Kingdom Hearts The Begin
2 Capítulo 2
Notas iniciais
09 de fevereiro de 2010, depois da saída ultra precoce das aulas alguns festejaram as férias alongadas enquanto outros ainda se interrogavam: por quê? A maioria apenas se perguntava. Eu, porem, tentei ter uma resposta, mas não tive resultado.
“Magia existe”, essa era uma frase que não saia da minha cabeça, como? Por quê? Teria essa resposta agora.
A escola estava cheia de pessoas que conversavam aforadas, pelo jeito sobre o mesmo assunto. Aquilo mais parecia um deja vu, meus amigos estavam parados no mesmo lugar. Fui até eles.
G – Já falaram alguma coisa?
B – Oi pra você também.
G – Já ou não?
B – Não, em relação aos funcionários isso está deserto.
G – Como na vez que eu invadi.
Como eu havia dito não me contentei em apenas saber do básico por isso invadi a escola procurando informações.
B – Como assim?
G – Vim aqui um dia desses procurando respostas.
B – E achou?
G – Não, o lugar estava deserto.
Olhando a volta procurando os funcionários e professores, mas não achamos e voltamos a olhar um para o outro. O som de uma pequena explosão fez todos pularem, olhei a volta e vi uma pequena nuvem de fumaça que se dissipava rapidamente mostrando um homem, o mesmo homem que apareceu na nossa sala no ano anterior.
Sua pele era pálida, o que deixava seus cabelos muito negros e lisos mais chamativos juntamente com seus olhos pintado. A bandana continuava igual, a não ser pela placa de ferro que agora abrigava um símbolo que eu nunca havia visto antes.
O – Bom dia, pentelhos.
Ouviram-se vários gritos como: “Que merda é essa”ou “ Como...?”.
T – Como você vez isso !?
Tainã era um ano mais novo do que eu, tinha cabelos castanhos que lhe pendiam até o pescoço com uma mecha por cima do rosto.
O – Tudo será explicado mais tarde, por hora vamos...
Ele se virou para continuar andando porem eu fui até ele e segurei seu braço fazendo-o para de falar.
G – Estou cansado de esperar.
Ele olhou para mim como se não acreditasse que uma daquelas crianças, sem conhecimento algum de magia, o havia tocado, porem depois sorriu como se gostasse da idéia.
O – Ok. Faça uma pergunta.
Não pensei em que pergunta fazer primeiro, fiz a mais recente.
G – Onde estão todos? Onde estão os professores e funcionários?
O – Esta estrutura foi descartada, o colégio não será mais este. Foi construída outra instalação maior e melhor.
G – Mas...
O – Uma única pergunta senhor... Qual é mesmo o seu nome?
G – Gabriel.
O – Senhor Gabriel... Será... Interessante... Trabalhar com o senhor. Por favor, me acompanhem.
Voltamos à rampa que dava acesso ao pátio seguindo o homem. Parados ao lado da rampa haviam 10 ônibus enfileirados. Eram pretos e com o símbolo do colégio diferente pela cor que agora estava brando e não mais azul.
O – Entrem. Vocês serão levados a nova unidade. Boa Sorte.
Ele fez um sinal com as mãos e, como veio tornou a ir, o barulho de explosão tomou o lugar juntamente com uma nova nuvem de fumaça. O homem desapareceu.
O ônibus por dentro era realmente confortável: Poltronas confortáveis e reclináveis, ar condicionado e frigobar. Várias pessoas se sentaram e começaram a conversar sem parar, nos primeiros minutos olhei pela e vi que estávamos entrando em uma estrada que saia da cidade, porém o ambiente fresco e confortável me venceu em pouco tempo, percebi que Luís Felipe estava do meu lado.
G – Cara acho que vou dormir. Acorde quando chegarmos lá, ok?
Lf – Beleza, é só não babar.
Peguei meu MP4 no bolso, coloquei os fones e comecei a ouvir “Ride the Lightning” do Metallica no volume mais alto e logo dormi.
3 horas depois
Estava em um lugar escuro. Não podia ver nada. Tentei gritar, mas não havia mais voz, mesmo que fizesse foca não havia voz. Ao longe uma luz se acendeu, era rosa e alguém estava ali, porém não podia ver seu rosto, apenas sua silhueta, me pareceu que era uma mulher quando falou como se chamasse alguém.
??? – Shadow
A luz começava a diminuir.
??? – Shad... el.
A voz começava a mudar.
??? – Sha... briel.
A garota estava sumindo.
??? – S... abriel.
Lf- Gabriel, Gabriel, chegamos.
Luís Felipe estava ao meu lado me cutucando, olhei pela janela e vi muitas árvores no que mo pareceu uma serra.
G – onde estamos?
Lf – Não sei, acho que em algum lugar perto do Rio de Janeiro.
G – Quanto tempo eu dormi?
Lf – Mais ou menos 3 horas.
Ta – Bom dia. Eu sou Takato Himura. Serei seu guia.
Um homem com cara oriental estava na porta de ônibus. Era magro de olhos puxados e cabelos lisos pretos cortados em forma de cuia.
Ta – Por Favor, me acompanhem.
Saímos do ônibus para um lugar muito verde, por causa da grande quantidade de árvores, fresco e ao que me parecia estávamos em um lugar alto, pois sentia o pressão na minha cabeça, até que eu vi. A nossa frente havia um prédio gigantesco, Takato continuou andando para o prédio e eu rapidamente o segui junto com os outros ocupantes dos ônibus.
Por dentro era grande e confortável, ele foi até um tipo de mapa pendurado na parede ao fundo.
Ta – Juntem-se aqui, por favor, e silêncio. Essa instalação foi construída para abrigar vocês por todo o ano.
??? – Como assim? É um colégio interno agora?
Falou um garoto baixinho da 6ª série ao meu lado.
Ta – Correto.
??? – Mas e nossos pais?
Ta – Eles já foram avisados, aqui será a sua casa e vocês se encaixarão em um desses grupos.
Takato apontou para o mapa do prédio, que tinha forma de pentágono e assim se dividia em cinco partes de cores diferentes.
Ta – Esses grupos também podem ser chamados de vila. Preto é som, verde é folha, vermelho é areia, azul é névoa e amarelo é rocha.
Agora vocês, por ordem de chamada virão até aqui e pegarão uma dessas cartas na minha mão.
Ele levantou a mão onde haviam uma pequena montanha de cartas, ao que parecia, em branco. Os alunos foram chamados começando pelos da 5ª série.
Depois de vários minutos que mais pareceram horas chegou a vez do primeiro ano e cada um da minha turma estava sendo chamado e depois ia se juntando ao grupo de pessoas de sua vila até que...
Ta – Gabriel Vieira.
Eu fiquei paralisado naquele instante.
Ta – Gabriel Vieira.
Repetiu. Enfim me mexi e fui até Takato, não sabia o porquê, mas queria ficar na vila da areia, apenas um capricho, já estava perto o bastante.
Ta – Pegue uma.
Ergui o braço e peguei a folha de papel fina e a olhei sem saber o que esperar. Nada aconteceu, e pensei que assim ia ficar, porém a carta se tornou verde.
Ta – Folha. Junte-se ao seu grupo.
Com um ar de decepção caminhei até o meu grupo e lá esperei até o fim da seleção dos alunos de terceiro ano.
Ta – Muito bem, todos já estão em seus grupos agora vou explicar alguns conceitos básicos. Os seus grupos são chamados de vilas por realmente parecerem vilas, na sua ala iram encontrar comércio, quartos e salas de aula, todos divididos em andares, os seus moni...
Ele foi interrompido pelo mesmo barulho anterior de pequena explosão e mais cinco pessoas apareceram.
Ta – Os seus monitores vão guiá-los, esses são: Oruma Ukori, Helena Santos, Joe Newman, Shinider Kren e Mohamed Casin.
Todos eles usavam jaquetas com as cores de sua vida, Oruma era o homem de aparência ofídica que nos recebeu na escola, Helena já era um rosto conhecido, pois era irmão de Heloísa e já havia estudado na nossa escola. Joe tinha cabelos espetados cor de bronze e um bonito sorriso, Shinider era loiro e tinha olhos azuis e Mohamed tinha uma cara emburrada, o que talvez lhe fizesse parecer mais velho.
Joe, que estava com a jaqueta verde, veio até nós, ouvimos mais um barulho de explosão e Takato havia desaparecido.
J – Será bom trabalhar com vocês, eu serei o seu monitor, venham falar comigo para tudo que precisarem. Vou explicar como funciona o sistema de andares. O térreo será um hall e sala de diversão e dará acesso a outras vilas, o primeiro andar será uma sala de treino, fechada para as outras vilas, segundo andar biblioteca que será conjugada com as outras vilas. O terceiro, quarto e quinto andar são os dormitórios, sexto andar é onde estarão as salas de aula, também conjugado. No sétimo andar temos o comercio e lá fora na parte de trás do edifício é o pátio, onde farão as refeições. Ok, chegamos.
Estava prestando tanta atenção ao que Joe falava que não olhei para onde estávamos indo.
J – Este é o terceiro andar, antes de qualquer coisa começaremos pelas boas noticias, em cada quarto haverá dinheiro para que vocês subam ao sétimo andar para comprar roupas, haverá também mapas para se localizarem.
??? – E a má noticia?
J – Os quartos serão divididos entre duas pessoas, ou dois meninos ou duas meninas, porém tivemos um imprevisto com a chegada de dois alunos de ultima hora uma garota e um garoto dividiram os quartos.
??? – Quem?
J – Vamos ver isso agora, todos verão aqui e pegaram um papel numerado, os números impares são meninos e os pares as meninas, depois chamarei dois números de cada vez e lhes darei o seu quarto.
Fui até ele depois e peguei o papel de número “7” e quando todos fizeram o mesmo...
J – Ok, vamos começar. Primeiro número...
Aquilo pareceu durar horas, já estava sonolento quando a metade do grupo já havia ido para seus quartos quando ouvi...
J – “7” e “54”.
Fui até Joe e olhei para o restante nos grupos, até que a surpresa do entendimento se estampou em minha face: “54” era par! Levantei o olhar para o grupo e vi Heloísa saindo dentre as pessoas, olhei para Joe com uma pontada de apelo nos olhos.
J- Quarto “53”, quarto andar, boa sorte.
Com muita má vontade peguei a chave e fui para o elevador com Heloísa em meu encalço, entramos e subimos sem dizer uma só palavra. Saímos do elevador e começamos a andar no largo corredor a procura do quarto “53”.
He – Acho que temos que conversar.
G – Não, não temos.
He – Nós vamos viver no mesmo quarto assim?
G – daremos um jeito.
Finalmente achei o quarto, era grande, tinha um banheiro, frigobar, guarda-roupa e uma...
He – CAMA DE CASAL!!!???
G – Só pode ser brincadeira.
He – Uma brincadeira de mau gosto!
G – Obrigado pela parte que me toca.
He – onde está o Newman... Eu não aceito isso de jeito nenhum!
G – Para de dar piti por um segundo, vamos cuidar disso depois. O que é isso? Em cima da cama havia um tipo de apostila, a peguei e li a capa:
“Informativo ao estudante”
“Sr. Gabriel Vieira”
A abri e li com Heloísa me olhando sem interromper.
He – O que foi? Que é isso?
G – São informativos, um monte deles, a sua apostila deve estar aqui em algum lugar.
He – Algo importante?
G — Bem, agora são... 10:02, temos aula as 12:00 depois almoço as 13:00 e mais aula. Temos até 12:00 para comprar os materiais no sétimo andar. Dentro do guarda-roupa tem roupas para nós enquanto não temos as nossas.
Folheei a apostila procurando por mais alguma coisa importante, Heloísa andou pelo quarto procurando pela sua até que a achou em cima da escrivania perto da janela.
He – Aqui tem um horário de aulas.
G – E um mapa no final.
Ela pegou a apostila e deitou-se na cama a minha frente.
He – Isso tudo é loucura.
G – Isso o que?
He – Tudo! Magia, esse lugar, as matérias, você já viu o que vamos estudar? Estudos Bruxos, História da Magia, Estudo do Chakra, Estudo de Armas. Estudo de Armas! É tudo loucura.
G – Vamos nos adaptar, é só uma questão d...
O celular de Heloísa tocou e ela no mesmo instante o atendeu.
He – Onde você ta?... Tudo bem até agora... Vem pra cá... Ta... Tchau.
G – Quem era?
He – Lauanne, Ela e a Any estão no quarto “23”.
G – Ok, ok, ok, eu vou lá em cima comprar o nosso material e você vai pro quarto delas
He – Por quê?
G – Se vocês três vierem para cá quando eu voltar é possível que o quarto esteja rosa.
He – Não seja idiota.
G – prefiro não arriscar e a lista de material está enorme, você não vai conseguir carregar tudo sozinha.
Heloísa me olhou de cara feia e saiu do quarto. Fui para o banheiro e tomei um banho e fui ver a tal roupa no guarda-roupa. Era uma coisa ridícula, um sobre-tudo marrom-escuro quase preto que até o cotovelo parecia justo, mas depois do alongava, uma calça um pouco mais clara, uma camisa preta e coturno preto. Fechei o guarda-roupa e coloquei o uniforme que já estava usando antes. Peguei a apostila e arranquei a ultima folha, que se desdobrava em um grande mapa, e fui até o elevador.
O sétimo andar era incrível, parecia um shopping com lojas de roupas, restaurantes, livrarias e muito mais.
O – Você não deveria estar usando as roupas que estavam no seu quarto?
Olhei para trás procurando o dono da voz arrastada e rouca pouco família e vi Oruma.
G – Aquela coisa é ridícula.
O – Ah, senhor Gabriel, Você tem imaginação, crie alguma coisa a partir daquilo.
G – É uma boa idéia.
O – Veio comprar seu material?
G — Sim, meu e de uma amiga.
O – Foi ótimo ter te encontrado, vou ajudá-lo.
Oruma me levou até a livraria mais próxima e me ajudou a comprar os livros e a colocá-los em um carrinho de comprar. Foi legal andar com ele, pois era respeitado, talvez até temido, pelos vendedores. Estávamos indo embora quando passamos por uma vitrine.
G – UAU!
Duas katanas estavam penduradas do outro lado da vitrine ao lado de outras coisas as quais eu não dei importância.
O – É uma boa arma, porque não compra?
G – Não tenho mais dinheiro e para que eu as usaria.
O – Venha comigo.
Oruma entrou na loja, era um lugar espaçoso e com a decoração de um castelo, e foi falar com a atendente.
At – Olá, bom dia, como vai, senhor Oruma? Precisa de alguma coisa?
O – Sim, me traga as katanas da vitrine.
G – Não, espera, eu não tenho como pagar.
O – Calma, Aceite isso como um presente de boas vindas.
A atendente voltou com uma longa caixa de madeira, dentro as duas espadas estavam embainhadas. Peguei uma delas, sua bainha era preta e a outra era branca, coloquei a mão em seu cabo e a puxei, era incrivelmente leve e emitiu um leve brilho azulado quando a desembainhei.
G – É incrível... Muito... Muito obrigado.
O – Não por isso, traga a armadura.
At – Qual delas, senhor?
O – A do samurai.
Olhei para Oruma e ele me olhou com um sorriso no lado da boca, a moça voltou carregando uma urna prateada e a deixou aos meus pés. Olhei para ela fixamente.
O – Hoje quando você voltar ao seu quarto de um jeito nela e a use nas aulas, vou buscá-lo mais tarde para treiná-lo.
G – Me treinar para o quê?
O – Você verá. Coloque isso na minha conta.
Voltei a olhar para Oruma, porém, este já havia sumido. Peguei as espadas e a armadura e as coloquei no carrinho junto com o resto do material e me esforcei para levar tudo isso de volta para o quarto. Guardei minhas coisas no lado do guarda-roupa, já eram 11:50, peguei a minha roupa e a coloquei em cima da cama, assim ela parecia ainda mais ridícula, até que minha mente se iluminou, peguei uma das espadas e comecei a picotar as mangas sem nem sequer ver o que fazia. E por fim terminei. Vesti sem olhar direito para ela.
Inacreditável. Não era a mesma roupa quando olhei no espelho do banheiro. As mangas estavam picotadas e desfiadas em tiras que foram amarradas, voltei para o quarto e peguei o coturno percebendo então alguma coisa prateada no fundo do guarda-roupa, coloquei o coturno e voltei para ver o que era aquele objeto. Era um protetor, o coloquei nos ombros. Ficava em volta do meu pescoço protegendo os meus ombros e ainda se estendendo até o meu peito. Saí de quarto e fui para a aula, que como dizia a apostila, seria na sala “2”.
Durante o caminho muitas pessoas me olhavam com espanto, algumas outras diziam coisas do tipo: “Que ousadia” e algumas garotas davam risadinhas desdenhosas.
A sala era bem grande e ao invés de ser reta era diagonal como um cinema, as cadeiras eram organizadas em trio. Senti-me em uma cadeira entre outras duas no meio da sala que estava se enchendo vagarosamente.
Th – Roupa maneira.
Um garoto alto de cabelos claros estava as sentando ao meu lado esquerdo. Vestia uma roupa que seria considerada normal no mundo lá fora diferentemente da minha, era uma calça jeans e uma camisa colada preta.
G – Valeu, você é novo?
Th – Sim, eu sou Thiago.
G – Sou Gabriel, você não é o namorado na Heloísa?
Th – Sim, onde ela está?
G – Agora não tenho a menor idéia.
Achei melhor não comentar que ela e eu estávamos no mesmo quarto depois de ver o tamanho do seu braço, apesar de já ter encarado garotos muito maiores do que eu. Era melhor não arriscar.
Esperamos mais alguns minutos em silencio pelo professor, Luís Felipe se sentou do meu lado direito quando o professor entrou. O professor tinha uma estatura mediana, era um pouco gordinho e parecia ser rígido, ele desceu pela sala e colocou sua mochila na mesa no fundo a frente à turma e falou.
M – Bom dia, bom dia, Bom dia.
Sua voz era alta e se fez ouvir em toda a sala fazendo todas as pessoas que estavam de pé, conversando ou sentados nas mesas se colocarem em seus lugares.
M – Meu nome é Marcelo, sou o professor de História as Magia. Não conversem na minha aula ou serão seriamente punidos, mas é claro, as perguntas estão liberadas...
Aquela era a frase que eu queria ouvir, levantei a minha mão para indicar pergunta, Marcelo olhou para mim rindo.
M – Qual é o seu nome.
G – Gabriel Carvalho.
M – Ok, Faça a sua pergunta.
G – Como chegamos aqui?
M – Como assim?
G – Até ano passado vivíamos uma vida normal, mas hoje um cara com cara de cobra e no meu quarto tenho duas espadas que brilham.A minha pergunta despertou várias risadas pela sala e até Marcelo riu antes de responder.
M – Tudo isso será explicado agora. Há milhares de anos a magia aflorava de todas as coisas da terra e nós, humanos, éramos as criaturas mais poderosas que existiam. Na china e no Japão, onde foi encontrado o maior número de indícios, todas as pessoas viviam a partir de magia, essas pessoas hoje seriam chamadas de ninjas. A partir de 3000 A.C. os humanos começam a se separar em classes divididas por poder. O que estamos usando aqui é o exemplo chinês e japonês, mas a magia se mostrou existente no mundo todo. As Classes eram: Ninjas, Bruxos e Trouxas. Os ninjas faziam parte da maior parte da população, eram as pessoas que melhor dominavam a magia. Os bruxos formavam uma parcela menor da população, os bruxos não podiam fazer magia sem a ajuda de objetos que direcionassem e ampliassem o seu poder mágico. Os trouxas representavam menor parte de população, pois não tem o mínimo de poder mágico no sangue.
Tornei a levantar o braço e Marcelo fez sinal para que eu perguntasse.
G – Dá um exemplo de outros povos ou sociedade em que existiam naquela época.
M – Um grupo famoso foi o dos Jedi, vocês já tiveram aula de estudo de chakra?
G – Não.
M – Bem, chakra é o que chamamos de alma e esse chakra pode se apresentar de alguns tipos diferentes, os Jedi dominavam a Luz, a “Força”, como eles chamavam.
Eles evoluíram tanto a sua mente que sua tecnologia naquela época era muito superior a nossa hoje em dia. Eles decidiram então entender melhor a “Força” e, segundo nossos relatos, criaram um tipo de nave espacial e sumiram, só não sabemos se ainda estão vivos porque também achamos relatos separados de um Jedi que dominou o “Lado Negro da Força” tornando-se um Sith que por sua vez planejava matar os Jedi.
O braço de Luís Felipe se ergueu no ar ao meu lado.
Lf – Professor, por que não se conhecia magia até hoje?
M – Eu já ia chegar ai, vocês já ouviram falar de Merlin?
Lf – Já.
M – o avô dele conseguiu fazer com que os outros bruxos aceitassem a idéia de que os bruxos deveriam dominar e uma grande quantidade de bruxos usando Feitiços de Esquecimento de escala mundial ao mesmo tempo nos deixou assim. Nossos corpos se acostumaram a não usar magia por isso ou o corpo aceita a magia na idade de vocês ou não poderá usar magia e raramente o corpo aceita magia mais tarde.
Marcelo parou de falar por um instante e depois levou a mão ao bolso de trás da calça jeans e tirou dali um tipo de pequeno disco prateado e o colocou na sua mesa, apontou para as luzes no teto e estas se apagaram nos deixando em completa escuridão.
M – Silêncio ai atrás, isso agora é muito importante. Sempre existiram monstros mágicos por todo o mundo e as pessoas já viam esses monstros antes...
O disco que Marcelo colocou em sua mesa começou a brilhar e emanar luz. Para minha surpresa, como um holograma, uma miniatura de um dragão apareceu voando sem sair do lugar, seu corpo era como revestido por uma armadura vermelha.
M – Dragões...
A imagem mudou para uma criatura com a pele cor de terra, um pequeno porrete na mão direita e por cima da cabeça um capuz vermelho que se juntava a uma pequena capa.
M – Barretes Vermelhos...
Mais uma vez a imagem desapareceu e foi substituída agora por um tipo de peixe com rosto como o de uma criança com dentes afiados e tentáculos como o de um polvo ao invés de cauda.
M – E Grindlowds. Mas antes de conhecer a magia já víamos pessoas boas se tornarem más, mas não conhecíamos a razão.
O Grindlowds desapareceu e uma pequena criatura tomou o seu lugar. Deveria ter uns 80 cm de altura e era completamente negra com apenas olhos amarelos, olhos perfeitamente redondos e sem pupilas.
M – Os Heartless são criaturas da escuridão que aparecem quando o coração de uma pessoa se torna negro, ele é a representação desse coração convertido. É como uma doença, se uma pessoa tem o coração dominado pelas trevas aparece um Heartless e se esse Heartless ferir outra pessoa ele se tornará outro Heartless.
Th – Mas se essa coisa está solta por ai a tanto tempo assim, por que ainda existem pessoas normais? Quero dizer, todos no mundo deveriam ser Heartless, não?
M – Não são todas as pessoas que se tornaram, a maioria dos corações eram fortes e dominados por algo maior e mais forte do que as trevas.
G – O que é essa coisa?
M – A Luz. Mas depois do descobrimento da magia nesse ultimo ano que passou houve vários embates entre bruxos e ninjas na surdina e muitos corações foram dominados, os Heartless se multiplicaram rapidamente. Todos os dias haverá um toque de recolher, todos os dias às 8 da noite eles aparecem, legiões inteiras de sombras que saem do chão, eles só aparecem quando o Sol se põe completamente, nesse horário vocês já devem estar em seus quartos, eles estão protegidos.
Uma sineta tocou.
M – Bom almoço.
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