Kudamono Tsumibito
1 Capítulo Único
Notas iniciais
- Próximo!- A voz da rainha ecoava pelos corredores do grande castelo. Sua voz firme, indagava que a mesma já havia perdido por completo a paciência.
- Acalme-se, rainha... Você vai achar alguém, pode ter certeza!- Uma de suas servas, via a fúria e o cansaço nos olhos da rainha, então, achou melhor dar um apoio.
- Por hoje chega...- Exausta, a rainha se levanta do trono e todas as suas servas a seguem.
- Mas senhora, ainda tem homens na fila!- Dizia a mesma serva, apreensiva.
- Por hoje...chega.- A rainha massageava as têmporas, tentando se acalmar.
- C-Certo.- Abaixava a cabeça, a seguindo, sem falar nem um “A”.
Osaka, Japão. Osaka era a cidade onde a rainha Uru Yabureta vivia. Dentro da cidade, havia grandes muralhas que cercavam o seu castelo, e ao redor do mesmo, encontravam-se pequenos burgos, condomínios e casas de aparência londrina. Como se fosse uma cidadezinha, dentro de uma cidade.
Sua mãe, Mina Yabureta morreu após dar á luz a filha e dezoito anos depois, Gojo, seu pai, adoeceu e acabou falecendo. Sentando no trono real agora, Uru.
Jovem, com seus 20 anos nas costas, bonita, centrada e extremamente diligente. Anos e anos de glória foram se passando com Uru no poder, porém, com o aparecimento de intrusos de outros países, guerras, aumento das taxas e impostos, o povo começou a se rebelar e achar que Uru não era a certa para esse importante posto. Ela nada fez, apenas, prometeu á seu povo, encontrar um rei que governasse á seu lado.
Mas aparentemente, nenhum rapaz tem agradado á ela. Dias e dias tentando encontrar alguém para ocupar o trono ao lado dela...e nada.
- Estava pensando em renunciar, Gia.- Em sua cama com seu longo e bufante vestido, e o pulso deitado sobre a testa, Uru sussurrava á sua leal e melhor serva, Gia Omoika.
- Como pode pensar asneiras do tipo, madame?! Desistir não é uma opção, Uru-sama.- As duas eram realmente muito íntimas, pois, se outra serva falasse desse modo com ela, sua mão se levantaria para cima da mesma.
- Só estava pensando...acho que não posso mais fazer nada.- Persistia.
- Olha, que tal passearmos pelos jardins do castelo? Para você se distrair...em?- Sorria convidativa.
- Está certo.- Aceitou a proposta amigável de Gia.
Passeando pelos jardins do castelo, com seu mais novo yukata vermelho, todo bordado com flores amarelas, verdes e azuis, a rainha se distraía. Seus cabelos negros estavam chamativos em um típico penteado japonês, e apenas uns fios ao lado do rosto, balançavam com o vento.
Chegando ao campo de margaridas, Uru e sua leal serva são paradas por Isao Miura e Hideki Taiga, integrantes da corte.
- Bom dia, Uru-sama e...Gia.- Isao sempre fora uma pessoa muito amarga, e não aceitava que a rainha ficasse andando por aí com uma serva, como se fossem íntimas.
- Bom dia, Isao-san... Hideki.- Hideki, uma das pessoas mais respeitáveis da corte e gentis. Ele seria um bom rei para o povo. Um ótimo pretendente.
- Bom dia, Uru-sama.- Respondia Hideki, se curvando.
- Eu e Lorde Hideki vimos você sair do castelo, e pensamos em convida-la para tomar um chá.- Isao a convidava com o seu jeito esnobe, se referindo apenas á rainha.
- Ah, bem, por que não, não é mesmo?- A rainha aceitava, mesmo não querendo deixar a amiga.
- Vai lá, depois a gente se encontra.- Gia apertava o ombro da amiga abrindo um sorriso e o fechando logo após se virar.
- Ai, Uru-sama, temos tantas novidades para contarmos á você!- Isao contava animada, enquanto Hideki nos acompanhava.
- É mesmo?- Uru tentava ser gentil, porém, seus pensamentos estavam na amiga que saiu de lá entristecida.
- Sim, sim, vamos, sente-se, precisamos botar a conversa em dia!- Hideki puxava a cadeira para Uru se sentar.
Muitas asneiras saiam da boca de Isao. Porém, tudo que entrava por um ouvido, saía pelo outro. Era sempre assim. Pelo menos, com as pessoas que ela não admirava.
Cansada de prestar atenção na condesa, Uru apoiou a cabeça com a mão e ficou apreciando o quão bonito era o jardim das margaridas. E quando estava visualizando, percebeu um vulto atravessar o campo e ficou curiosa de quem poderia ser.
- Se me dão licença, eu agora preciso ir á um lugar.- Uru se levantou seguindo para o campo de margaridas, sem nem ver a expressão abobada de Isao.
Caminhando por aquele vasto campo, Uru encontra uma pessoa. Uma garota, especificamente. Ela estava de costas e parecia estar chorando, pelos gemidos e grunhidos. Lentamente, a rainha tocou o ombro da desconhecida, que logo se virou assustada. Neste momento, Uru chocou seus olhos na pequena. Suas madeixas eram de um admirável vermelho escuro e seus olhos negros como a noite. “Que linda...”, Uru dizia para si mesma.
- Me desculpe, rainha. Eu não deveria estar aqui.- Levantava de súbito a garota, tentando esconder o rosto vermelho.
- Não!- Uru agarra o pulso da garota, a impedindo de partir.- Que tal você me contar do por que estava chorando...em?- Se aproximava da pequena, limpando uma fina lágrima que teimava escorrer.
- Acho que não seria certo...E-Eu tenho coisas á fazer. Perdão!- Assim, a garota desconhecida correu pelo campo, deixando a rainha com extrema curiosidade.
Com uma enorme nuvem negra se aproximando, Uru decide voltar á seus aposentos temendo a tempestade que estava por vir. Se jogando em sua cama espaçosa, a rainha ficou com uma certa estranha em sua cabeça. A curiosidade invadia sua mente, e isso, de certa forma, era tentador para a mesma.
- Uru-sama, já está na hora do nosso leite com açú-A amiga Gia, foi logo cortada, ao entrar nos aposentos reais.
- Gia, bem na hora! Preciso que você me ajude em uma coisa.- Segurou os ombros da fiel amiga.
- Tudo o que você quiser, madame.- Abria um sorriso agradabilíssimo.
Após Gia ter escutado os mínimos detalhes sobre a história da estranha que encontrará no campo hoje, ela pousou sua xícara na palma da mão,e tocou o queixo, tentando lembrar quem seria a garota, já que era uma serva do castelo.
- Eu não tenho certeza, mas talvez essa pessoa possa ser a Uruha-san. A nova cozinheira substituta.- Respondia pensativa.
- Uruha...?- A rainha abria um pouco os lábios curiosa, mordendo o próprio dedo indicador tentada.
- Sim, Uruha Aruba se não me engano, madame.
- Hm hm, interessante. Bem, obrigado Gia.- Agradecia a rainha, colocando a xícara vazia em cima da bandeja que a amiga segurava.
- A-Ah, não há de quê, madame. Estou aqui para o que der e vier!- Sorria convidativa. Já disse pra parar de me chamar de madame. Bom, me deixe sozinha. Preciso pensar. Boa noite, Gia.- Levantava os pés, tirando as sapatilhas douradas, pondo-os em cima da cama e se deitando a cabeça no travesseiro.
- Muito boa noite, mada-...Uru-sama.- Fechava a porta, apagando a luz, deixando o quarto com apenas a iluminação que vinha da janela.
A rainha logo adormeceu, acordando depois pelos fortes raios de sol que invadiam seu quarto. Era mais um dia de luta, mais um dia de cansaço...
Pelos corredores do castelo, o salto da rainha ecoava. Passara horas e horas, preenchendo papeladas, e cumprindo seu dever como rainha. Após ter voltado á seus aposentos de noite sem ter encontrado a amiga Gia, mandou que chamassem alguém para trazer o café da noite. Duas batidas foram ouvidas, seguidas por um “Com licença, madame”, e quem entrou fora justamente a garota Aruba.
- Você...!- A rainha pula da cama.
- Er, vim trazer seu café, madame. Já que Gia-san está gripada- Qualquer um poderia perceber que a garota estava extremamente envergonhada e tremendo, isso pelas gotas de suor que escorriam e pela pele rubra.
- Gripada? Deveria ter imaginado. Eu te vi no campo outro dia. Estava chorando...Bem, por que não senta e batemos um papo?- Uru se aproxima da frágil Aruba, com um olhar convidativo.
- Bem, madame, a-acho que não seria certo...eu sou uma serva, e você é a rainha...não quero incomodar de maneira alguma...- Olhava pro lado, recuando.
- Você nunca irá incomodar. E eu estou mandando.- Se aproxima novamente, colando o corpo da garota contra o dela. Uru era mais alta que Aruba, dando uma posição mais superior e tentadora.
- C-Certo.- Engolia em seco.
Elas se sentaram, conversando sobre o por que da garota chorava aquele dia. A mesma, disse que a família estava passando por problemas financeiros muitos sérios, e que o irmão havia sido preso e mandado á forca (lágrimas). A garota chorava no colo da rainha. Uru acariciava o cabelo cheiroso da garota, sentindo um forte aperto no peito.
- Você acha que ele está no céu agora? Mesmo tendo cometendo um crime?- Aruba levantava o rosto até Uru-sama.
- Ele está, eu sei que está.- Segurava o queixo da garota, olhando profundamente em seus olhos. Sem ao menos perceber, Uru toca os lábios da pequena Aruba. Aqueles lábios eram macios e gostosos, era algo inesquecível. Ela não queria parar. Assim, foi levantando sem tirar os seus lábios dos da garota, e caiu na cama com ela.
Toques, gemidos, e suspiros. Aquela noite se resumiu a isso. Uru comandava, e Aruba sentia o prazer percorrer por sua pele.Foi inesquecível. Porém, o que ambas não sabiam é que alguém havia vista as duas debaixo das cobertas. Alguém maldoso, e que faria de tudo para tirar Uru do poder. Isao Miura.
- Uru-sama...e agora?- Aruba enrolava suas pernas nas da rainha.
- Eu não quero te deixar, pequena...por isso, vou abdicar minha coroa e iremos fugir.- Suspirava no final da frase.
- Mas madame, não quero que faça isso por minha causa!- Ajoelhava na cama, Aruba.
- O povo quer um rei, Uruha.- Tocava uma mecha de cabelo da amada, desfazendo um pequeno nó.- E eu escolhi você.
- Mas madame, eu sei que você não quer isso...- Abaixava os olhos, entristecida.
- Uruha, eu encontrei o amor da minha vida. Não vou desistir de você por uma coroa idiota...- Acariciava aquelas longas madeixas ruivas.
- C-Certo...Mas então, quando iremos fugir?- Logo após o almoço. Todos sabem que preciso das minhas 2hrs de sono da tarde. Por isso, acho que não estarão tão atentos...Eles não iriam aceitar a gente...iria ser horrível.- Sibilava ao ir terminando a frase.
- Tudo bem...- Mordia os lábios, Uhura.
Aquelas horas passaram lentamente, até finalmente, o meio dia chegar. Ambas já estavam preparadas para fugir. Só lhes faltavam coragem.
- É agora?- Disse Aruba, entrelaçando seus dedos aos da rainha.
- Agora ou nunca.- Respondeu, a rainha, colocando sua testa contra a testa de Uruha.
Após a saída estratégica das duas, logo já estavam em uma carruagem, que a rainha mesmo comandou, partindo para os portões. A situação era nervosa, pois ainda não tinham saído do território da Corte. Não demorou muito até guardas mandados anteriormente por Isao chegarem. Tudo havia sido planejado. E agora estava tudo acabado.
No outro dia, todos já sabiam sobre a rainha e sua amante. O povo estava irritado, com a sensação de terem sido enganados. E ali mesmo, sobre o sol escaldante e na frente de todo mundo, Uru Yabureta e Uruha Aruba iriam ser executadas.
- Eu te amo...- A Yabureta pronunciou á Aruba entre lágrimas de desespero, com já encaixada e pronta para ser degolada.
- Eu te amo mais...- Um sorriso surgiu nos lábios de Uruha, seguido por lágrimas e mais lágrimas que escorriam por aquelas bochechas rosadas.
A lâmina extremamente afiada desceu rasgando, terminando aquele amor proibido que seria marcado na história daquela cidade. A rainha, Uru Yabureta, tinha sido executada por cometer o pecado mais horrendo, pela opnião de seus lordes e soberanos. Quem sabe as duas não teriam se encontrado por aí, pelos cantos do purgatório, do paraíso...do inferno...mas elas estavam juntas, no começo e no fim.
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