Killer

31 Peças Soltas No Quebra-Cabeça


Notas iniciais
Olá, meninos e meninas da Tia Rhyenx, Como vocês estão? Suas aulas já recomeçaram? As minhas minhas voltam semana que vem e eu nem atualizei a fanfic o quanto prometi, mas vamos seguindo, né? Ela não está assim tão perto do fim. Espero que gostem do capítulo. Beijos e boa leitura ^^

[Bryan P.O.V.]

Esperança.

Essa foi a primeira coisa que senti quando ouvi as palavras de Lorelei. A segunda coisa? Medo. Porque se eu me permitisse acreditar, mesmo que por um segundo, que Loren estava viva e Lorelei estivesse errada, eu não sabia se conseguiria suportar.

Perder Loren havia sido horrível, mas me permitir ter esperança para, depois, vê-la completamente despedaçada aos meus pés, seria infinitamente pior. Eu sentia que o meu coração e a minha alma poderiam se partir, em mil pedaços, se isso acontecesse e, exatamente por isso, me obriguei a manter a calma e pensar com clareza.

– Como? – perguntei por fim – Eu a vi morrer, Lorelei. Miguel trespassou o coração dela com uma espada. Nenhum humano sobreviveria a isso.

– Nenhum humano comum. – ela me corrigiu – A Loren era uma profetisa, Bryan. Todo mundo sabe que eles não podem ser mortos antes de cumprirem o seu propósito na Terra e, não sei o que você acha, mas eu não acredito que a Loren já tinha cumprido o dela. Matá-la seria um erro.

– O tempo dela acabou. – argumentei finalmente soltando-a e me afastando um passo para trás – Eu vi acontecer.

– Mas e se você estiver errado?

– Eu não estou. Não há como a Loren estar viva, Lorelei.

– Mas e se estiver, Bryan?

– Ela não está! – exclamei irritado – Eu a vi morrer, Lorelei. Ela morreu nos braços, você entende? Miguel tirou a vida dela bem diante dos meus olhos e eu não pude fazer nada! Absolutamente nada! Então, por favor, não venha até aqui agora e tente me encher de esperanças a respeito de algo que eu sei que é impossível, por que isso vai me trazer mais dor. Será que você não percebe, Lorelei?

Parei e a encarei. Eu queria que ela entendesse o quanto aquilo me afetava, o quanto suas suposições sem fundamento faziam aquela dor em meu peito aumentar. Lorelei havia passado por uma situação semelhante a minha alguns séculos antes, então eu sabia que ela era capaz de compreender exatamente pelo que eu estava passando. Não era justo que ela me fizesse alimentar falsas esperanças só para me tomá-las mais tarde.

– Tudo bem. – Lorelei finalmente assentiu – Vamos esquecer o que eu disse, tá legal. Vamos dizer que você tenha razão e que a Loren realmente esteja morta. Então me diga, Bryan: onde ela está?

Lorelei me encarou esperando por uma resposta, mas eu apenas a encarei de volta sem saber o que dizer. Eu não tinha uma resposta para aquilo.

– Está vendo? – ela questionou ante o meu silêncio – É disso que eu estou falando, Bryan. Toda essa história não faz sentido. A Loren não está no Paraíso, não está no Inferno e, tão pouco. está vagando por aí sem saber a que lugar pertence porque se ela tivesse se tornado uma errante eu saberia. Qualquer Ceifeiro saberia e, no entanto, nenhum de nós a viu.

– Havia três Ceifeiros com Miguel aquela noite. – tentei argumentar, mas Lorelei me lançou um olhar duro.

– Ela era sua, Bryan. Você sabe que cada um de nós tem suas próprias vidas humanas para tirar e a vida da Loren pertencia a você. Você era o Ceifeiro dela, Bryan. Ninguém poderia fazer esse trabalho a não ser que você permitisse ou, a não ser, que você não pudesse e, me corrija se eu estiver errada, mas quando a Loren morreu Miguel ainda não havia te banido para o Inferno, havia?

– Não. – respondi e minha voz não era mais alta que um sussurro.

As coisas que Lolerei dizia realmente faziam sentido agora que eu havia me dado o trabalho de pensar sobre elas, mas também havia tantos detalhes sem explicação sobre aquela noite que eu ainda não sabia em que acreditar.

Era fato que eu era o Ceifeiro de Loren e que sempre coube a mim tirar a vida dela, mas também era fato que Miguel havia trespassado seu coração com uma espada e que eu havia visto seu tempo de vida se extinguir. Se Loren havia cumprido seu propósito como profetisa ou não, era algo que eu ainda não sabia, mas eu sentia que se quisesse realmente desvendar todo aquele mistério era por ali que eu deveria começar, não importava o quanto a descoberta pudesse me machucar depois.

– Onde está Gabriel? – perguntei.

A última vez que eu o tinha visto ele estava acorrentado e ferido, mas como eu o havia resgatado e o deixado sob os cuidados de Natanael antes de partir para o Saint Auguste, imaginei que ele já devia estar bem. Os anjos se recuperavam rapidamente.

– Gabriel está em uma missão. – Lorelei respondeu e aquilo me fez franzir a testa.

Já havia se passado mais de dois mil anos desde a última vez em que Gabriel havia sido enviado para cumprir uma missão. Ele só era chamado quando algo grande estava prestes a acontecer no mundo dos mortais, como o nascimento do Filho de Deus, mas eu sabia que não havia nenhum grande acontecimento previsto para essa era e como até mesmo o Apocalipse seria anunciado por profetas ao invés de pelo próprio Gabriel, eu não conseguia imaginar para que missão ele poderia ter sido mandado.

– Houve alguma mudança de planos nesses últimos três dias? – questionei – Alguma grande novidade que os mortais precisem saber?

– Não que eu tenha conhecimento. – Lorelei deu de ombros – As escrituras continuam exatamente as mesmas que sempre foram. Nenhum grande evento, nenhuma alteração...

– Então para que Gabriel foi chamado?

– Eu não sei. – Lorelei deu de ombros mais uma vez – Foi Miguel quem o enviou nessa missão juntamente com Natanael...

– Espera. – eu a interrompi – Gabriel e Natanael estão fazendo uma missão em conjunto?

– Sim. – Lorelei assentiu – Porque? Acha que há alguma coisa por trás disso?

– Eu não sei. Talvez... – fixei meu olhar num dos túmulos ali, cuja a lápide era ornamentada com um bela estátua de um anjo de granito empunhando uma espada. Eu não sabia explicar o porque, mas tinha um péssimo pressentimento sobre essa missão para a qual Gabriel havia sido enviado – Lorelei, quando foi que você viu Gabriel pela última vez? – perguntei.

Ela me encarou por um momento e franziu a testa, como se tentasse se lembrar do momento exato e, a cada segundo que se passava, aquele pressentimento ruim dentro mim parecia aumentar.

– Eu não tenho certeza. – Lorelei disse por fim – Há cerca de um mês, talvez um pouco menos. Eu tenho andado muito ocupada com o trabalho de Ceifeiro e Gabriel também não costuma interagir muito conosco, você sabe. Ele está sempre devaneando com aquela coisa das profecias e tudo o mais.

– Sim. – assenti – Eu sei bem como Gabriel é. Aliás, sempre o achei muito desligado, mas e quanto a Natanael? – questionei – Quando foi a última vez que você o viu?

– Natanael... Acho que foi um dia antes de você voltar da missão que fez com Sarakiel. Eu tinha ido procurar por Hagith no Quinto Céu e o encontrei guardando a porta da Armada Celestial, como ele costumava fazer. Depois disso não o vi mais.

– Entendo.

– O que está acontecendo, Bryan? Você sabe de algo que não sei?

Pensei um pouco a respeito.

Tudo aquilo podia ser apenas coincidência. Talvez Gabriel e Natanael tivessem realmente sido mandados para alguma missão em conjunto assim como eu e Sarakiel e toda a minha suspeita não passasse de uma grande besteira, mas eu não conseguia tirar da cabeça a ideia de que havia algo muito errado acontecendo ali.

– Você sabe se algum outro anjo viu Gabriel ou Natanael depois que caí? – indaguei – Eu tenho uma suspeita, mas... eu não sei, Lorelei. Talvez eu esteja imaginando coisas.

– O que você sabe? – ela me encarou.

– Bem – comecei sem saber como explicar aquilo –, no dia em que voltei de minha missão, Miguel e seus Capitães não estavam no Reino Celeste. Natanael havia me dito que eles tinham saído para resolver algo importante e que não sabia quando eles retornariam, mas como eu precisava entregar a relíquia que Miguel havia me incumbido de buscar, Natanael permitiu que eu entrasse na sala dele e a guardasse lá.

– Você entrou na sala de Miguel sem que ele estivesse presente? Bryan, ninguém faz isso.

– Eu sei. – afirmei – Sei o quanto Miguel odeia que entrem em sua sala sem sua permissão e, exatamente por isso, Natanael me acompanhou e esperou até que eu guardasse a relíquia. Foi algo bem rápido. Eu entrei, depositei a relíquia sobre a mesa dele e já estava saindo quando, de repetente, Natanael e eu ouvimos alguma coisa despencar dentro do oceano do Sexto Céu e corremos para ver o que era.

– E o que era?

– Gabriel. Ele estava acorrentado, Lorelei. Havia ferimentos por todo o seu corpo e uma de suas asas havia sido arrancada.

– Um ataque? – Lorelei empertigou-se, visivelmente alarmada – Você acha que...

– Eu não sei o que achar. – respondi rapidamente – Tudo o que sei é que consegui retirar Gabriel da água e que ele me disse que eu deveria vir salvar a Loren porque Miguel havia descoberto sobre nós. Então eu o deixei sob os cuidados de Natanael na Armada e vim para a Terra. Naquela mesma noite Loren morreu e eu fui banido para o Inferno.

– E ninguém mais os viu depois desse dia, mas Miguel disse que os enviou numa missão em conjunto e que não sabe quando eles retornarão. – Lorelei juntou os fatos e seus olhos se arregalaram – Não. Você não acha que Miguel... Você não acha que ele seria capaz...?

– Se tem algo que eu aprendi nos últimos dias é que Miguel é capaz de muitas coisas.

– Mas ele seria capaz de matar um irmão?! – ela questionou – Criaturas como Gabriel e Natanael? Bryan, isso seria...

– Covardia? – supus.

– Não. – ela balançou a cabeça – Seria impossível. Porque nós somos imortais.

– E se não formos? – questionei encarando a pequena cicatriz negra que havia na palma de minha mão. Uma lembrança de quando eu encontrara Gabriel naquele oceano e tentara libertá-lo das correntes que o prendiam. Correntes, essas, que foram capazes de me ferir e de deixar uma marca em minha pele que, mesmo depois de tantos dias, ainda não havia desaparecido – E se, no fim das contas, nós formos tão mortais quantos os seres humanos?

– Isso não é possível. – Lorelei descartou a ideia – Você acha que se pudéssemos ser mortos Lúcifer ainda estaria vivo? Acha que Miguel não teria escolhido matá-lo ao invés de aprisioná-lo no Inferno de onde ele poderia fugir, exatamente como fez agora? Bryan, você conhece as nossas armas. Elas só atingem nossa alma, não ferem nossos corpos. Não há como matar um anjo com elas.

– Eu sei. – assenti – Como eu disse, talvez eu esteja apenas imaginando coisas.

– É. Talvez. – Lorelei sorriu para mim – De qualquer forma, eu preciso ir embora. Tenho muito trabalho para fazer. Principalmente agora que o meu parceiro de crime foi banido, sabe?

– Ah. Eu realmente sinto muito por isso.

– É. Eu também. – ela abriu as asas e uma rajada de vento passou por mim – Jeremyah e eu sentimos sua falta. Esse trabalho é uma droga sem você por perto.

– Também sinto falta de vocês. – confessei – Até mesmo das filosofias irritantes do Jeremyah.

– Acho que se eu estivesse no seu lugar não sentiria falta disso. – Lorelei riu e depois parou e me encarou por um longo momento, antes de correr até mim e se jogar nos meus braços – Tenha cuidado. – disse antes de se afastar.

– Você também. – respondi, mas ela já havia ido.

Novamente sozinho, parei e encarei o pequeno monte de terra revolta a minha frente. Em breve haveria uma lápide ali com o nome de Loren, mas se tudo o que Lorelei havia me dito fosse verdade e Loren estivesse mesmo viva, eu me perguntava quem estaria dentro daquele caixão.

Até onde sabia, o funeral de Loren havia sido realizado com caixão fechado, então nenhuma das pessoas presentes ali naquela tarde tinham visto o seu rosto. Seria provável que o pai de Loren não a tivesse reconhecido no necrotério? E, se fosse realmente isso, seria provável que os exames de DNA que os humanos faziam nos corpos no momento de sua identificação tivessem falhado?

Cá entre nós, eu não confiava muito nos métodos desenvolvido pelos mortais, mas o exame de DNA parecia ser algo bem preciso. Eu nunca soube de um caso onde seu resultado tivesse sido insatisfatório ou equivocado.

Pensando nisso, percebi que se eu não podia falar com Gabriel sobre Loren, eu poderia pelo menos investigar os dados arquivados no necrotério onde, supostamente, o corpo dela havia ficado. Se Loren não estava realmente morta e se o corpo enterrado aqui não era realmente dela, era lá que eu descobriria.

Eu não queria alimentar falsas esperanças, mas se havia qualquer possibilidade de Loren ainda estar viva, então eu iria me agarrar a ela com unhas e dentes.

Notas finais
Bem, como vocês podem ver há dezenas de questões e de mistérios rondando a morte da Loren e o Bryan vai ter um belo trabalho para tentar unir todas as peças dessas história e montar esse quebra cabeça. Acho que vou acabar deixando algumas de vocês tão piradas quanto o Bryan ao longo dos capítulos, mas tenham calma. Tudo se resolve no final kkkk Bem, espero vê-los nos próximos capítulos e, mil desculpas, mas ainda não tive tempo de responder aos reviews. Pretendo fazer isso nesse fim de semana. Beijos e até o próximo.