King of Pain
12 Capítulo 11
Notas iniciais
O que está acontecendo? Porque essa porra de telefone está tocando a uma hora dessas? Tudo bem, era de tarde, mas eu precisava tentar dormir pelo menos um pouco.
–Alô? — Tentei controlar a voz e não disparar todos os palavrões que estavam em minha mente.
–Malfoy, você venceu. Eu aceito.
–Hermione?! — A voz dela estava atordoada. Parecia que ela havia chorado. Isso não era bom. — Já converso com você.
Desliguei o telefone. Minha atitude poderia parecer falta de educação, e era mesmo. Mas eu precisava de saber o que estava acontecendo com ela. Pois sim, ela havia mais tempo para responder e devia ter acontecido algo pra ela ter me dado essa resposta tão rapidamente... e aquela voz embargada não queria dizer boa coisa.
Vesti uma calça jeans rapidamente, procurando minha varinha. Não teria tempo para ir de carro, precisava saber logo o que estava se passando. Vesti uma camisa polo e calcei um Converse velho e logo aquela sensação de algo puxando meu umbigo se apoderou de mim. Aparatei em um beco ao lado do prédio de Hermione, e logo caminhei em direção à recepção do prédio. Na verdade, saí correndo feito um louco. A voz dela havia despertado em mim uma preocupação que eu nunca havia sentido por ninguém.
–Em que posso ajudar senhor...? — Disse uma recepcionista. Nem reparei nada, queria logo subir e ver o que estava se passando.
–Apartamento de Hermione Granger.
–Quem é o senhor?
–Porra, sou o futuro marido dela! Agora libere essa merda e me deixe subir! — Gritei, assustando a pobre recepcionista. Mas não havia tempo para desculpas, a resposta era mais importante.
–Pode subir. — Ela respondeu com uma voz chorosa. Corri até o elevador social, e apertei o número correspondente ao andar em que ficava o apartamento de Hermione. Bati a campainha. Ninguém atendeu. Nenhum som, nenhuma voz.
–Hermione?! Está aí, sei que está! Abra a porta! — Comecei a esmurrar a porta, queria poder vê-la e certificar-me de que nada estava acontecendo. Mas nada, nenhuma resposta.
–HERMIONE ABRA AGORA! NÃO ME FAÇA IMPLORAR! SE NÃO ABRIR TEREI QUE USAR OUTRO MÉTODOS NADA CONVENCIONAIS ! — A essa altura eu já estava gritando furiosamente contra a porta, quando um ouvi um "click" e vi que Hermione abrira a porta. Ela estava com um semblante deplorável, com os olhos inchados de tanto chorar e o rosto vermelho, além de estar com os cabelos bagunçados.
–Hermione... — Por impulso ou algo parecido, lhe abracei. Ela correspondeu, chorando contra meu peito. Aninhei ela em meus braços e apertei o abraço. Ela estava precisando de companhia e eu seria o que ela necessitava. Eu estava ali, e não deixaria nada acontecer com Hermione. Puxei-a para dentro, fechando a porta e selando-a com um feitiço. Olhei em sua face, e ela demonstrava cansaço e tristeza.
–O que houve Granger? — Perguntei. Ela simplesmente se virou e pegou um exemplar do Profeta Diário e colocou em minhas mãos. Eu havia recebido meu exemplar do jornal, mas não havia o lido. Foi ai que meus olhos recaíram-se no enunciado da matéria:
AFFAIR ENTRE MEMBRO DO TRIO DE OURO E COMENSAL DA MORTE?! LEIA MAIS NA COLUNA DE RITA SKEETER, PÁGINA 18
O que aquela jornalistazinha filha da puta está pensando que é?! Abri furiosamente o jornal e comecei a ler aqueles absurdos. Filha duma puta, desgraçada, como ela era capaz disso? E quem lhe repassara aquelas informações?! Rá, mas isso não ficará assim. Não mesmo.
–Hermione... Não foi somente isso que aconteceu. — Sentei-me no sofá ao lado dela e segurei uma de suas mãos. Por dentro, eu estava com uma raiva, um ódio indescutível. Mas eu queria acalmar a mulher que estava em minha frente, e demostrar minha fúria não adiantaria em nada. — Pode falar comigo, afinal, de agora em diante, temos que ter confiança entre nós.
–Ha...Harry e R..Ron vieram aqui. — Começou com a voz embargada pelas lágrimas que insistiam em cair. — Eles não sabem do que está se passando e vieram aqui somente para me julgar mais ainda, como se não bastasse Rita Skeeter ter feito isso...
–COMO AQUELES FILHOS DUMA MÃE OUSARAM A FAZER ISSO? — Não consegui mias me controlar. Aqueles abutres, o cicatriz e o pobretão não tinham o direito de fazer isso com a Granger. Eles que se diziam "amigos" dela deveriam ter dado apoio à ela, não ter a julgado como fizeram. Eu poderia lançar-lhes vários Crucios, essa era minha vontade e o que eles mereciam por serem tão babacas, tão infantis.
–Acalme-se Draco! — Pedia Hermione, com mais lágrimas nos olhos. — Sente-se, lhe contarei o que aconteceu.
O fiz, e ela me contou tudo em detalhes, o que aumentou minha raiva. Eles não tinham autoridade nenhuma para fazerem isso, ainda mais com ela, que os consideram amigos.
–Granger, você em breve se tornará uma Malfoy! Ninguém pisa e você, ninguém te humilha! Nós é que pisamos, humilhamos e torturamos!
–Menos Draco. Seu nome não tem mais essa força toda que você pensa...
–Mas Hermione, eles não podiam! Eles erraram! Se não pode mostrar a eles onde é o lugar deles, pelo menos não se deixe ser pisada! — Falei, percebendo que aos poucos Hermione ficava melhor. — Hermione, me ouça. Conheço bem o Pottinho e o Cenoura, eles erraram, mas irão se redimir. Irão se desculpar, mas ai você quem escolherá, perdoar ou não. — Caraca, eu defendendo Potter e Weasley. O que eu não fazia pela Granger...
–Sim, virão...
–E arrumaremos uma forma de colocarmos Rita Skeeter em Azkaban, e levar um beijo de dementador! É isso que aquela vadia merece! Hermione, porque se abates? Não se ofenda, você é melhor que ela! Todos gostam de você pelo o que você é, e você é uma mulher incrível! Forte, determinada. Não deixe que isso deixe você pra baixo. Por você, por mim...por nós.
–Draco...nunca pensei que você pudesse ser assim... — Ela disse, com a voz baixa. E me abraçou, abraço que eu correspondi. E era como se algo estivesse ali despertando. Não sabia explicar, somente sabia que aquilo estava acontecendo e ponto. Sou um Malfoy, não desperdiço tempo com pensamentos que não me levam a nada. E como se tivesse sido planejado, ou sincronizado, nossos lábios se tocaram. Um beijo terno, carinhoso. Um beijo que a muito tempo eu não havia dado em uma mulher. E porra, seria essa mulher, seria Hermione Granger?
O beijo fluia lentamente, como se eu estivesse descobrindo um lugar nunca descoberto, um lugar intacto. Tinha um gosto adocicado de morangos frescos e um toque salgado das lágrimas que ainda caiam de seus olhos. Estava tudo perfeito, se não fosse por meu estômago, que resolvera se manifestar naquele momento. Droga! Aquilo assustou Hermione, que se afastou, de cabeça baixa.
–Acho que alguém está com fome. Venha, irei preparar algo para comermos.
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