Kiss Me.

4 A verdade doí. Part I


Notas iniciais
Oie! Vim postar logo porque sim -q Primeiro de tudo: Victoire obg pela recomendação ♥ Você já leu esse capítulo então o próximo vai ser dedicado a você, ok? ;D Desculpem qualquer erro e boa leitura. Beijos.

Havia acordado um pouco mais cedo hoje para ir à casa do tal Deidara. Nem havia tomado café para falar a verdade, mas isso é de menos, posso comprar algo para comer no colégio... Ok, com o dinheiro que tenho é impossível, é melhor comprar algo na rua mesmo.

Já estava com o envelope em mãos enquanto passava de casa em casa olhando o número para achar a residência dele. Só havia casas de luxo nesse lugar, não é de se esperar menos. Mas o jardim de cada casa é maior do que minha sala, quanta humildade.

Não havia ninguém na rua, talvez pela hora, essa gente não deve acordar cedo. Era estranho passar em uma rua nesta hora tão pouco movimentada, nem cachorros abandonados tinham aqui.

Quando avistei o número correspondendo ao que estava no endereço, fui caminhando e subindo os dois degraus que haviam. Toquei a companhia que ecoou um som irritante, e esperei até que a porta se abriu.

– Oi, eu vim trazer esse relatório para Deidara. – digo para uma garota loira de olhos azuis que me encarava da cabeça aos pés. Sua pele pálida corou de leve e pegou o pacote que eu tinha em mãos.

– Obrigada. – disse sorrindo. Eu dei um aceno com a cabeça e me virei para sair, porém, ela segurou a manga da camiseta do meu uniforme. – Você é da mesma escola que ele né? – perguntou o óbvio. Vendo que eu não havia respondido, apenas lhe lançado um olhar de desdém, continuou. – Sou Ino.

Porque ela está se apresentando a mim? O que devo fazer? Apresentar-me também?

– Ahn... Sasori. – disse a encarando. Ela ficou em silêncio, como se esperasse que eu dissesse algo. Odeio fazer as pessoas esperarem. – Quer alguma coisa? – foi à única coisa que saiu de minha garganta.

– Erh, não... – riu sem graça.

– Então eu já vou. – disse me virando e saindo do local. Ainda podia sentir seu olhar sobre mim, mas não olhei para trás, apenas continuei caminhando.

Virei à esquina indo para minha casa, eu não conhecia esse bairro muito bem, não podia ir direto a escola daqui, então como ainda está cedo posso chegar a tempo de pegar o ônibus e ir ao colégio; podia ouvir alguns passos atrás de mim, mas não me importei continuei andando despreocupado pela calçada nada movimentada daquela rua estranha. Quando passei por um beco, senti duas mãos puxarem-me pela mochila, mas não tive tempo de me soltar, as mãos ágeis já me seguravam tampando minha boca e arrastando-me para mais afastado dali.

– Quem é você? – perguntou um ser que não sei distinguir em homem ou mulher, com o cabelo parecido com o de Ino, porém, em um loiro mais escuro. Seus olhos eram mais escuros também, e sua pele mais bronzeada do que a da loira e bem mais que a minha. Jogou-me contra a parede e me encarou enquanto segurava-me pelos ombros. – Responde, hn!

– Eh? – foi à única coisa que consegui dizer. Droga, só Kami-sama sabia o quanto eu estava assustado naquele momento. Claro, qualquer pessoa normal ficaria assustada em uma situação dessas.

– Você é surdo ou retardado, hn? – cerrou os dentes em demonstração de irritação. Comecei a suar frio, o que esse cara ou garota queria. Bem, julgando pela voz digo que homem, então... O que esse cara quer comigo? – Você veio a pedido dele? Hn?

Mas o que? Droga, eu me meto em cada merda.

– E-espera. Não sei... Não sei do que está f-falando e-eu... – ele espreitou os olhos desconfiados. – N-não sei do que está falando, m-me solta... Por... Por favor. – ele me encarou por algum tempo, mas logo me soltou deixando-me respirar. Porém, ficou em alerta para que eu não fugisse.

– Quem é você? – perguntou mais uma vez, mas desta vez mais calmo.

– Akasuna no Sasori. – respondi engolindo seco.

– Seu nome é familiar, hn. – coçou o queixo pensativo. – O que veio fazer aqui?

– E-eu vim entregar um envelope que uma professora pediu... E-eu não entendo a sua frustração, desculpe. E-eu tenho que ir. –tentei sair, mas ele me segurou.

– Quer dizer que não veio aqui a pedido dele? – mas do que diabos esse cara está falando? Balancei a cabeça negativamente e ele me encarou desconfiado, mas depois de alguns minutos sorriu largamente. – Háháhá, desculpa ai cara. Foi um engano, hn.

Espera... Como é?

– Sou Deidara, hn. – espera, esse ser é o tal Deidara? Esse cara é louco? Pelo amor de deus. – Desculpe mesmo, pensei que estava aqui a pedido de uma pessoa... – coçou a nuca constrangido enquanto ria sem graça. Bipolaridade? Talvez.

Fiquei em silêncio enquanto ele se desculpava pelo ocorrido há minutos atrás; não sou de julgar, mas esse cara está me assustando.

– N-não tem problema. – tentei novamente sair, mas ele me segurou outra vez.

– O que é que você trouxe? – perguntou com um olhar inocente e questionador. Até parecia outra pessoa, como pode?

Se pudesse sairia dali correndo, o mais rápido possível. Porém, qualquer movimento errado que eu fizesse esse cara poderia me matar; tudo bem, matar é um pouco de exagero, mas quem sabe o que ele poderia fazer comigo?

Eu nunca o vi na vida, não o conheço, e nem ao menos devia ter dito meu nome. Mas o que passou já passou, e infelizmente, ainda estou aqui, preso e provavelmente irei perder o ônibus. Será por isso que Itachi ficou daquela forma? Será que esse Deidara é louco?

Ele ainda está me encarando, esperando a resposta. Argh, odeio fazer as pessoas esperarem.

– Eu não sei. – disse no meu tom sério de sempre, mas com uma pitada de espanto. Esse cara me assusta, mesmo que não diga isso em voz alta. Claro, olha a forma como nós nos conhecemos? É óbvio que iria ficar assustado com ele perto de mim.

– Hm. – resmungou pensativo. – Deve ser outra ocorrência, hn. – comentou como se aquilo fosse normal. Seus olhos desviaram de mim para rua e ele bocejou; foi ai que percebi que ele ainda estava de pijama. Só pode ser brincadeira, eu estava com medo de um homem de pijama. – Você parece assustado, hn.

Pensei em xingá-lo, batê-lo, porém, não o fiz. Apenas soltei um suspiro cansado e joguei a mochila no chão. Soltei outro suspiro, quando olhei a hora e percebi que já havia perdido o ônibus.

– O que foi, hn?

–Pela hora eu devo ter perdido o ônibus para ir à escola. – respondi fechando os olhos e tentando pensar na possibilidade de não ter nenhuma prova hoje... Espere, porque estou falando com ele normalmente? Foi por culpa dele que perdi a droga do ônibus.

– Se você quiser, posso te levar em um lugar bem legal para passar o tempo, hn. – sugeriu sorrindo e levantando as mãos no ar, mostrando animação. Estava prestes a recusar, porém, ele me puxou pelo braço em direção a sua casa. – Você vai gostar, fazem dangos deliciosos lá, hn.

O que devia fazer em uma situação dessas? Se eu voltasse para casa, teria que responder milhares de perguntas e levar bilhões de sermões. Se eu tentasse ir à escola, iria chegar atrasado e não poderia entrar. Mas ficar com esse louco também não é uma opção muito inteligente.

Minha barriga roucou, atraindo seu olhar a mim. Corei de leve pelo som que a mesma fez e por ele ter sorrido. Acho que, posso ir apenas pelos dangos.

[...]

– Isso é ótimo, hn. – ele disse com a boca cheia e com mais três palitinhos de dangos em mãos. Eu comia em silêncio, aliás, não disse uma palavra se quer desde que saímos daquele beco. Ele por outro lado, não pára de falar; isso é irritante. – Você não é muito de falar, né?

Não respondi, e nem queria. Pensei em algumas coisas para fazer durante o caminho até essa lanchonete, e seria uma boa opção ir a biblioteca passar o tempo. Deve ter livros novos, e provavelmente irei encontrar algum que o colégio orientou a ler.

Dei mais uma mordida no dango e realmente, é uma delicia. Os lanches daqui, na verdade, são muito caros. Eu gastei todo o meu dinheiro em um palitinho de dango e em um suco qualquer.

Mas acho que valeu a pena...

O local era bem movimentado, e parecia fazer sucesso entre as pessoas que moravam naquele bairro. Deidara pedia mais e mais dangos para a moça do balcão, enquanto eu terminava o primeiro e último que pedi.

– Quer mais um? – ofereceu e assenti negativamente com a cabeça.

Ele finalmente se calou, e pensei que estaria por algum tempo em paz sem ouvir sua voz. Pobre de mim, que pensou em tal ato que provavelmente nunca irá ser realizado.

Levantando minha confusão, ele se levantou acenando para alguém fora do local. Arqueei minhas sobrancelhas vendo três garotos virem em nossa direção.

Pelo o que meus olhos analíticos puderam observar, um deles era alto tinha cabelos castanhos escuros, olhos negros e usava um tipo de macacão todo preto; o outro era um pouco menor, com cabelos castanhos bagunçados, olhos negros, com acentuadas pupilas verticais, muito estranho; o último, era o mais baixo do grupo e o mais “cheinho” também.

Os três ficaram ao lado de Deidara, com sorrisos estranhos nos lábios.

– O que faz aqui? – o estranho que agora que abriu a boca para falar, deu visão de seus dentes que pareciam ser caninos. Mais estranho ainda.

– Vim comer dangos com o Sasori, hn. – respondeu alegre apontando para mim. Todos me encararam de forma estranha também. Assustado? Hunf, claro que não... Adoro sarcasmo, sério. – Sasori, esses são meus amigos, Kiba... – apontou para o estranho com cara de cachorro. –... Kankuro... – apontou para o mais alto do grupo. – e Choji.

– Prazer. – murmurei indiferente. Pelo que me lembre, Itachi havia dito que Deidara não tinha amigos. Estranho, talvez ele tenha se enganado.

– Deidara, você pode arrumar um desconto para nós? – Kankuro perguntou na cara de pau. Eles estavam pedindo dinheiro? Sério?

– Para que, hn?

– Vamos sair com algumas meninas. – Kiba respondeu com um sorriso malicioso.

Esses caras estão realmente tentando tirar dinheiro do loiro? Mas, nesse bairro não há só pessoas ricas, então por quê? Vi o loiro concordar, e lamentar-se por não poder ir junto; pelo que entendi, ele estava proibido de sair de casa... Então porque ele estava aqui?

Argh, que confusão.

Quando dei conta os três saíram deixando o loiro a sós comigo novamente, arqueei as sobrancelhas tomando um gole do suco que comprei. Deidara parecia um pouco chateado, não sei se pergunto... Devo?

Ahn, que seja...

– O que foi?

Ele me olhou como se eu fosse mudo e havia milagrosamente presenteado com a voz. Sorriu infantilmente e deu de ombros continuando a comer.

Esses caras, se não estou errado, estava usando o loiro. Estavam guardando o dinheiro e assim tirando do bolso de Deidara, era isso? E ele não percebia? Que idiota! Mas pela cara dele, parece que ele percebeu sim, mas porque continuar com esse teatrinho?

– Meus amigos não são muito amigáveis com outras pessoas, desculpe por não tê-los apresentando direito, hn. – comentou sorrindo largamente.

Cerrei os olhos para ele e suspirei, fazendo seu olhar tornar-se confuso.

– Sinto lhe dizer, mas não são seus amigos. – comentei terminando de tomar o suco. Ele pareceu ainda mais confuso. – Amigos não ficam pedindo dinheiro sem motivos aparentemente bons, e no final não pedem para você dar e sim para emprestar. – devo parar de falar? Eu não estava conseguindo me calar. – Hunf, você é um idiota por ainda dar dinheiro para eles, provavelmente estão te usando e–.

Consegui me calar, finalmente. Porém, a voz morreu quando senti um líquido gelado cair em minha cabeça e passar pelo rosto, molhando os ombros do meu uniforme. Olhei para o lado e ele me olhava como se quisesse me matar, da mesma forma que me olhou quando estávamos no beco.

– Cala a boca! – gritou chamando a atenção dos outros no local. – Quem é você para falar assim?

Ele se levantou do banquinho, e em um reflexo me levantei também, assustado. Ele cerrou os dentes saindo correndo do local me deixando sozinho.

O que deu nele? Porque ficou tão nervoso? Eu só disse a verdade.

Droga, quem vai pagar os dangos dele?

Notas finais
Quem realmente são esses amigos do Dei-chan? Porque o loirinho ficou tão irritado? Como Sasori irá resolver a história dos dangos? Quem realmente é Deidara? Porque Itachi não gosta de falar do loiro? Descubra nos próximos capítulos de 'Kiss Me' ~toca trilha sonora~ qq A segunda parte virá logo, ok? ^-^ Até o próximo ♥