Kraus Rostova No 02
17 Paranóico
A chuva caiu sem piedade naquela tarde. O vento fazia os pingos baterem forte na janela de um casarão pertencente à Kraus. Ele olhou de relance para o barulho que tirou sua concentração, enquanto ele dava delicadas pinceladas sobre uma tela. Depois de algum tempo, ele depositou o pincel em um recipiente e acendeu um cigarro. Deu uma tragada e logo depois soltou a fumaça para cima.
Sentado a sua frente, a cerca de 10 metros, estava uma mulher de cabelos loiros, vestida a um roupão preto e que também estava a fumar um cigarro. Seu corpo esbelto estava deitado sobre o sofá, em uma posição convidativa. Kraus olhou para ela enquanto a mulher retribuía o olhar de um jeito fulminante.
— Eu espero que você esteja pintando meu rosto ai nesse quadro. Disse ela
Kraus soltou uma risada debochada.
— Você é mesmo uma vagabunda egocêntrica não é mesmo? Disse ele fazendo desaparecer o sorriso e dando lugar a uma face séria. – Uma mulher igual a você jamais merecerá estar em uma tela pintada por mim.
— Você é um babaca, Kraus.
Ele sorriu e fez um gesto para a mulher, chamando-a. Ela se levantou, caminhou a passos delicados, e ficou frente a frente com ele. Kraus alisou a lateral de seu rosto, com a ponta de seus dedos. Seu toque foi da têmpora esquerda da mulher, até a altura do seu queixo. Ela uma cara de quem estava surpreendendo-se com a atitude de Kraus. Porém, essa sensação de prazer não durou muito tempo. Pois de uma forma repentina, o homem estapeou- a com força, fazendo-a cair no chão.
Depois disso, ele que estava sentando em um banco frente ao quadro, levantou-se e segurou-a pelo cabelo. Colocando-a de frente para a sua arte.
— Você está vendo essa mulher? Eu estou tão focado nela e por isso ela está sendo desenhada delicadamente pelas minhas mãos.
— Me solta seu filho da mãe! Pedia a mulher, que agora tinha um fio de sangue escorrendo no canto de sua boca.
Kraus puxou-a com mais força pelo cabelo ao ouvir tal pedido.
— Sabe quem é essa, sua vagabunda? O nome dela é Masha Rostova! E ela é a única pessoa nesse momento em quem eu quero pôr a mão! Disse ele empurrando a mulher com força contra o chão.
Ela levantou-se rápido, limpou o sangue no canto da boca com a costa de sua mão e saiu do gabinete. Depois disso, Kraus sentou-se de volta no banco e ficou observando a imagem de Elizabeth, com as tintas ainda frescas. Ele acendeu outro cigarro, tragou e soltou a baforada na tela. Com a mão direita ele pegou um dos pinceis e mergulhou na tinta vermelha. Depois, começou a fazer uma linha de cor vermelha que atravessava o rosto de Elizabeth.
— Só existe um jeito de sangrar o Reddington, é sangrando você querida sobrinha. Mas eu tenho um jeito de sangrar vocês dois ao mesmo tempo. Disse ele fazendo outra linha que se cruzava com a feita anteriormente sobre o rosto pintado. – Incrível como você se parece com a sua mãe.
Kraus agora passava o pincel de um jeito delicado, com um olhar característico de alguém doente e cheio de distúrbios. Naquele momento, o homem tirou um canivete do bolso de sua refinada calça de cor preta, e destacou toda a tela que correspondia ao rosto de Elizabeth. Depois pegou o isqueiro, colocou fogo no pedaço de tecido e o jogou no compartimento da lareira. Ficou vendo-o queimar. O reflexo do fogo iluminava seus olhos e ele sentiu-se prevendo o destino de Elizabeth.
— O seu passado ardeu em chamas, Masha Rostova. Mas o presente arderá muito mais.
...
Mais tarde, a quilômetros dali, Red estava no volante parado em um pequeno congestionamento, ocasionado pela tarde chuvosa em Washington. Liz sempre estranhava ver Red dirigindo, afinal de contas ele sempre andava com o seu fiel escudeiro Dembe. O homem estava muito pensativo, e olhava através da janela do carro. Ele mantinha as mãos firmes no volante, mas seu cenho estava franzido como se algo perturbasse seus pensamentos.
Naquele instante, Elizabeth pôs a mão na perna de Red e chamou-lhe a atenção.
— Você está bem?
Red sorriu e segurou na mão da amada.
— Sim, estou.
Liz se inclinou e deu um beijo na boca de Red e alisou a lateral do rosto do homem.
— Vai ficar tudo bem. Sussurrou ela percebendo a tensão de Raymond.
O semáforo abriu e Ray seguiu o caminho. Eles já estavam quase chegando à residência de Liz, até que algo chamou a atenção de Raymond. Como uma espécie de filme em câmera lenta, ele viu um homem alto, de cabelos grisalhos que estava de pé em uma esquina. Nas mãos do homem, uma boneca. Red sentiu náusea com a imagem e reconheceu bem quem era a figura masculina que ele acabara de ver.
— Red! Gritou Liz.
Naquele momento, o carro freou bruscamente e quase bateu na traseira de outro automóvel. Ele não perdeu tempo, tirou o cinto e saiu do carro na tentativa desesperada de ver o homem. Porém, em vão. Elizabeth também desceu do veículo e foi até o lado dele.
— Red, você não está bem. O que você viu? Questionou a mulher desesperada
Reddington ficou calado, mas notoriamente desnorteado.
— Eu estou ficando louco, Lizzie.
— O que você viu? Questionou a mulher.
— Kraus! Respondeu. — Eu o vi com uma boneca na mão.
Ao ouvir tais palavras, Liz ficou pálida.
— Alice! Alertou-se Red.
Imediatamente, ambos entraram no veículo. Elizabeth desesperou-se e tentou entrar em contato com a babá de Alice, mas não conseguiu.
— Meu Deus, Red...está em caixa postal.
Red tirou um telefone do bolso e tentou ligar para Baaz. Mas ninguém atendeu ao chamado. A Mercedes atravessava praticamente em zig zag pelos veículos a sua frente. Naquele momento, o telefone de Red chamou e ele o atendeu.
— Baaz! Disse ele achando que fosse o homem.
— Baaz? Não conheço ninguém com esse nome. Zombou a voz do outro lado.
— Kraus...
— Meu Deus! Desesperou-se Liz ao ouvir tais palavras.
Red sentiu um frio percorrer-lhe bruscamente a espinha.
— Eu acho bom você correr Red. Porque por enquanto, tem dois corpos aqui na sala de Masha. Mas se você atrasar mais um pouquinho, serão três.
Naquele instante, Kraus encerrou a ligação.
— Red, pelo amor de Deus, se algo acontecer com a minha filha, eu morro.
Gritava Liz aos prantos.
— Se algo acontecer, Liz...nós morreremos. Mas não vai acontecer. Eu não vou permitir.
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