Notas iniciais
Mais uma one-shot pra alegrar o Nyah -q
Ou não, né '-'
\"Hoje a Lua está bonita. Apesar do frio que eu estou sentindo, não quero fechar a janela. Uma atitude infantil, eu sei que ela estará ali amanhã. Mas e se eu estiver errado? E se ela não voltar?

Olhe, ali está Vênus. E espica.

O céu está brilhando, hoje.

Lembra de quando olhamos o céu noturno, juntos, pela primeira vez? Você me perguntou o nome de cada um dos pontinhos brancos que nos olhavam lá de cima. Dois estudantes. O nerd apaixonado pelas estrelas e aquele que o salvava de si próprio. A única coisa boa em todos aqueles anos — ou melhor, até hoje.

Sabia que eu nunca escrevi uma carta? Uma maneira um tanto estúpida de começar, já que você está deitado nessa cama, dormindo tranquilamente, e nenhum de nós vai embora. Eu não sei como começar. Apesar de que já comecei. Mesmo que eu não tenha coragem de monstrá-la a você ou você não tenha coragem de ler, eu não consigo deixar de escrever.

Eu tenho me sentido sufocado com as palavras que não consigo dizer. Você sabe, eu nunca fui exatamente bom conversando. Ainda sinto o pânico invadir meu peito e o frio congelar meu estômago. Patético.

Naquele dia em que eu aceitei me tornar seu, eu sentia meu coração parar sempre que você falava. Antes disso, eu te observava de longe. Sim, exatamente como faço com as estrelas — exatamente como te acostumei a fazer. E nessa época, o meu coração parava por um motivo a mais. Quando você falava sobre alguém que não era eu.

Desculpe se te fiz pensar que você não era digno de minha atenção. A culpa é minha, eu não sei ser eu mesmo. Tenho medo de que um dia você me deixe aqui e eu seja obrigado a escrever outras cartas, mas para deixar minha dor e solidão fluirem.

A primeira vez que eu toquei piano para alguém, foi você quem ouviu. Ninguém sabia. Ninguém jamais se interessou por nada que eu fazia. No meu sonho mais secreto, eu tocaria de novo, uma canção nossa, que ninguém mais conheceria.

Eu não sei, realmente não sei, o motivo que leva as palavras a sumirem todas as vezes que penso em te dizer alguma coisa sobre isso.

Você disse... Um dia você me chamou de \"Vênus\".

Eu ri de suas palavras e disse \"mas eu não sou uma mulher\".

Fechando a cara, você me encarou e disse \"pois bem, eu também não, e daí?\".

Não havia sentido algum na sua frase.

Mas, por alguma razão, nós dois rimos. Rimos por horas e horas até esquecermos o motivo.

Até você esquecer o motivo.

Memórias perfeitamente congeladas dentro de minha mente. Você se lembra?

Eu me lembro de ter escrito, uma vez, em um papel qualquer, palavras que, assim como estas, não saíam de minha garganta.

O tal papel ainda está aqui, dentro desta caixa de madeira.

Você poderia me abraçar e então eu estaria livre para viver e amar e dançar novamente. Minha voz voltaria e eu poderia cantar. Você poderia me salvar e então eu poderia correr através desse rio e encontrar o começo de tudo\".

O rio.

Lembra daquele rio?

Foi onde nos conhecemos.

Eu estava sentado na grama úmida, escrevendo. Compondo algo. Por acaso, era uma música para você. Sim, a que eu toquei. Eu nunca te disse, mas, é, ela realmente é a sua música.

Lembro de ter pensado \"Tire-me daqui, antes que eu desapareça\".

Eu era invisível.

Para você, eu era invisível.

Até aquele momento.

O que você estava fazendo lá?

Eu perguntei, acho, mas a sua resposta foi vaga e a conversa rapidamente se voltou para o caderno de música que estava em minhas mãos.

Eu perco meu tempo revivendo o que aconteceu e esqueço que, para ter algo a lembrar depois, preciso criar memórias agora, também.

Desculpe se te fiz pensar que você não era digno de minha atenção.

Eu te amo.

Eu sempre te amei.

Eu sempre irei amar.

Sempre.

Kanon;

P.S.: Você é realmente uma graça... até quando está dormindo\".

Notas finais
~ ×

Odeio essa fic.
Fato.
Mas, não sei porque, fiquei com vontade de postar.
Não me peçam para explicar D:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!