Lir – Sei que não gosta de falar sobre os seus assuntos particulares, mas o senhor conseguiu o que veio buscar senhor?

Dei um salto dentro da cabine quando ouvi a voz que vinha do computador na minha frente.

G – O que? Quem é você? Essa é uma freqüência de radio?

Lir – Senhor, o senhor esta bem?

G – Quem está ai?

A voz feminina que de certa forma era doce se tornou mais rígida ao dizer:

Lar – Não se mexa hostil. Onde está Gabriel Carvalho?

Gabriel Carvalho... Sim... Claro que sim, esse era meu nome. Já estava chegando a algum lugar.

G – EU sou Gabriel Carvalho.

O computador ficou em silencio por alguns segundos depois voltou a falar.

Lir – Iniciando procedimento de identificação. Identificação de voz. Diga seu nome, por favor.

G – Gabriel Carvalho.

Lir – Identificação de voz aceita. Identificação de Retina. Olhe sem piscar para o ponto abaixo da tela, por favor.

Olhei para um pequeno ponto de vidro abaixo da tela do computador, um saíram luzes que passaram de baixo para cima nos meus olhos.

Lir – Identificação de Retina aceita. Mas que diabos está acontecendo senhor.

Continuava sem saber que falava, mas se me conhecia poderia me ajudar a me lembrar quem eu era.

G – Encontrei o que estava procurando, ou pelo menos acho que encontrei, mas houve efeitos colaterais...

Lir – Perda de memória.

Ela me interrompeu e completou minha frase.

G – Você é bem rapidinha.

Lir – Sou feita para ser, senhor.

G – Quem é você?

Lir – Eu sou Edge-322, protótipo bem sucedido do projeto Agamenon.

G – Edge-322? Não tem nenhum nome mais fácil, não?

Lir – O senhor me batizou de Lira, senhor. Sou sua assistente pessoal.

“Eu a batizei?”

G – Onde você está Lira?

Lir – Aqui senhor.

Olhei para trás para ver se o DarkFalcon tinha cabine dupla mas não tinha.

G – Você é o computador?

Lir – Precisamente senhor.

“Cegou a hora que todos esperávamos senhoras e senhores!”.

G – E quem sou eu?

Lir – Você é Gabriel Carvalho. Jounin de Elite a serviço da Republica do Brasil.

Fiquei em silencio esperando por mais, mas nada veio.

G – Nada mais?

Lir – O senhor...

G – Você... Por favor, me chame de você.

Lir – Certo... Você quer mais?

G – Certamente.

Lir – Ok, você desde cedo demonstrou grandes habilid...

Pooow

Procurei a minha volta a coisa do estampido, mas só o que podia ver eram todas as luzes da cabine se tornar vermelhas.

G – Lira o que está acontecendo?

Lir – Falha no motor 1. Senhor, no lado esquerdo da cabine tem um sinto com equipamentos que lhe podem ser útil.

G – Já falei pra para de me chamar de senhor.

Disse enquanto procurava o tal sinto e realmente estava do lado esquerdo bem ao lado do assento. Dentro havia todo tipo de coisas: chaves, equipamento para arrombar portas silenciosamente, e vários tipos de armas pequenas como shurikens, kunais e sembons.

Lir – Perdendo altitude.

Olhei pelo vidro da cabine tentando ver abaixo enquanto descíamos e passávamos pelo chão de nuvens. Tive uma surpresa.

G – Ah, merda.

Lir – Olha a boca.

Não tinha fala para discutir com Lira, nós havíamos saído de uma ilha no meio do mar há somente uns dez minutos como poderíamos agora estar sobrevoando um mar de areia do que parecia ser um deserto?

G – Lira, onde estamos?

Lir – Que estranho.

G – O que foi?

Lir – Nós est.. amos exat...ment... n... Saa...

G – Lira? Lira você está me ouvindo.

Não podia entender o que ela falava, parecia uma interferência como àquelas ocorridas em celulares quando entramos em um túnel.Não sabia exatamente o que fazer, tinha a sensação que poderia ler o que estava na tela, interpretar e driblar o problemas mas não estava muito seguro, algo me dizia que um único erro e cairia de fez no mar de areia.

G – Lira se você consegue me ouvir saia da aeronave. Faça download dos seus dados em um lugar seguro agora.

Os ruídos continuaram.

G – AGORA LIRA!

Os ruídos continuaram por mais uns dois segundos depois pararam. Ela estava a salvo. Agora era a minha vez de me salvar. Segurei o manche e o puxei com o maximo de força possível, mas a DarkFalcon insistia em descer cada vez mais.

G – Pelo menos da pra aterrissar sem muitos problemas.

Poow

Algo me dizia que o motor 2 tinha ido pro espaço. Comecei a descer ainda mais rápido, “É melhor esquecer o pouso suave”. Agora já podia ver o solo e se aproximando cada vez mais rápido.

G – Senhores e senhores coloquem a cabeça entre as pernas e rezem... Com muita fé.

Tudo escureceu.

Acordei com a cabeça doendo, passei a mão pela minha testa e vi que estava sangrando.

O vidro da cabine tinha se quebrado por completo, assim como a maior parte da DarkFalcon. Sai para o Sol infernal do lado de fora, deveria estar fazendo mais de quarenta graus fácil. Voltei a DarkFalcon para tentar usar o rádio mas não consegui, estava quebrado. O único jeito era andar, tirei a camisa que estava em volta da cintura e a enrolei em toda a minha deixando destapado apenas os meus olhos e pus-me a andar sem destino.