Kokoro
1 Capítulo 1
Notas iniciais
OIOIOI galerinha 83
Como vão vocês? Eu vou bem, obrigada o/
Essa fanfic... bom, ela foi feita basicamente por dois motivos: Tédio e Depressão. é. Eu nunca gostei muito de Shonen-ais, muito menos de Shonen-ai de Kingdom Hearts e MUITO MENOS AkuRoku. Mas, como não tinha nada melhor para fazer da vida e a idéia me pareceu soar bem, resolvi escrever.
Espero que gostem do texto, apesar de que ele não foi feito lá com muita alegria. Mas eu gostei de escrever e ficaria feliz se vocês gostassem o/
Aquele dia, onde tudo começou, era um sábado qualquer de primaveira numa pequena cidade japonesa à sul de Tóquio. Naquela pequena cidade havia um jovem cientista. Alto, magro, de cabelos vermelhos como as chamas, duas tatoos abaixo dos olhos verde esmeralda, que, sem os óculos de armação negra, não seriam capazes nem de enxergar a palma da mão. Seu nome era tão diferente quanto sua aparência.
Axel andava pelo seu quarto, calçando apenas um par de chinelos velhos e macios, colocando roupas que se prezem, esboçando um sorriso de satisfação enquanto observava as belas pétalas de Sakura caírem cinco centímetros por segundo do lado de fora, em seu jardim. Aquele era um dia importante para ele, profissionalmente.Já vestido, ele se dirigiu à cozinha, preparou uma caneca de café para ele e logo foi ao seu laboratório de pesquisas, do outro lado da casa que ele havia herdado dos pais. Era uma casa grande espaçosa, porém era difícil para alguém como ele cuidar de tudo sozinho. Cuidar e viver sozinho, uma vez que ele não tinha mais nenhum parente vivo e nem amigos com quem dividir o lugar. Mas aquilo iria mudar. Era nisso que ele vinha trabalhando, ao menos.Abriu a porta de seu laboratório de pesquisa, logo acendendo a luz. Axel caminhou apressado à cadeira de seu computador, logo ligando-o e vestindo seu jaleco branco, que estava sempre pendurado na macia cadeira giratória na qual ele passava horas e mais horas sentado, trabalhando na sua mais nova invenção. Ele deu uma olhada de canto em sua invenção, que estava a poucos metros dele, coberta por um cobertor branco, antes de digitar mais algumas coisas no computador e baixando-o para o que estava ali escondido através dos vários cabos que ligavam seu mais novo robô ao PC.Terminado o processo, Axel foi até seu robô, tirou o cobertor que cobria a máquina e sorriram seus olhos, assim como seus lábios ressecados, contemplando sua criação. Aquele era seu andróide de número 13, Roxas: o mais perfeito e bem sucedido de todos, seu orgulho. Roxas seria o primeiro e único de seus robôs que Axel havia conseguido criar aplicar alguma personalidade. Ao menos, era isso que ele havia feito em seu computador, restava saber se daria certo. O ruivo então deu uma pequena apertada no lenço amarelo que ele havia colocado como "acessório" na roupa de seu andróide, mexeu um pouco nos cabelos loiros e espetados de sua criação e apertou um botão que ficava bem na nuca do robô, que agora havia feito um barulho estranho, como se ligasse.O barulho que Axel estava esperando para ouvir e que não fosse seguido por mais um fracasso.-Vamos, abra os olhos... — ele murmurou, cruzando os dedosPara a felicidade do cientista, Roxas lentamente abria seus olhos azuis mecanizados, sem nenhum brilho no olhar, tendo seu primeiro vislumbre de seu criador, que lhe estendia a mão, com um enorme e incompreensível sorriso no rosto. Ele piscou lentamente algumas vezes, sem dizer nada. Olhou ao redor, analisando o lugar e assimilando a situação. Depois, fixou bem a imagem do homem ruivo à sua frente, que dizia sem parar que aquilo era um milagre.Os dias foram se passando, Axel se divertia cada vez mais com Roxas, sua pequena invenção, ensinando-lhe mais e mais sobre as coisas do mundo, da vida. O ruivo dedicava todas as suas horas à seu robô, que cada vez queria saber mais, mesmo que nunca mudasse sua expressão facial. -Axel, consegui aprender a música que você me ensinou. -disse Roxas, segurando um punhado de papéis. -Jura? — Disse Axel, dando um giro em sua cadeira de computador, deixando um pouco seu relatório de lado — Posso ouvir?-Hai.E então, Roxas cantou a canção que havia aprendido. Axel escutou com atenção seu robô cantar, usando a ótima voz que ele havia criado no computador, porém sem nenhuma emoção. Obviamente aquilo não vinha do coração... Exatamente porque Roxas não tinha coração. O ruivo olhou no relógio, já era tarde da noite. Ele então disse a Roxas que estava com sono, saiu do laboratório e foi dormir. Não haviam se passado nem 8 horas quando Axel acordou de seu sono e levantou num súbito. Era isso que estava faltando em sua criação: Um coração. E era isso que ele faria e não descansaria até conseguir. O cientista correu ao seu laboratório, ignorando completamente Roxas, que estava na porta com uma caneca de café nas mãos que ele havia preparado ao criador, e lançou-se à cadeira do computador, determinado à só sair dali quando o programa estivesse pronto. -Axel, o que está fazendo? — Disse Roxas, indo até Axel e deixando a caneca de café sobre a mesa do computador.-Eu vou lhe dar um coração, Roxas! — Disse Axel, parando de digitar um momento e colocando as mãos nos ombros do robô — Eu prometo, Roxas, um dia você vai saber como é se sentir feliz, se sentir triste. Um dia, Roxas! Um dia! Got it memorized? — Dizia o cientista, animado com seus objetivos, por mais que, no fundo, ele soubesse que ele jamais seria capaz de realmente criar um coração. Mas ele não pretendia desistir.
E, desde aquele dia, Axel não saiu mais do laboratório, apenas movido por sua imaginação, que o fazia acreditar que um dia faria Roxas sorrir. O robô, por sua vez, passou a cuidar de seu criador, sempre levando à ele uma caneca de café, que, na maioria das vezes, tinha excesso de açúcar, e uma porção de bolachas que ele conseguia na cozinha. Mas nenhuma das responsabilidades como dono de casa impediram Roxas de querer aprender cada vez mais, mesmo que sozinho. No tempo em que ele não estava tendo que vigiar a comida congelada sendo esquentada no forno para Axel, o curioso robô procurava o que aprender, sem um objetivo fixo. Passou a ler tudo que conseguia encontrar pela casa e, sempre que podia, tentava efetuar o aprendido, na maioria das vezes cometendo grandes falhas. Mas não levava muito tempo para que outra coisa para aprender fosse encontrada em meio à bagunça pelos olhos azuis de Roxas. Afinal, nada conseguia abalar aquela máquina inexpressiva. Os anos foram se passando desta maneira. Axel já estava na casa dos 60 anos. Seu rosto já estava ressecado, o brilho de seus olhos esmeralda sumiram há tempos, seus cabelos já estavam esbranquiçados e ele já estava mais baixo do que costumava ser, devido à doenças da idade. Até mesmo sua personalidade havia mudado, fazendo com que Axel agora fosse um senhor dócil e bastante tímido, porém apenas continuando a trabalhar pelo forte desejo de dar um coração à Roxas, que continuava o mesmo de sempre. Era um final de uma tarde qualquer de primavera. Roxas estava sentado na poltrona vermelha que ele havia colocado no laboratório, lendo um livro sobre anatomia humana que ele havia achado na pequena biblioteca que Axel possuía em seu quarto, pela primeira vez em sua "vida" reparando no formato de seus dedos das mãos, quando Axel levantou da cadeira de seu computador, com um sorriso estranho no rosto. Um sorriso diferente de qualquer outro que Roxas havia visto estampado no rosto de seu criador.-O que faz aqui, Axel? — Perguntou Roxas, fechando seu livro e olhando para Axel, que agora punha áspera mão nos fios loiros de cabelo macio e sintético do curioso robô, que todos os dias provava ao ruivo de que era um milagre.-Eu só vou dar uma olhada no jardim, Roxas. — Disse Axel, rouco, fazendo um carinho em sua criação, logo depois indo na direção da única porta de que Roxas não se lembrava de ver uma única vez aberta. — ... Seja um bom menino, Roxas. -Hai. — Concordou Roxas, voltando a ler seu livro, sem se preocupar muito.Axel então passou pela porta, indo para o jardim, deixando uma pequena lágrima de orgulho se formar no canto dos olhos, e logo depois fechou a porta. Porém, ele jamais voltou.Mais anos se passaram desde a última vez que Roxas vira Axel. O robô não fazia a menor idéia do que poderia ter acontecido com seu criador, mas sabia que agora estava sozinho. E, mesmo que a enorme casa, que, um dia, fora sempre limpa e organizada, estivesse totalmente tomada pela umidade e em ruínas, o robô nunca cogitara deixar o lugar. O único cômodo que permanecia em seu estado original era o laboratório, onde Roxas passava seus dias solitários e silenciosos, apenas sentado no chão, cantando a última canção que Axel havia o ensinado. Até que um dia aquilo não satisfazia mais a "mente" de Roxas.Ele então se levantou e caminhou até o computador empoeirado, sentando-se na cadeira deteriorada e passando a mão sobre o teclado, tirando a sujeira. Olhou os papéis ao lado, que estranhamente não haviam se decomposto ou sido levados pelo vento que entrava pela janela. Roxas levou o papel em mãos para perto de seu rosto inexpressivo. Olhou bem o papel, tentando entender o que havia escrito nele, apenas identificando a palavra "Coração", quando um vento forte levou o papel embora, sendo barrado pela porta que dava para o jardim, que também acabou por abrir. O robô, já intrigado, caminhou até lá e apoiou-se no batente da porta, olhando a enorme árvore cheia de flores rosadas que estava cercada por pequenas flores vermelhas. Roxas pôs as mãos em seu peitoral e proclamou:-Realmente quero saber sobre o "coração" que Axel fez para mim.De repente, a tela do computador acendeu, liberando uma grande luz amarelada. Roxas retornou até lá, sem saber o que era. Quis tocar. Aproximou um pouco a mão, relutante, e, quando finalmente tocou a tela, ele teve uma sensação estranha. Esbugalhou os olhos, olhando fixamente para a tela, com o corpo todo tensionado, sentindo uma batida estranha dentro dele. Depois de alguns instantes, caiu no chão de joelhos, com as mãos tremendo compulsivamente e as lágrimas rolando no rosto. Por que ele estava chorando? Por que ele tremia? O que são essas batidas dentro de mim? -Este é o coração que eu desejei tanto?Roxas então olhou ao redor, finalmente reparando nas inúmeras fotos que Axel tinha enquadradas, na maioria das vezes, havia um menino com ele. Um menino igualzinho à ele. Os mesmos exatos cabelos espetados, os olhos azuis e até mesmo o fato de que era muito menor que o ruivo. Ao pensar mais um pouco, percebeu a razão pela qual ele havia nascido. -Estar sozinho deve ser triste. — Disse Roxas, se lamentando tanto por seu mestre tanto pelo dono original de seu rosto, agora que ambos estavam mortos. Roxas saiu de perto do computador, esfregando os olhos. Foi até a porta que levava ao jardim, apoiando-se novamente no batente da porta e pondo-se a observar as flores, que uma vez Axel tentara convencê-lo de que eram bonitas, agora agradecendo ao ruivo por tê-lo trazido ao mundo, por tê-lo criado.O robô que obteve "coração" pôs-se a correr pelas floresCantando todos os seus sentimentosMas o milagre durou apenas alguns instantesO "coração" era grande demais para ele suportarNo final, a máquina deu curto e nunca mais se moveuNo entanto, no último momento, em seu rosto jazia um sorrisoE ele pareceu, realmente pareceu, um anjoPara sempre caído ao pé da enorme árvore de Sakura, rodeado por flores.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor