Klukler
3 Parte 3
Notas iniciais
–Nossa! Tem certeza que não bateram em você com um cassetete de ferro ao invés de um reles taco de beisebol?
Ele sorriu, mas era de se perceber que não era de total verdadeiro. Os olhos desmentiam o que ele dizia.
–Sim.
Ergui uma sobrancelha e ergui um pouco mais a blusa. Tyler era magrelo, mas isso não queria dizer que ele não tivesse uma pequena definição. Segundo ele, passou a jogar um pouco de basquete de vez em quando, nesses meio tempo os primeiros gominhos começaram a dar o ar da graça.
Ok. Não era comparável à definição exagerada dos bombadões e incrivelmente altos, garotos da matilha, mas não deixava de ser bonitinho. Ou talvez fosse apenas o imprinting mexendo comigo.
–Isso pode ser considerado assédio, sabia? — Tyler riu, novamente percebi que ele estava forçando o humor.
–Não, não pode. Eu sou a única que posso fazer isso...
–Não falei? Protetora até demais.
–Sim, sou mesmo. Problema? — perguntei, olhando para ele.
Ele riu e pegou minha mão que estava segurando a blusa, como se pedisse implicitamente que eu não visse as manchas. Eu, em resposta, apenas ergui mais.
–Você tem certeza de que passou alguma coisa aqui? Está inchado.
–Passei.
Ele não mais forçava um sorriso, parecia abatido. Soltei a camisa, e dei um beijo nele. Ele enlaçou minha cintura com os braços, me puxando para ele, pressionando seus lábios, cedi e ele aprofundou o beijo. Eu pensei em afastá-lo um pouco, mas mudei de ideia, pousando minha mão em seu pescoço, brincando com seu cabelo.
Ele me colocou de frente para ele, praticamente em seu colo, e acabou com a distância entre nós. Depois de um tempo ele interrompeu o beijo, mas não me soltou muito menos afloxou o aperto na cintura. Ele mantinha um sorriso pequeno e fraco no rosto, enquanto me olhava nos olhos, como se quisesse dizer algo.
–O que foi? — Perguntei. — Por que está assim?
–Nada. — Ele desviou o olhar para a televisão.
–Fala! Vou ficar te incomodando.
–Nada, Kluke!
Passei os dedos pelos hematomas do braço e perto da gola da camisa.
–Se não quer falar, então, pelo menos, me deixa cuidar disso? — perguntei me referindo as manchas roxas e vermelhas.
Eu, ao contrário do normal, não usei sarcasmo. Eu não consegui ver aquilo, além de que eu ainda estava com uma santa dor de cabeça e aquela visão não ajudava em nada.
Ele se virou para me olhar, ainda me segurando, suspirou e assentiu.
Levantei-me e desliguei a televisão. O ajudei a se levantar, e, depois de uma cerimônia para subir as escadas, o sentei na cama dele do quarto de hóspedes da casa. Segundo Tyler era lá que ele costumava ficar quando "visitava" Madson, o que eu sabia que era praticamente uma fuga da mãe deles.
(N/A: Eu não me lembro quantos quartos a casa de Madson e de Luke tem, que eu me lembre tem o quarto de Nathan, o do casal e o de hóspedes, pelo menos são esses os citados na fic original.)
O garoto encostou a cabeça no travesseiro que eu colocara, e me viu enquanto eu remexia nas gavetas do armário do banheiro ali próximo.
–Você sabe onde Madson guarda a caixa de medicamentos? — perguntei.
–No armário atrás de você — ele respondeu.
Quando encontrei, sentei-me ao seu lado na cama, e procurei algo útil. Achei uma pomada em gel para luxações e para hematomas, um remédio para dor e um de dor de cabeça.
–Eu não estou com dor de cabeça... — Tyler começou.
–Mas eu sim, — o interrompi — não vai adiantar muito, mas é melhor do que nada.
Meu namorado me olhou, como se estivesse se considerasse culpado.
–Desculpa.
Olhei para ele. Fiz um movimento para que ele tirasse a camisa, enquanto abria o tubo da pomada. Tentei não corar quando ele o fez.
–Não é culpa sua, é daqueles brutamontes.
–Sim, e eu devia ter feito alguma coisa para que não me defender, pelo menos...
Eu coloquei o gel no meu dedo e passei na primeira mancha que vi, na clavícula. Ele estremeceu se interrompendo...
–É gelado... — Ele tentou se explicar quando eu ri.
–Olha Tyler, não foi culpa sua se aqueles acéfalos te bateram.
Franzi a testa quando passei para um hematoma mais vermelho, maior que estava perto das costelas.
–Certo você poderia ter reagido de forma diferente. — Falei. — Mas isso não quer dizer que fez errado.
–Hm... -Ele me observava enquanto eu trabalhava.
–Além disso, foi uma boa ação... Quer dizer, ajudar aquela garota.
Dei uma pausa, ele ainda me olhava, e seguia meus movimentos com os olhos.
–Eu nunca pensei que sua delicadeza pudesse me ajudar. — ele sussurrou.
–Saiba que eu estou fazendo isso em maior parte porque eu não aguento mais de dor de cabeça. E, estou com sono. — resmunguei.
–E a outra parte? A menor? — ele perguntou dando um sorrisinho.
Permiti-me sorrir também.
–Foi forma de falar.
–Sei.
–Para de encher e vira de lado. — Falei enquanto terminava as manchas da frente.
Não tinham muitas nas costas, mas as poucas eram grandes.
–Só me prometa uma coisa, Tyler.
–Diga.
–Não apanhe mais assim, por favor...
Ele sorriu.
–... eu pretendo tirar boas horas de sono daqui por diante.
–Se é assim. Acho que vou proteger mais garotinhas indefesas, só para você acordar pensando em mim e depois cuidar assim. Sabe... Pensando dessa forma até que não é má ideia...
–Idiota. — Tentei não corar nem rir.
Ele se virou novamente.
–Ei! Eu não terminei...
–Não precisa. — ele me interrompeu.
Tyler colocou uma mão por trás do meu pescoço e me puxou para um beijo com a outra. Obviamente, correspondi, depois de um bom tempo paramos o beijo. Meu namorado sorriu, e contornou meu maxilar com os dedos. Sorri e o beijei novamente. Quando os beijos cessaram, ele encostou-se à cabeceira da cama e me abraçou. Eu deitei a cabeça em seu ombro e pousei minha mão no abdômen, fechei os olhos tentando ignorar as manchas e a dor de cabeça, quando abri os olhos novamente eu passei os olhos pelas manchas e tornei a fechá-los.
Tyler deve ter percebido, pois estendeu a mão para pegar a blusa que estava a poucos centímetros dele. Impedi-o, segurando o braço dele e desviando meu olhar para a janela.
–Não. Desculpa, é que é difícil ignorar...
–Está bem. — ele beijou o topo de minha cabeça.
–Chegamos! - ouvimos a voz de Madson lá em baixo. — Ué! Cadê eles? – ela falou mais baixo.
–Não quero nem saber o que estão fazendo!– zombou Luke.
Ouvimos um muxoxo, e Tyler gritou.
–Estamos aqui em cima, no quarto de hóspedes!
–Oh! Não estão fazendo nada demais ai em cima, não é? Ainda mais na minha casa! — Madson gritou em resposta, em um tom sarcástico.
–Não se preocupe, eu tenho bom senso! — entrei na brincadeira.
Tyler estalou a língua. Eu ri e, sentando-me novamente, o beijei. Ele enlaçou minha cintura me puxando mais para perto dele, o beijo se aprofundou. Ouvimos Madson abrir a porta, soltar um muxoxo, e exclamar um "Que mau gosto!" rindo e fechar a porta novamente. Depois de um tempo recuperamos o ar, mas mantemos as testas coladas.
–Ela nem sabe do que fala. Olha com quem se casou! — Tyler sussurrou.
–Luke não é o mais feio de todos. — Falei rindo. — É meu primo, infelizmente. — Tyler fez uma cara que me fez rir mais. — Porém eu tive a "sorte" de ter um imprinting por você, caro saco de pancadas.
Tyler estalou a língua ovamente , e me soltou um pouco.
–Ei! Foi uma piada! — falei parando de rir, me sentindo um pouco mal por ter dito aquilo.
Ele desviou o olhar.
–Tyler... — Fiz menção de beijar sua bochecha, mas ele virou o rosto na hora.
Ele mordeu meu lábio inferior, fazendo menção de mais um beijo, mas se afastou um pouco.
–Posso provar que sou mais legal que um lobo! — Ele sorriu novamente, num tom sarcástico.
–Hm... Acho que você se esqueceu que eu sou, praticamente, uma também! — sorri.
–Eu sei. Mas não deixa de ser linda!- corei quando ele disse isso.
Com isso, ouvimos Madson reclamar sobre uma bagunça de pipocas no sofá, além de várias ofensas contra a própria mãe, dirigidas ao irmão. Ri, mesmo tendo achado aquilo estranho, e abri a boca para dizer algo, mas fui interrompida por outro beijo. Meloso.
Ele acabou com a distância entre nós, me puxando para mais perto, aprofundando um beijo, minhas mãos deslizaram do seu tórax ao seu cabelo.
Naquele instante lembrei-me do início do meu dia. Do meu sonho, da conversa com Drake, das incontáveis dores causadas pelo estado de Tyler, de suas explicações e histórias, fui me lembrando de cada momento.
É... Imprintig é uma porcaria mesmo!
Fim (xp)
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