Kingdom Hearts Codec X
3 Capítulo 3
2 horas depois.
O Sol queimava minhas costas e abdome sem piedade, estava com cede e com fome e não sabia o que fazer. Toda a força que senti quando enfrentei O Feiticeiro parecia nunca ter existido. Eu estava fraco e vulnerável.
1 hora depois.
Já não agüentava dar mais um passo. Por habito tentei olhar o relógio de pulso, mas não tinha, esse deveria ser a milésima vez que fazia isso. Meu cérebro estava parando, andara por tempo demais sem falar que não sabia por quando tempo tinha ficado adormecido na Fortaleza do Tempo.
Meus braços foram os primeiros a pararem, ficando moles e sem força. Logo depois o meu pescoço que não conseguia mais agüentar a minha cabeça levantada. Em seguida foi à vez do meu dorso que passou todo o seu peso para as pernas que por sua vez também não agüentaram e definharam me fazendo desmoronar na areia ardente com o rosto ardente.
“Então é isso”, pensei, “Primeiro a fuga do Dahaka, depois o Caçador, o Colosso, O Feiticeiro, e a queda da DarkFalcon para morrer desse jeito. E nem ao menos posso saber se sou um homem digno do inferno ou do céu. Do jeito que eu gosto”.
Não pude acreditar no que os meus olhos viram.
O Sol pareceu aumentar sua luminosidade em cem vezes, de maneira que eu tive que fechar os olhos e reabri-los devagar para poder ver precariamente. Quando abri ao maximo que podia os olhos tomei um susto. A garota ruiva bonita que eu havia visto nas minhas lembranças na caverna antes de enfrentar o Colosso estava bem acima de mim me olhando com seus grandes olhos azuis. Era linda.
Ka – Vai levantar ou não?
Fiquei olhando para ela. Falava tão levemente, sua foz era tão doce, me dava força, mas mesmo assim era impossível levantar.
Ka – O que houve? O gato comeu sua língua?
Ela sorriu. Como poderia sorrir? Eu estava morrendo, mas ao ver aquele sorriso eu tive a falsa impressão de que tudo estava bem novamente.
G – Quem é você?
Ela me encarou por alguns segundos com uma expressão como se estivesse em duvida se eu estava falando sério ou se a qualquer momento levantaria dizendo: “Brincadeirinha! Vem. Me ajuda a levantar”, mas por fim aceito o fado de que eu realmente não sabia quem ela era.
Ka – Vamos dar um jeito nisso.
Novamente colocou o sorriso em seu rosto, um ainda maior do que o anterior, e me estendeu a mão. Eu a segurei e me senti levantar no ar logo antes de pousar sobre um jardim que ia até a onde a minha vista alcançava, com milhares de flores rosa em meio a grama muito verde, alem disso não havia mais nada, nem árvores, nem céu e nem outras pessoas, apenas nós sobre o grande espaço branco.
Ka – Você esqueceu quem sou?
Me levantei desajeitado e limpando minha calça por causa da grama e terra.
G – Me desculpe, mas sim, não me lembro de quase nada... Ah, devo estar parecendo um louco.
Ela deu uma risada baixa e depois tornou a falar.
Ka – Não, não parece não. Sei exatamente o que aconteceu com você. Meu nome é Kairi.
G – Ahn, olá meu nome é...
Ka – Gabriel Carvalho.Jounin de Elite a serviço da Republica do Brasil, guerreiro nato, soldado sem piedade, vingador cruel, arma número um do governo e...
Ela parou e olhou para o chão por alguns segundos e depois voltou a olhar para mim com um sorriso um pouco mais leve agora e disse:
Ka – Meu namorado...Bem... Pelo menos em parte.
“NAMORADO!!!???”
G – Não, espera... Você deve estar me confundido com alguém.
Ka – Acho que só você foi a Fortaleza do Tempo hoje e depois fugiu sem memória e acabou caindo com sua DarkFalcon no meio do deserto, mas posso estar errada.
O sarcasmo me fez dar uma leve risada que parecia muito grosseira comparada a dela.
G – Como assim em parte?
Ka – É que você não perdeu só a memória Gabriel, você também foi dividido em dois.
Com tanta coisa estranha acontecendo no esmo dia eu não me assustei, até porque Dahaka havia dito que os efeitos eram variados.
G – Não entendi.
Ka – Eu vou explicar, mas para entender completamente você precisa conhecer e até entender a sua historia.
G – Entender minha historia?
Ka – Sim. Eu era sua namorada, mas nem eu conseguia entender completamente o que se passava nessa sua cabeça.
“Era... Não gostei disso”.
Ka – Primeiro vamos entender nossa existência e o que somos na verdade. Vamos voltar ao ano 3000 AC.
O ambiente mudou, o chão pareceu cair em meio à escuridão que tomou tudo e eu e Kairi ficamos os em pé no que parecia um chão invisível. Logo após o ambiente tornou a mudar agora se montando como um quebra-cabeça a nossa volta, primeiro o chão de terra, milhares de árvores e cabanas de aparência primitiva feitas de galhos e pele de animais. Cheguei perto de uma árvore e coloquei a mão em sua casaca que para minha surpresa era real, podia toca-lá.
G – Isso é... Incrível.
Kairi sorriu mais uma vez, todas as pessoas ali realmente eram primitivas. Havia homens trazendo um grande javali preso a um pedaço de pau, com certeza era a caça do dia, havia também crianças brincando com pedras a um canto bem ao lado de mulheres que estendiam roupas molhadas em um varal improvisado.
G – O que viemos ver aqui?
Ka – O que você vê aqui?
G – Pessoas vazando o que faziam há 5000 mil anos atrás.
Ka – Esqueça do geral, preste atenção nos detalhes.
Olhei mais atentamente para a cena. Meu queixo caiu. Os homens colocaram o javali em um suporte com vários galhos secos para fazer uma fogueira, pensei que iriam velhos pegar pedras e tentar fazer faíscas, mas ele apenas se agachou e esticou a mão, da palma desta brotou fogo que lambeu a palma e logo depois passou para a madeira. Percebi que coisas estranhas como essas aconteciam por todo o acampamento. As crianças brincavam com as pedras fazendo-as levar e as mulheres também faziam as roupas levitarem até o varal.
G – Isso...
Ela colocou a mão no meu queixo e fechou a minha boca.
Ka – Não se impressione tanto. Você já vez coisa muito mais impressionante.
Ela fez uma pausa na qual eu comecei a pensar no que eu já tinha feito de tão impressionante.
Ka – Duzentos anos depois.
A sena tornou a se desmontar e se remontou. Agora estava nomeio de uma vila um pouco mais civilizada com casas feitas de pedra e uma praça, reunidas no centro da praça várias pessoas estavam em volta de um velho que fazia um discurso.
Ka – A sociedade começava a se dividir com base em sua capacidade com magia. Havia várias tribos com cultura e tipos e poderes diferentes ao redor do mundo, neste lugar as pessoas que retinham mais poderes eram chamados de Jedis. Mesmo nessa época primitiva a sua tecnologia já era muito mais avançada do que a que temos hoje em dia, com isso construíram um tipo de aeronave e deixaram o planeta deixando apenas alguns dos seus na terra, os seus remanescentes eram a elite da sociedade. Logo abaixo deles vinham os bruxos com menos poder e por fim existiam os trouxas sem poder nenhum.
Agora as pessoas em volta do velho começavam a ficar mais agitadas com o discurso, gritavam e aplaudiam sem parar.
Ka – Mas os bruxos não estavam contentes com seu lugar na sociedade, por isso fizeram um feitiço de memória em escala mundial deixou toda a elite sem a menor idéia da existência da magia e por milênios ficamos sem essa lembrança.
As pessoas agora ficaram fora de controle e ergueram pedaços de madeira para o céu e desses pedaços de madeira raios de luzes verdes que se juntaram as nuvens tempestuosas no céu, segundos depois começava a chover gotas que no inicio eram verde-claras depois passaram ao transparente normal.
Ka - Mas os anos passaram e a humanidade aos poucos foi vendo o que estava escondido dela. Na madrugado do dia 8 de fevereiro de 2009 a mascara caiu e foi confirmada a existência da magia para todo o mundo.
Tudo voltara ao campo de flores original. Eu ouvia Kairi falar sem deixar passar nem um som.
Ka – Todas as escolas tiveram um ano de recesso nas aulas sem a mínima explicação. Em 8 de fevereiro de 2010 você voltou as aulas pronto para o que viesse, queria se tornar o melhor.
Tudo voltou a se encaixar e agora me via em um lugar pátio amplo do lado de fora de um prédio, ali havia várias quadras de esportes e mais ao fundo uma quadra gigante coberta.
Ka – A escola não era mais um lugar onde crianças apenas aprendiam matérias como matemática, historia e geografia. Agora era um centro de treinamento para futuros soldados serventes ao governo, e você aceitou isso, contanto que se tornasse o mais forte. O nome da nova escola era Coliseu II, era o renascer da grande arena.
De repente pessoas apareceram em toda parte, na verdade adolescentes entre uns quinze a dezoito anos, alguns apenas conversavam, outros levavam espadas para algum lugar e ainda havia aqueles que estavam dentro das quadras, não jogando futebol ou vôlei ou qualquer outro esporte, mas lutando arduamente uns contra os outros. Achava aquilo impressionante.
Ka — No inicio, quando todos apenas sabiam as artes marciais, você se destacou e era realmente o melhor.
Havia um grupo de pessoas se amontoando perto da quadra mais próxima. Corri para ver o que estava acontecendo. Era eu dentro da quadra. Um pouco mais novo, mas era eu. Tinhas os cabelos mais escuros do que hoje e dia. Eu estava lutando com três garotos ao mesmo tempo, e os meus movimentos eram rápidos e praticamente perfeitos. De repente, como se aquela fosse uma brincadeira da qual me entediara, acertei cada um dos garotos, que tentavam inutilmente em atacar, com golpes certeiros que os fizeram desmaiar no mesmo instante.
G – Eu realmente posso fazer isso?
Ka – Se conseguir se lembrar pode fazer muito mais. Ah! Olhe. Aquela foi uma pessoa importante na sua época de colégio.
Ela apontava para um dos garotos caídos no chão, era pálido como um fantasma com cabelos negros em uma franja que lhe caia nos olhos.
Ka – Era de longe seu maior rival, seu nome era...
G – Caio.
Não entendia como sabia o nome dele, apenas me veio à cabeça.
Ka — Exato.
Ela me olhava agora com intenso interesse.
Ka – Mas as coisas mudaram.
Disse agora se dirigindo novamente a historia.
Ka – Vocês começaram a aprender outros tipos de artes: Ninjutsu, Genjutsus e Donjutsus.
A cena mudou, mas dessa fez apenas as pessoas desapareceram como fumaça e voltaram a aparecer em posições diferentes. Uma grande parte estava dentro das quadras. Nós fomos até lá dentro para ver o que faziam. Estavam fazendo sinais complicados com as mãos, alguns faziam água de baldes a sua frente saíram e caírem no chão sem que os baldes caíssem, outros faziam o chão tremer para derrubar o balde a sua frente para que a água saísse, uns usavam o vento para fazer o mesmo. Procurei por mim mesmo. Estava no canto mais isolado da quadra, ao meu lado estava o que parecia ser um professor com uma jaqueta verde, tinha cabelos arrepiados cor de bronze e gritava comigo, provavelmente me dando entusiasmo para continuar o exercício, mas meu balde continuava intacto. Conseguia ver a veia em minha tempora palpitar de esforço e sem resultado.
Ka – Esses tipo de artes se baseiam na manipulação de energia, conhecida também como chakra, mas você não tinha chakra. Até que um dia desistiu de se tornar um ninja.
G – Ninja?
Ka – Ah, perdão! As pessoas que dominam o chakra são conhecidas como ninjas.
G – Ok.
Ka – Ninjutsus são...
G – Artes baseada em uso completo da energia para manipulação dos elementos da natureza, Genjutsus são como o Ninjutsus porem utilizam o consciente do inimigo como arma fazendo ilusões e os Donjutsus são artes restritas a apenas alguns usuários, pois são técnicas transmitidas por linhagem sanguíneas.
Kairi ficou me olhando por alguns segundos, tão confusa quanto eu, aquilo saira como se estivesse gravado e escondido na minha mente a muito tempo mas eu não me lembrava.
Ka – Correto.
Me sentia mau enquanto me via tentar fazer a água sair do balde. Não entendia como de uma hora para a outra eu havia descido tanto. Sentia um aperto no peito com pena de mim mesmo naquele momento, mas logo percebi que não deveria fazer isso, não queria que tivessem pena de mim.
G – Você disse que eu desisti?
Ela não respondeu apenas apontou para o eu da historia, ele agora parecia ter parado de me concentra, meu professor veio até mim e colocou a mão em meu ombro, disse alguma coisa como “Não desista, vamos dar um jeito”, mas eu tirei agressivamente a sua mão do meu ombro e chutei o balde de água com raiva, chutei com tanta força que o balde se quebrou em mil pedaços. Eu saiu xingando pelo portão gradeado da quadra e tudo voltou a desaparecer. Voltamos a escuridão que logo tomou forma novamente.
Quando o ambiente se remontou eu não percebi de imediato, pois continuava quase tão escuro quanto antes, podia distinguir tudo apenas por luzes amarelas que brilhavam ao longo de todo corredor.
Ka – Os ninjas começaram a punir os bruxos pelo o que seus ancestrais haviam feito, mas a guerra contra os buxos não era o único problema a cuidar, também existiam complicações internas como a guerra contra os mulçumanos na qual os estados unidos ainda estavam envolvidos e como o Brasil agora era uma força militar considerável foi pedida a sua ajuda, e o Brasil respondeu mandando homens para lá incluindo você.
Fiquei espantado, naquela época eu deveria ser muito novo para até mesmo me alistar no exercito o que diria ir para uma guerra.
G – Isso não é possível. Eu deveria ter uns dezesseis anos naquela época.
Ka – Sim, mas algumas crianças com algum ensinamento de batalha já era envia pois ficavam muito frustradas por não poderem ser ninjas, mas mesmo assim era raro ver casos como esses.
Queria saber onde meu outro eu estava e meus pés obedeceram como se já houvessem feito o caminha varias vezes me levando até o fim do corredor escuro com paredes de metal. Bem na minha frente estava um soldado com farda completa de batalha e um fusil M16 na mão, estava de cabeça baixa, pude ver que o lado direito e esquerdo da sua cabeça estavam completamente raspados e só havia um pouco de cabelo em uma linha vertical na sua cabeça que formava um moicano baixo.
As luzes de repente ficaram vermelhas e a foz encheu o corredor dizendo aos soldados que já estávamos chegando ao destino, então percebi que deveríamos estar dentro de uma aeronave. Quando a voz parou de falar o eu soldado se endireitou levantando a cabeça, tinha a face dura e inflexível. A aeronave começou a chacoalhar e a voz do que parecia ser o capitão tornou a encher a cabine de passageiros dizendo: “Estamos com um problema, há vários hostis no local de pouso e preciso disso limpo, vou dar trinta segundos para a apresentação de voluntários antes que eu mande por nomes”. O eu soldado olhou de um lado paro o outro esperando por algum que se voluntariace, mas todos pareciam estar com medo. Então uma frase veio a minha cabeça: “Quanto menos medo você tem de morrer, mais facilmente matará em batalha”. O eu soldado se levantou e vez sinal para que o soldado perto da porta a abrisse, este ficou parado por alguns segundos até fazê-lo, quando a porta se abriu o eu soldado puxou uma granada que estava presa ao colete, tirou o pino e a jogou para fora, depois do barulho da explosão correu e pulou pela grande porta bem na hora em que voltamos ao jardim de flores.
Ka – Por usas habilidades você se destacou dentre os outros soldados e sua patente subiu, tornando-se um Gear of War.
G – Uhn, gostei do nome.
Ka – É, eu sabia que ia gostar.
Quando o ambiente mudou se tornou escuro, o chão era feito de terra, não havia cimento ou concreto, se eu olhasse para cima veria o céu. Tudo estava quieto, quieto até demais.
Ka – Outro problema para a elite eram experiências com humanos que não dera certo. O Spartan era uma segunda saída para o problema com os bruxos, mas as pessoas envolvidas no projeto ficaram loucas e tiveram mutações e por isso passaram a ser chamadas de Locosts. O dever dos Gears of War é controlar essa ameaça.
Eu o olhava de um lado para o outro procurando algo mais interessante para ver do que o céu e o terreno pedregoso, foi então que algo passou zumbindo pelo meu ouvido, me virei para ver o que era, mas não havia nada. Novamente ouvi o som só que mais longe agora, de repente pude ver o que passava de um lado para o outro. Eram projeteis brilhante que imediatamente identifiquei como balas que eram disparadas de um lado para o outro. Saquei a espada que havia conseguido na Fortaleza do Tempo, e que ainda estava comigo, e estava defendendo as balas até que uma passou pela defesa e deveria me acertar, mas passou por dentro de mim como se eu fosse um fantasma.
Ka – Relaxe. Não podem nos acertar.
Baixei a espada e a embainhei nas costas. Do nosso lado direito uma legião de homens com armaduras sofisticadas e com pequenos pontos de brilho azul corria com as armas levantadas fazendo disparos sem parar, o mesmo acontecia do lado esquerdo onde outra legião de coisas parecendo homens também corria até nós, mas estes tinham a pele cinzenta e o crânio mais estendido e a abertura da boca maior.
Ka – Você novamente chamou a atenção com suas habilidades e por ter bons amigos incluindo o seu próprio pai no exercito se tornou primeiro sargento e responsável por um grupo rapidamente. O Grupo Delta.
Por uns dez segundos o tempo pareceu entrar em câmera lenta apenas para que eu localizasse a mim mesmo a frente da grande massa de Gears seguido de perto por três que deveriam ter a mesma idade que eu, todos usavam moicanos ou outros tipos de penteados do mesmo nível ou mais loucos.
Quando o tempo voltou a correr normalmente houve o contato entre as massas e muitos dos soldados dos dois lados caíram porem eu continuei de pé matando vários Locosts com disparos ou cerrando-os ao meio com a serra elétrica que estava equipada na parte de baixo da arma. O céu era cortado por helicópteros seguidos por um tipo de polvos gigantes voadores dos Locosts e vice e versa.
Ka – Você até chegou a atuar com os ODST uma vez contra os Bruxos.
Tudo mudou e estávamos agora em um ambiente como a aeronave aonde vimos o Gabriel-Soldado só que essa era muito maior. Luzes amarelas começaram a rodar por toda parte e uma voz soou dizendo que estávamos nos aproximando do campo de ejeção, fiquei imaginando o que deveria ser aquilo. Na sala onde estávamos várias outras pessoas com armaduras mais sofisticadas ainda do que as dos Gears estavam sentadas conversando calmamente como se aquilo acontecesse normalmente todos os dias. As luzes se tornaram vermelhas ao mesmo tempo em que uma porta automática se abria deixando passar um soldado com a armadura completa eceto pelo capacete que trazia em baixo do braço direito e um fusil com silenciador na mão esquerda. Eu me reconheci apenas pela voz quando disse: “Vocês conhecem a música, vamos dançar”, pois o
cabelo estava novamente todo em um nivelamento igual apesar de ainda estar baixo. Os homens que estavam conversando se levantaram rindo e se dirigiram para o fundo da sala onde havia uns tipos de casulos de metal suspensos e onde todos entraram e ficaram lá por um tempo, tempo suficiente para eu perceber que não fazia idéia do que era um ODST.
visto, com as quadras e o refeitório. O meu outro eu estava novamente na mesma quadra de antes, treinando com o mesmo professor de cabelos cor de bronze. Eu parecia ser estar treinando com muito mais afinco e determinação do que antes.
G – Pareço estar bem melhor do que antes.
Ka – Com certeza esta. Aqui você encontrou o mais forte dos remédios.
G – Ah, é? Qual?
Gabriel Levou um soco na barriga de seu professor e caiu no chão, parecia cansado demais para continuar a lutar.
J – Vamos lá, o único jeito de seu dimon se mostrar é quando você realmente precisar dele. Levante-se!
Gabriel tentou levantar, mas estava muito desgastado. Ao longe consegui ouvir uma sineta tocar e soube que deveria ser hora dos intervalos das aulas. Gabriel continuava tentando se levantar enquanto seu professor se gritava para que não desistisse e novamente ele caiu. Por um momento pensei que estava acontecendo um terremoto, mas depois entendi que eram apenas muitos alunos correndo para a quadra onde Gabriel estava. Eles se amontoaram na grade do lado de fora da quadra e junto com o professor gritavam para que este se levantasse. Não eram muitos, mas seus gritos enchiam o pátio facilmente. Havia um moreno de cabelos compridos até o fim do pescoço. Lara. Um garoto magro e alto com cabelos bem baixo, ele era um dos que mais gritava. Uma garota morena com cabelos crespos e cheios bem escuros. Outra garota baixa de cabelos enrolados de pele clara. Uma garota de aparência frágil de cabelos pintados de loiros. Outra garota também de aparência frágil, mas com o rosto muito inteligente. Eram respectivamente: Tainá, Lara, Luís Felipe, Letícia Gomes, Laís Maria, Kamile e Heloísa.
Ka – Seus amigos são o remédio.
Gabriel começava a se levantar novamente. Ele tremia muito, eu podia ver no seu rosto o esforço que estava fazendo. Por impulso corri para a grade também, com um salto me pendurei nela e gritei de maneira que minha voz encobriu a de todos os outros:
G – LEVANTA!
E lá estava ele. De pé diante da sua platéia, que vibrou de satisfação. Ele voltou a lutar contra o professor que não pegou leve, mas ele agüentou até que o professor lhe deu um golpe muito forte na barriga que o fez cair de joelhos e cuspir sangue.
J – Acho que já chega por hoje.
Dizendo isso passou pelo Gabriel colocando a mão em seu ombro rapidamente. Gabriel novamente se levantou, mas estava muito fraco e cansado e teria caído se Lara não o tivesse segurado a meio caminho do chão, eles se entreolharam demoradamente... Bem... O resto eu já sabia de cór.
Ka – Você e ela....
G – Não precisa falar se não quiser... Sei o que acontece.
Vi Kairi ficar vermelha e um pouco desorientada, mas sem olhar para mim. Enquanto isso a cena tornava a mudar, como antes somente o que mudou foi a quadra e número de pessoas estavam e a hora do dia que agora parecia ser um pouco mais cedo.
Ka – Essa é a minha parte preferida.
Queria perguntar o porquê, mas não consegui desgrudar os olhos da quadra, fui andando até esta para poder ver bem o espetáculo. Ali dentro havia dois garotos batalhando. O do lado esquerdo era Gabriel e o outro era Caio, eles lutavam freneticamente sem parar e por mais que Gabriel tentasse não conseguia acerte-lo de maneira alguma usando apenas artes marciais. Todas as vezes que achava que tinha acertado me decepcionava em seguida ao perceber que Caio havia afastado Gabriel com algum jutsu. A batalha ia esquentando a cada segundo, de um lado Gabriel suando para atacar em vão e do outro Caio se divertindo ao massacrar Gabriel com seus poderosos jutsus.
G – Não é possível, porque até agora ele não consegue usar jutsu?
Olhei para Kairi que apenas continuou olhando para a quadra sem dizer nada. Caio atirou Gabriel no chão do outro lado da quadra e este continuou deitado.
C – Fique ai, se você se levantar eu vou entender que essa batalha só irá acabar se algum de nós morrermos, se continuar deitado vou entender como rendição e você vai poder parar de fazer esse papel ridículo de perdedor.
G – Como assim!? Eles podia se matar lá dentro!?
Ka – Sim e não. A morte ali é algo apenas representativo, você pode perder a alma, mas ela pode retornar para o seu corpo.
G – Espera ai... Alma?
Ka – Daqui a pouco eu te explico, presta a atenção.
Ela me olhou como se estivéssemos em uma estréia do filme mais esperado do milênio e aquela fosse à parte onde o herói sai de uma enrascada aparentemente impossível. Só o que tirou a minha atenção do rosto de Kairi foi um som seco que vinha de Gabriel novamente no chão, parecia que ele havia se levantado, mas estava fraco demais.
C – Você não me deixa outra escolha.
Caio disse isso, mas seu tom deixava transparecer que tinha esperado pra dar uma surra em Gabriel por muito tempo, não uma surra qualquer, alguma coisa me dizia que ele fazia isso freqüentemente, mas uma surra na frente de toda a escola, ele iria matá-lo.
Caio tomou um pouco de distancia e fez muitos daqueles gestos com as mãos e depois as colocou no chão, houve um tipo de explosão, mas apenas de fumaça que desapareceu rapidamente deixando a mostra uma urna grande e negra aos pés de Caio.
Este fez um aceno com a mão e a urna com um estalo se abriu sozinha. Tudo ficou frio, deveria ter diminuído uns quatro ou cinco graus de uma só vez, e de dentro da urna saiu uma criatura horrenda. Pelo o que eu podia ver por baixo do capus de seu manto negra e esfarrapado ele não tinha face, apenas uma abertura circular que deveria ser sua boca., sua pele era podre e cinza e ele não andava apenas flutuava como um fantasma sem pernas.
Assim que o viu saindo da urna Gabriel entrou em pânico e eu pude sentir isso, o publico, juntamente com os professores do lado de fora da quadra começaram a gritar em protesto dizendo que aquilo não era justo. O fantasma, ou melhor, o dementador como me lembrava agora se virou para Caio e parecia ter a intenção de atacá-lo, mas fora mas desistiu ao ver o tigre prateado que Caio conjurou da palma de sua mão e que agora o circulava e rugia para o dementador.
C – Porque não pega algo mais fácil, ali está.
Ele apontou para mim, o dementador parou um pouco como se estivesse ponderando se era melhor me pegar, pois eu estava desprotegido, e por fim decidiu que sim começando a andar em minha direção. Gabriel ergueu a palma da mão na direção do dementador e sua boca se mexeu, mas a voz saiu da minha boca.
G – Expectro Patrono!!!
De sua mão, deferente de Caio, saiu um tipo de raio da fumaça prateada do qual o dementador se desviou com facilidade.
Ele estava a uns quinze metros de mim. O publico começou a gritar mais alto para que Caio fizesse o dementador para, mas este apenas ficou aparado olhando como se esperasse por isso sua vida toda.
Dez metros. Agora em um momento de altíssimo perigo eu podia ouvir seus pensamentos na minha cabeça, “Por Favor, funciona... Funciona”, eu não sabia exatamente o que deveria funcionar, mas estava torcendo para que funcionasse.
Cinco metros. “Era assim que acaba? Essa é a recompensa para os que são perseverantes...? Não... Não para mim!”.
Dois metros. O dementador abriu sua boca e começou a sugar, sugar a minha alma. “N...Não”.
A partir daí levei alguns segundos para identificar o que estava acontecendo, pois um enorme pássaro prateado desceu dos céus e passou por dentro do dementador fazendo esse gritar e depois explodir em pó. Todos deram vivas e aplaudiram o pássaro de longas penas, eu o reconheci pelas penas, principalmente pelas da calda que eram extremamente longas. Uma Fênix feita de fumaça prateada que deveria ter uns oito metros de altura.
Gabriel nem ao menos a olhou para a Fênix, ficou o tempo todo em que ela o sobrevoava a joelhado de cabeça baixa até que ela pousou em sua frente e eles se encararam.
Ka – É incrível ver o Gabr... Quer dizer, você com medo, sempre foi tão forte.
Eu estava tão absorto na cena que tomei um susto com a voz Kairi.
G – Mas ele não esta com medo. Apenas não consegue acreditar que depois de tanto trabalho duro finalmente... Conseguiu.
Ka – Como pode saber?
G – Eu consigo sentir... Acho quem em momentos em que ele tem emoções muito fortes eu consigo sentir.
Voltei a olhar para a Fênix e Gabriel, se dependesse de Gabriel acho que eles ficariam ali para sempre, mas a Fênix tomou iniciativa, bateu as asas e voou para dentro de Gabriel. Eu pensei que ela ia fazer o mesmo que fez com o dementador e aparecer do outro lado, porem desapareceu ficando dentro de Gabriel que gritou de dor.
Ka – Tudo o que sai tem que voltar.
G – Que?
Ka – A Fênix é a representação física de um pedacinho da alma do Gabriel, se ela saiu, tem que voltar para dentro.
Gabriel se elevou um pouco do chão, depois caiu novamente no chão e foi se levantando devagar. Caio, que estivera olhando desnorteado para tudo o que estivera acontecendo, agora levantava a sua katana longa e fina. Eu nunca tinha visto nenhuma espada daquele jeito.
G – Que espada estranha.
Ka – As armas dos ninjas são reflexos de suas almas, todas são diferentes umas das outras.
Seu rosto se contorceu em raiva ao ver que depois de tanto jogar na cara de Gabriel que ele nunca ia ser ninguém, este finalmente encontra seu poder e se levantava a alguns metros a frente pronto para uma batalha de verdade.
Gabriel levantou a mão e começou a analisá-la com cuidado, quando terminou a fecho bruscamente com força e eu, como toda a platéia que agora gritava descontrolada de alegria, podemos sentir uma onde de poder. Ele fechou a cara e se voltou a Caio. Novamente sua boca mexeu, mas o som saiu da minha.
G – Agora a batalha começa, mas não tema, será rápido.
Caio pareceu se encher ainda mais de raiva, pois saiu correndo na direção de Gabriel. Brandia sua espada com ferocidade, mas não consegui acertá-lo agora que este se movia ainda mais rápido do que antes e parecia não ser o seu maximo. Gabriel parecia apenas testar o que a energia extra fazia com seu corpo. Parou de brincar quando Caio tentou um ataque, mas perdeu o equilíbrio. Gabriel tirou o corpo e levantou a mão enquanto Caio dava um tropeção, eu podia jurar que ele iria dar o golpe final agora, mas apenas deu um tapa em sua nuca.
A platéia entoou um “Oooh” e ficou em silencio. Caio cambaleou e votou a se por de pé, podia ver as terríveis coisas que ele gostaria de fazer com Gabriel apenas olhando em seus olhos. Ele tornou a atacar, mas Gabriel segurou sua mão da espada e com o seu pé levantou a perna da Caio fazendo este cair no chão e largar a espada. Sua voz saiu pela minha boca.
G – Quando se descobre dimon ganha também sua arma... Vamos ver...
Ele levantou a mão novamente e voltou a examiná-la.
Desta vez fali por mim mesmo.
G – Dimon e a tal representação corpórea da minha alma?
Ka – Sim.
G – Ok.
Parando de examinar sua mão, Gabriel estendeu o braço com a mão aberta e uma espada apareceu. Era grande, não tanto quanto a de Caio que deveria ter 1,70 metros de comprimento, deveria ter uns 1,40 metros de comprimento, porem era bem mais larga que a de Caio, transmitia a aparência de força.
Gabriel movimentou-a em sua mão com tal agilidade que a fez parecer leve. Ele se virou olhando para Caio e levantou a espada à frente do corpo. Tanto Caio quanto eu entendemos que era uma convocação para a luta e que esta iria começar de verdade agora. Caio correu novamente para Gabriel que defendeu seu ataque vindo de cima e o atacou no lado, Caio defendeu, mas pude ver que se movera um pouco com o impacto. Eles continuaram a batalhar. Gabriel não parecia estar nem dando tudo de si nem tão pouco estava brincando, já Caio parecia sim estar dando tudo de si.
Ao defender o ultimo ataque Gabriel jogou Caio mais para longe com um chute na barriga. Caio se levantou mais do que depreca, ficou a espada no chão e fez um único código com as mãos parecendo se concentrar, de Caio, eu podia sentir, se desprendia uma energia que tomava a forma de uma fumaça laranja-escura e logo depois de um tigre-dente-de-sabre, que era o seu dimon. Ele pegou novamente a espada e esta começou a brilhar laranja-escura.
C – Chega de brincadeira.
Ele entrou em uma nova posição de combate com a espada apontada para Gabriel e depois correu para esse pulando no meio do caminho e atacando por cima, só não acertou porque Gabriel se desviou para o lado e fugiu dos ataques até que na terceira investida de Caio sua espada parou de brilhar e voltou ao normal.
Gabriel se afastou com um salto para trás e como Caio fincou sua espada no chão.
G – Também quero tentar.
Eu disse no lugar de Gabriel. No mesmo instante Caio se virou e tentou acertá-lo por cima novamente. Eu , assim como Gabriel, já tinha percebido que ele gostava muito de atacar por cima, sabendo disso Gabriel defendeu sem problemas desviando a espada de Caio para o chão e o e fazendo um corte em seu peito que o desequilibrou por um instante antes dele pular para trás.
Gabriel fincou a espada no chão por alguns instantes olhou para Caio, talvez pesando se esse o atacaria novamente, chegando à conclusão de que não iria tentar nada fechou os olhos e se forçou para se concentrar. Como em Caio uma fumaça, agora cinza, pareceu envolver Gabriel e domar a forma da Fênix atrás deste, ele pegou novamente a espada e esta também ficou com uma luz cinza. Ele a olhou com um sorriso, sorriso esse
G – O que são ODSTs?
Ka – Pensei que nunca iria perguntar.
Disse revirando os olhos.
Ka – Orbital Drop Shock Trooper. Ou se preferir Tropas de Choque de Desembarque Orbital. São os melhores soldados das forças armadas, sua função é lutar contra os bruxos junto com os ninjas.
Os melhores. “A nata da elite” me disse alguém uma vez, mas não me lembrava onde, nem quem e muito menos quando.
G – Eu só atuei com eles uma vez? Por quê?
Ka – Você detesta alturas.
G – E o que isso tem a ver?
No mesmo instante em que parei de falar o chão da aeronave se abriu, não destruído ou explodido, mas abertura de comporta, então olhei para a os casulos acima do chão e depois lembrei do que significava ODST: Tropa de Choque de Desembarque Orbital. Era uma altura impressionante. Ouvi um dos homens gritarem o que parecia o lema dos ODST, “Pulem com o pé da frente para o inferno!”. As cápsulas foram liberadas e soltando fogo pela parte de cima desceram para a queda infinita. Olhei para Kairi, ela esta sorrindo maliciosamente para mim.
G – O que foi?
Ela não disse nada, apenas olhou para céu abaixo de nós e eu imediatamente entendi o que ela queria fazer.
G – Ah, não mesmo! Nem pense nisso! Você sabe muito bem que eu detesto altura!
Por ela ser minha namorada eu tinha certeza que deveria saber que eu não agüentava ficar da beira de algum lugar alto, ali então eu estava quase tento um troço. Deu um passo pra trás para me distanciar da beirada e olhei novamente para Kairi e para minha surpresa ela estava a mais ou menos um palmo de distancia do meu rosto.
Ka – Não se preocupe.
Disse e pegou minha mão, quando fez isso pareceu que a queda livre de vários quilômetros se tornara uma descida de escorregador. Ela me guiou até a porta. Eu olhei para baixo e só tive tempo de pensar “Ah, que merda” antes que ela desse um pequeno puxão em meu braço e nós dois despencássemos de lá. A sensação horrível de frio na barriga parecia que nunca ia acabar, mas ai chegamos ao chão, sem impacto nem dor.
A cena de guerra era evidente, mas eu parecia familiarizado com os corpos, crateras e estampidos que soavam de toda parte, pois aquilo não mexeu comigo, a única coisa que me impressionou foi a ferocidade com a qual os lutadores dos dois lados lutavam. Não havia pensado ainda em até onde o poder dos bruxos ia, mas era evidente que não era pouco, pois de vários lados podia ver coisas com a quais os ODST não podia lutar como uma jorrada de que um bruxo jogou contra um grupo de ODSTs que os fez queimar por inteiros, ou ainda um outro bruxo que com um aceno de varinha fez um ODST ser lançado pelos ares e cair pesadamente do outro lado do campo de batalha. Porem os ODSTs também tinham os seus momentos de gloria quando matavam bruxos com explosões de granadas ou até mesmo com tiros, mas era muito raro.
Era evidente que mesmo os ODSTs matando muitos não dariam conta de todos. Alguma coisa dentro de mim disse para que me virasse para trás e quando me virei vi um ODST com uma linha branca na vertical do seu capacete, ele era rápido e forte quando acertava alguns bruxos com a arma, atirava em uns e ao mesmo tempo rolava pra desviar de feitiços de outros. Eu era realmente incrível, tinha um dom de sobreviver.
Tudo voltou a escurecer porem dessa vez não voltamos para o campo de flores, continuamos no escuro enquanto Kairi continuava narrando a historia.
Ka — Você voltou paras os Gears ao final dessa missão. Quando voltou conheceu uma outra pessoa muito importante.
Diferente das outras vezes o ambiente não se remontou, se construiu a partir de fumaça. Eu estava sentado em cima de uma carcaça destruída de um tipo de tanque, estava com a arma do meu lado junto com uma lata de coca-cola e uma outra lata na minha mão.
G – Quem?
Perguntei sem conseguir desviar os olhos da cena. Naquela hora tudo parecia normal, calmo, até feliz, enquanto o outro eu olhava o céu.
Ka – Maria...
Uma outra pessoa escalou o tanque por trás e me deu um soco no braço ao sentar do meu lado, era uma garota com cabelos lindos escuros que ia até um pouco abaixo da cintura, ela sorria para mim ao mesmo tempo em que eu sorria para ela e lhe entregava a outra lata de coca, então voltamos os dois a olhar para o céu.
G – Eles parecem alegres.
Ka – Vocês era bons amigos...
Eu não gostava do tom dela.
G – Como assim?
Ka – Era a ultima missão dela na batalhão. Ela entrou no exercito movida pelo mesmo motivo que você, mas viu que a raiva não era o caminha certo, o que ela queria era voltar para casa e ver seus pais novamente, porem como você diz: “O destino adora pregar peças”.
A cena tornou a mudar da mesma maneira que antes. Agora estávamos no meio do deserto, eu e Maria estávamos na frente seguidos por seis homens, deveria ser o meu esquadrão e o dela. Nós caminhávamos com as armas apontadas para um Locost que caminhava a nossa frente com as mãos amarradas nas costas.
Ka – Sua missão era levar o pacote até a base, depois disso estaria acabado, porem...
G – Porem?
Repeti, mas não precisei de resposta, o chão a nossa frente rachou e se abriu e logo depois mais locosts começaram a sair da fenda, o Gabriel-Gear correu a frente, puxou o pino de uma granada e a enterrou no chão depois voltou par trás enquanto a granada fazia um tipo de buraco para que pudesse se esconder enquanto disparavam contra os Locosts, mas eram muitos.
“Reforços! Precisamos de Reforços!... Não sei como general, mas eles são muitos... Mandem dois Kings Reavens!... OK”, disse um dos homens que estavam no buraco. A batalha durou vários minutos sem sinal de suporte. Quando eu achava que eles poderiam até se salvar uma granada inimiga rolou e parou a frente do rosto do Gabriel-Gear que no mesmo instante gritou e fez todos correrem, ouvi Maria dizer: “Hoje é o meu ultimo dia, não vou deixar esse infelizes acabarem com ele” e depois saiu e disparando contra os Loucosts, a granada explodiu levantando uma nuvem de poeira, o que foi a sorte de Maria pois ela ficou encoberta.
“Mas que droga! Onde está o King Reaven, seja lá o que for!?”, pensei antes de ver um tipo de helicóptero chegando e limpando toda a poeira. Gabriel-Gear e os outros homens correram para o helicóptero que baixava vagarosamente, quando chagaram perto se ajoelharam e começaram a atirar dando cobertura para que Maria voltasse. “Salvos”, pensei, mas então aconteceu.
Um dos Loucosts estava armada com uma bazuca e disparou contra o helicóptero que explodiu e caiu alguns metros a frente fazendo uma barreira de fogo que separava Maria dos outros soldados. Vi Gabriel-Gear correr para a barreira de fogo como se quisesse pula-lá, mas esta tinha quase três metros de altura, ele levantou a arma e começou a disparar através do fogo contra os Locosts, pude ouvir outro King Reaven vindo ao longe, mas não me virei para vê-lo. Não sabia o que aconteceria, mas desejava para que não fosse o pior, “Talvez ele possa salva-lá”, pensei, mas minhas esperanças se foram quando o vi ser atingido por um tiro no ombro e na perna. Os soldados vieram e o agarraram pelos braços enquanto ele ainda lutava para correr para a barreira de fogo, não desejava sair do lugar. Pude ver seus olhos ainda em Maria que ficara do outro lado ao mesmo tempo em que gritava com o piloto para levá-lo para o outro lado.
Pude ver Maria continuar atirando contra os Locosts parando apenas quando um Locost muito maior e mais forte do que os outros a acertou com o cabo de sua espada na cabeça, fazendo a desmaiar. Pude ouvir um ultimo grito de desespero de mim mesmo no helicóptero enquanto a cena se dissolvia vagarosamente.
Não podia acreditar que acabara daquele jeito.
Ka – Maria foi levada. Os militares disseram que não a encontraram, presumiram que estava morta.
Meu rosto se tornou pura raiva dos Locosts, queria sair daquele sonho, ou o que quer que fosse, e ir atrás deles.
Ka – Não adianta ficar assim, pelo menos não agora.
Disse ela, como se pudesse ler meus pensamentos.
G – O que aconteceu comigo?
Ka – Ficou com problemas emocionais sem poder sair do seu quarto por duas semana, foi então que resolveram que a guerra não era mais pra você.Como dizem mesmo? Ah, sim. Um bom filho sempre a casa torna.
Ao se remontar, o ambiente me mostrava um grande prédio que identifiquei sendo o colégio que me negou a licença de ninja. O segundo eu estava parado olhando para as portas automáticas de vidro com uma expressão de tristeza, uma tristeza que parecia deixar tudo a volta mais escuro e sem vida. Ele começou a caminhas para a porta e quando entrou vi que estava em um lugar aquecido com paredes e carpete brancos, assim que entrou ele parou novamente e olhou a volta depois deu mais alguns passos e passou a mão em um tipo de mapa em um vidro que havia pendurado na parede oposta.
Ouvi o “pimm” do elevador e me virei para olhar quem acabara de chegar, uma garota de cabelos escuros como se fosse um buraco sem fundo. Ela veio até o meu outro eu sem olhar para mim, apenas caminhava com os olhos em uma prancheta que segurava nas mãos.
G – Lara.
Ka – Exato.
Lara veio e parou na frente de Gabriel e este baixou a cabeça, logo depois Lara disse:
La – Desculpe, mas não tem ninguém na lista de convidados para excursão hoje.
Finalmente ela olhou para cima e viu quem era, seu rosto se petrificou surpresa. Sua voz era fraca quando disse:
La – Ah, meu Deus...
Eu larguei o saco de viagem ao mesmo tempo em que ela largava a prancheta e nos abraçamos.
La – Por onde você esteve? Ninguém sabia onde você estava... Fiquei tão preocupada.
A cena voltou a se transformar em um lugar aberto, onde podia se ver o céu que estava claro e azul. Era o pátio da escola, exatamente igual a da ultima vez que eu havia
que se desfez ao voltar a olhar para Caio. Gabriel apontou a espada para ele a rodou nas mãos fazendo dois círculos perfeito e depois a apoiou nas costas ainda brilhando.
Caio se levantou rápido, pegou sua espada e a levantou acima da cabeça. Como se só esperasse Caio se preparar Gabriel arrancou na sua direção. Eu nunca havia vista nada tão veloz na minha vida, pelo menos no que me lembrava dela. Assim que pode Caio desceu a espada para atacar Gabriel que vinha desenfreado em sua direção, mas não foi rápido o bastante. Gabriel defendeu a espada quando ainda estava no alto o que fez Caio perde um pouco o equilíbrio, foi a deixa de Gabriel para passar sua espada carregada de poder pelo meio de Caio o dividindo em dois.
Um silêncio espantado se instalou por todo o lugar enquanto o sangue e as víceras de Caio se espalhavam pelo chão da quadra.
Me faltava ar. Eu pude ver várias maneiras diferentes de terminar aquela batalha sem derramar tanto sangue, e aposto o que quiser que Gabriel também pôde, por que então fazer aquilo?
Dois homens entraram na quadra. Estavam vestidos com jalecos brancos. Um deles foi até as víceras, fez mais sinais estranhos e o corpo de Caio voltou a ficar inteiro e a quadra limpa novamente. O outro homem estava com uma pequena bolinha de vidro na mão, que em circunstancias diferentes eu diria que era uma bolinha-de-gude, a balinha ficou laranja-escura e foi levada pelo homem até a boca de Caio que instantes depois deu um profundo e desesperado suspiro.
As pessoas na platéia não aplaudiram, apenas olhavam, alguns com curiosidade, outros com medo e alguns ainda com pavor. Gabriel apenas sorriu e tornou a falar pela minha boca.
G – Estou de volta.
Seu sorriso se alargou e de seus olhos a mesma fumaça cinza voltou a sair. O ambiente começou a se dissolver em escuridão a principio deixando apenas Gabriel, depois apenas seus olhos de fumaça até que estes também desapareceram e eu e Kairi voltamos aos campos de flores.
Fiquei estático por alguns segundos, pensando nos olhos cruéis que acabei de ver.
Ka – E então? O que achou?
G – Mas que cara de mau.
Eu e Kairi demos risadinhas.
Ka – Você nunca para de brincar?
G – Depende, você gosta?
Kairi continuou com seu sorriso nos lábios até falar:
Ka – Então é assim que você era antes de tudo isso... Sim eu gosto.
G – Antes de tudo o que?
Ka – Dos problemas tomarem conta da sua vida. O primeiro problema foi você não ter poderes para lutar, este foi resolvido. Depois você deveria atingir a marca de conhecimento de seus colegas, ficara um ano fora e por isso perdera muita coisa.
Novamente voltamos a quadra, Gabriel lutava contra o mesmo professor que antes, mas agora de igual para igual.
G – Vem cá, quem é esse cara de jaqueta verde? O com o cabelo cor de bronze.
Ka – O nome é Joe Newman, ele foi o único dos professores que te apoiaram quando você voltou.
Olhei mais em volta e vi outros adultos usando jaquetas de varias cores.
G – E aqueles outros, quem são?
Ka – São os outro professores da artes ninjas e junto com o Joe são os diretores das vilas.
G – Vilas?
Ka – É, as forças armadas são divididas em varias partes as principais são cincos: Folha, Pedra, Névoa, Som e Areia. Cada uma tem a sua especialidade. O pessoal da vila do Som é responsável pelo espaço aéreo, Névoa pelos mares, Pedra pelas regiões rochosas e de altitude, a Areia pelas regiões áridas e desérticas e a folha com todo o resto, desde florestas a campos e áreas neutras. Cada um tem um símbolo para identificar e todo ninja tem que usar esse símbolo.
Ela apontou para as bandanas que todos traziam às vezes penduradas na testa, vezes nos braços ou até mesmo na cintura e nas pernas. Aqueles caras que você perguntou são, da direita para a esquerda, Helena Santos, irmã da Heloísa, lembra dela?
G – Uma das garotas que estava torcendo na quadra quando eu treinava, né?
Ka – Isso mesmo, ela é a diretora da vila da Pedra. Do lado dela é o Mohamed Casin, diretor da vila da Areia. O cara de cabelo loiro é o Shinider Kren, vila da Névoa. Joe é diretor da vila da Folha. E por fim, Oruma Ukori, vila do Som.
Helena era a cara da irmã, bonita, de cabelos castanhos claros presos em um coque e rosto sério. Mohamed tinha uma barba cheia e com um tom um pouco azulada, seu rosto estava emburrado o que o fazia parecer mais velho, e alguma coisa me dizia que ficava assim a maior parte do tempo. Shinider era um clássico galã de filme com seu rosto perfeito, dentes branquíssimos, cabelos loiros e olhos azuis. Já Oruma parecia sombrio, ele não era normal, mais parecia uma cruza de uma cobra com um homem, tinha cabelos negros, escorridos e oleosos, sua pele era de um tom cinza-pálido e suas pupilas eram verticais. Não importava o quanto olhava para Oruma, não gostava dele, parecia alguém muito maligno.
G – Não gosto do ultimo cara.
Ka – Já era de se esperar, quando você chegou aqui foi ele quem te estendeu a mão e você agarrou a chance sem pensar duas vezes. Mas depois de algum tempo, quando você não apresentou melhoras, ele te descartou e se voltou para o treinamento de Caio. Agora que você conseguiu seus poderes, tem potencial para ser o melhor de todos e Oruma quer isso ao seu lado, ele quer você como discípulo novamente.
Gabriel e Joe pulavam para todos os lados e faziam jutsus diversos. Gabriel parecia gostar de um em que ele próprio soprava uma bola de fogo, pois o repetiu varias vezes. Os dois pararam e devem ter decidido que era hora de parar já que era visível que estavam cansados. Assim que saíram apertaram as mãos sorrindo, Joe foi em direção do alto prédio, já Gabriel pegou uma toalha que estava pendurada na grade da cerca da quadra e a passou na nuca e no rosto, depois pegou uma garrafa de água e a tomou quase que toda.
Palmas solitárias encheram todo o lugar, tanto eu quanto Gabriel viramos o rosto devagar. Oruma vinha se aproximando com um sorriso malicioso estampado no rosto cinza. Assim que vi que vinha até Gabriel me levantei e fui para seu lado esperar para ouvir o que tinha a dizer. Gabriel era um pouco mais baixo do que o eu de agora e tinha o cabelo mais curto.
O – Meus parabéns! Você sem duvida é o melhor, por isso deveria estar com os melhores, não acha?
G – Você não é o melhor.
Mais uma vez a voz saiu da minha boca. Tanto eu quanto Gabriel olhávamos para Oruma sem preocupação de esconder a raiva.
O – Ah, vamos, Gabriel. Você sabe que para ser melhor tem que andar comigo.
G – Eu já sou o melhor.
O – Não, não é. Ora, Gabriel, considere que...
G – Saia da minha frente, verme.
As palavras saíram atropeladas da minha boca de modo que eu só fui perceber o que havia falado instantes depois. Me virei rapidamente para Gabriel pensando: “Endoido”. Ele continuava com seu rosto lívido de raiva, Oruma mudou sua expressão de bom-homem para matador cruel no mesmo instante.
O – Vai se arrepender disso, moleque.
G – Não, você vai se arrepender do dia em que me virou as costas.
Oruma se virou e saiu andando em direção ao colégio sem dizer mais nada nem a Gabriel nem a mais ninguém no caminho. Olhei em volta e vi que todos os outros diretores olhavam Gabriel não como se ele tivesse dito algo muito engraçado, que foi exatamente o que eu pensei, mas como o encorajando.
Ka – Você ganhou a confiança e a simpatia deles, mesmo sendo de outras vilas.
Só agora percebia que Kairi estava novamente o meu lado.
G – Como assim “Mesmo sendo de outras vilas”.
Ka – As vilas, apesar de servir ao mesmo propósito não se dão muito bem entre si, sempre houve rivalidade entre elas.
Gabriel tornou a entrar na quadra quando Joe voltou e eles voltaram a treinar. Eu e Kairi estávamos novamente no campo de flores quando ela continuou a narrar a historia:
Ka – Com o passar do tempo você se aperfeiçoou cada vez mais e em pouco tempo estava entre os primeiros no rank nacional. Você começou a perseguir seus antigos inimigos na arena, mas viu que isso não era o bastante e desenvolveu o habito de apostar em suas batalhas a coisa mais importante tanto pra você quanto para seu adversário: os dimons, e a pressão tanto do publico quanto sua era tão grande que eles batalhavam e perdiam.
G – Como eu saberia que eles riram cumprir o trato? De me dar os dimons.
Ka – Vocês faziam uma promessa de sangue, aquele que não cumpri a promessa morre. Depois de vários meses você já havia drenado muitos dimons sem que o seu próprio sofresse danos até aquele dia.
Novamente voltamos a escola assistindo a batalha em uma quadra entre Gabriel e um garoto muito maior de cabelos loiros e musculoso. O garoto jazia ajoelhado na frente de Gabriel com o rosto todo ensangüentado e ainda outros ferimentos pelo corpo.
G – Quem é aquele?
Ka – É o antigo namorado da Heloísa. Você e ela eram mais que amigos, na verdade eram como irmãos. Quando o cara traiu ela você não pode fazer nada por que não tinha poderes e ele era um dos mais fortes da escola. Thiago era o nome. Assim que pode tomou as dores de Heloísa, sempre, claro, apostando dimons e como sempre, ganhou.
Gabriel levantou a espada e a desceu contra o peito do adversário ao mesmo tempo em que Heloísa saia do meio das pessoas que assistiam gritando
He – NÃO!!!
Mas era tarde demais, a espada de Gabriel transpassou Thiago como se este fosse feito de papel. No mesmo instante a estranha fumaça que havia visto da ultima vez começou a sair de Thiago em cor vermelha-sangue e a englobar a espada de Gabriel, depois as mãos e logo o corpo todo, só então parou.
Gabriel puxou a espada do peito de Thiago e viu o seu corpo cair inerte no chão, depois falou.
G – Está feito. Que isso te sirva de lição.
Ele se virou e a espada desapareceu de sua mão, o que não deveria ter acontecido pelo modo como ele olhou para a mão. O que aconteceu comigo só consegui explicar minutos depois. Todo o meu corpo, ainda mais a cabeça, começaram a doer ao mesmo tempo em que o mesmo acontecia com Gabriel na quadra. Era como se todas as células do meu corpo entrassem em rebelião e se agitassem sem parar de modo que todo o meu corpo parecia queimar. Cai de joelhos juntando meus gritos aos de Gabriel. Kairi entrou em desespero, sem saber o que fazer, se ajoelhou também e falava freneticamente, mas agora meus ouvidos zumbiam e eu não podia ouvi-la. Então parou.
Me levantei enjoado por conta da dor. Gabriel continuava deitado na quadra, a dor parecia ter sido muito mais forte nele do que em mim. De todo o seu corpo se desprendia o mesmo tipo de fumaça que antes, mas esta tinha mudado de cor para um cinza-escuro. Acima dele a fumaça começava a tomar forma, uma forma monstruosa por sinal. A fumaça parou de sair e terminava de tomar sua forma, levei alguns segundos antes de identificar o dragão de dez metros de altura que se erguia sobre Gabriel olhando para ele.
Ka – Gabriel, Gabriel! Você está bem?
Kairi ao meu lado com o rosto atordoado.
G – S... Sim. O que está acontecendo?
Ka – Eu é que pergunto. O que aconteceu? Do nada você caiu e começou a gritar.
G – Eu senti a dor que ele sentiu. Nossa...
Passei a mão na cabeça que ainda doía. Era incrível.
G – Por que a dor?
Houve um momento de silencio no qual eu tinha certeza que Kairi me analisava para ter certeza de que não aconteceria novamente.
Ka – Você absorveu um dimon de poder considerável, o que acarretou uma mutação do seu próprio.
O dragão voltou a se dissolver em fumaça e depois voltar para o corpo de Gabriel, que levantou mais confiante e mais forte e depois saiu da quadra onde foi atendido por paramédicos.
G – Mas e a Fênix? Se foi?
Ka – Continua sendo ela, mas agora é o Dragão de Metal.
G – Por que isso não aconteceu antes, quando eu absorvia os outros dimons?
Ka – Porque eles não eram tão fortes quanto esse. O dimon de Thiago era o Dragão Vermelho. Os dragões são os mais fortes dimons que existem, e acho que você sabia que isso iria acontecer.
G – Parece que eu não era tão burro assim.
Era realmente uma idéia incrível. E eu sabia que era verdade, Gabriel havia pensado nisso o tempo todo, queria deixar seu dimon mais forte nem que isso custasse outros dimons... e ele conseguiu.
Do lado de fora da quadra ele tentava afastar os paramédicos que insistiam em examiná-lo. Ele conseguiu despistar o ultimo perto da entrada do refeitório e seguiu para dentro do Coliseu II passando por várias pessoas que o olhavam como se ele estivesse com um tipo de doença. Ele avançou por vários corredores até chegar a uma porta que abriu com uma chave que carregava.
Era um lugar não muito grande, mas bonito, como aqueles quartos chiqs de hotel que vemos por ai. Havia uma cama, frigobar, guarda-roupa, e banheiro. Gabriel sentou na cama e passou as mãos no rosto muito suado agora. Aquele suor não era normal, não era como se ele tivesse corrido. Ele levantou à mão direita a altura do rosto, se concentrou e, de maneira que tanto eu quanto ele nos assustamos, sua espada apareceu em sua mão.
Não era mais o tipo de espada pesada e bruta, parecia bem normal agora, se não contássemos com o fato de ser completamente vermelha e emitir um leve brilho avermelhado.
Ka – Dragons Fall. Era assim que você a chamava.
Mais uma vez tomei um susto com Kairi no meu lado sem que eu percebesse.
G – Pelo amor de Deus! Quando for chegar perto de mim vem pisando forte pra saber que ta chegando.
Ela deu risadinhas.
G – O que você falou sobre Dragons Fall?
Ka – Era o nome da sua espada. Já se sabia, naquela época, que se banhasse uma arma em sangue de dragão vermelho e atacasse outro dragão seria fatal, e você conseguiu fundir sua espada ao sangue de um dragão vermelho.
Olhei para a espada pensando em quanto poder deveria ter naquilo. Estendia a mão na direção do cabo que o outro Gabriel segurava ainda examinando tão deslumbrado quanto eu.
G – A queda dos Dragões...
Repeti o nome da espada. E fui decidido a tirá-la da mão de Gabriel, mas Kairi me segurou pelo pulso.
Ka – Não deixe que o poder tome a sua mente. Isso tirou de você coisas que estimava muito.
Sai do transe e recuei alguns passos para longe da espada.
G – Esse poder corrompe muito fácil qualquer homem. Obrigado por abrir meus olhos.
Ka – “Não é o poder que corrompe o homem, é o homem que corrompe o poder”.
Fiquei pensando naquilo que ela havia dito. Será que corromperia esse poder? Já não era certo o que estava fazendo com o pequeno poder, comparado a este que Gabriel tinha agora. Perseguir e tomar dimons. Era perverso.
G – Eu tinha tanta sede de poder assim? Para abrir mão de coisas preciosas e nem perceber isso?
Ka – Sim.
G – Como o que?
Ka – Calma, isso virá depois, mas agora vamos continuar. Você era forte, era temido e bem pago...
G – Pago?
Ka – É, os ninja são mandados para missões e quando a missão tem êxito eles recebem um salário que varia de acordo com o nível da missão. O que mais poderia querer?
G – Poder.
Ka – Exatamente, e sua chance de conseguir mais havia chegado. Os conselheiros conseguiram informações de que havia um espião dentro do próprio Coliseu II e também descobriram quem era o traidor. Você estava em uma missão no Iraque.
G – Iraque? Pensei que apenas atuávamos no Brasil.
Ka – Seria assim se a ameaça bruxa não se estendesse por todo o mundo, entendeu? Existe cooperação entre as nações, elas mandão ninjas para outros paises para que ensinem as técnicas de suas regiões. Aqui no Coliseu II temos exemplos disso: Joe é americano, Mohamed é marroquino, Shinider é alemão e o Oruma é chinês.
G – Ok.
Ka – Como eu estava dizendo, você estava em uma missão no Iraque mais tinha acabado de voltar.
Nós voltamos ao Colisseu II quando a cena acabou de se remontar. Estava acontecendo o que mais parecia ser uma guerra. Havia pessoas lutando enquanto outras estavam deitadas abatidas no chão. Eu reconheci as pessoas que lutavam como Oruma e Joe. Mohamed estava caído no chão, provavelmente desacordado, com Helena tentando acordá-lo, mas sem sucesso. Havia outras pessoas no chão também, na maioria ninjas que deveriam ter estudado na escola e agora serviam ali. Isso sem falar nos que ainda estudavam.
G – Mas que merda está acontecendo aqui?
Ka – Oruma era o traidor.
Aquilo me fez sentir ainda mais raiva do professor.
Ka – Ele passava informações de dentro dos complexos ninjas para os bruxos.
Eu já estava prestes a esquecer que era apenas uma lembrança e a pular em cima de Oruma o rosto de cobra do maldito e depois fazer um sinto ou uma bota com ele, mas um alto barulho, que só depois fui perceber ser a porta do refeitório sendo aberta com violência.
Gabriel estava parado a porta. Enquanto examinava a situação do lugar seu rosto se fechava cada vez mais e sua força parecia aumentar. Ele viu Helena e correu até ela. Sua voz saiu da minha boca e não importava quantas vezes isso acontecesse, eu continuava me sentindo desconfortável.
G – Onde está Lara?
Hel – Está segura. Você precisa fazer alguma coisa.
G – E qual eu devo atacar?
Podia sentir uma vontade crescendo dentro dele, me esforcei mais um pouco e pude ouvir seus pensamentos: “Me diz que é o Oruma, por favor, o Oruma”.
Hel – O Oruma. Ele é o Traidor de que suspeitávamos.
Só de ouvir o nome de Oruma Gabriel concentrou chakra em sua perna e o que deveria ser um simples salto se tornou o que poderia ser chamado de vôo até onde Oruma e Joe batalhavam.
Eles dois lutavam no teto do simulador. O simulador era a maior quadra que você pode imaginar. Gabriel só teve tempo de gritar:
G – Joe!!!
Joe saiu do caminho automaticamente se abaixando e deixando que Gabriel passasse, desviasse de um ataque de Oruma e chutasse este na barriga com uma força que o fez ser jogado longe, mas que continuasse em cima do simulador.
Oruma pareceu aturdido por alguns segundos, depois, percebendo o que estava acontecendo, deu um sorriso obscuro e falou:
O – Ora, o que temos aqui? O super ninja mirim voltou de sua excursão ao país das areias. Vou ser direto com você garoto: fuja ou eu te mato.
G – Serei direto com você também: Se rendi ou vou fazer de você uma bota.
Ele deu mais um sorriso, fez um código com as mãos e as apontou para Gabriel. De dentro da manga de sua camisa saíram várias cobras. Gabriel Pulou o mais longe que consegui, mas as cobras continuavam a sair da manga da roupa de Oruma. Com movimentos rápidos de mãos, Gabriel encheu seu pulmão de ar e soprou, eu fiquei estupefato ao ver que o que saía de sua boca não era ar, mas sim fogo, uma gigantesca bola se formou e engoliu as cobras transformando-as em pó.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Depois de pular para desviar da bola de fogo, Oruma continuou a falar, sempre com o sorriso estampado na cara.
O – Não seja idiota garoto, você pode ser forte, mas nunca poderá me vencer.
G – Eu tenho esperado pela chance de te surra a muito tempo, agora não ou desperdiçar.
O – Se é a morte que procura, eu não irei privá-lo de tê-la.
Ele abriu a boca o maximo que pode e de dentro dela uma espada inteira saiu. Eu me lembrava de que quando treinava com ele, nunca havia visto sua espada antes, ele sempre usava uma comum. Ela não era tão impressionante quanto a de Gabriel. O cabo era de madeira envolta em um pano vermelho, a lamina era reta e de tamanho comum e o cálice tinha a forma de um demônio ou algo parecido e de sua boca saia a lamina.
Ao mesmo tempo em que Dragons Fall aparecia nas mãos de Gabriel, Oruma começou a correr na sua direção. Eu sempre achei que Gabriel era impressionante com a espada, mas Oruma o fazia parecer um ratinho encurralado com seus movimentos rápidos e certeiros. Ele parecia estar apenas brincando com Gabriel, pois muito mais de uma vez teve a chance de matá-lo, mas não o fez, apenas deixou que Gabriel escapasse para que novamente Oruma o capturasse.
De repente Gabriel começou a se movimentar melhor, a escapar dos ataques de Oruma e atacar e contra atacar um melhor. Isso pegou Oruma de surpresa e quase foi derrotado com o contra ataque de Gabriel
Ka – Aqueles olhos...
G – O que?
Só entendi quando olhei para Gabriel. Seus olhos não eram mais azuis como os meus. Agora estavam vermelho-sangue com varias marca na própria retina.
G – Mas que droga é aquela!?
Ka – Sharingan...
G – Saúde.
Quando me voltei para ela, estava com uma cara de “agora não é hora de brincar”.
G – Desculpe, e o que isso faz?
Ka – Te permite aumentar a capacidade corporal, como força e velocidade, e também entender e copiar as técnicas do inimigo. Esse é um Donjutsu.
G – Nossa.
Ka – E ainda tem mais, outro Donjutsu ligado a visão. O Byakugan te da capacidade enxergar trezentos e sessenta graus e até um quilometro.
G – Espera ai, tem alguma coisa eu não faço?
Ka – Contas de matemática, você é horrível nisso.
Dei uma risada junto com ela e voltei a observar a batalha. Oruma deu um pulo para cima para fugir de um ataque, mas Gabriel o acompanhou e na tentativa de perfurar seu ombro apenas o cortou por causa de mais uma esquiva de Oruma em pleno ar. Os dois pousaram em uma das quadras de batalha.
Oruma passou a mão no ombro ferido e depois voltou a olhar para Gabriel.
O – Eu o ensinei bem, mas você ainda tem muito a aprender.
Da minha boca saíram as palavras de Gabriel.
G – Não tenho nada mais a aprender com você.
O – Vamos fazer uma coisa, um acordo, para deixar essa batalha mais interessante.
G – Não vou fazer nenhum acordo, vou cortar sua cabeça e entregar ao Conselho.
O – O que é isso Gabriel? Perdeu o senso de diversão ou está com medo?
Eu sabia que aquelas palavras fariam Gabriel aceitar qualquer desafio e foi o que aconteceu.
G – O que você que?
O – Você sempre gostou de apostar os Dimons dos adversários, apenas por diversão ou por outro motivo qualquer, não sei dizer. Então porque não apostamos nossos Dimons e lutamos aqui sob as regras de batalha?
Gabriel olhou desconfiado para Oruma e voltou a falar:
G – O que eu ganharia com isso?
O – Bem, se lutássemos fora da arena um de nós morreria, o que não me parece muito agradável, e aqui um de nós poderá ficar impossibilitado da mesma maneira. E então? Aceita?
Ele estendeu a mão a Gabriel, eu acho que naquele momento Oruma estava começando a achar que realmente não venceria aquela batalha e por isso apelou para o orgulho de Gabriel. Gabriel apertou a mão de Oruma.
G – Eu, Gabriel Carvalho, aceito lutar pelas regras de batalha e se perder pagar com meu Dimon.
O – Eu, Oruma Atechi, Aceito lutar pelas regras de batalha e se perder pagar com meu Dimon.
O que pareceu um barbante fino de nilom se entrelaçou entre o antebraço dos dois enquanto estavam de mãos dadas e apertou, ferindo um pouco a pele. Os dois pularam para trás, Oruma retirou a camisa já rasgada e começou a concentrar uma grande quantidade de chakra então gritou:
O – Abertura do Primeiro Portão! Abra!
Antes que Gabriel pudesse impedir esse chakra explodiu e aumentou mais. Sem parar de concentrar chakra gritou novamente:
O – Abertura do Segundo Portão! Abra!
Todos os músculos do corpo de Oruma saltaram como se de um segundo para o outro ele tivesse ganhado a massa muscular de uma pessoas a malha a três meses.
O – Agora podemos começar a brincadeira.
Oruma investiu contra Gabriel com uma velocidade muito maior do que estava usando antes, mas Gabriel juntou as mãos à frente do corpo apontadas com as palmas para Oruma e este foi lançado para longe e bateu contra a grade oposta.
G – Sinto muito, mas ainda não.
Gabriel concentrou energia como Oruma havia feito, mas muito mais rapidamente gritou:
G – Abertura do Primeiro Portão! Abra!
A sua quantidade de energia aumentou e quase imediatamente ele gritou novamente:
G – Abertura do Segundo Portão! Abra!
Seus músculos, como os de Oruma, saltaram. Com um sorriso olhava para a cara de espanto de Oruma.
O – Como você...?
G – Isso não importa, agora é hora da festa.
Oruma se levantou e partiu para cima de Gabriel assim como Gabriel partia para cima de Oruma. A energia dos dois era algo que fazia meu coração bater duas vezes mais rápido só de estar ali. Havia acumulado algumas duvidas que poderia continuar tendo, então me virei para Kairi e falei:
G – O que era aquela parada que se enrolou no braço deles?
Ka – É um feitiço antigo, chama-se Voto Perpetuo. Serve para uma pessoa não deixar cumprir uma promessa.
G – E o que acontece se ela descumprir?
Ka – Ela morre.
G – Ok. E porque Oruma recuou quando Gabriel apontou para ele?
Ka – Todos nós somos capazes de controlar até dois elementos dos oito que existem, e foi isso o que ele fez, usou a escuridão. Foi a mesma coisa que você vez com O Feiticeiro.
G – E... Ah, outra coisa! Que troço era aquele de Portões?
Ka – O cérebro limita a força humana a 15% da capacidade, isso é possível por conta de várias válvulas que controlam a passagem de chakra. Quando você concentra muito chakra acaba abrindo completamente essas válvulas e sua força aumenta, são oito no total, mas é muito perigoso usar isso, quanto mais válvulas, ou portão, tanto faz, você abrir mais fraco ficará quando o efeito passar. No fim, uma pessoa não muito treinada pode morrer facilmente só de abrir o primeiro portão. Houve uma vez em que um ninja conseguiu abri até o quinto portão.
G – O que aconteceu com ele?
Ka – Ele lutou incrivelmente e destruiu todo um exercito de bruxos, deveriam ser uns cinco mil, mas depois quando acabou seus músculos foram forçados a um extremo que fez com que se desintegrasse completamente.
Parecia que tínhamos perdido grande parte da luta quando voltei a olhar. Gabriel e Oruma estavam suados e ajoelhados um diante do outro. Gabriel se levantou abriu a palma da mão e se concentrou nela, por alguns instantes nada aconteceu até que a sua palma se encheu de chakra bruto e azul que começou a girar.
G – E aquilo, o que é?
Ka – É uma técnica que você mesmo criou, o nome é Rasengan.
Parecia ser extremamente forte. Gabriel brandiu a pequena bola de energia na direção de Oruma diversas vezes, mas este sempre fugia de seus ataques facilmente. Gabriel tentou, tentou e tentou até que a pequena bola foi ficando cada vez menor até desaparecer por completo.
O – É só isso que você tem para me mostrar?
Gabriel não respondeu, arfava muito, muito mais do que Oruma agora. Rasengan era uma coisa que colocava medo, mas também absorvia muita força do usuário.
O – Agora é a minha vez.
Oruma abriu sua boca e novamente sua espada saiu de sua garganta. Ele se levantou e foi em direção a Gabriel, eu havia pensado que Gabriel se levantaria também, mas este continuou no chão até que no ultimo instante antes da espada acertar seu coração Gabriel se levantou colocando a mão na frente da lamina de maneira que essa perfurasse sua palma. Segurando a espada e a mão de Oruma com firmeza, Gabriel recriou o Rasengan, não apenas na mão desocupada, mas também naquela que continuava perfurada fazendo a lamina se despedaçar em mil e acertando Oruma como os dois ataques.
Oruma foi jogado violentamente no chão e não levantou mais. Gabriel se jogou no chão também e lá ficou arfando.
Mais uma vez a cena se dissolveu.
G – E eu salvo a pátria mais uma vez. Ponto para Gabriel.
Mais uma vez estávamos no campo de flores. Eu pensei que Kairi fosse rir do meu comentário, mas ela continuou com seu rosto sério.
G – O que foi?
Ka — Depois disso você ficou inconsciente por vários dias.
A agora estávamos em uma sala como a de um hospital, com macas, homens de jaleco branco e o horrível cheiro de uma diversidade de remédios misturados.
G — Que lugar é esse?
Ka – É a Ala Hospitalar do Coliseu II.
G – Foi aqui que eu fiquei internado?
Ka – Sim.
G – Onde?
Ka – Lá.
Kairi apontou para uma maca onde havia várias pessoas em volta. Reconheci algumas: Lara, Joe, e os meus amigos: Heloísa, Kamile, Luís Felipe, Letícia e Tainá. Eles olhavam para Gabriel na maca como se esperassem por muito tempo.
J – Acho que já hora de vocês todos irem para a cama, já são 7:30.
Eu, iludidamente achei que eles iriam acatar a ordem, mas no momento em que proferiu essas palavras um turbilhão de contestações dos meus amigos desabou em cima de Joe, que também começou a discutir.
Ka – Você era odiado pela maioria das pessoas que o conheciam, isso pela sua arrogância, a sua força, e sua própria idéia de que nada nem ninguém poderia mandar em você. Porem tinha amigos, poderiam ser poucos, mas eram os melhores.
“Os melhores...” pensei, a discussão tinha acabado por que, como estavam fazendo muito barulho, um enfermeiro veio e lhes deu uma bronca.
J – Já chega, ele vai ficar bem, agora você precisão voltar imediatamente para os seus quartos.
Todos abaixaram as cabeças tristes e se puseram a andar em direção as portas. Não sei exatamente como explicar o que aconteceu. Do nada eu senti como se alguma coisa me puxasse na direção de Gabriel. Quando olhei, esse estava se levantando vagarosamente, saiu da cama e caiu no chão colocando a mão na cabeça e gritando. O porquê do grito imediatamente eu soube. Meu corpo, assim como o dele, começou a doer de uma maneira tal que eu achei que fosse explodir.
Cai no chão assim como ele e de lá o olhei, como naquela vez na quadra uma massa de energia começava a se formar acima de Gabriel saindo de suas costas. A coisa que se formava era grande demais para caber na Ala Hospitalar. Uns três segundos depois eu pude perceber que o que se formava era uma dragão enorme, não mais com uma couraça de aço como a do Dragão de Metal, esse era maior e com uma couraça negra como a mais escura noite.
Como eu havia dito o dragão era tão monstruoso que não coube na Ala Hospitalar, mas ficou o maximo possível encolhido quebrando todas as janelas. Depois de tentar em vão abrir suas asas ele voltou ao corpo de Gabriel. A dor da volta foi quase tão entesa quanto a da saída.
G – Mas que droga foi essa?
Kairi desta vez não ficou nervosa, apenas me olhou com um olhar incerto como se seus neurônios estivessem a mil por hora em um pensamento complexo, mas por fim respondeu.
Ka – Seu Dimon mudou novamente, agora é o Dragão Negro.
G – Mas será que isso não vai parar de acontecer! Vai mudar mais alguma uma vez!?
Na verdade eu não sei dizer se o tom duro da minha voz foi por querer ou não, mas pude notar a expressão de Kairi mudar de pensativa para beirando a tristeza. Senti um peso no coração por isso.
G – Me desculpe, eu não tive a intenção, é só que...
Ka – Não tem problema, isso vai acontecer com freqüência de agora em diante.
G – O que quer dizer?
Ka – Na sua mão.
Olhei para as palmas das mãos enquanto Joe e os meus amigos iam ajudar Gabriel que jazia caído no chão, mas ainda consciente. Não consegui ver nada então perguntei em vão:
G – O que tem...
No mesmo instante uma dor quase tão forte quanto a da transformação do Dimon queimou em minha cabeça e na mão direita. Era como se cada neurônio do meu cérebro estivesse em chamas depois explodisse, logo após foi a vez das células musculares.
Quando terminou, eu achei que fosse vomitar ou coisa parecida, mas apenas olhei para a palma da mão. Agora tinha um tipo de tatuagem como se fossem três pontos rodando. Não sei o porquê, mas não gostei nem um pouco disso.
G – E agora? O que é isso?
Ka – A Marca da Maldição. Oruma previu sua derrota e resolveu te dar uma maldição da qual jamais se livraria e que te consumiria até que você se destruísse.
G – Então é como uma bomba de alto-destruição?
Ka – Quase como isso. Não sei muito, o que te falei foi o que o próprio Oruma me disse quando fui atrás dele na prisão, sei também que a Marca, quando acionada por você, te da mais poder, mas eu ao mesmo tempo de consome te deixando...
Não podia ser. Como o “fabuloso soldado” deixara aquilo acontecer? Quanto tempo será que ainda me restava? De repente me levantei e fui à direção a Kairi intimidante e ela foi recuando até bater contra parede.
G – Quer dizer que a qualquer momento eu posso me destruir, cair morto!?
Ka – ...Te deixando mais raivoso e fora de controle.
Era como se, com aquelas palavras, eu voltasse a mim, me movi para longe de Kairi, que agora me olhava quase chorando. Passei a mão no rosto e só então percebi que nos realmente não tinha porque sentir raiva de Kairi não era culpa dela.
G – Desculpe, vou tentar me controlar.
Ka – Não se preocupe, logo eles darão um jeito nisso.
Ela disse se referindo a Joe e os outros que agora colocavam Gabriel na cama. Joe se virou para um dos médicos e disse:
J – Ligue as luzes UV no maximo nos corredores dos dormitórios.
Depois se virou para os meus amigos e disse:
J – Vão para os seus quartos agora mesmo, as luzes vão fazer com que os Heartless fiquem bastante atordoados, mas não completamente, por isso destruam todos no caminho. Heloísa, você está no comando. Agora vão, vão!
Então se virou para Gabriel, pegou sua mão direita e a estudou enquanto Heloísa e os outros saiam pelas portas correndo.
J – Vamos cuidar disso. Médico, ligue também as luzes no andar da sala de treino da vila da folha, eu e o Sr. Gabriel vamos dar uma volta.
G – O que ele vai fazer?
Ka – Como disse, vai resolver o problema da Marca da Maldição, pelo menos superficialmente.
Ele deu mais um sorriso, fez um código com as mãos e as apontou para Gabriel. De dentro da manga de sua camisa saíram várias cobras. Gabriel Pulou o mais longe que consegui, mas as cobras continuavam a sair da manga da roupa de Oruma. Com movimentos rápidos de mãos, Gabriel encheu seu pulmão de ar e soprou, eu fiquei estupefato ao ver que o que saía de sua boca não era ar, mas sim fogo, uma gigantesca bola se formou e engoliu as cobras transformando-as em pó.
Depois de pular para desviar da bola de fogo, Oruma continuou a falar, sempre com o sorriso estampado na cara.
O – Não seja idiota garoto, você pode ser forte, mas nunca poderá me vencer.
G – Eu tenho esperado pela chance de te surra a muito tempo, agora não ou desperdiçar.
O – Se é a morte que procura, eu não irei privá-lo de tê-la.
Ele abriu a boca o maximo que pode e de dentro dela uma espada inteira saiu. Eu me lembrava de que quando treinava com ele, nunca havia visto sua espada antes, ele sempre usava uma comum. Ela não era tão impressionante quanto a de Gabriel. O cabo era de madeira envolta em um pano vermelho, a lamina era reta e de tamanho comum e o cálice tinha a forma de um demônio ou algo parecido e de sua boca saia a lamina.
Ao mesmo tempo em que Dragons Fall aparecia nas mãos de Gabriel, Oruma começou a correr na sua direção. Eu sempre achei que Gabriel era impressionante com a espada, mas Oruma o fazia parecer um ratinho encurralado com seus movimentos rápidos e certeiros. Ele parecia estar apenas brincando com Gabriel, pois muito mais de uma vez teve a chance de matá-lo, mas não o fez, apenas deixou que Gabriel escapasse para que novamente Oruma o capturasse.
De repente Gabriel começou a se movimentar melhor, a escapar dos ataques de Oruma e atacar e contra atacar um melhor. Isso pegou Oruma de surpresa e quase foi derrotado com o contra ataque de Gabriel
Ka – Aqueles olhos...
G – O que?
Só entendi quando olhei para Gabriel. Seus olhos não eram mais azuis como os meus. Agora estavam vermelho-sangue com varias marca na própria retina.
G – Mas que droga é aquela!?
Ka – Sharingan...
G – Saúde.
Quando me voltei para ela, estava com uma cara de “agora não é hora de brincar”.
G – Desculpe, e o que isso faz?
Ka – Te permite aumentar a capacidade corporal, como força e velocidade, e também entender e copiar as técnicas do inimigo. Esse é um Donjutsu.
G – Nossa.
Ka – E ainda tem mais, outro Donjutsu ligado a visão. O Byakugan te da capacidade enxergar trezentos e sessenta graus e até um quilometro.
G – Espera ai, tem alguma coisa eu não faço?
Ka – Contas de matemática, você é horrível nisso.
Dei uma risada junto com ela e voltei a observar a batalha. Oruma deu um pulo para cima para fugir de um ataque, mas Gabriel o acompanhou e na tentativa de perfurar seu ombro apenas o cortou por causa de mais uma esquiva de Oruma em pleno ar. Os dois pousaram em uma das quadras de batalha.
Oruma passou a mão no ombro ferido e depois voltou a olhar para Gabriel.
O – Eu o ensinei bem, mas você ainda tem muito a aprender.
Da minha boca saíram as palavras de Gabriel.
G – Não tenho nada mais a aprender com você.
O – Vamos fazer uma coisa, um acordo, para deixar essa batalha mais interessante.
G – Não vou fazer nenhum acordo, vou cortar sua cabeça e entregar ao Conselho.
O – O que é isso Gabriel? Perdeu o senso de diversão ou está com medo?
Eu sabia que aquelas palavras fariam Gabriel aceitar qualquer desafio e foi o que aconteceu.
G – O que você que?
O – Você sempre gostou de apostar os Dimons dos adversários, apenas por diversão ou por outro motivo qualquer, não sei dizer. Então porque não apostamos nossos Dimons e lutamos aqui sob as regras de batalha?
Gabriel olhou desconfiado para Oruma e voltou a falar:
G – O que eu ganharia com isso?
O – Bem, se lutássemos fora da arena um de nós morreria, o que não me parece muito agradável, e aqui um de nós poderá ficar impossibilitado da mesma maneira. E então? Aceita?
Ele estendeu a mão a Gabriel, eu acho que naquele momento Oruma estava começando a achar que realmente não venceria aquela batalha e por isso apelou para o orgulho de Gabriel. Gabriel apertou a mão de Oruma.
G – Eu, Gabriel Carvalho, aceito lutar pelas regras de batalha e se perder pagar com meu Dimon.
O – Eu, Oruma Atechi, Aceito lutar pelas regras de batalha e se perder pagar com meu Dimon.
O que pareceu um barbante fino de nilom se entrelaçou entre o antebraço dos dois enquanto estavam de mãos dadas e apertou, ferindo um pouco a pele. Os dois pularam para trás, Oruma retirou a camisa já rasgada e começou a concentrar uma grande quantidade de chakra então gritou:
O – Abertura do Primeiro Portão! Abra!
Antes que Gabriel pudesse impedir esse chakra explodiu e aumentou mais. Sem parar de concentrar chakra gritou novamente:
O – Abertura do Segundo Portão! Abra!
Todos os músculos do corpo de Oruma saltaram como se de um segundo para o outro ele tivesse ganhado a massa muscular de uma pessoas a malha a três meses.
O – Agora podemos começar a brincadeira.
Oruma investiu contra Gabriel com uma velocidade muito maior do que estava usando antes, mas Gabriel juntou as mãos à frente do corpo apontadas com as palmas para Oruma e este foi lançado para longe e bateu contra a grade oposta.
G – Sinto muito, mas ainda não.
Gabriel concentrou energia como Oruma havia feito, mas muito mais rapidamente gritou:
G – Abertura do Primeiro Portão! Abra!
A sua quantidade de energia aumentou e quase imediatamente ele gritou novamente:
G – Abertura do Segundo Portão! Abra!
Seus músculos, como os de Oruma, saltaram. Com um sorriso olhava para a cara de espanto de Oruma.
O – Como você...?
G – Isso não importa, agora é hora da festa.
Oruma se levantou e partiu para cima de Gabriel assim como Gabriel partia para cima de Oruma. A energia dos dois era algo que fazia meu coração bater duas vezes mais rápido só de estar ali. Havia acumulado algumas duvidas que poderia continuar tendo, então me virei para Kairi e falei:
G – O que era aquela parada que se enrolou no braço deles?
Ka – É um feitiço antigo, chama-se Voto Perpetuo. Serve para uma pessoa não deixar cumprir uma promessa.
G – E o que acontece se ela descumprir?
Ka – Ela morre.
G – Ok. E porque Oruma recuou quando Gabriel apontou para ele?
Ka – Todos nós somos capazes de controlar até dois elementos dos oito que existem, e foi isso o que ele fez, usou a escuridão. Foi a mesma coisa que você vez com O Feiticeiro.
G – E... Ah, outra coisa! Que troço era aquele de Portões?
Ka – O cérebro limita a força humana a 15% da capacidade, isso é possível por conta de várias válvulas que controlam a passagem de chakra. Quando você concentra muito chakra acaba abrindo completamente essas válvulas e sua força aumenta, são oito no total, mas é muito perigoso usar isso, quanto mais válvulas, ou portão, tanto faz, você abrir mais fraco ficará quando o efeito passar. No fim, uma pessoa não muito treinada pode morrer facilmente só de abrir o primeiro portão. Houve uma vez em que um ninja conseguiu abri até o quinto portão.
G – O que aconteceu com ele?
Ka – Ele lutou incrivelmente e destruiu todo um exercito de bruxos, deveriam ser uns cinco mil, mas depois quando acabou seus músculos foram forçados a um extremo que fez com que se desintegrasse completamente.
Parecia que tínhamos perdido grande parte da luta quando voltei a olhar. Gabriel e Oruma estavam suados e ajoelhados um diante do outro. Gabriel se levantou abriu a palma da mão e se concentrou nela, por alguns instantes nada aconteceu até que a sua palma se encheu de chakra bruto e azul que começou a girar.
G – E aquilo, o que é?
Ka – É uma técnica que você mesmo criou, o nome é Rasengan.
Parecia ser extremamente forte. Gabriel brandiu a pequena bola de energia na direção de Oruma diversas vezes, mas este sempre fugia de seus ataques facilmente. Gabriel tentou, tentou e tentou até que a pequena bola foi ficando cada vez menor até desaparecer por completo.
O – É só isso que você tem para me mostrar?
Gabriel não respondeu, arfava muito, muito mais do que Oruma agora. Rasengan era uma coisa que colocava medo, mas também absorvia muita força do usuário.
O – Agora é a minha vez.
Oruma abriu sua boca e novamente sua espada saiu de sua garganta. Ele se levantou e foi em direção a Gabriel, eu havia pensado que Gabriel se levantaria também, mas este continuou no chão até que no ultimo instante antes da espada acertar seu coração Gabriel se levantou colocando a mão na frente da lamina de maneira que essa perfurasse sua palma. Segurando a espada e a mão de Oruma com firmeza, Gabriel recriou o Rasengan, não apenas na mão desocupada, mas também naquela que continuava perfurada fazendo a lamina se despedaçar em mil e acertando Oruma como os dois ataques.
Oruma foi jogado violentamente no chão e não levantou mais. Gabriel se jogou no chão também e lá ficou arfando.
Mais uma vez a cena se dissolveu.
G – E eu salvo a pátria mais uma vez. Ponto para Gabriel.
Mais uma vez estávamos no campo de flores. Eu pensei que Kairi fosse rir do meu comentário, mas ela continuou com seu rosto sério.
G – O que foi?
Ka — Depois disso você ficou inconsciente por vários dias.
A agora estávamos em uma sala como a de um hospital, com macas, homens de jaleco branco e o horrível cheiro de uma diversidade de remédios misturados.
G — Que lugar é esse?
Ka – É a Ala Hospitalar do Coliseu II.
G – Foi aqui que eu fiquei internado?
Ka – Sim.
G – Onde?
Ka – Lá.
Kairi apontou para uma maca onde havia várias pessoas em volta. Reconheci algumas: Lara, Joe, e os meus amigos: Heloísa, Kamile, Luís Felipe, Letícia e Tainá. Eles olhavam para Gabriel na maca como se esperassem por muito tempo.
J – Acho que já hora de vocês todos irem para a cama, já são 7:30.
Eu, iludidamente achei que eles iriam acatar a ordem, mas no momento em que proferiu essas palavras um turbilhão de contestações dos meus amigos desabou em cima de Joe, que também começou a discutir.
Ka – Você era odiado pela maioria das pessoas que o conheciam, isso pela sua arrogância, a sua força, e sua própria idéia de que nada nem ninguém poderia mandar em você. Porem tinha amigos, poderiam ser poucos, mas eram os melhores.
“Os melhores...” pensei, a discussão tinha acabado por que, como estavam fazendo muito barulho, um enfermeiro veio e lhes deu uma bronca.
J – Já chega, ele vai ficar bem, agora você precisão voltar imediatamente para os seus quartos.
Todos abaixaram as cabeças tristes e se puseram a andar em direção as portas. Não sei exatamente como explicar o que aconteceu. Do nada eu senti como se alguma coisa me puxasse na direção de Gabriel. Quando olhei, esse estava se levantando vagarosamente, saiu da cama e caiu no chão colocando a mão na cabeça e gritando. O porquê do grito imediatamente eu soube. Meu corpo, assim como o dele, começou a doer de uma maneira tal que eu achei que fosse explodir.
Cai no chão assim como ele e de lá o olhei, como naquela vez na quadra uma massa de energia começava a se formar acima de Gabriel saindo de suas costas. A coisa que se formava era grande demais para caber na Ala Hospitalar. Uns três segundos depois eu pude perceber que o que se formava era uma dragão enorme, não mais com uma couraça de aço como a do Dragão de Metal, esse era maior e com uma couraça negra como a mais escura noite.
Como eu havia dito o dragão era tão monstruoso que não coube na Ala Hospitalar, mas ficou o maximo possível encolhido quebrando todas as janelas. Depois de tentar em vão abrir suas asas ele voltou ao corpo de Gabriel. A dor da volta foi quase tão entesa quanto a da saída.
G – Mas que droga foi essa?
Kairi desta vez não ficou nervosa, apenas me olhou com um olhar incerto como se seus neurônios estivessem a mil por hora em um pensamento complexo, mas por fim respondeu.
Ka – Seu Dimon mudou novamente, agora é o Dragão Negro.
G – Mas será que isso não vai parar de acontecer! Vai mudar mais alguma uma vez!?
Na verdade eu não sei dizer se o tom duro da minha voz foi por querer ou não, mas pude notar a expressão de Kairi mudar de pensativa para beirando a tristeza. Senti um peso no coração por isso.
G – Me desculpe, eu não tive a intenção, é só que...
Ka – Não tem problema, isso vai acontecer com freqüência de agora em diante.
G – O que quer dizer?
Ka – Na sua mão.
Olhei para as palmas das mãos enquanto Joe e os meus amigos iam ajudar Gabriel que jazia caído no chão, mas ainda consciente. Não consegui ver nada então perguntei em vão:
G – O que tem...
No mesmo instante uma dor quase tão forte quanto a da transformação do Dimon queimou em minha cabeça e na mão direita. Era como se cada neurônio do meu cérebro estivesse em chamas depois explodisse, logo após foi a vez das células musculares.
Quando terminou, eu achei que fosse vomitar ou coisa parecida, mas apenas olhei para a palma da mão. Agora tinha um tipo de tatuagem como se fossem três pontos rodando. Não sei o porquê, mas não gostei nem um pouco disso.
G – E agora? O que é isso?
Ka – A Marca da Maldição. Oruma previu sua derrota e resolveu te dar uma maldição da qual jamais se livraria e que te consumiria até que você se destruísse.
G – Então é como uma bomba de alto-destruição?
Ka – Quase como isso. Não sei muito, o que te falei foi o que o próprio Oruma me disse quando fui atrás dele na prisão, sei também que a Marca, quando acionada por você, te da mais poder, mas eu ao mesmo tempo de consome te deixando...
Não podia ser. Como o “fabuloso soldado” deixara aquilo acontecer? Quanto tempo será que ainda me restava? De repente me levantei e fui à direção a Kairi intimidante e ela foi recuando até bater contra parede.
G – Quer dizer que a qualquer momento eu posso me destruir, cair morto!?
Ka – ...Te deixando mais raivoso e fora de controle.
Era como se, com aquelas palavras, eu voltasse a mim, me movi para longe de Kairi, que agora me olhava quase chorando. Passei a mão no rosto e só então percebi que nos realmente não tinha porque sentir raiva de Kairi não era culpa dela.
G – Desculpe, vou tentar me controlar.
Ka – Não se preocupe, logo eles darão um jeito nisso.
Ela disse se referindo a Joe e os outros que agora colocavam Gabriel na cama. Joe se virou para um dos médicos e disse:
J – Ligue as luzes UV no maximo nos corredores dos dormitórios.
Depois se virou para os meus amigos e disse:
J – Vão para os seus quartos agora mesmo, as luzes vão fazer com que os Heartless fiquem bastante atordoados, mas não completamente, por isso destruam todos no caminho. Heloísa, você está no comando. Agora vão, vão!
Então se virou para Gabriel, pegou sua mão direita e a estudou enquanto Heloísa e os outros saiam pelas portas correndo.
J – Vamos cuidar disso. Médico, ligue também as luzes no andar da sala de treino da vila da folha, eu e o Sr. Gabriel vamos dar uma volta.
G – O que ele vai fazer?
Ka – Como disse, vai resolver o problema da Marca da Maldição, pelo menos superficialmente.
“Ainda bem” disse a mim mesmo na minha mente. Joe pegou Gabriel nos braços e saiu com ele pela porta.A principio eu fiquei encantado com a possibilidade de conhecer melhor o Coliseu II enquanto caminhávamos junto com Joe, mas ao passar pela porta a cena se dissolveu e quando voltou já estávamos em uma sala pouco maior do que o hall que eu tinha visto quando Gabriel voltou para o Coliseu depois da morte de Maria. Ali havia vários tipos de equipamentos de musculação e bonecos tanto no chão quanto pendurados no teto como sacos de pancada, e um ringue de lutas.
Gabriel estava ajoelhado apenas com um short no centro do ringue, estava suado e sua expressão não parecia das melhores. A sua volta por todo o ringue estavam escritos símbolos no chão, esses símbolos também estavam em Gabriel, na verdade começavam em sua mão. Saiam em cinco linhas da Marca da Maldição, passavam por seu braço, dorso e pernas e depois se espalhavam pelo ringue.
J – Tudo bem Gabriel, agora se levante.
Disse Joe, que terminava de escrever um ultimo símbolo no limite do ringue.
G – Acho... Acho que não consigo.
J – Vamos lá, faça um ultimo esforço, isso não irá demorar.
Gabriel se levantou precariamente e no mesmo instante Joe começou a fazer uma seqüência de códigos de mãos para um jutsus que parecia muito complexo, pois demorou no mínimo quase um minuto e meio para terminar.
Quando terminou ele gritou e colocou a mão no chão do ringue.
J – Jutsu Aprisionamento da besta!
No mesmo instante as marcas no chão começaram a se mover como se entrassem na Marca da Maldição. Por no fim, as linhas símbolos se curvaram se modo que formaram um circulo perfeito em volta da Marca.
Foi ai que Gabriel não agüentou mais e caiu no ringue, e foi ai também que voltamos ai campo de flores mais uma vez. Olhei para a minha mão e lá estava o circulo de símbolos em volta da Marca da Maldição.
G – Bem, pelo menos dessa vez não doeu.
Ka – Bom ter você mais calmo.
G – Eu concordo.
Ela parecia mais feliz quando a olhei, mas não podia dizer o mesmo de mim já que uma duvida surgiu na minha cabeça.
G – Kairi, porque essas coisas acontecem comigo e com mais ninguém?
Ka – É exatamente onde eu ia chegar agora.
G – Não me diga que vamos voltar para aquela escola.
Ka – Ninguém manda ficar parado por muito tempo.
Não tive tempo nem de pensar sobre isso, pois logo a cena tornou a mudar e mais uma vez voltamos ao pátio da escola.
G – Acho melhor eu reformular aquela pergunta, porque tudo acontece aqui?
Ka – Simplesmente por você estar aqui.
G – Você ainda não me explicou porque eu sou alvo de tudo o que acontece de ruim.
Ka – Durante todos esses anos você foi posto a teste Gabriel, e teste após teste você saiu vitorioso. “Mas porque eu?” você me pergunta, bem, podemos começar dizendo que isso acontece a muito mais tempo do que você pode imaginar, mais tempo do que qualquer um possa imaginar.
G – Não estou entendendo.
Ka – Seu corpo, Gabriel, pode ser deste tempo, mas sua alma é muito mais antiga.
G – O que? Quer dizer que sou uma encarnação?
Ka – É por ai. Vamos segui-los e tudo será explicado.
G – Seguir quem?
Logo assim que perguntei dois homens passaram por dentro de mim como se eu fosse um fantasma. Os dois usavam jalecos pretos, um mais alto e mais forte e o outro mais magro e esguio; o mais forte mantinha uma expressão dura enquanto caminhava pelo asfalto em direção ao Coliseu, tinha uma bandana com uma plaqueta de metal, que cobria toda a cabeça aparentemente careca, na plaqueta existia o símbolo da vila, mas aquele eu nunca tinha vista antes; o mais magro usava o mesmo tipo de roupa, a única diferença era que sua bandana cobria apenas a testa e havia uma faixa de bandagem em volta de sua cabeça que passava por cima do nariz.
G – De que Vila eles são? Nunca vi aquele símbolo antes.
Ka – São ninjas da Vila do Trovão.
G – Existem mais Vilas dos que aquelas que você me disse?
Ka – Sim, a Vila do Trovão, por exemplo, trata de assuntos confidenciais do governo, por isso os ninjas dessa Vila são os mais durões.
Eles passaram pelas portas automáticas de vidro conosco em seu encalço. Assim que entraram uma garota de cabelos loiros apareceu para recebê-los.
Ka – Reconhece aquela?
Olhei atentamente para seu rosto e o nome veio de algum lugar na minha cabeça.
G – Beatriz.
Ka – Correto. Isso é ótimo, sua memória está voltando.
Voltei minha atenção para o que Beatriz ia falar. Ela tinha o rosto angelical, de maneira que se comparava ao de Kairi, e era baixinha.
Bea – Desculpem senhores, mas os senhores não estão na lista de visitantes.
Os dois homens se entreolharam e, como se tivessem concordado com alguma coisa, continuaram a andar na direção do elevador. Assim que começaram a andar Beatriz levantou a mão para que uma lança de prata muito bem ornamentada aparecesse na sua palma, ela apontou a lança diretamente para a garganta do homem menor e disse:
Bea – Como eu disse: os senhores não estão na lista, por isso ou marquem uma hora ou desapareçam antes que acabe ficando irritada.
Houve um silencio godorrento onde ninguém se mexeu, até que o homem mais magro passou a mão na lança e a puxou da mão de Beatriz com uma velocidade inacreditável. O mais alto disse:
Ar – Não viemos para lutar mocinha, avisamos que viríamos a poucos minutos.
Bea – Se não estão na lista não entram.
V – Eles entrarão sim Beatriz, relaxe.
Uma mulher alta e um pouco gordinha acabara de sair do elevador. Ela vestia um vestido preto que combinava com seus cabelos também negros.
G – E quem é essa?
Perguntei a Kairi.
Ka – A diretora do colégio, Valéria.
Bea – A senhora sabia que eles viriam?
V – Sim, eu sabia.
Bea – Deveria ter me falado de imediato, eu poderia tê-los matado.
Eu senti algo como falta de respeito na voz de Beatriz, algo que nenhum líder aturaria, mas Valéria simplesmente fez sinal para que os homens a seguissem e disse:
Bea – Isso não aconteceria nem se fosse dez de você.
G – Porque Beatriz não a respeita?
Ka – A maioria não respeita. Valéria não luta, por isso é vista como escória.
Nós entramos no elevador junto com os homens e Valéria, todos nós ficamos quietos por alguns segundo, logo após, um dos homens começou a falar:
Mai – Desculpe por termos que vir assim de surpresa professora, mas é uma emergência.
V – Não há problema, mas por que querem o garoto?
Ar – É essa é uma questão da qual nós não podemos falar.
V – Ah, claro.
Eles saíram do elevador no mesmo andar a onde ficavam os quartos e continuaram em silencio pelo mesmo caminho que já havia visto Gabriel percorrer. Quando chegaram à porta do quarto de Gabriel bateram três vezes.
Gabriel veio atender a porta, estava com o cabelo, agora ainda mais claro, completamente bagunçado, vestia apenas um short floral branco, amarelo e preto bem largo e, pelo jeito que estava sua cara, parecia que estava dormindo.
G – Olá
Disse sem nenhuma expressão do tipo: “Quem são esses caras estranhos parados na minha porta?”, mas estava calmo.
Ar – Você é Gabriel Carvalho, Dimon Dragão Negra, Genin de Elite?
G – Sim, e quem são vocês?
Ar – Eu sou Arthur De Lapodie e este é Maison Riden, somos da Vila da Trovão.
G – Percebi pela bandana. O que querem?
Mai – Senhor Gabriel, poderia levantar sua espada para nós um instante?
Gabriel que estava escorado na porta se endireitou e olhou mais seriamente para Maison e Arthur.
G – Se tiver que levantar minha espada vai ser para colocá-la na sua garganta.
Os homens não expressaram nenhum sinal de irritação ou descontentamento com a ameaça apenas olharam para a professora que logo falou:
V – Gabriel, por favor, esse não é o momento.
Gabriel ignorou o pedido da diretora e continuou a falar com os homens em tom talvez ainda mais ofensivo.
G – Vou perguntar só mais uma vez, e quero uma resposta conclusiva, o que querem aqui?
Quando Gabriel terminou de falar pela minha boca, me virei para Kairi e lhe perguntei:
G – Eu era o que? Doido?
Ka – Por que essa pergunta?
G – Como assim “Por que essa pergunta?”? Esses caras são do governo, sem falar que são dois, e você viu a velocidade deles quedo estavam se estranhando com a Beatriz?
Ka – Gabriel você nunca respeitou ninguém desde que conseguiu mudar seu dimon para Dragão de Metal, e o governo acata isso porque tem medo de que você saia do controle.
Os dois homens se entreolharam.
G – E então?
O mais magro endireitou a jaqueta que usava e falou:
Mai – Nós temos uma proposta, Senhor Carvalho.
G – Estou ouvindo.
Mai – Essa proposta envolve um grande poder.
G – Estou ouvindo atentamente.
Mai – Vamos caminhar então.
Os dois homens deram as costas para Gabriel e, de maneira que apenas eles poderiam ouvir, disseram sem que Gabriel visse.
Mai – Não disse que isso iria funcionar.
Gabriel correu para dentro do quarto e sem demora voltou vestindo uma camisa sem manga que dizia: “Fique longe se gosta de viver” de uma maneira que parecia ter sido ele mesmo quem tinha feito, e um boné para esconder os cabelos desgrenhados. Todos caminharam silenciosamente pelo corredor, até que ao chegar ao elevador Arthur se virou para Valéria e disse:
Ar – Nos perdoe professora, mas agora precisamos falar com o garoto a sós.
V – Ah, sim. Completamente compreensivo. Bem, fiquem a vontade.
Ar – Muito obrigado, vamos?
Perguntou a Gabriel assim que Valéria começou a se distanciar. Todos entraram no elevador e por mais segundos ficaram em silêncio, mas Gabriel, que estava visivelmente agitado disse:
G – E então?
Mai – E então o que?
G – Como assim “o que”? O poder de que você falou, como eu consigo?
Ar – Tem algum lugar onde possamos falar o mais particular possível?
G – Sim
Gabriel foi até os botões e colocou no andar 2, exatamente ai veio à minha cabeça que aquele lugar era a sala de treino da Vila da Folha. Quando saíram do elevador, havia mais ou menos umas treze pessoas, todos olharam para Gabriel e pararam o que estavam fazendo.
G – Saiam todos!
Mais que depreça a maioria saiu da sala sem discutir, apenas uns dois garotos ficaram.
Ka – Aqueles são...
G – Yan e João Vitor. É, eu sei.
Yan Tinha a pele morena, era alto, cabelos oleosos, escuros e lisos; olhos claros e o rosto tomado por espinhas, coisa de que eu já tinha me livrado graças aos fortes remédios que tomei. João Vitor era um pouco mais baixo, de pele clara, olhos azuis, cabelos enrolados e loiros; você deve estar imaginando ele como um príncipe, mas tinha o corpo magro e a cara deixava claro que ele era apenas mais um roçeiro.
Y – O que você pensa que está fazendo?
G – Eu ia te perguntar a mesma coisa.
JV – Você não pode nos expulsar, esse é um lugar publico.
Gabriel colocou a mão na cintura, deu uma risada abafada e quando voltou a olhar para os garotos, seu rosto tinha uma expressão fechada, seus olhos estavam com um tom escuro, que não tinha percebido e poderia apostar que tinham assumido a cor agora.
G – Sugiro que saiam. Agora.
Y – Sugiro que trate os outros com mais respeito.
Yan colocou a mão na camisa de Gabriel como se quisesse empurrá-lo, mas não teve chance já que Gabriel apanhou seu pulso, desviou o corpo enquanto puxava o braço de Yan e depois lhe dava uma cotovelada no nariz. No mesmo instante o nariz de Yan começou a sangrar, mas Gabriel nem ao menos se importou com isso quando o arremessou para trás, Arthur e Maison abriram espaço para que Yan voasse para fora da sala de treinos.
Gabriel olhou para João Vitor e fez um aceno com a cabeça para que esse saísse da sala e, sem desobedecer, este saiu correndo atrás de Yan. Arthur e Maison olharam para Gabriel de maneira assustada e Gabriel, confuso, retribuiu o olhar.
G – O que foi?
Mai – Não... não é nada.
Os dois assumiram a forma séria habitual.
G – Bem, então podem falar.
Ar – É bom que entenda que poder que estamos oferecendo a você trás consigo obrigações a serem cumpridas.
G – Vamos primeiro falar de que tipo de poder é esse.
Mai – Tudo bem. Senhor Gabriel, você já matou algum Heartless?
G – Sim.
Mai – Digo, matou de verdade?
G – Bem... Eu sempre os acerto com a espada e eles somem.
Mai – Sinto lhe informar, mas você nunca matou nenhum Heartless.
Me virei para Kairi muito confuso e perguntei:
G – O que são Heartless?
Ka – Todas as pessoas que tiveram seu coração dominado pela escuridão e se transformam nisso. São muito letais, e também um mau contra o qual os ninjas também lutam.
Voltei a prestar a atenção no que Maison dizia.
G – O que quer dizer.
Mai – Nós do Departamento de Inteligência descobrimos que nenhum Heartless pode ser morto por armas comuns, eles simplesmente são enviados para o lugar de onde vieram, prontos para voltarem a aparecer depois de algum tempo.
G – Está querendo me dizer que todas as centenas que eu me arrisquei para matar, não estão realmente mortas?
Mai – Sim.
Gabriel levou as mãos à testa, tirou o boné e colocou seus cabelos para trás perplexo.
G – E como essas coisas podem ser mortas?
Mai – Com o poder que nós estamos dispostos a lhe entregar.
Ar – Sente-se Senhor Gabriel, vamos lhe contar uma história.
Eu pensei que Gabriel seria rude a ponto de dizer algo como “Não vou sentar, me diga agora!” ou “Você só pode estar tirando uma com a minha cara!”, mas ele atendeu ao pedido sem reclamar e se dirigiu ao ringue que havia bem no meio da sala, se sentando na sua beirada. Arthur e Maison continuaram de pé, encarando Gabriel do alto.
Mai – Você acredita em Deus, Senhor Gabriel?
G – Não.
Mai – Então acho que viemos aqui hoje mais para mudar seus conceitos de como ver o mundo do que qualquer outra coisa.
Ele riu, mas foi o único, tanto Gabriel quanto Arthur não mudou suas expressões.
Mai – Piadinha sem graça... Voltando ao assunto principal. Desde que o nosso universo foi criado nós sabemos da existência dos Heartless, sabemos que não podemos vencê-los, mas agora sabemos que alguém pode vencê-los.
G – Quem?
Ar – Uma pessoa com a ajuda de uma arma. Não sabemos se a arma escolhe o usuário ou apenas o procura pela história da humanidade. Seu nome, Keymaster.
G – Que?
Ar – É um guardião, algumas histórias dizem que é o ser mais poderoso do universo, outros dizem que são escolhidos dos Deuses.
G – Deuses não existem.
Ar – Ah, eles existem sim, e você é a maior prova disso.
G – Eu! O que eu tenho a ver com isso!?
Mai – Senhor Gabriel, você se lembra do dia em eu usou o Jutsu Bola de Fogo pela primeira vez?
G – Sim, eu fiquei em coma e me livrei por pouco.
Mai – Você não se livrou por pouco, você nem ao menos se livrou. Por um acaso você se lembraria de estar em uma cidade em chamas? Como se estivesse em um incêndio?
G – Sim, acho que sim...
Mai – Aquele era o inferno, Senhor Gabriel.
“Ta, esses caras devem ter fumado alguma coisa naquela floresta” pensei. Aquilo não era possível, ou era?
G – Eu... Eu não entendo.
Ar – Não esperávamos que entendesse de primeira. Vamos explicar tudo desde o inicio. Há milhares de anos atrás existia um reino poderoso e vasto, conhecido pela brutalidade dos seus guerreiros e sua coragem. O reino era a Pérsia. O príncipe da Pérsia era o maior guerreiro já visto, era forte, ágil, e sem medo. O rei tinha tanto medo de seu precioso reino ser atacado que decidiu congelar o seu próprio filho no tempo para que esse pudesse ser usado em alguma guerra futura. Contra sua própria vontade, foi iniciado no príncipe um feitiço que o faria viver com as feições intactas por muito tempo. No meio do procedimento ocorreu um ataque espartano surpresa. O feitiço não pode ser concluído e o efeito foi outro, um novo herói nasceu, mas naquele dia o reino da Pérsia caiu.
G – Não consigo ver como eu me encaixo nisso tudo.
Mai – O efeito foi que, ao invés do príncipe para no tempo, o tempo continuou correndo para ele, mas por várias vezes seguidas.
G – Pelo amor de Deus homem, seja claro!
Ar – Você é o príncipe, garoto!
Kairi olhou para mim como se esperasse alguma coisa, mas como essa “coisa” não veio ela disse:
Ka – Surpreso?
G – Nem um pouco, depois de tudo que vi e ouvi hoje nada mais me surpreende.
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