Kiryuu. pra Você, Eu Sou apenas Kiryuu
2 Requiem II
Notas iniciais
"Mata essa sede que escraviza o corpo
e transforme em prazer
o que é quase dor."
Requiem II
"Eu vou ficar longe de você para sempre."
Eternamente.
Eu sempre imaginei o meu mundo com ele, mesmo como inimigos. Eu estava preparada para conviver com o seu desprezo. Eu poderia aceitar o seu ódio.Eu era capaz de ser sua inimiga. Tratava-se de uma maneira de estar ao lado dele, afinal. Para sempre.
Mas, definitivamente, eu não era capaz de conviver com a sua ausência.
Eu não estava preparada para o fim.
- Não. Nunca. Eu simplesmente não consigo.
Foi isso. Foi isso o que eu consegui balbuciar. Quando percebi, eu estava debruçada nos braços do diretor. Aqueles braços de pai que há muito tempo eu não sentia. Esses braços eram os únicos que compreendiam a dimensão daquele momento.
- Vamos para a antesala, Yuuki. Você precisa se acalmar.
Eu não sei como eu andei para aquele lugar. De repente, tudo parecia tão vazio. A verdade é que eu estava habituada a ter Zero ao meu lado, embora como um inimigo.
A eternidade sem ele.
Essa realidade, agora, estava cravada na minha alma, mas cada célula em mim relutava em aceitar esse destino. É verdade. Certa vez, eu meditei sobre isso. Eu sabia que o Zero iria morrer. Eu pensei sobre esse fato em demoradas noites... isso era uma coisa tão abstrata, tão intangível em meus pensamentos. O pensar é uma realidade mais sublime que o sentir, afinal. Sentir. Sentir cada porção de si mesma lamentar aquela perda, aquela ausência...
"Uma eternidade de arrependimento."
Esse sentimento que uma vez pertenceu a Kaname há muito tempo, agora, pertencia a mim.
E então, reconheci o perfume nostálgico.
Eu pude sentir aquela presença chegando. Ele vinha ofegante, pois estava atrasado, como de costume. Alguns botões de sua camisa não foram fechados e sua gravata estava um pouco desalinhada. Para mim, um jeito desconcertantemente elegante de ser. Andando com uma das mãos dentro do bolso, ele caminhou com confiança. Parecia saber exatamente onde era o seu lugar. Zero sentou-se e abriu um frasco com os tabletes de sangue. Tragou-os todos. Os vampiros que estavam no recinto se entreolharam constrangido, como se estivessem perante uma bomba-relógio. No entanto, os caçadores continuaram a fazer as suas considerações, sem se deterem sobre aquele gesto. Isto demonstrou que aquilo se configurava como algo rotineiro.
Bebeu os comprimidos inteiros. Sede. Uma sede que nunca terá fim.
"A culpa é minha. Abandonei-o. Eu deixei o Zero tão sozinho."
Quando a reunião terminou, eu esperei o grupo se dispersar. Sufocada por aquela sensação de perda, eu não hesitei em puxá-lo para a antesala. Eu estava disposta a fazer tudo. Qualquer coisa. Então, o meu corpo abraçou Zero, como se eu estivesse tentando me agarrar a sua vida.
- Beba o meu sangue. Vou dar cada gota a você. Eu vou sempre fazê-lo, por você.
-É mesmo?
Embora sua voz fosse suave, pude perceber um certo tom de irônia...
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