo de novo... Acho que se nós não ficarmos juntos talvez seja melhor para você... Não se preocupe comigo... Eu só faço besteiras e...
Sem rodeios, Ciel me calou com um beijo. Mesmo tendo pensado em nos distanciarmos por causa da situação atual, não pude me conter e correspondi. Ele deslizou a mão pelo meu pescoço, contornou meus braços e me segurou pela cintura. Me inclinei sobre ele e rocei os dedos em seu cabelo. Não soube se foi de propósito, mas ele acabou desfazendo o laço da fita que prendia o corpete do vestido ao meu corpo e ele ficou um pouco mais folgado. Falo que não soube identificar se foi de propósito, pois Ciel, de repente, se afastou sutilmente e segurou meu rosto com as mãos. Eu estava ofegante e com vergonha. Ele deu um sorriso astuto e repetiu:
-Ficará tudo bem e nem pense em se separar de mim. Você me prometeu que ficaria ao meu lado independente da situação. Eu confio em você.
Abaixei os olhos e fiquei pensativa. Ele perguntou num suspiro:
-O que você está pensando?
Estranhei a pergunta:
-Você já deve imaginar.
Ele rolou os olhos e revelou:
-Na verdade, é mais interessante ouvirmos as pessoas falando o que pensam do que lendo a mente delas. Principalmente quando é alguém que consideramos. – os olhos dele brilharam ao me encarar. – Quando alguém pensa em algo e não faz, muitas das vezes quer dizer que o pensamento não tinha importância, mas, quando pensa e faz, é outra história.
Sorri:
-É, isso tem lógica.
-Então? – ele insistiu.
Joguei uma mecha acinzentada de seu cabelo para o lado, deixando seu olho esquerdo descoberto. Meneei a cabeça:
-Bem... Eu vou tentar não ficar ansiosa.
Ele me olhou de modo que suspeitava algo. Reafirmei mais séria:
-Eu ficarei bem. Quer dizer, é muita coisa para a minha cabeça, mas como futura esposa do Conde Phantomhive, o que é que eu não faria?
Ele sorriu:
-Esta é minha garota!
Sorri de volta. Abaixei a cabeça novamente e murmurei um pouco encabulada:
-Ciel...
-Hm? – ele respondeu.
Oscilei em continuar. Ele insistiu vagamente preocupado:
-O que foi?
-Você reparou que desamarrou meu vestido?
Um silêncio pesado se estendeu no quarto. Ele gaguejou:
-É... Não... Mas... Bem... Eu vou dormir já, boa noite. – saiu e fechou a porta.
Ri alto por um bom tempo: ele mentiu tão mal que esqueceu que eu sabia que ele não dormia – pelo menos, ainda não tínhamos conhecimento disso.
Mas, estava difícil. Eu me sentia mais fraca e o desejo de nos separarmos ficava ali ao meu redor, pedindo para que fosse aceito por mim.
De repente, tudo ao meu redor pareceu me sufocar: como as paredes de meu quarto, as paredes dos corredores se estreitavam. Corri para fora da mansão e fui parar no meio do jardim. Olhei para o céu alaranjado de final de tarde e senti palavras borbulharem em meu peito. Lágrimas brotaram em meus olhos, os pensamentos se emaranharam e, cansada daquela insistente confusão, gritei:
-CHEGA! EU VOU CONSEGUIR! EU PROMETI! EU NÃO VOU PERDER!
Eu parecia uma louca no meio das flores, mas continuei desabafando ali mesmo até caiu de joelhos e com a garganta ardendo. Soquei o chão ao resmungar:
-Esta ansiedade pode querer me matar aos poucos, mas ela não vai conseguir. Eu estou com medo, mas é normal, porém eu não posso deixá-lo se alimentar de meus pensamentos negativos. Não quero fazer promessas vazias, mas por que é tão difícil honrá-las? Que raiva... Mas, eu vou conseguir!
De repente, alguém se agachou em minha frente e me abraçou com força. Pela voz, reconheci a pessoa mal-humorada e amável ao mesmo tempo:
-Claro que vai, cabeça dura! Eu faltei desenhar para você entender!
Respirei fundo e me insultei internamente ao reparar que estava chorando novamente. Aquilo era algo viciante, de certa forma. Enxuguei as lágrimas com o dorso da mão, sem soltar Ciel, e ri:
-Obrigada por querer desenhar.
Nos levantamos dali e reparei que haviam outras pessoas ao redor nos olhando. Fiquei vermelha ao pensar se fazia muito tempo que eles estavam ali. Ciel me segurou pelo braço e disse a eles:
-Está tudo bem, ela estava sentindo minha falta.
Meu irmão, que estava na sacada, gritou brincalhão:
-Pare de assustar as crianças, Ciel!
Edward, criança é o seu filho que nem sabe falar! – pensei mais envergonhada ainda. Já não bastasse estar sem graça, tinha que ouvir meu irmão fazendo aquele tipo de brincadeira. Mas, de qualquer forma, eu estava mais aliviada em ter meu noivo ali ao meu lado.
Levantei a cabeça e reparei que Ciel me encarava tranquilo. Ele perguntou:
-Ainda quer voltar atrás?
Movi a cabeça negativamente: por mais que eu fosse emotiva e as coisas tentassem me sufocar, eu ficaria ao seu lado. Os anjos da morte foram apenas uma prévia do que nós enfrentaríamos juntos, porém, mesmo sabendo que as coisas se complicariam e até mesmo aqueles que nem nasceram seriam perseguidos, eu tinha um propósito alimentado desde criança, mesmo sem compreendê-lo direito na época: ser a esposa forte que o protegeria com a minha vida, mas sem a necessidade do Mundo saber que, por trás daquele chamado Conde Phantomhive, havia uma mulher que também era uma guerreira e tanto.
-Minha Condessa... – ele me abraçou. – Independente do que aconteça, eu ficarei ao seu lado até depois do fim...
-Então, nós não teremos fim de fato.
Ele sorriu:
-Esta é a intenção.
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