Kingdom Hearts: The Pure Heart Of A Star
9 Chapter 8: The monster that devours memories
Notas iniciais
Numa fração de segundos, Palm avançou contra Riku envolto por uma neblina negra e não levou apenas o garoto, como Hikari também para o lado de fora da caverna. Rapidamente ele passou pelo corredor, vendo Mickey se assustar com a sua passagem e cair para trás derrubando os vários cristais que tinha nas mãos. Quando alcança o seu destino, largou os dois em pontos diferentes e depois pressionou o alvo contra uma rocha ingrime, aspirou profundamente e suspirou satisfeito pelo cheiro que sentiu lhe ser delicioso.
– Hummm... Suas memórias também tem um aroma que me dá água na boca... Como você ousou me desafiar, acho que irei devorá-las primeiro. Mais tarde será a vez da Hikari.
Um segundo depois, o homem escancarou sua boca ao mesmo tempo em que assumia uma aparência mostruosa e abocanha a cabeça de Riku com voracidade. O garoto arregá-la os olhos inicialmente pela dor latejante da mordida e teve a impressão de ter gritado usando toda a força que seus pulmões permitiam, mas então as lembranças mais preciosas que possuia começaram a borrar uma atrás da outra. Em pouco tempo, o rosto de seus pais, Sora, Kairi entre outras pessoas queridas não apareciam mais, lugares que marcaram muito a sua vida, em especial "Destiny Islands", além de várias coisas importantes para si também eram esquecidas numa velocidade anormal. Mas isso não acontecia com as lembranças ruins, elas permaneceram intocáveis durante o que concluiu ser um tipo de "absorvição" e não queria ficar apenas com essas imagens horríveis para recordar futuramente. Riku sabia que, se continuar nesse ritmo, não vai demorar muito para que sua mente fique vázia de memórias boas e talvez chegando ao ponto de não saber quem ele próprio era de verdade.
Enquanto isso, Hikari assistia tudo á distância ainda um pouco atordoada da viagem rápida que o caçador a fez passar e não aguentando mais ver o sofrimento do garoto, decidi lutar contra aquele que foi um dos seus grandes amigos no passado. Ela convoca sua arma, um arco de aparência majestosa, ao mesmo tempo em que uma aljava surgia nas suas costas, se posicionou, pegou uma das várias flechas e a atirou após energizá-la. Palm percebe que alguma coisa estava chegando perto dele e saltou para trás exatamente no instante que o ataque iria atingí-lo, fitou o ponto de onde a rajada de luz veio e rugiu furioso para a garota que atirou mais três flechas simultâneamente, obrigando-o se afastar ainda mais.
– Riku. Você esta bem? Fala comigo. — disse Hikari ao se aproximar dele ás pressas.
– Eu... Eu acho que estou bem... — respondeu piscando inúmeras vezes e sentindo-se um pouco tonto, ele precisou inclinar a cabeça para frente ao sentar com a ajuda dela, mas rapidamente voltou a ficar deitado. — Minha cabeça... esta uma bagunça...
– Não tente fazer nada, fique quietinho para se recuperar seja lá do que ele fez com você. Jurei que te protegeria e chegou a hora de cumprir com a minha palavra. — Riku então desmaia e ela se coloca na frente dele com o arco preparado para atirar. — Palm, me escute com atenção! Você tinha mencionado que quer vingança, mas do quê exatamente te fiz para que sentisse tanto ódio de mim a ponto de colocar outras vidas em perigo?
– Você sabe muito bem o por quê! — esbravejou Palm. — Naquele dia... Estavamos prestes a finalmente voltar para o "Realm of Light" depois de tanto buscar a saída deste lugar, mas então os "Heartless" e os "Nobodies" apareceram de repente. Eles me capturaram e gritei por ajuda, a sua ajuda, mas você não veio ao meu socorro apesar de ter visto tudo. O que aconteceu depois disso eu já lhe fiz um breve resumo lá dentro e é por isso que quero me vingar de você, por sua culpa fiquei longe demais da minha filha e dos meus amigos. O pior é saber que os três foram praticamente obrigados á viver nesse mundo feito de restos que esta á um passo de ser consumido pela escuridão e de novo você fez nada para evitar uma tragédia. — ele aponta um dedo acusador para a garota. — Agora sou diferente. Tenho meios de salvar a vida daqueles que me são importantes e então levá-los para um lugar seguro onde poderemos viver em paz, longe de todo e qualquer perigo que o "Realm of Darkness" pode representar. Já que não há como sair daqui, viveremos isolados até o nosso fim.
Estranhamente a garota ficara tranquila, mas seu olhar demonstrava muita tristeza.
– ...Palm... Acontece que os fatos estão corretos até o momento do ataque, o restante não foi como você diz lembrar. — o caçador arregalou os olhos, abismado. — Ainda não faço idéia no quê se transformou depois daquele incidente, mas de uma coisa eu tenho certeza: suas memórias foram alteradas e elas estão ajudando a alimentar um sentimento desnecessário.
– Mentirosa... Mentirosa mentirosa MENTIROSA! EU SEI O QUE ACONTECEU E TUDO AQUILO FOI POR SUA CULPA "HIKARI SERAPH, THE SCARLET STAR"! — vociferou Palm, levando suas mãos a cabeça e pressionando-a com força. — Vou destruí-la! Nem que seja a última coisa que eu faça! — de repente, a escuridão se manifestou em seu pleno poder e o envolveu por completo logo em seguida. Ele enfim assumira a forma monstruosa que Hikari vira num breve vislumbre quando fora imobilizada minutos atrás.
– Palm?... — perguntou ela, receosa.
– Palm? Este não é o meu nome. Eu me chamo... Tendril... — respondeu o monstro.
Aquilo deixou-a muito surpresa porque era a primeira vez que via um monstro se comunicar usando palavras, geralmente eles emitiam sons estranhos como grunidos ou murmurros. Mas agora que a humanidade do homem possivelmente foi perdida, tinha dois problemas para lidar: o primeiro era os poderes do inimigo possui que ainda são desconhecidos e ao mesmo tempo proteger a vida de Riku; o segundo era saber aonde estaria a menina Filo naquela altura. Se arrependeu profundamente de não ter aproveitado o momento em que ele estava na aparência humana para conseguir alguma informação sobre a sua localidade, porém não havia mais tempo para nada além de focar suas atenção na batalha.
O novo tipo de monstro é realmente veloz e poderoso, mas parecia atacar sem ter um bom planejamento com certa antecedência. Os seus golpes, apesar de serem muito agressivos, eram impulsivos e na maioria das vezes podiam ser bloqueados com a tática correta para na sequência revidar, é também bastante resistente principalmente contra ataques fisícos e aprendia rápido o estilo de luta do adversário para se esquivar com mais facilidade das suas investidas só por precaução, a dificuldade era lidar com a talvez sua única magia: "Teleport" e ainda sempre conjurava uma barreira para proteger Riku quando ele teimava em atacá-lo.
Em um momento da batalha, Mickey apareceu empunhando a sua "Keyblade" e logo queria ajudá-la a vencer o inimigo, preferindo ter explicações mais tarde, mas a garota recusou sua oferta e então lhe pediu para procurar a menina que estava escondida em algum lugar pelas redondezas. Ela aponta para onde a criança supostamente era mantida segundo o cheiro dela e ele assentiu após ter a garantia de que se as coisas ficarem difíceis, bastava chamá-lo que viria ao seu socorro e só assim partiu para a direção indicada. PalmTendrill tentou impedí-lo, mas um trovão fez mudar seus planos e encarou Hikari furioso, a garota estava com o braço direito erguido pronta para conjurar outra descarga elétrica atráves de magia.
– Sua adversária sou eu. Concentre sua fúria em mim e deixe os outros em paz.
– Vai se arrepender amargamente por decidir ser o único alvo de minha irá... Sofrera tanto que suplicar para que eu a mate de uma vez será o seu último desejo! — disse entredentes e rosnou enlouquecido antes de avançar com as garras prontas para delacerar.
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Mickey encontrou uma trilha parcialmente escondida entre um conjunto de rochedos e com a "Kingdom Key D" em mãos por precaução, seguiu pelo novo caminho determinado a localizar a menina. Ele ouvia sons dos relâmpagos seguido de fortes explosões ao longe, na certa a batalha estava acirrada e logo começou a ficar preocupado principalmente com Riku que lhe pareceu estar atordoado quando o viu de relance, mas sabia que Hikari faria de tudo para protegê-lo. Afinal de contas, ela gostava muito dele e não permitiria que nada de ruim lhe acontecesse, tanto que sentia a força de uma magia defensiva exercendo os seus efeitos á longo prazo e provavelmente sendo usada para defender sua vida. Isso mostrava o alto nível de poder dela...
– Não. Não é hora para ficar impressionado, tenho um dever a cumprir. — disse para si mesmo e continuou seguindo na direção indicada. Mas mal percorreu uma parte da trilha e "Nobodies" começaram a surgir em todos os lados, provavelmente convocados por Palm para atacá-lo, porém, nenhum deles ousava se aproximar e era por causa dos cristais que carregava nos bolsos. — Ainda vou descobrir o por quê vocês não gostam disso. — murmurrou, observando os monstros formarem um círculo ao seu redor e sibilarem de raiva. — Eu queria muito lutar contra vocês, mas tenho uma pessoa para localizar. Então, com licença. — e saiu correndo.
Conforme o rei prosseguia, os "Nobodies" o evitava como se ele fosse alguma coisa altamente contagiosa e aqueles que ficavam em seu caminho, se afastavam e depois sibilavam furiosos. Pelo menos ele teve tempo o suficiente para procurar por Filo sem maiores preocupações e acabou encontrando a menina encolhida dentro de uma fenda parecendo esperar algo.
– Até que enfim te encontrei. Você esta bem, minha criança?
– Estou sim. Mas... por que esta aqui?
– Vim salvá-la. — Filo não entendeu. — Aquele homem que dizia ser o seu pai é na verdade um monstro muito perigoso e esta agora enfrentando os meus amigos, parece que ele quer matar a Hikari e fez alguma coisa com o Riku para deixá-lo fora de ação. Já eu fiquei com a missão de salvá-la e claro garantir a sua segurança. — explicou em poucas palavras. Filo encarou o chão.
– Então era isso que o senhor estava planejando... — murmurrou ela. — Escute. Ele é sim o meu pai, já tive provas disso, e sei que é um tipo de monstro. Só que alguma coisa mudou... — então entrelaçou as mãos, aflita. — Quando ele me trouxe aqui, me mostrou como é agora e me pediu para ficar nesse lugar enquanto fazia algo que não seria legal eu ver. Depois viria me buscar e juntos dariamos um jeito para que Barret e Nooj podessem viver conosco num lugar seguro.
– Hmm... Este é o objetivo dele. "Parece que este inimigo aparentemente é mais inteligente que os "Heartless" e os "Nobodies", mas mesmo assim age por puro impulso e sem pensar nas consequências", acrescentou em pensamento. — Filo. Eu sei que você é uma menina esperta e obediente, mas acho que é a única que pode resolver este ímpase, portanto, pode vir comigo?
– Mas, o meu pai... me pediu para eu ficar esperando ele voltar... — o rei insistiu, lhe dissendo que tinha um plano que irá ajudar a todos, mas teve que fazer pequenas alterações por culpa das circunstâncias e ainda teve que explicar a criança o que isso significava. — Esta bem, eu vou. Mas me prometa que nada de ruim acontecerá ao meu pai, não quero perdê-lo de novo.
– Como o rei do mundo de "Disney Town" e soberando do "Realm of Light", você tem a minha palavra. — disse enquanto fazia uma reverência a ela. Filo ficou abismada com a revelação. — Lhe peço para não disser nada a ninguém o que eu acabei de falar, fica como um segredo entre nós ok. — a menina assentiu, sorridente. — Tome. Isto vai deixá-la segura entre os "Nobodies". — ele entrega um dos cristais que guardava a Filo que logo o enfiou no bolso da bermuda. — Vamos! Não temos tempo a perder. Na certa a Hikari já deve estar com problemas. — e assim partiram.
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Riku finalmente recobra os sentidos e se viu no interior de uma barreira magica enquanto Hikari lutava contra um monstro de tipo até então desconhecido, logo lembrou que aquela criatura era a verdadeira forma de Palm e ele o havia atacado, fazendo parte de suas memórias felizes desaparecerem. Ainda conseguia recordar de algumas coisas, mas existiam buracos entre as lembranças, além dos rostos da maioria das pessoas que lhe eram queridas estarem borrados. O pior de tudo é que a única coisa na qual se lembra com clareza era que o seu mundo natal se chamava "Destiny Islands", mas não sabia exatamente como e o por quê saiu de lá, apenas as lembranças ruins permaneceram intactas em sua mente e não queria se basear só nelas para entender a própria história. Entretanto, quando ouviu um forte som de algo se chocando contra uma pedra, ficara chocado por ver a garota entre os escombros parcialmente inconsciente e cheia de ferimentos, ao mesmo tempo em que o inimigo se aproximava.
– Não! Fique longe dela! — gritou desesperado, mas em vão. O monstro continuou caminhando até o seu alvo e ao estar diante de Hikari, a agarrou pelo pescoço, abriu a boca e começou a devorar as memórias dela também. A garota berrou de dor. — Não! Solta ela! Solta ela! — o grito passou a ficar mais estridente. — Largue ela coisa feia! — ele pega a espada que por sorte estava dentro da barreira e desferiu um golpe nela para quebrá-la, mas acabou sendo repelido. Ele tenta novamente e desta vez foi jogado para trás. "Se a espada não funciona, talvez isso dê um jeito", pensou dando um soco na barreira com toda a sua força e levando um choque.
"Sua mão deve estar doendo muito", a voz de Ansem foi ouvida enquanto o garoto encarava a mão machucada. Ele bufou, aborrecido. "Pelo visto ainda se lembra de mim, hehehe..."
"As lembranças ruins permaneceram e você é uma delas".
"Huhuhu... Lembrança ruim ou não, eu sou o único que poderá ajudá-lo a sair dessa barreira. Olhe para ela com atenção. Esta vendo as estrelas navegando pela estrutura? É óbvio que a garota decidiu usar o seu poder oculto para protegê-lo e agora sabe muito bem que estrelas são seres de luz".
"Aonde esta querendo chegar, Ansem?"
"O que eu quero lhe disser é: a única forma de sair daqui é usando a força oposta ao que ela usou para te proteger, ou seja, você precisa da escuridão para se ver livre dessa barreira".
"Não. Eu nunca mais vou me render a escuridão".
"Então prefere ficar aqui e assistir ela sucumbir?", o garoto arregalou os olhos. "Desde que você a conheceu passou a me confrontar por causa dela e agora não fará nada por ela com medo de ter novamente aquele poder em suas mãos, um poder que gostara demais em usar. Que ingratidão da sua parte...", continuou o "Heartless". "Até cheguei a pensar que faria de tudo para protegê-la e quando alguém diz isso significa que esta disposto a fazer qualquer coisa, inclusive deixar o seu orgulho e o que mais de lado em nome daquela pessoa que tanto preza, mas... Eu deveria ter imaginado que a abandonaria, já fez isso antes porque não fazer de uma segunda vez", provocou.
"Você... esta falando sério? Só a escuridão pode me ajudar a salvá-la?", ele sentiu o outro sorrir vitorioso. "Não fique feliz! Esta será a última vez que uso a escuridão, depois nunca mais. Não quero voltar a ser aquele Riku, ela me odiaria e só a idéia já me é insuportável".
"Ok, como queira... Para que volte a usar a escuridão como antes terá que abrir o seu coração para ela mais uma vez. Lembre-se daquele dia, o seu último em "Destiny Islands", daquela sensação que o dominara e o fez ir para além do horizonte. Lembre-se da vontade de sair da prisão que era o mar e a assimile com a barreira que também não deixa de ser uma prisão para você, um obstáculo que o impedi de ir para onde quiser. Lembre-se..."
No fim, o garoto deixou seu coração ser envolvido pelo poder da escuridão e a espada que carregava assumira uma outra forma durante este processo. A lâmina vermelha agora se parecia com uma asa de morcego, havia uma jóia azul em forma de olho próximo ao cabo preto e tudo era revestido por um material de cor indigo profundo. O nome "Soul Eater" surgiu na mente de Riku imediatamente, reconhecendo ser a arma que Maleficent criou com a magia negra para ele poder se defender dos declarados "inimigos" que encontrar no decorrer de sua jornada, e ele logo a usou para golpear a barreira, conseguindo quebrá-la. Rapidamente correu até Hikari e manuseou a nova espada para atacar as costas de Tendrill com toda a força que sua raiva permitia, o monstro largou sua vítima e se afastou após ser ferido enquanto soltou grunhidos dolorosos.
– Hikari! Hikari, acorda! — dizia enquanto tentava fazê-la despertar do desmaio. — Vamos lá sua estrela idiota e imprudente! Abra os olhos, por favor! Não me faça pensar que fiz tudo aquilo em vão! Você não vai me deixar outra vez! — o olhar dele se perdeu sob essa menção por um breve instante. De onde veio essa impressão de que ela o deixaria novamente? E quando foi que isso aconteceu? Mas aquela não era a hora de procurar por respostas, e sim de lutar para ficarem livres do monstro que os ameaçava.
– ...Riku... Como você saiu da barreira? — ele suspirou de alívio quando Hikari abriu os olhos.
– Te explico depois. Agora fique quietinha e deixe tudo comigo, você já fez muito por hoje e não se preocupe com nada porque vou resolver esse problema. — mas quando se levantou, sentiu sua mão esquerda sendo agarrada. — Você não vai faz-
– "Curaga"! — interrompeu ela e em segundos todos os seus ferimentos desapareceram, até os mais graves. — Você tinha dito que me queria lutando do seu lado ao invés de perder o meu tempo em protegê-lo, certo? Acho que posso fazer isso agora que estou bem, apesar de que ainda vou continuar te protegendo. Além disso... — a garota encarou o monstro que ainda se contorcia de dor. — Preciso descobrir no quê o Palm se transformou e ajudá-lo. — o garoto não entendeu. — Ele é o meu amigo, Riku, de verdade. Mas a escuridão o mudou e eu quero fazê-lo enxergar o erro que esta cometendo, também pretendo encontrar uma forma de trazê-lo de volta ao normal se isso for possível.
– Hmph! Isso quer disser que não posso destruí-lo... Tudo bem. Farei aquilo que quiser. — e assumiu a sua posição de ataque. Entretanto, Hikari notou a espada que carregava e ficara triste tendo certeza de que era uma arma das trevas após sentir o cheiro. Ele percebeu isso.
PalmTendrill odiou ser atacado de surpresa daquele jeito e no instante em que focou seu olhar no garoto, vendo-o ao lado de seu alvo, a fúria cresceu mais ainda. Rosnou e avançou contra a dupla ignorando a dor do seu ferimento. Os dois saltam para direções diferentes e Hikari logo atirou três flechas simultâneamente no monstro, Riku correu para alcançar o inimigo logo após ele desviar do ataque dela, quase conseguindo atingí-lo, e assim todos se envolveram no ritmo da valsa orquestrada pela morte antes mesmo de notarem a forma árdua como lutavam. O monstro tentando eliminar principalmente a garota de qualquer maneira, ela apenas se desviando e bloqueando dos seus golpes na maior parte do tempo, fazendo o impossível para não machucá-lo com suas flechas ou magias. Já o garoto seguia uma tática oposta, mas media a força de seus ataques por saber que não devia destruir o monstro. A batalha continuou por mais algum tempo, até que PalmTendrill por pouco não conseguiu acertar o coração de Hikari com suas garras depois de encontrar uma brecha na sequência de ataques dela, se não tivesse ouvido a voz de Filo gritar para ele parar de lutar. Mickey se mantinha próximo a menina por precaução.
– Filo! O que esta fazendo aqui? Eu não lhe pedi para ficar me esperando no esconderijo?
– Pai... Era isso que o senhor não queria que eu visse? Você quer matar a Hikari? Por que?
– Porque é culpa dela por termos ficado longe um do outro por tanto tempo, filha. É culpa dessa garota que eu perdi tudo e passei horrores enquanto planejava uma forma de você, Barret e Nooj vivermos felizes num lugar seguro. Por causa dela, nossas vidas são um ver-
– Pai, o senhor esta enganado. — interrompeu a menina. — Eu não disse nada porque achei que estava fazendo aquilo comigo, não falar a verdade dura e crua para não me assustar, mas já estou grandinha o suficiente para entender tudo e eu entendi que suas lembranças estão diferentes. O Barret até que tenta não tocar no assunto, mas o Nooj é outra história, eu sei o que aconteceu naquele dia. — continuou ela.
– Como deve saber? Ah, sim. Nooj deve ter lhe contado tudo.
– Não pai. Sei do que aconteceu porque eu também estava lá. — todos ficaram surpresos com a revelação feita por Filo, inclusive PalmTendrill. — Na época eu tinha apenas três anos, um bebê praticamente, mas sempre agradeço aos céus por ter uma boa memória e me recordo de tudo como se tivesse acontecido ontem... Ainda mais quando se é um momento muito chocante como daquele dia. — continuou. — Nós tinhamos encontrado a "Door of Light" e estavamos prestes a atravessá-la quando os monstros apareceram. Como Barret estava me carregando foi o primeiro a ser atacado e perdeu o braço enquanto tentava me proteger, depois foi o Nooj e o senhor serem os alvos. A amiga de vocês lutou para nos defender e só agora que me lembrei que era a Hikari... — a menina olhou para a garota, sorrindo. — Me desculpe, mas naquela hora não te reconheci porque estava acontecendo tanta coisa que não prestei muita atenção em você. O seu cabelo cresceu um pouquinho desde aquele dia, mas é estranho que continua com a mesma aparência depois de se passarem sete anos...
– Então era você a criança que estava nos braços de Barret. Filo de "Waiting City"... Como eu não tinha percebido isso antes. — disse Hikari, relembrando daquele dia fatídico.
– Os "Heartless" e os "Nobodies" conseguiram separar o nosso grupo. De um lado ficou eu, Barret e Nooj, que já havia perdido uma de suas pernas. Do outro ficou o senhor e a Hikari. Lembro que tinha pedido para ela nos salvar e deixá-lo ali lutando sozinho, depois de um tempo a Hikari veio até nós três com uma dupla de gatinhos que tinha invocado. A "Door of Light" acabou se fechando e sumido nesse meio tempo. Ela conseguiu derrotar todos os monstros que nos cercava, mas o senhor foi levado pelos que restaram e então... desapareceu. — lágrimas se formaram nos olhos amêndoados da menina, algumas teimosas escorreram pelo seu rosto. — Lembro que olhou para mim e me disse que ficaria tudo bem antes daquelas coisas o levarem embora. O Nooj culpou a Hikari pelo o que aconteceu, ele brigou feio com ela por causa disso, e depois voltamos para cá onde vivemos até hoje.
O monstro ficou zonzo com a revelação, aquilo era algo que realmente não esperava e isso mudava todos os seus planos. Então todas as lembranças que estavam em sua mente eram falsas? Todo esse tempo estava alimentando um sentimento desnecessário como a Hikari havia lhe dito? Não... Ele não podia aceitar; Estava convicto de que as suas memórias eram verdadeiras, aquele camundongo deve ter feito a cabeça da Filo enquanto lutava contra a garota e seu "queridinho" amigo, ele é amigo dela afinal e pode sim ter dito algo a menina.
– Você... — ele encara Hikari com ainda mais fúria no olhar. — É mais dissimulada do que eu podia imaginar. Jogou a minha filha contra mim usando o seu amigo rato para corrompê-la! Sua trairá, mentirosa, falsa! — esbravejou enlouquecido pela irá. A garota tentou colocar um pouco de juízo na cabeça dele, mas fora em vão. — Vou destruí-la... Vou reduzí-la a nada! — a escuridão ganhara mais força sobre si depois desse ataque de fúria, seus poderes obscuros aumetaram ainda mais e ele ezalava um odor tão repugnante que Hikari teve que prender a respiração por alguns segundos para não aspirá-la.
– Pai! Não faça isso! Você esta cometendo um erro! — gritou Filo.
– Minha filha... Você esta contra mim, não é? — a menina se escolheu diante do tom sombrio da voz dele. — Então isso quer dizer... que agora é minha inimiga também! — e soltou um rugido, avançando contra a criança logo em seguida com as garras apontadas para ela.
Rapidamente o rei se postou na frente de Filo e conjura o "Reflectga", fazendo o monstro não ser apenas repelido como também arremessado para trás e ele tentou atacá-la ao se recompôr um minuto depois, mas Hikari interveio ao conjurar o "Thundara" atingindo-o em cheio. Com PalmTendrill atordoado, Riku aproveitou o momento para golpeá-lo e no fim terminou executando uma sequência de golpes porque o inimigo conseguia lutar contra si mesmo estando prejudicado. Este foi o gatilho para que a batalha recomeçasse e desta vez o monstro tinha três adversários para lidar durante o confronto, porém sempre quando insistia em atacar a menina, geralmente era a garota ou o camundongo que vinham ao seu socorro por serem usuários de magia e conjuravam escudos ou barreiras para protegê-la com mais facilidade. Já o garoto ficava encarregado dos ataques físicos e ele tinha maiores chances de se aproximar do inimigo em seus momentos de distração do que os outros.
– Ele parece incansável... Se continuar desse jeito estaremos exaustos antes de derrotá-lo e sabe-se lá o que vai nos acontecer depois. — disse Riku, ofegante. — Hey, majestade! Não falou que tinha um plano que resolveria tudo? Acho que é a hora de colocá-lo em prática.
– E vou, mas preciso de uma coisa: que ele mostre o seu ponto fraco para mim e até agora não tive essa oportunidade. Somente posso usar aquele feitiço com essa condição e ela é explicíta, sem isso eu não tenho como detê-lo. — respondeu Mickey, apoiado na "Kingdom Key D" que estava fincada no chão. — Senhorita Seraph. Eu notei faz algum tempinho que a maioria das suas magias são do elemento trovão e isso é algo muito útil. Você poderia pelo menos usar a sequência "Thunder" para forçá-lo a revelar o seu ponto fraco?
– Claro, Mickey. Será um prazer ajudar. — disse Hikari, solidária. — Mas, esse feitiço não vai prejudicar o Palm, né? Eu quero salvá-lo da escuridão e não eliminá-lo.
– Não se preocupe, só vou imobilizá-lo para depois ser feito o que é necessário. Se fosse seguir o meu plano original, vocês teriam que fugir daqui com a menina Filo enquanto eu conjurava uma magia para...bem... já sabe. — e suspirou. — Ainda bem que as circunstâncias mudaram. — ele então retira sua "Keyblade" do chão. — Apenas o ataquem para enfurecê-lo, ao meu sinal se afastem dele o mais rápido que puderem.
– Entendido. — respondeu o casal em unissóno.
Tem ínicio a terceira rodada da batalha, porém desta vez a tática era diferente. Ao invés da garota e o rei se concentrarem em proteger a menina, somente ela se mantinha próxima da criança porque como podia atacar á distância com suas flechas e magias seria melhor que ficasse nessa posição. Já os outros dois atacariam á curta distância e fariam de tudo para provocar o inimigo. Todos sabiam que o plano é muito ariscado, existiam possibilidades de dar errado e um preço alto a ser pago, mas se era a única forma de resolver tudo, então o jeito é recorrer a ele. Hikari percebeu que o camundongo usou uma magia que fez seus olhos brilharem intensamente por um breve instante, Riku pareceu não notar nada porque estava com as atenções focadas em PalmTendrill e também não possuir talentos mágicos ajudou nisso. Ela desconhecia esse tipo de feitiço, mas iria fazer perguntas a ele quando a situação tiver um ponto final e de preferência agradável.
– É agora! Fiquem longe! — ordenou Mickey, após ver um ponto brilhante aparecer no peito do monstro. O garoto correu até as meninas e agarrou Filo no colo ainda em movimento e foi em direção a trilha, a outra o seguiu se mantendo na reta guarda para conjurar qualquer magia defensiva no caso de ser preciso. Assim que eles saíram de sua vista, pousou a mão esquerda no peito e dali retirou um livro azul com desenhos de estrelas em relevo, na borda da capa estava escrito o seu nome completo em dourado. O monstro ficou desconfiado com o surgimento do novo objeto e sibilou. — Meu mestre me entregou este grimório quando notou o meu talento para magia e depois comecei o treinamento para ser um "Keyblade Master". Aqui... Estão escritos todos os feitiços poderosos nos quais sei conjurar, alguns criados por mim, e vou usar um deles em você agora. — então o livro se abre e suas páginas começaram a se virarem sozinhas até parar em uma que mostrava o símbolo de uma estrela rodeada por círculos e letras mágicas. Nisso, ele pega uma "Keychain" de lua guardada no bolso, substitui aquela que estava em sua "Keyblade" por esta e a arma logo mudou de forma. — Preciso estar com a "Star Seeker" para conjurar este feitiço, foi a condição que criei para usá-la sem causar danos catastróficos, mas ainda assim é perigosa inclusive á mim.
O inimigo avança, mas teve os seus movimentos retardados graças ao "Stop" que deveria paralizá-lo totalmente, concluindo assim que magias de auxílio convencionais não surtiam quase nenhum efeito nele, porém ganhará alguns segundos de vantagem com isso. Sem perder mais tempo, começou a recitar a frase do feitiço e uma barreira de luz em forma de pilar envolve o monstro, prendendo-o em seu interior. A parede dourada parecia ser feita de pó de luz ao invés de pura energia como geralmente são construídos este tipo de magia.
– O "Stardust Circle" é um feitiço de aprisionamento muito poderoso que prende qualquer coisa que o conjurador quiser, desde objetos inanimados á seres vivos, mas ele não tem um limite específico. Infelizmente... qualquer um pode ser preso por ele, inclusive aliados e o próprio conjurador, sei disso porque fui aprisionado em uma das vezes que testava essa magia em minha época de aprendiz. Por este motivo que ordenei o Riku e as meninas ficarem longe, não sabia se conseguiria ter total controle desse poder mesmo empunhando a "Star Seeker" já que faz algum tempo que não o convoco, eles poderiam muito bem serem aprisionados durante o processo de conjuração. — disse o camundongo, se aproximando de PalmTendrill. — O criei após ter a honra de assistir a batalha de uma grande feiticeira que também é uma dos amigos de meu mestre, ela enfrentava um "Darkside" que fazia parte de um exército que ousou invadir o mundo dela. Me baseie no seu feitiço de aprisionamento e então consegui pelo menos uma... cópia mal feita do original digamos assim... — nesse momento, os outros retornavam ao campo de batalha e viram como o inimigo estava.
– Pai. O senhor esta bem? — perguntou Filo. O monstro apenas rosnou para ela.
– Palm... — manifestou-se Hikari com ambas as mãos fechadas sob o peito. — Você absorveu parte de minhas memórias felizes, certo? Veja as que são referentes a aquele dia, sei que vai conciliar o que Filo disse com as imagens que agora estão em sua mente. Acho que só assim... a verdade aparecerá e você talvez volte a ser aquele amigo confiante que conheci.
– Faça isso ou você prefere continuar sendo algo que todos vão odiar? — foi Riku que falou. — Você disse que quer levar sua filha e seus amigos para viverem em paz, longe de qualquer perigo, mas acha que eles vão aceitá-lo como é agora? A Filo não viu problema algum, mas Barret e Nooj vão ser outra história. — e ficou cabisbaixo, escondendo parte do seu rosto com a franja. — Não cometa um erro no qual possa se arrepender para sempre e encontrar uma forma de se redimir é mais difícil do que parece... Acredite em mim, Palm. Sei disso melhor do que qualquer um, é por este motivo que estou aqui nesse lugar.
– ...Riku... — sussurraram Hikari e Mickey em unissóno, fitando-o com tristeza no olhar.
Diante dessas palavras, o monstro decidiu atender ao pedido daquelas pessoas só para ter as provas de que tudo sobre o incidente no qual acreditam ser a versão real era mentira e começou a procurar as imagens que a garota tinha mencionado, logo localizando-as bem nas profundezas de sua mente junto com muitas outras. As memórias absorvidas foram reviradas para encontrar qualquer vestígio da suposta verdade e não demorou muito para interligar as lembranças felizes de Hikari daquele dia com o relato de Filo, assim fazendo a sua própria memória vir á tona como um filme antigo. Ele viu os "Heartless" e "Nobodies" aparecerem do nada, impedindo-o de atravessar a "Door of Light" com os amigos e a filha. Foram cercados, lutaram contra os monstros como podiam para continuar o caminho e não conseguiram ir muito além, separados, pediu a garota ajudar as pessoas mais importantes de sua vida, ela foi até o outro grupo depois de relutar bastante pois não queria abandonar ninguém ali, os monstros perto do trio foram eliminados após algum tempo, foi agarrado, olhou para a filha lhe dizendo que tudo ficara bem e então levado embora onde acabou sendo atacado com violência. Porém, surgiu uma lembrança a mais... Ele estava flutuando na escuridão completamente sozinho, então ouviu uma voz feminina ao longe dizendo o quanto sentia pena pelo o lhe que aconteceu, propôs algo e ele aceitou, depois acordou no mesmo local onde encontrou a morte e se sentiu diferente.
– É verdade... O que vocês disseram é tudo verdade... — murmurrou PalmTendrill. — O que foi que eu fiz? — aos poucos a escuridão foi abandonando o seu corpo e no fim volta a sua velha forma humana. Mickey cancelou o "Circle of Stars" e ele desabou de joelhos, Filo logo se aproximou para ampará-lo. — Minha filha... Como eu pude ousar te atacar?
– Não era o senhor, ao menos não naquele momento. — o homem riu de leve e acariciou o rosto da menina. — Você tem mais juízo do que eu imaginava, Barret e Nooj fizeram um bom trabalho em criá-la, ou já é assim desdo começo á julgar pelo temperamento dos dois. — e olhou para Hikari. — Peço perdão por tentar matá-la. Justo você que nos ajudou tanto...
– Tudo bem, Palm. O importante é que esta vivo e poderá voltar para "Waiting City".
– Tenho que agradecer a vocês dois também. Se não tivessem intervindo, seria impossível imaginar o que aconteceria á elas. — o rei fez o mesmo que a garota, disse apenas palavras reconfortantes e positivas, já o garoto só cruzou os braços e virou as costas completamente constrangido. — Agora... Vou ter que enfrentar uma outra questão: o alvoroço que irei causar quando chegar em "Waiting City". Tenho certeza que vai ser difícil explicar para todos como eu continuo inteiro depois daquilo. — risadas foram ouvidas porque imaginar a barulheira que os habitantes da cidade farão era algo muito engraçado, isso sem contar as perguntas que todo mundo vai fazer á ele. — É melhor entrarmos na caverna. Quero levar os meus pertences de caçador de "Nobodies", preciso deles para quando retomar o meu ofício.
E então, com a ajuda de todos menos do Riku, o caçador se levanta e caminha devagar até o local onde era a sua moradia provisória. Lá, ele conta como entrou para matar Hikari sem ser notado: simplesmente usou as sombras em forma de neblina para se locomover e tinha passado por cima do garoto e do rei, por isso ninguém percebeu sua entrada. Já aquelas coisas que imobiliava a caverna havia "roubado" aqui e ali dos comércios da cidade, ele apenas adentrou nela e pegava tudo o que precisava para viver nas montanhas e percebeu que sempre quando fazia isso, alguns "Nobodies" conseguiam ultrapassar a barreira e então faziam a maior bagunça ao atacar as pessoas para absorver os corpos das vítimas; Tal fato explicava como os monstros continuavam invadindo "Waiting City" mesmo depois da cerca de cristais ter sido erguida, mas somente na época em que ainda não sabia do poder de influenciar, assim revelando á Hikari e os demais que pretendia ordenar os "Nobodies" a capturar a filha e os dois amigos para trazê-los até a caverna, além de confessar que não se importava com o quê aconteceria ás outras pessoas durante o cumprimento da missão. Nesse meio tempo, Hikari vestiu suas botas que foram deixadas ali quando foi levada.
– Acho que isso é tudo. — disse Palm, ajeitando a mochila cheia de seus pertences e depois pendurá-la em seu ombro direito. — Eu ainda não consigo acreditar que após tantos anos estou voltando para "Waiting City" definitivamente, que saudades de lá... E mais uma vez desculpe por todo o transtorno o que causei á vocês, estava fora de mim.
– Esqueça, Palm. Se tudo terminou bem não há mais com que ficar preocupado, pelo menos conosco será assim, mas terá que acatar com as consequências do que fez lá em "Waiting City". — disse Riku. Ele e os outros já estavam andando no corredor em direção a saída.
– Obrigado. Vocês três são ótimas pessoas e excelentes combatentes também. Mas... — e olhou para o garoto sob o ombro esquerdo. — Eu sinto muito por você. Espero que consiga reencontrar sua luz logo para ficar livre da escuridão de uma vez por todas.
Riku sabia muito bem sobre o que ele se referia e ficou pensando no assunto. Quando a batalha acabou, pretendia dispensar a escuridão já que a usou pelo tempo que precisava, mas a espada "Soul Eater" simplesmente desapareceu como qualquer outra arma mágica fazia assim que não era mais necessária e ficaria na espera de ser convocada de novo para uma próxima batalha. Em seguida, ouviu a risada irritante de Ansem ecoar dentro da sua mente, sinal de que foi enganado mais uma vez pelo "Heartless" e agora não fazia idéia de como lidar com isso. O pior de tudo é que Hikari não tinha falado uma palavra sequer com ele depois do ocorrido e ela parecia meio que evitá-lo, tanto em contato quanto no olhar.
– Senhor Palm, agora que voltou ao estado normal, pode nos disser que tipo de monstro se transformou? — perguntou Mickey, assim que alcançaram o lado de fora da caverna. — Você não é repelido pelos cristais, então se conclui que não é um "Nobody", apesar de exercer influência sobre eles. E também não é um "Heartless" porque continua sentindo emoções. Por mais que eu pense, não consigo encontrar a resposta para este mistério.
– O monstro no qual me tornei é uma espécie nova aqui em "Realm of Darkness", ela havia surgido recentemente, mas não me perguntem como e onde porque isso eu não faço a mínima idéia. Só sei que o nome é... — de repente, uma força negra atinge o homem pelas costas e depois cai agonizando diante de todos. Filo se desesperou, Hikari imediatamente tentava curá-lo com uma magia e não obtinha o resultado desejado, enquanto que Mickey e Riku procuravam o responsável, mas infelizmente não encontram ninguém. — Ugh... Agh...
– Aguente firme, Palm. Aguente firme. — a garota persistia, mas ainda não conseguia curá-lo como queria. — Por mil cometas! Por que o "Curaga" não surti efeito? Por que? — exclamou, indignada com a estranha falha. Lágrimas se formavam em seus olhos escarlates.
– Porque magias curativas só funcionam se a pessoa não estiver com o coração machucado ou ferido e o coração dele... esta ferido. — disse o rei, triste. — Eu sinto muito em lhes falar isso, mas... diante de tal situação... é possível que ele não resista ao ferimento e...
– NÃO DIGA ISSO! — gritou a menina, chorosa. — Pai! Pai! O senhor vai ficar bem! Eu sei que vai! Resistiu a ferimentos piores que este antes e sobreviveu, não vai ser diferente agora.
– Minha pequena filha... — o caçador levou uma de suas mãos ao alto da cabeça de Filo e começou a fazer suaves carícias. — Acho que desta vez... eu não vou resistir, a minha sorte é tão pouca quanto a inteligência do Barret e a paciência do Nooj juntas. Mas, escute bem o que irei lhe disser. — ela segura o choro para prestar total atenção nele. — Seja forte... como sempre andou sendo nesses últimos anos e cuide daqueles dois... Eles podem ser adultos, mas ás vezes conseguem ser tão crianças quanto você em certos momentos e nunca... os abandone,... mesmo que tenha vontade de fazer isso por qualquer razão maluca ou boba que passar em sua cabeça. — a menina assentiu enquanto esfregava os olhos. Depois ele fitou Hikari. — Minha amiga... Deve ter sido muito difícil suportar a dor calada e ainda mais com essa despedida inesperada após um reencontro tão transtornado, não é? Espero que me perdoe por isso... — a garota abriu um sorriso triste. — Como sempre compreensiva, seu coração é tão puro e nobre que chega a ser inacreditável a sua existência. Continue desse jeito, é tudo o que eu lhe peço. As pessoas precisam de alguém... com essa luz por perto.
Nesse instante, Riku encarou o chão sem ao menos vê-lo e Palm percebeu isso.
– Você principalmente precisa de muita luz, moleque... Talvez ela seja o que procura sem estar ciente disso. Não... a Hikari é aquilo que esta faltando em sua vida para impedí-lo de fazer tanta besteira, fico feliz que a tenha reencontrado. — o garoto não entendeu. — Suas memórias... Preciso devolvê-las antes de partir... e as de minha amiga também. Vocês dois não podem viver sem as suas lembranças felizes, isso é algo muito ruim... — nesse instante, os pés dele começaram a cristalizar e o mesmo acontecia com outras partes de seu corpo. — Me pergunto para onde alguém como eu vai depois de morrer? Não sou mais... humano...
– Irá para o mesmo lugar onde todos os corações vão quando a vida se encerra, o "Kingdom Hearts". — disse Hikari, serena. — Seu coração será purificado de todas as experiências ruins que viveu e sei que ficará aguardando uma nova chance de viver. Você é uma boa pessoa, Palm, apenas se tornou em mais uma vitima da escuridão. Isso não foi uma escolha sua.
– Concordo. Não há com o que se preocupar. Apenas... descanse. — disse o camundongo.
– Obrigado... — murmurrou com um sorriso. — Filo... Hikari... Mickey... Riku... Adeus...
No exato momento em que a mão que acariciava a filha desabou, seu corpo foi cristalizado por completo e três luzes sairam dele. Uma era vermelha, o coração de Palm, que seguiu o seu caminho em paz sem a intervenção da escuridão. Duas eram brancas e cada uma entrou na cabeça de Riku e Hikari respectivamente, eram as memórias felizes de ambos que foram absorvidas por Palm quando estava na forma do monstro Tendrill. O garoto fechou os olhos para certificar de que as lembranças roubadas estavam realmente de volta e se espantou com uma específica; Uma que ele próprio não sabia que possuía.
Riku se viu na praia de sua ilha favorita em "Destiny Islands", aquela que considerava o seu espaço particular do paraíso tropical e onde também podia fazer o que bem entendia sem ninguém atormentá-lo. Correu até a árvore distorcida de "Paopu Fruit" após passar pela ponte de madeira e lá encontra uma pessoa vestida de branco com o rosto escondido por um capuz, aparentemente uma garota. Ela nota a sua presença e então caminha até ele. O garoto estende os seus braços, vendo-os minúsculos iguais de uma criança pequena, e é pego no colo pela desconhecida que logo revela a sua face... Era Hikari.
– Riku? Você esta bem? — a voz de Mickey fez Riku voltar a realidade. — É a segunda vez hoje que o vejo branco como um papel. O que viu desta vez, meu jovem? — quiz saber ele.
– Eu... Não sei se o que acabei de ver foi uma visão ou... — e fitou a garota que estava com as mãos na cabeça, parecendo verificar se sua mente estava em ordem. — ...outra coisa...
– Minhas lembranças felizes estão de volta. Que alívio... — disse ela, sorridente e com a mão no coração. — Huh? O que houve, Riku? Suas lembranças felizes estão em ordem ou tem algo de errado com elas? — perguntou, preocupada, ao perceber como ele a olhava.
– N-Não... Esta tudo bem comigo... Fique tranquila...
– Que bom. Por um momento pensei que tinha acontecido alguma coisa.
"E aconteceu... Só preciso saber o que tudo isso significa", pensou o garoto.
– Papai... Não pude pedir para ele disser um "oi" a mamãe por mim quando ele a encontrar no "Kingdom Hearts"... — disse Filo, tristonha e cabisbaixa. — Será que ele vai aparecer em meus sonhos também assim como faz a minha mãe de vez em quando, Hikari?
– É claro que sim. São seus pais e pais sempre cuidam de seus filhos, não importam aonde estejam. — a menina abriu um meio sorriso e recebeu um abraço carinhoso da amiga. — Seja forte como tem sido até hoje, também cuide de Barret e Nooj... É isso o que ele quer que você faça, Filo. — murmurrou enquanto afagava os cabelos roxos da criança.
– Então... esta é a origem dos cristais. — o rei se aproximou do corpo cristalizado de Palm e o tocou delicadamente. — Por esta razão que os "Nobodies" não ousam se aproximar deles,... são corpos de pessoas mortas deixados para trás. Parece que é o restante de luz existente em seus corações que provoca este fenômeno, já que é possível ver os fraguimentos, mas pretendo pesquisar o por quê disso acontecer. Qual será o motivo de tudo isso, afinal? — foi quando percebeu os olhares sobre si. — Oh, gosh! Me desculpem, amigos. Ás vezes o meu faro de investigador fala mais alto do que o normal e acabo desrespeitando um momento importante ou delicado. Novamente me desculpem. — disse totalmente sem graça.
Ninguém falou nada, o clima não estava bom para sermões ou coisa parecida por causa dos desvios da atenção de um deles, e sim de despedida. Os quatro permaneceram no mais absoluto silêncio, nenhuma palavra sequer foi pronunciada para interromper o lamento, mas um estrondo vindo de algum lugar das montanhas assustou á todos e alguns "Musks" surgiram confrontando os "Sages" numa batalha violenta. Depois, "Guardians" aparecem atacando ambos os "Nobodies" e o impacto dos golpes era sentido pelo grupo atráves de vibrações no solo.
– Mas o que esta acontecendo? O que deu nessas coisas? — questionou Riku.
– Como não existe mais a influência do Palm sobre eles, os "Nobodies" voltaram ao normal e lembra quando eu expliquei que tipos diferentes não se suportam? — mais uma explosão é ouvida á distância. — Pois então. Agora vão brigar por território até se cansarem ou quando um dos tipos ser o único sobrevivente dessa guerra particular, o que vier primeiro.
– Temos que sair de "Shadow Peaks" e rápido! — disse o camundongo.
– Mas, como? Podemos estar cercados de monstros e todos estão lutando entre si. — disse Filo. — Se sairmos de perto da caverna, tenho certeza que seremos atacados. Sei que vocês três são fortes, mas acho que não vão aguentar tantas batalhas uma atrás da outra depois de enfrentarem o meu pai. — ela olha de relance para o conjunto de cristais azul claro. — O único jeito é encontrar uma forma de irmos embora sem que eles nos alcance.
– Eu sei de alguém que pode nos ajudar. — manifestou-se Hikari.
Logo, a garota pousou uma de suas mãos no peito e então remove um pequeno coração de cristal, o jogou para o alto fazendo a mandala de convocação aparecer e da explosão de luz surge o que parecia ser uma ave de aspecto muito exótico com garras. Suas penas numa mistura de laranja, vermelho, amarelo e roxo imediatamente chamou a atenção da criança.
– Esta é Valefor, The Empress of Winds. Será com a ajuda dela que sairemos daqui. — disse ela enquanto todos viam a criatura voadora fazer vários rodópios em queda livre até pousar graciosamente diante deles e baixar sua cabeça quando olhou para Filo, óbvio que estava lhe pedindo carinho. — Valefor é a mais amorosa dos meus "Heartfelts" e também adora crianças. Vai em frente! Pode acariciá-la, ela não lhe fará nenhum mal. — de ínicio a menina se aproximou receosa, mas assim que tocou na "Summon" e sentiu a maciez de suas penas coloridas, além de notar que nada de ruim acontecia, começou a fazer carinho. — Viu?
– Eu já achava o lobo Fenrir uma criatura fantástica, mas esta bela ave... é magnífica! Nunca vi algo parecido. — disse Mickey, se aproximando da criatura para olhá-la melhor. Valefor pareceu se postar para que seja observada mais atentamente por ele. — Hmm... E pelo visto também é muito orgulhosa como uma verdadeira imperatriz. — acrescentou rapidamente.
– Ela é um pouco exibida ás vezes, mas fora isso é um amor.
– AH! Um "Nobody" esta vindo em nossa direção! — gritou Filo, apontando para o monstro acinzentado que avançava contra eles e era justamente um "Sorcerer". — Este não é aquele que usa magia? Droga! Ele pode nos atacar sem precisar chegar muito perto.
A menina mal terminou de falar e o "Nobody" conjurou a magia "Fira" para atingí-los, mas Hikari rapidamente conjurou o "Protect" para proteger á todos e em seguida Valefor bateu suas asas provocando uma lufada violenta de ar que destruiu o inimigo. Depois a garota ordenou aos amigos que subissem logo nas costas da "Summon", a menina decidira levar a mochila com os pertences do pai por motivos próprios, mas Riku foi o único deles que não a obedeceu porque declarou detestar alturas e não queria sair voando encima de uma coisa semelhante á um passáro. Houve uma pequena discussão apartir desse comentário.
– Não sabia que tinha medo de altura, meu jovem. Você me pareceu muito seguro quando usei o "Float" em nós dois para subirmos aquele penhasco, lembra?
– Não é nada disso, sua majestade! — esbravejou o garoto. — É que... só não gosto de lugares muito altos e pior ainda quando eles não me deixam com os pés firmes no chão.
– Para mim isso se chama medo de altura.
– Para mim também, apenas foi descrito de outro jeito.
– Hey, meninas! Será que podem me dar um voto de compreensão?
– Não. — responderam ambas em uníssono, ele bufou irritado.
– Deixe o seu medo de lado e suba, Riku. — mandou Mickey.
– Não! Eu prefiro abrir caminho no meio dos "Nobodies" do que voar nas costas dessa coisa!
– 'Tá legal, já chega! Riku, eu sinto muito, mas como você não quer vir conosco por bem virá por mal! Valefor! Sabe o que fazer em casos como este, não sabe? — então Valefor fitou sua dona e assentiu. — Não o pegue muito rápido e... seja delicada com ele, sim.
– O que você quer disser com isso, sua estrela idiota e imprudente? Eu estou falando com você, então não me ignore! Exijo que me dê uma resposta! O que pretende fazer comigo, hein? — questionou ele enquanto observava a "Summon" levantar vôou carregando Hikari e os outros, mas antes de reclamar qualquer coisa, ela retornou com as garras inferiores á amostra e o pega de súbito por trás. — Você me paga! Ouviu! Você me paga! — esbravejou.
E assim os quatro partiram de "Shadow Peaks" rumo á "Waiting City", também olhavam lá do alto a feroz batalha que acontecia por toda a região das montanhas. Praticamente, todos os "Nobodies" estavam se confrontando entre si como se aquela luta fosse a última coisa que fariam em suas vidas sem sentido e não enxergavam o quanto de danos que causavam por onde passam, na própria espécie e também no lugar. A visão era catastrófica e ficaria marcada na mente daquele quarteto talvez para sempre, pelo menos a caverna parece que será o único ponto a ficar intacto pois nenhum monstro ousava se aproximar dela.
Hikari tinha mil pensamentos nesse momento, a maioria deles sobre como era a vida do amigo depois daquele incidente, mas uma coisa a fez voltar para a realidade. Um cheiro... Um aroma diferente de todos em "Shadow Peaks", e também semelhante ao que Palm ezalava quando assumiu a forma de Tendrill. Ela logo procurou com o olhar seu ponto de origem, seguindo o rastro deixado pelas correntes de ar, e localiza uma silhueta entre dois grupos de "Nobodies" que lutavam próximos de um penhasco. Á primeira vista parecia ser uma pessoa, mas era impossível saber ao certo por culpa do manto negro que usava e do capuz que escondia totalmente a sua face.
– Valefor. Cuide deles. — foi tudo o que disse antes de saltar, ver a expressão de pavor do Riku ao vê-la cair em queda livre, brilhar intensamente e se dirigir ao possível responsável pela morte de Palm como uma estrela cadente.
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Esta é Valefor, The Empress of Winds, a segunda "Heartfelt" a aparecer na história. Ela é uma criatura amorosa que adora crianças, porém orgulhosa e exibida ás vezes.
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