Kiss Me.

5 A verdade doí. Part II - Dedicado à Victoire.


Notas iniciais
Dedicado porque ela recomendou a fic ;) Esse capítulo ficou maior do que esperava, mas. Desculpem qualquer erro e boa leitura. ♥ ~

Droga! Merda! Argh! Hunf.

Eu poderia matar aquele projeto de loiro, esfaqueá-lo, cortar sua cabeça só pela raiva que sinto. Primeiro jogou aquele suco em cima de mim, deixando meu cabelo todo grudento e meu uniforme manchado. Depois, pede não sei quantos dangos e sai sem pagar, e o pior, eu tive que ficar naquela lanchonete ajudando para pagar o que ele comeu.

Lavei louça, varri chão, limpei mesas e etc. Pelo menos não estou devendo nada.

Mas eu ainda mato aquela desgraça! Passei o resto do dia naquele lugar, e agora estava voltando para casa em passos lentos. Estava escuro e a rua estava pouco movimentada, é nessas horas que queria ter um carro, ou ligar para minha família vir me buscar.

Pareço até uma criança.

O pior de tudo, é que faltei na escola e tenho a impressão que perdi algo importante. Pergunto-me se foi uma prova, um trabalho ou qualquer coisa, e perdi por culpa daquele desgraçado.

– Maldito loiro! – resmungo um pouco mais alto do que devia, atraído poucos olhares até a mim. Bufei continuando minha trajetória. Estava passando pelo último bairro de riquinhos quando vi uma limusine parar ao meu lado, franzi o cenho apertando o passo.

Espero que outra pessoa não me puxe para um beco ou para dentro daquele automóvel.

Agora que estou aqui, sozinho com uma limusine no meu cangote, lembrei-me da proposta de Itachi. Ir a uma reunião de uma organização que provavelmente só teria loucos. Hm, o que devo fazer? Ir ou não?

– Sasori-kun? – dou um pulo de susto ao sentir uma mão tocar meu ombro. Olho para o lado e encontro um par de olhos ônix.

– Mas o que? O que faz aqui? – perguntei me afastando desconfiado. Dê um desconto a mim, acabei de conhecer um louco e do nada aparece Itachi. Olho para trás e vejo a limusine parada, provavelmente era a dele que estava me seguindo.

– Desculpe lhe assustar, eu moro nesse bairro. – respondeu calmamente. – E o que faz aqui?

Bufei, ele franziu o cenho e arqueou as sobrancelhas olhando minha aparência.

– Creio que conheceu Deidara.

– Tsc. – resmunguei irritado. Ele iria mesmo jogar na minha cara? Meu mau humor estava vindo com tudo e se alguém me irritar seriamente irá sair ferido nesta história.

Dê-me um desconto! Estou grudento, fedendo a fritura, meu cabelo está parecendo palha, pareço um mendigo com essa roupa manchada. Argh!

– Quer carona? Já está escuro e é perigoso. – sugeriu indo até a limusine, o segui em passos firmes. Ele tinha razão, estava escuro e eu poderia ser roupado ou pior... Que o deus da arte me livre.

Entrei no automóvel dando toda minha confiança ao Uchiha. Já entrei aqui e nada me aconteceu, então não preciso me preocupar... Espero. Ele entrou logo após, sentando no banco de frente ao que eu estava acomodado e encarou-me torcendo o nariz.

Suspirei colocando a mochila no chão do carro, o que mais queria aqui era tomar um banho e lavar meu cabelo com o melhor shampoo da minha mãe. Nem fome eu tinha, o cheiro daqueles lanches gordurosos estavam impregnados em minhas narinas.

– Você está horrível... – o moreno comentou mexendo na franja. Revirei os olhos e encarei a janela onde passava pelas ruas desertas e pouco iluminadas. – Pela cara realmente encontrou Deidara. – riu do próprio comentário.

– Porque não disse que ele era louco? – explodi cerrando os dentes. – Aquele projeto de loiro jogou suco em mim... – apontei para meu cabelo. –... E saiu da lanchonete onde estávamos correndo, sem pagar o que pediu! – bati o pé como uma criança birrenta.

– Desculpe. – sorriu de lado, parecendo constrangido. – Deidara é alguém difícil de lidar, mas... – sua voz morreu e ele olhou para os pés. – Desculpe mesmo.

Arqueei as sobrancelhas confuso, mas não questionei. Não estava com saco para isso.

Além do mais, não gosto de tocar no mesmo assunto sabendo que ele não quer falar sobre. Posso ser exigente quando quero, porém, sei quando é a hora certa para isso.

– Pode esperar um pouco? – chamou minha atenção. – Preciso falar com meus pais antes de levá-lo até sua casa. – pegou sua mochila no banco e foi ai que percebi que o automóvel não estava se movimentando mais.

Odeio esperar!

– Claro. – murmurei a contra gosto. Não tinha escolha, não conhecia esse lugar. Ele saiu do carro chamando-me junto, o segui boquiaberto até a enorme mansão em nossa frente.

O jardim era impecável, com arranjos de flores de todos os tipos. A grama em um verde perfeito e muito bem cuidado. Andamos pela trilha de pedras até a porta e ele a abriu, mostrando o grande hall de piso liso e algumas empregadas domésticas a sua espera.

Adentrou o local sendo seguido por mim, e deixou a mochila com uma das mulheres que o referenciaram quando entrou. Ele fez sinal para que eu esperasse sentado no enorme sofá negro no meio do salão e foi o que fiz, quase dormindo ali pela macies do mesmo.

Trouxeram um copo de água para mim; aceitei forçando um sorriso e ignorando os olhares estranhos que elas me lançavam.

Eu odeio esperar, mas odeio mais ainda estar em um local como este. Estava sentindo-me desconfortável e queria ir desesperadamente para casa. Esta casa é realmente um luxo, e me sinto assim por exatamente isso. Está sala é quase do tamanho da minha própria casa e me sinto fútil aqui.

– Não sabia que o aniki estava ajudando pobres. – ouvi uma voz se aproximando e um garoto quase que idêntico ao Itachi apareceu acompanhado de outro garoto, aparentemente os dois deviam ter a mesma idade.

– Se chama serviço comunitário, teme! – o garoto loiro disse e o outro revirou os olhos cruzando os braços e se aproximando mais de mim. – De que rua você é?

– Como é? – franzi o cenho com aquela pergunta. Era só o que faltava, estava sendo confundido com um morador de rua, hunf!

– Sabe, não damos dinheiro para mendigos drogados, se é isso que veio pegar, vá embora! – o moreno disse alto e tentando ser autoritário. Estou contando até dez, tentando me acalmar.

Acalme-se Sasori, acalme-se!

– Sasuke, seja mais sensível. Ele não deve ter onde dormir. – o loiro comentou baixo, porém pude ouvir.

– Pelo amor de deus Naruto, olhe só para ele, está fedendo, olha essa aparência... Está sujando o sofá! – o moreno disse de forma mal educada e a cada comentário infeliz uma veia pulsava na minha testa.

Onde está o Itachi? É por isso que odeio esperar! Argh.

– Desculpem... – tentei me comunicar. – Mas estão errados, eu...

– Não precisa ter vergonha de quem você é. – o loiro sorriu. Revirei os olhos, como crianças são idiotas, espero que não tenha sido assim antes.

– Otouto, Naruto-kun. – ouvi a voz de Itachi se aproximar e suspirei de alivio. – Deixem Sasori-kun em paz, por favor. – apareceu na sala com uma roupa mais casual do que a do uniforme do colégio.

– Porque está trazendo mendigos drogados para casa, aniki?

– Ele é meu amigo, é da minha escola. – disse arqueando uma sobrancelha. Os dois franziram o cenho me olhando de cima a baixo, até que perceberam que usava o uniforme da escola. Idiotas!

– Ai meu deus, desculpe, dattebayo! – o loiro desculpou-se desesperado para que eu aceitasse; outra veia pulsou na minha testa. O moreno nem parecia se importar, parecia aqueles riquinhos orgulhosos que não pedem desculpas.

– Hunf. – levantei as presas indo até a porta. Itachi me seguiu, a abrindo e saímos ainda ouvindo Naruto pedir perdão. – Pirralhos. – murmurei quando já estávamos em frente à limusine.

– Desculpe, os dois são...

– Idiotas? – tentei completar, ele riu.

– Exato. – entrou no automóvel, o segui sentando no banco a sua frente. Ele fechou a porta e fez sinal para que o motorista começasse a dirigir, e foi o que ele fez.

Era estranho estar aqui com Itachi. Desde que entrei naquele colégio jurei que iria o superar, que ele seria um rival e um desafio, mas agora, até parece que somos amigos de verdade. Será que é assim que ele me vê? Como um amigo?

Porque eu não consigo o olhar desta forma? Será que sou tão idiota ao ponto de não esquecer um desafio individual? Hunf.

– Desculpe... – sua voz soou tirando-me de meus devaneios. O olhei de cenho franzido enquanto ele encarava a rua escura pela janela do automóvel. – Não devia ter pedido aquilo a você... Mas Deidara não pode me ver...

Arqueei uma das sobrancelhas, essa história de Deidara está cada vez mais confusa.

– Por quê? – perguntei com a voz baixa, com receio que ele não respondesse.

– Porque eu não o ajudei e não fiquei ao seu lado quando ele mais precisou. – respirou fundo e encarou-me com seus orbes ônix. Ficamos em silêncio novamente.

“Eu não o ajudei e não fiquei ao seu lado quando ele mais precisou” O que aconteceu entre os dois? O que Itachi fez? O que houve com Deidara? Hunf, são tantas perguntas sem respostas... Isso faz minha cabeça doer.

– Porque você é assim? – perguntei chamando sua atenção, o fazendo franzir o cenho. Não sei o porquê estava perguntando isso, as palavras apenas saiam da minha boca, mas não é como se eu não quisesse saber. – Porque me trata diferente das outras pessoas?

Ele me encarou por alguns minutos, como se quisesse procurar as respostas certas.

– Porque eu me identifico a você. – respondeu sem desviar os olhos de mim. – Somos amigos, não é? – não respondi, desviei meu olhar para a janela.

Então ele realmente me via como um amigo. Sou um idiota? Sim, sou.

Quando me dei conta já estávamos em frente à minha casa, o moreno abriu a porta e deu espaço para eu sair. Peguei minha mochila e sai do carro, acenando para ele.

– Até amanhã. – disse com um sorriso gentil nos lábios e fechou a porta, fazendo a limusina começar a andar.

Suspirei pensando em alguma história para contar aos meus pais, já até vejo a silhueta de minha mãe espionando pela janela da cozinha. Coloquei minha mochila nas costas e entrei em casa, tirando os sapatos e estremecendo com a frieza do chão. Meu pai estava sentado de braços cruzados olhando para mim.

Minha mãe apareceu na porta da cozinha de cenho franzido.

– Tadaima! – e com isso, as perguntas vieram; “Porque seu cabelo está assim?” “O que houve com sua roupa?” “Com quem estava até essa hora?” “De quem era aquela limusine?” e bláblá.

Respondi tudo, claro ocultando a parte que não fui para a escola, apenas disse que uns marginais jogaram suco em mim e eles engoliram a história.

Subi as escadas indo para meu quarto, preciso tomar um banho e dormir. Não quero saber de comida por um tempo. Gaara já devia estar trancado no quarto, aliás, otou-san já estava em casa.

Tenho que admitir, hoje foi um dia estranho. Finalmente estava em casa pegando uma roupa limpa e suspirando pesado pelo cansaço. “Porque eu me identifico a você” as palavras do Uchiha ficaram presas em minha mente, aproximações tão repentinas quanto à dele me assustam. Lembro da última pessoa que fez isso comigo, e hoje em dia se considera minha melhor amiga, aliás, Konan nunca foi uma pessoa muito convencional, mas Itachi é diferente; “Somos amigos, não é?” penso se ele tenha ficado chateado por não ter respondido, na verdade, eu nem ao menos sabia o que responder.

Amigos? Será? Mas infelizmente essa não é a maior pergunta...

Eu não o ajudei e não fiquei ao seu lado quando ele mais precisou” porque eu me interesso tanto por esse Deidara? Eu nem o conheço direito, então porque eu tenho essa vontade estranha de saber mais sobre ele?

Ele não é uma pessoa interessante.

Não é uma pessoa normal, nem de longe.

E muito menos uma pessoa a qual eu me aproximaria.

Então por quê?

E novamente, eu não tenho as respostas que queria.

[...]

– Você devia me dar algumas aulas de desenho. – o moreno murmurou olhando a nota que recebeu em seu desenho; oito não é uma nota ruim, porém... – Você sempre tira dez.

– É porque eu gosto de desenhar, principalmente de arte... – murmurei dando de ombros, terminando de colocar meu material na mochila. – Mas quem sabe um dia eu te dê umas dicas.

– Dicas... Está ai algo que ninguém nunca fez comigo... – saiu da sala sendo seguido por mim.

Três dias se passaram depois daquele dia idiota e Itachi e eu viramos... Ahn, digamos que passamos de colegas de sala para algo a mais. Não sei bem se é amizade, na verdade, ele sempre me apresentava como seu amigo, e eu nunca falei o contrário... Aliás, nós realmente parecíamos dois adolescentes amigos do peito, sempre juntos, conversando, fazendo os trabalhos e dividindo opiniões em tudo.

E isso apenas em três dias.

Estávamos saindo da escola, afastados da multidão que saia quase correndo do local. Continuávamos nas conversas banais e inúteis, realmente parecíamos amigos de verdade. Ele ofereceu carona, como de costume, mas recusei; precisava passar na escola de Gaara.

Otou-san estava desconfiado de sei lá o que, e eu precisava dar uma de babá. Provavelmente ele já devia estar me esperando em frente ao colégio, ou simplesmente foi embora sem se importar. A relação desses dois é mais estranha do que a de Itachi e eu.

E enquanto eu caminhava tranquilamente até o ponto de ônibus, estranhando a tranquilidade. Normalmente sempre há pessoas por aqui, não esperando ônibus, mas sim um táxi ou coisa do tipo. Não que goste de ficar no meio de pessoas estranhas e esnobes o dia todo, mas é melhor do que ficar sozinho na rua escura e perigosa... Enfim.

Nos próximos momentos irei dizer brevemente o que houve:

Fui puxado;

Colocaram uma mão em minha boca;

Arrastaram-me até um beco onde não havia praticamente ninguém;

Mandaram-me calar a boca.

Reconhecia aquela voz, e a vontade de sair espancando todo mundo voltou. Fechei os olhos tentando calmar à respiração e senti que meu coração poderia sair pela garganta a qualquer hora. Quando paramos de andar, digo quando ele parou de me arrastar, soltou-me deixando-me respirar direito.

Podia ainda sentir uma mãos segurar meus antebraço, mas não com muita força a ponto de me machucar. Virei o corpo para trás olhando aquele projeto de gente sorrindo timidamente em minha frente.

– Como vai Sasori, hn? – perguntou e pude sentir meu sangue subir. Não sabia se ele fazia de proposito ou não.

– N-Nunca mais... Faça isso! – falei ainda ofegante pelo susto que ele me deu. – E-entendeu?

Ele sorriu fraco assentindo positivamente. Soltei de seu aperto e respirei fundo, enquanto ele apenas me encarava. Deidara é definitivamente louco! Como ele faz isso com uma pessoa? Fiz menção de sair daquele local, poderia correr e ligar para polícia ou hospício, mas talvez fosse exagero... Correr pode ser uma boa ideia.

Tudo bem, correr não é o meu forte, sempre fico com falta de ar e não quero morrer no meio da rua por problemas de respiração. Simplesmente comecei a andar, em passos largos ainda ouvindo seus passos atrás de mim.

– Ei, espera! – gritou correndo até a mim, segurando meu pulso obrigando-me a parar.

– Esperar? Você é louco? Arrastou-me para um beco escuro e vazio, nem conheço você e nem sei o que irá fazer comigo! – falei um pouco mais alto do que o normal. Mas sou ser humano, e acho que seria normal agir assim em uma situação destas.

– Eu... Só queria me desculpar... – disse abaixando a cabeça, o que me fez suspirar pesado. Droga, não consigo entender esse cara; ele age de formas diferentes o tempo todo. Decidi ouvir o que ele tinha a dizer, mesmo a contra gosto. – Eu sei que fiz errado em sair correndo da lanchonete naquele dia, hn.

– Principalmente a parte quando não pagou. – senti-me obrigado a comentar, ele riu sem graça.

– Na verdade, eu tinha esquecido minha carteira, hn. – comentou rindo e eu revirei os olhos. – Também desculpe por jogar meu suco na sua cabeça...

– Hm. – resmunguei lembrando do estado que meu cabelo ficou.

– Seria melhor ter jogado ketchup, iria camuflar mais, né? – riu novamente de seu comentário inútil e eu novamente, revirei os olhos. Que garoto idiota! – E desculpe ter gritado com você, hn.

– Certo... – murmurei dando de ombros e saindo do local, mas ele novamente segurou-me o pulso.

– Não vai se desculpar também, hn? – perguntou de cenho franzido. Fiz uma cara confusa com sua pergunta. – Você falou mal dos meus amigos... – oh, sim... É disso que ele está falando... – Eu li em uma revista um dia que deve se defender os amigos quando falam mal deles, hn. – comentou calmamente. – E foi o que fiz... Defendi-os, hn.

– Deidara... – o chamei antes que ele começasse a falar e não parasse mais. – Sei que ficou chateado, mas não irei me desculpar. – ele ficou confuso, aliás, ele parece ser um tanto ingênuo aos meus olhos. – Amigos de verdade não pedem dinheiro sem motivos para os outros, eles estão lhe usando... Sinto muito. – e com isso, tentei outra vez sair, mas ele me segurou.

Isso está ficando chato.

Ficou em silêncio, encarando-me por alguns minutos e logo sorriu fraco e tímido.

– Quer dizer que você é meu amigo, não é?

– Como? – o olhei de cenho franzido.

– Na revista dizia que amigos são sinceros uns com os outros, hn. – disse com uma careta pensativa. – Você está sendo sincero, não está? – concordei, fazendo seu sorriso alargar. – Você não mentiu para mim até agora, e nem disse para o tio da lanchonete que a conta era minha... Ou seja, você me ajudou, hn. – meu deus, do que ele está falando?! – E agora, você me desculpou... Amigos fazem isso, hn.

Ah não...

– Deidara, do que está falando? – sabia muito bem, mas queria o ouvir confirmar.

– Somos amigos, Sasori. – sorriu ainda mais, vindo em minha direção. Dei um passo para trás, afastando-me.

– Não... Não somos não. – falei suando frio.

– Somos sim. – se aproximou, e afastei-me novamente. – E amigos levam as coisas de escola um para o outro, você levou aquela ocorrência, hn.

– Eu fui obrigado!

– Mas levou e não pedi para ninguém fazer para você, hn. – pensei em falar que a tarefa era de Itachi, mas decidi não dizer nada. Poderia ser pior.

Ficamos em silêncio novamente, estava desconfortável naquela situação. Deidara encarava-me com um olhar estranho, parecia até um idiota com aquele brilho sonhador nos olhos.

Segurou meu pulso, ainda sorrindo e puxou-me para fora do local, tagarelando o quando estava feliz por sermos amigos e para que eu não falasse mal de seus outros companheiros. Ele deve se fazer de idiota, só pode. Olhei para o relógio em meu pulso, bufando vendo que já havia passado da hora de ir buscar Gaara.

Conhecendo ele, sei que deve estar puto da vida comigo. Ou ele simplesmente já estava em casa, não se importando se estou vivo ou não. Fiquei pensando em como fugir desse cara, eu tinha um dever de química para amanhã e precisava começar logo.

Merda! Eu devia ter aceitado a carona de Itachi.

Aliás, como o loiro sabia que eu passava por aquele local? Não me diga que ele estava me seguindo?! Hunf.

Chegamos a uma lanchonete diferente desta vez. Suspirei percebendo que já estávamos dentro dela, ele puxou-me para um dos bancos obrigando-me a sentar. Esse cara é mais forte do que aparenta.

Pediu para que eu ficasse, na verdade implorou chamando a atenção das outras pessoas para nós. Corei e concordei.

Fez seu pedido enquanto eu não pedi nada. Estava parecendo até um déjàvu.

– Estou com minha carteira hoje, hn. – disse entre risos mostrando a carteira preta e colocando em seu bolso novamente.

Uma pergunta veio em minha mente; eu levei uma ocorrência a ele não é? Mas nunca o vi na escola... Ele não vai para a escola mais? Por quê?

Queria perguntar, mas também não queria puxar assunto. Coloquei minha mochila nas costas dizendo que iria ao banheiro. Espero que tenha uma janela lá, assim poderei fugir.

Segui reto para uma porta laranja clara em frente à onde estávamos sentados, pelo que observei naquele lugar, parecia àquelas lanchonetes de filmes onde tem um balcão e em frente umas mesinhas com cadeiras parecendo sofás felpudos, andando pelo corredor havia a porta e ao seu lado, uma entrada onde havia pessoas conversando.

Reconheci uma das pessoas sendo aquele cara estranho que parece cachorro. Como era seu nome? Kibe? Baki? Kiba? Enfim, ele estava junto a outros dois que distingui como sendo os outros que estava junto a si naquele dia.

Abri a porta do banheiro, mas antes de entrar pude ouvir um deles falar.

– Deidara é um idiota. – concordo. Espera... Estão falando mal do loiro? Obvio Sasori, você está ficando burro ou o que? Hunf.

– Porque será que ele não quis dar o dinheiro para a boate? – outro perguntou. O loiro não deu o dinheiro que prometeu? Um ponto para ele.

– Deve ser por causa daquele ruivo baixinho na lanchonete. – Kami-sama me segure, por favor, me segure.

– Baixinho é o caralho! – falei mais alto do que devia chamando a atenção deles a mim.

Droga.

Seria a hora certa de correr?

– Ora, é ele. – o gordinho do grupo falou.

Engoli em seco.

Eles virem até a mim e eu estremeci. Certo, não é hora de ter medo, não posso demonstrar fraqueza. Nunca fui disto... ainda mais com alguém que me chama de baixinho, Argh.

Ninguém gosta de ser lembrado que é baixinho! Muito menos eu!

– O que faz aqui cabeça de fósforo? – esses caras precisam arrumar apelidos novos, que “apelidinho” mais prega, espere... Por que estou pensando nisto? Não é hora de pensar em besteiras.

– Não é a sua conta. – respondi em meu tom indiferente de sempre, porém adicionei um pouco de irritação.

– Você não tem medo não pirralho?

Por favor, eles pensam que eu tenho quantos anos? Devo ser da mesma idade deles.

– E vocês não têm vergonha de falar mal do Deidara? – rosnei vendo-os franzirem o cenho. Porque estou defendendo ele? – Ele considera vocês como um amigo, e estão usando ele! Que nojo de vocês... – eu me importo? Espere, eu realmente não sei se importo ou não com o loiro.

– E quem é que vai nos fazer parar? – o mais alto perguntou, acho que seu nome é Kankuro.

Estava prestes a responder, quando os vi olhando para trás de mim, olhei também e vi um Deidara com uma expressão nada boa.

– Ei Deidara-chan. – um deles, na cara de pau mesmo, falou.

O loiro não disse nada, apenas os continuou fitando em silêncio. Sua expressão estava indecifrável, não sei se está triste ou com raiva... Talvez os dois.

– Vão embora! – ele disse com a voz baixa. Ninguém de móvel. – Hn! – resmungou mostrando com clareza a irritação em seus olhos. Vi seus “amigos” saírem às presas e estranhei.

Ok, acho que eu devo ficar com medo agora.

Ele abaixou a cabeça quando os três saíram e as pessoas do local olhavam para nós. Aproximou-se de mim e não me mexi, parecia até que estava congelado.

– Vamos, hn. – disse saindo do local sem me puxar nem nada. Ele está mesmo abalado.

Acho que ele realmente pensava que os três idiotas eram seus amigos...

O segui em silêncio e assim fomos rumo até o ponto de ônibus, ele ainda estava com a cabeça baixa e resolvi andar alguns centímetros mais afastado de si. Era um silêncio estranho... Desconfortável, digamos.

Sentia-me um pouco mal por ele. Apenas um pouco.

Pelo menos ele abriu os olhos e viu que aqueles garotos não são realmente seus amigos. Imaginei-me em seu lugar, deplorável. Imaginei Gaara... Espero que meu irmão no tenha esses problemas... Espero mesmo.

Quando chegamos ao ponto de ônibus, ele ficou lá a sua espera comigo.

– Obrigado por me ajudar... Acho que você tinha razão quando disse que eles não eram meus amigos de verdade, hn. – comentou abaixando o olhar triste e quebrando o silêncio entre nós. Encarei por alguns minutos sem saber o que fazer ou dizer.

– Não tem de que... Amigos são para isso. – comentei sentindo minha pele corar de leve. Somos realmente amigos? Pouco me importa.

Ele sorriu de canto enquanto me encarava de uma forma que não sei distinguir. Abriu a boca, mas nenhum som saiu. Ele era um estranho aos meus olhos, porém, não me assustava mais. Ia me virar e despedir-me quando vi que o ônibus já estava chegando, porém, seu braço me parou.

– Acho que te amo, hn. – falou corado e com um olhar de desdém enquanto eu arregalava os olhos.

– Eh?

Notas finais
PÓEQOWEP´QOÇ~LDÇLFA~SDÇLÃSDÇFLA~SDLÃSLD rindo demais -qq Gente, esse Deidara é uma figura né? xD O próximo vai ser o último dos capítulos "A verdade doí" ~ E com o próximo, as repostas paras as perguntas irão vir à tona o/ ~ou não, rs ~ Se a fic estiver confusa, avisem ok? :) Naruto e Sasuke irão participar tambem, não é só nesse capítulo xD Esse final pode ter ficado confuso, mas cortei o capítulo porque ia ficar muito grande mesmo :s Ok, até o próximo ♥