Kiss The Girl
1 Capítulo único
Notas iniciais
E ali estava ela. Era agora ou nunca. No seu cérebro, a parte sarcástica dizia: Nunca nem é tão grande assim, é? Mas, ay, ele tinha que tentar. Provavelmente seria esfolado ou morto, afinal ela era realmente uma romana muito perigosa, mas Leo Valdez não sabia viver sem seus perigos. Ou sem ela.
Respirando fundo com Buford em seu encalço, ele andou até Reyna. A mesa viva fazia barulho ao se movimentar, mas ela não se virou. Leo sabia que ela ouvia cada passo, ela sempre ouvia. Ele se perguntou se ela também ouvia o coração dele bater tão rápido quanto o motor de um SS Ultimate Aero3. Passou a mão nos cabelos cacheados, varrendo-os para trás. Buford estendeu um braço mecânico e empurrou um buquê de margaridas para ele. Leo pegou sem jeito, o escondendo em suas costas.
Não precisava nem dizer uma única palavra, era só chegar ali e pedir humildemente para ela sair com Leo.
– Reyna — Ele falou, tentando se mostrar galante, dando um passo à frente e mostrando à ela o buquê. Reyna se virou, olhando desconfiada quando ele puxou a mão dela e a beijou. Ela iria dizer algo, mas Leo sentiu 'alguma coisa' atrás dele, o empurrando diretamente para a fonte de Baco do jardim. Buford, seu projétil idiota com mil parafusos a menos!
Bom, tudo que ele sentia era água em seus ouvidos e em suas calças. Foi só olhar para cima e Reyna estava vermelha de raiva, com o buquê ridiculamente equilibrado em cima de sua cabeça.
Era possível que ela o quisesse de volta? Não, não era. Olha só para ele! Tão tímido! Iria perder a garota.
Mas ah, eles estavam tão perto, e a viagem não seria perdida por causa disso.
Agora ou nunca?
Sim, agora ou nunca. Que Nuestra Señora de Guadalupe o protegesse. Leo fez o que ninguém nunca tivera coragem, seja por loucura ou por amor. Ou pelos dois. Se inclinou e roubou um beijo dela.
Naquele momento, ele soube que seria um homem morto, esfolado, castrado e degolado. Se levantou, tirando o buquê da cabeça completamente molhada dela e quis ir correndo para o bunker mais próximo e nunca mais sair. Mas antes que ele pudesse sequer pôr o pé para fora da fonte, 'alguma coisa' o puxou muito fortemente pelos suspensórios. E desta vez não era Buford.
– Então é desta maneira que os gregos fazem? — Ela perguntou, na sua habitual voz superior, olhando-o intimidante nos olhos negros — Fogem depois que beijam suas namoradas?
Ele arregalou tanto os olhos que pensou que saltariam das órbitas e girariam em torno do planeta.
– Namor... — Mal conseguiu completar a frase, atordoado demais enquanto Reyna continuava a o segurar pelos suspensórios, agora todos molhados.
A água da fonte começou a borbulhar de calor. Ele piscou com força.
– Nunca mais tente fazer uma piada de novo. — Leo disse, já levando aquilo na brincadeira, apontando o indicador acusador para ela.
Reyna levantou as sobrancelhas levemente.
Ela puxou os suspensórios e o beijou da mesma maneira que ele fez, talvez um pouco mais hesitante. Como Leo amava aquele jeito destemido dela.
Quando a pretora se separou dele, ele tinha certeza que a fonte já estaria a ponto de ebulição, mas nenhum dos dois teve reação alguma em relação ao calor. Ele, ainda queimando pela sensação dos lábios dela sobre os seus, pegou o buquê que tinha as flores caídas e murchas pela água e ofereceu a ela.
Reyna ainda parecia que nunca aceitaria um convite daqueles, apenas encarou Buford que aplaudia com suas mãos metálicas a cena, parecendo eufórico com suas rodinhas a vários km/h.
Então, pensou consigo mesmo, era só ir em frente e beijar a garota, hein?
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