Notas iniciais
Você anda pela estrada em espiral a caminho do eterno,

que é a existência sempre se transformando,

sempre crescendo, sempre mudando.

(O oráculo da deusa)

Flash Back On.

– Saakuraa. – Escuto a voz de Yumie cantarolar, assim que sento em minha carteira. Viro-me para ela, com um sorriso nos lábios.
– Bom dia, Yu.

– Advinha quem vai dar uma festa hoje à noite?

– Huum... deixe-me pensar... – Digo, fingindo estar pensativa. — ...seria alguém que começa com ‘Rai’ e termina com ‘to’?

Ela solta uma risada.

– Seria esse mesmo. Ontem ele me convidou e... – Ela faz um suspense.

Flash Back Off.


– Hey, garota. – Escuto uma voz atrás de mim, e logo volto à realidade. – Anda logo!

Olho para frente, e percebo que a fila havia andado para dentro do ônibus, e eu permanecia parada em frente à porta.

Trato logo de entrar, ainda com as mãos nos bolsos da blusa de moletom.

Havia apenas três pessoas no ônibus. Não olhei para nenhuma delas. Continuei entrando, me dirigindo até o fundo, e sentando-me no último assento ao lado direito.

Havia uma menina em minha frente, dona de cabelos um tanto azulados de tão escuros.

Coloquei os fones de ouvido, e me distrai analisando as pessoas ali dentro.

Na mesma linha de assentos que a garota de cabelos azulados, mas do outro lado de ônibus, havia um garoto usando um moletom preto com capuz. Não pude ver o rosto dele, mas parecia indiferente a tudo, olhando pela janela.

Mais a frente, já no centro do ônibus, ao lado esquerdo havia uma garota japonesa. Essa me encarava, com ambos os braços sobre o banco e a cabeça deitada sobre os mesmos.

Os olhos desta eram um tanto estranhos, extremamente escuros, mas com vestígios mínimos de azul. Já os cabelos eram de tamanho médio, com uma franja cobrindo a testa, possuindo duas cores: na direita, castanho escuro, na esquerda loiro.

Não sustentei seu olhar, preferi olhar para a porta do ônibus. Afinal, todos aqui são criminosos psicóticos.

Fiquei apenas fitando a porta vazia, até que, alguns instantes depois, uma loira entra por ela.

Parecia saída de uma daquelas revistas de moda adolescente. Era linda, tinha os cabelos loiros quase até a cintura, os olhos de um azul intenso, os lábios avermelhados e carnudos, um corpo que seria difícil achar defeito e uma expressão de vencedora.

A típica menina intimidadora, que faz as outras ao redor se sentirem um pouco menos que nada.

Nossos olhares se encontram, e ela abre um pequeno sorriso. Caminhava em minha direção, e então senta a minha frente, ao lado da garota de cabelos azulados – essa pareceu estremecer ao perceber sua nova ‘colega de assento’. Virando-se para trás e olhando diretamente para mim, ela sorria. Retiro os fones de ouvido, fitando-a.

– Olá, Rosada. Me chamo Yamanaka Ino, e você? – Ela diz, sem cerimônias.

Observo-a por alguns instantes, tentando pensar se deveria me apresentar.

Não estou em condições de dispensar amizades, afinal, me encontro indo para um internato onde só existem criminosos psicóticos. Conclui, então, que deveria ao menos tentar não fazer inimigos.

– Sakura. Haruno Sakura.

– Certo, Saki. – Ela diz, sem se importar com a intimidade do apelido. – Conhece alguém aonde vamos?

– Não... – Digo, simplesmente, não sabendo se deveria estar aliviada em não conhecer nenhum criminoso psicótico ou estar apavorada por estar sozinha entre tantos. – E você? – Tratei logo de perguntar, não apenas para dar continuidade à conversa (algo que, sinceramente, não me importo no momento), mas para saber o nível de perigo que Ino representava. Se ela tiver amigos psicopatas como ela, isso significa que devo ter mais cuidado.

– Ah, alguns... – Ela respondeu, indiferente. Parecia mais concentrada no meu cabelo. Logo estende a mão e segura uma mexa do mesmo entre as mãos. – Engraçado... parece natural. Como conseguiu isso? Um cabelo rosa que parece natural.

– Ele é natural. – Respondo, num tom indiferente. Não sei dizer quantas vezes já respondi essa pergunta durante minha vida.

Os olhos dela pareceram se arregalar levemente, enquanto ela sorria.

– Está falando sério? Como isso é possível...?

– Sim, estou. Não sei como é possível... devo ter sofrido alguma anomalia genética. – Faço a mesma piadinha de sempre, mas percebo que meu tom não soou brincalhão como de costume. Pareceu carregado de ironia.

– Ah... nunca senti tanta inveja na minha vida. – Ela diz, soltando uma gargalhada.

Uma criminosa psicótica sentindo inveja de mim...? Ah, ótimo.

Ela logo para de rir, olhando-me com um pequeno sorriso.

– Hey, relaxe. É séria demais...

– Talvez porque esteja indo para um lugar cheio de adolescentes psicóticos, Yamanaka. – Escuto uma voz vinda de trás de Ino. A loira vira-se, e só então percebo uma ruiva sentada no assento em frente à Ino, virada para trás enquanto olhava para a garota com ar de intimidação.

A ruiva tinha o cabelo cortado em duas camadas, uma franja, olhos... vermelhos? Ela usa lentes vermelhas? Enfim... e um piercing em forma de bolinha embaixo dos lábios, no lado direito da boca.

– Quem te chamou para a conversa, Karin? – Ino pergunta, num tom irritado.

– Só vim conhecer sua nova amiguinha... – Ela fala com um ar de desdém, olhando para mim.

Sustento o olhar da mesma, até escutar a voz de Ino.

– Por que não volta lá para frente com sua amiguinha ducolor? – E então a loira se levanta, encarando-a.

Senti um leve friozinho na barriga, enquanto arrepiava-me.

Já vi muitas brigas na vida, mas nenhuma entre duas criminosas condenadas por crimes de nível psicótico.

Mas, para minha surpresa, a ruiva não tirou uma faca do bolso e pulou sobre Ino. Ela apenas abriu um pequeno sorriso enquanto se levantava e caminhou até a garota que antes me encarava, rebolando.

Ino volta a sentar-se, me olhando com um sorriso.

– Aquela é Senji Karin. Com certeza ela irá te trazer problemas, e não pense duas vezes antes de soca-la.

– Hum... – Desvio meu olhar para a ruiva, sentada ao lado da amiga com cabelo ducolor.

Não pretendia brigar com nenhum aluno do internato Konoha. Todos eles eram perigosos. O pior tipo de criminosos. Diferentes tipos de crime foram cometidos por eles, mas todos tiveram duas coisas em comum: o sangue e a maneira sinistra que esse foi derramado. Todos devem temer todos, pois cada um deles é capaz de coisas que só eles mesmos imaginariam.

Foi então que percebi. Eu não sou uma exceção. Tenho uma ficha suja como todos eles, e nela estão escritas coisas terríveis. No fim, percebi que não sou menos temida que qualquer um deles.

Isso me trouxe confiança, e percebi que o medo que sentia não era tão somente medo, mas algo diferente. Não sinto mais medo de nada, desde que meu maior medo se tornou real.

– E você, como se chama? – Escuto a voz de Ino, e só então percebo que ela olhava para a garota de cabelos azulados ao lado dela.

A mesma vira-se para ela, e percebo Ino estremecer um pouco. Ela parecia tímida, com medo, como se nos temesse.

– S-sou Hi-Hinata. Hy-Hyu-uga Hi-Hi-nata. – Ela dizia, gaguejando.

O motivo de Ino estremecer não era a timidez da garota, ou a maneira como ela demonstrava medo de nós. Eram os olhos dela que intrigavam. Não tinham pupila e, mais do que isso, eram completamente cinza, quase brancos.

– Você... é cega? – Ino pergunta, seu rosto mostrava dó.

– N-não. E-eu... – Ela ficava completamente vermelha, e percebi que tocava ambos os indicadores.

– Mas... – Ino parecia confusa. – Bem, depois de cabelo rosa natural, isso não deveria me assustar.

De fato, eu também estava surpresa. Como ela pode enxergar... sem pupila?

– Escutem! – Uma voz adulta vinda da frente do ônibus chama a atenção de todos.

Uma mulher de cabelos curtos e escuros estava em pé, com uma pasta na mão.

– Sou Shizune, vice-diretora do Konoha. Vou primeiro conferir se estão todos aqui, e depois poderemos ir.

Em direção ao inferno.

– Muito bem... – Ela continua, não tendo consciência de meus pensamentos ‘animadores’ em relação ao nosso destino. – Haruno Sakura. – Ela lê na pasta em mãos, e logo após olha para todos, procurando.

– Presente. – Digo, aliviada ao ver que ninguém se virou para me encarar.

– Hyuuga Hinata. – Ela continua.

– Pre-prese-sente. – Hinata responde, tão baixo que até eu que estou tão próxima mal escutei.

– Onuki Matsuri.

– Aqui. – A garota de cabelos ducolor responde, num tom entediado.

– Senji Karin...

– Eu. – A ruiva diz, enquanto mexia no celular.

– Uchiha... Sasuke...? – A mulher de cabelos negros passa a encarar o garoto de moletom preto (o único garoto presente), com os olhos um tanto arregalados.

– Presente. – Ele apenas responde, num tom indiferente, ainda olhando pela janela.

A moça ainda o encarava, e demorou alguns instantes para ela voltar os olhos até a pasta, como se tentasse disfarçar.

– E por fim... Yamanaka Ino.

– Estou aqui. – A loira diz, a minha frente.

– Certo. – A mulher fecha a pasta e nos encara. – Alguns avisos antes de chegarmos no Konoha. – Ela olha diretamente para a ruiva... Karin, com o celular em mãos. – Celulares serão permitidos.

– Isso! – Escuto Ino sussurrar baixo, contente.

– Mas... – A mulher continua, e pude escutar a loira bufar. — ...terão acesso limitado. As redes estarão bloqueadas, e terão contato a sites permitidos pelo internato e a troca de mensagens e ligações somente entre alunos do Konoha. Nós não queremos desliga-los do mundo e nem de vocês mesmos, mas isso será limitado, como já disse. Terão contato apenas entre vocês.

– Isso é palhaçada, que diferença faz não ter celular e não ter motivos para usar um? – Ino reclama.

– Lamento, Srta. Yamanaka, mas isso é um internato e não um parque de diversões.

Escuto Ino suspirar, jogando a cabeça para trás no banco.

– Sairemos agora. – Ela diz, e o motorista dá a partida. – Chegaremos em cerca de uma hora e meia no Konoha. Não quero baderna no ônibus, nada de brigas ou gritaria. Se querem conversar, falem baixo.

Ela diz, logo sentando-se no primeiro assento do ônibus, enquanto o motorista arrancava.

Coloco meus fones, e vejo que Ino fazia o mesmo. Hinata poiou as mãos no vidro e deitou a cabeça sobre as mesmas.

Desvio meu olhar até a ruiva e a amiguinha ducolor, e vejo que a japonesa olhava diretamente para Ino, enquanto essa sustentava o olhar.

Já a ruiva, esta olhava para o garoto com o capuz, sorrindo.

Foco meu olhar neste, curiosa.

Sinto aquela típica sensação que alguém está te observando.

Desviando o olhar diretamente para a ruiva, vejo que ela me olhava. Os olhos vermelhos pareciam expressar ódio, rivalidade.

Será que... ela pensa que estou afim do namoradinho dela?

Desvio o olhar, colocando meus pés sobre o banco do lado e escorando minha cabeça na janela atrás de mim, fico a observar a janela a minha frente.

Uma hora e meia... é o tempo que se demora para chegar ao inferno?


Notas finais
Yo, minna!

Primeiríssimo capítulo, é apenas um gostinho do que será a fic: a estrutura, o estilo, a linguagem, enfim. Espero que tenham gostado; e, por favor, não esqueçam de comentar!

É muito importante para uma autora obter a opinião de seus leitores, para o desenvolvimento da fic e a qualidade da mesma.

Kissus, ja ne!