Klavier

1 Capítulo Único


Notas iniciais
A primeira coisa que me impulsionou a escrever foi uma flor. O Cravo de onde tirei o título antigo da fanfiction. Era Nelke que significa Cravo em alemão. Mas porque alemão? -me perguntam-. Eu respondo. Na alemanha é muito comum (e como tradição) dar cravos a outra pessoa expressando seu afeto sendo ele irmão, pai/mãe, amoroso, sexual.... É uma entrega de sentimentos. E queria fazer algo com isso e acabei lembrando desse casal tão fofo para drabs :3 Mas ao final, eu escrevi algo diferente e acabei mudando o título para ficar mais a ver com a fanfiction. E como estava em alemão antes resolvi transformar o título em alemão novamente. Klavier significa Piano em alemão. Apreciem essa pequena melodia.

"É de noite que tudo faz sentido."


Havia um salão de música naquele prédio. As paredes tinham aquela acústica singular que poucos lugares tem. O som de teclas a serem comprimidas em um ordem desconexa enchiam meus ouvidos de notas profundas e graves.


Entrei silenciosamente pela porta entreaberta e fiquei a observar quem as tocava. O rapaz aparentava ter a mesma idade que eu, dedilhando as teclas brancas como marfim do piano. Seus cabelos, brancos prateados, encobriam seus olhos com certo charme. Às vezes, ao tocar uma parte mais acelerada da música, ele mordia o lábio.


Quando ele terminou a última nota da música, eu corri.



۞



Corri como louca. Meus cabelos soltos — que outrora estavam presos em uma trança — dançavam feito loucos.


Corria como se dependesse disso. Corria como se eu houvesse matado alguém. Corria, sabendo que alguém vinha atrás de mim.


E para meu infortúnio eu olhei para trás, numa tentativa de ver quem me perseguia e tropecei no meu vestido. Bati a cabeça no chão e desmaiei.



۞



Era um cheiro maravilhoso que eu sentia. Uma pele macia e aveludada, "alguém" me carregava com cuidado. Eu não conseguia abrir os olhos e perguntar quem era e onde eu estava. Deduzi que era um homem, afinal quem mais me carregaria tão facilmente?


Lembro vagamente que murmurava alguma coisa, mas não conseguia entender o que eu mesma falava. Fui colocada em uma cama, senti uma mão me acariciando no rosto, a mesma figura tirou meus sapatos, me cobriu, e me acariciava para me esquentar.


Senti um hálito fresco me invadindo, e uma correntinha de ouro que segurava um medalhão — um daqueles para fotos — que entrava pela minha blusa e quando tocava minha pele o contato do metal frio e na pele morna causava alguns arrepios.


Eu podia sentir o contraste de temperatura. Eu estava sendo amorosamente e delicadamente beijada. Um beijo contido, mas cheio de ternura, como se selasse um sentimento, uma vontade. O beijo queria falar através das palavras, mas elas eram inexistentes.


Aquilo precisava ser mostrado, ser sentido e compartilhado. Eu gostei, aquela boca era perfeita, a textura incrível e o gosto inigualável, eu queria mais. Consegui colocar meus braços ao redor do seu pescoço e puxá-lo para mim. Ele era delicado, macio e gentil, me segurava com cuidado e beijava meu rosto, meu pescoço, aspirava o aroma do meu cabelo, e suspirava em meu ouvido arrancando gemidos da minha boca.


Ele se desvencilhou de mim cuidadosamente, quando estava livre da prisão dos meus braços minha consciência estava sendo levada, e ao fim ainda consegui dizer “não vá”, logo apaguei.


۞


Acordei. Estava no meu quarto. As memórias subiram numa atmosfera tenebrosa, misturada de emoções. Uma camada de dúvida se formou na minha cabeça, será que eram memórias ou apenas um sonho?


Nunca mais vi aquele garoto dos cabelos prateados, mas sua melancólica melodia nunca foi esquecida.



Notas finais
Então galera! Mandem críticas, sugestões, desabafos, (elogios eu agradeço também). Essa é uma Oneshot bem curtinha. Não tentem encontrar um sentido nela. Umm-hm. Essa é o começo para as minhas novas postagens OHOHOHO', ainda tenho 34 histórias para postar //anciosa//. Espero que curtam!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!