Kill or be Killed
3 Home part I
Notas iniciais
Era agora ou nunca. Tínhamos que dar o fora dali. E uma coisa era certa: se não saíssemos de lá enquanto ainda estava escuro, não sairíamos. Todo mundo foi acordado assim que decidimos o plano. Eu iria descer pela janela caminhar furtivamente até a van, e traze-la para baixo da janela aonde eu ia abrir o teto solar e todos iam pular para dentro.
–O que vamos fazer com ela? — perguntou Max apontando para Mace
–Se ela não levantar em exatamente 30 segundos alguém vai ter que carregar ela — disse Tony
–Eu carrego... — disse Brock com uma expressão cansada no rosto — sou o mais forte daqui
–Ok, então eu vou na frente e trago a van até aqui e vocês pulam do teto e entram pelo teto solar.
–O que? — perguntou Max — sem chance de você descer lá sozinha.
–Max... Eu sou a mais rápida daqui — falei delicadamente — e eu sei que quer ser um bom amigo, mais isso não vai adiantar de nada se todos morrermos!
–Então que tal separarmos assim — ele disse — eu e você vamos primeiro para limpar a barra e trazemos a van para cá. Aí cada um vai com um par para ajudar a entrar
–Parece bom para mim — disse Tony
–Mas como explicaremos o plano para a Lira? — perguntou Kraven
–Eu falar inglês! — disse Lira
–Então me diz se entende isso ok? — disse Max irritado — O rato roeu a roupa do rei de Roma!
Lira fez uma cara confusa
–viu? — disse Max — você não falar inglês!
–Ok — eu falei alto interrompendo a discussão de Max e Lira — então vamos assim mesmo. Amarrem a corda. Vamos descer!
A primeira pessoa a descer fui eu já que sou a mais rápida. Depois de conferir se a barra estava limpa, fiz sinal para Max descer pela corda de pular que provavelmente tinha mais de 4 anos na gaveta de brinquedos de Jane.
Olhei em volta, aonde a decoração da festa do dia anterior jazia destruída no chão. Pela janela viam-se zumbis andando em volta dos moveis da casa, aparentemente sem rumo. Max cutucou meu ombro
–Não quero parecer chato, mas nós temos que ir! — sussurrou ele.
Sem olhar em seus olhos comecei a andar na direção da van abandonada. Ela estava a alguns metros abaixo na rua da casa de Mace. Toda a rua estava extremamente vazia, remontando um cenário pós apocalíptico. Apertei no botão de destravar e imediatamente entrei no banco do motorista e Max no do carona.
Esse era o momento que daríamos ligaríamos a van e nos mandaríamos, mas Max nem se mexia. Ele apenas olhava para a árvore que ficava na frente da casa ao lado da de Mace.
–Aquilo é um menino? — ele perguntou
–Oh meu Deus! Eu acho que é — falei assustada
Desci do carro vagarosamente e fui na direção do garoto com cuidado para não fazer barulho e atrair os zumbis.
–Hey garoto! — chamei
Ele olhou para baixo como se tivesse acabado de acordar.
–Desce! — disse Max ao meu lado — podemos te ajudar!
–Vocês não são zumbis? — ele perguntou se segurando no galho
–Não! — eu disse — desce aqui!
Ele pareceu desconfiado mas desceu da árvore. Quando estava a um dois metros do chão ele pulou e Max o pegou no colo, mas como eu estava atras dele eu me desequilibrei e caí em cima da caixa de correio que era de metal, fazendo um barulho tremendo. Os zumbis que estavam dentro da casa se viraram na nossa direção e começaram a arranhar a janela, enquanto outros saíam pela porta
–Meus parabéns Brianna! -disse Max sarcástico
–Droga Max — gritei me levantando — entra no carro!!
Max correu com o menino no colo em direção ao carro enquanto Tony e Amy estavam na beira da janela pronto para descer. Entrei na porta do motorista e me sentei dando partida no carro imediatamente. Enquanto Max fechava a porta com o menino no colo. Dirigi na direção da janela me posicionando embaixo dela para que todos pulassem e abri o teto solar. O primeiro foi Tony, que pulou no telhado da van e pegou Amy, em seguida ajudando-a a entrar no carro. Enquanto os zumbis se aproximavam ouvia-se todas as pessoas que antes estavam na casa pulando no telhado da van. Quando todos estavam dentro eu acelerei atropelando alguns zumbis que já tinham começado a cercar o carro.
–E agora? — perguntou Kraven — para onde vamos?
–Eu não sei! — falei fazendo uma curva acentuada ao mesmo tempo que Kraven era jogado contra a janela a sua esquerda
–Estamos com pouco combustível! — disse Max olhando para o visor à minha frente.
–Droga! — xinguei
Já estava a uns dois quilômetros da casa de Mace quando os zumbis pararam de entrar no meu caminho, assim estabilizando a direção e velocidade.
–Tem um posto de gasolina perto da sua casa não é? — perguntou Max
Secretamente eu estava desde que entramos no carro que alguém sugerisse ir para a minha casa, também por que era o primeiro lugar onde meus pais iriam nos procurar. Porém se eu sugerisse isso não estaria sendo justa com os outros que também deviam estar torcendo para irem logo para casa.
–Tem — respondi pulando de alegria por dentro — É o melhor lugar para abastecermos considerando que o centro da cidade não é uma boa ideia.
–Onde exatamente você mora? -perguntou Tony
–Magnolia Ln — falei
–Isso é perto daqui? — perguntou Brock se manifestando pela primeira vez dentro do carro
–Se quer saber, fica a uns 10 quilômetros da margem oeste do Windsor Lake, então devemos estar a uns 13 quilômetros da minha casa.
–Agora a última pergunta — disse A voz de Tony — por que você tem uma van? Por acaso o seu pai é guia de turismo?
–Tenho 4 irmãos e a minha mãe está grávida de novo — eu disse dando ênfase no "de novo"
–Isso é um bom motivo para ter uma van em casa -ele disse surpreso.
Olhei para o lado tentando buscar a aprovação de Max que normalmente faria alguma piada sobre a fertilidade dos meus pais, mas ele estava ocupado demais tentando tirar o garoto que resgatamos de cima da árvore de seu colo. O garoto se agarrava a ele como um filhote se agarra a mãe.
–Mason! — ele repetia — não tem mais zumbis, pode olhar!
Mas o garotinho não parecia querer olhar ao redor.
–Faith cuidado! — gritou Kyla enquanto eu olhava para o garoto (Mason) e Max
Olhei para frente bem a tempo de desviar de um carro com a porta aberta estacionado bem no meio da rua. Porem a porta do motorista raspou na lateral da van fazendo um barulho terrível de metal contra metal
–Oh meu deus — disse Amy — a mamãe vai te matar!
Eu não ia dizer nada, mas tinha dúvidas em relação ao paradeiro dos meus pais, duvidas que estavam mais inclinadas para o lado ruim do que para o bom. Talvez aquilo fosse uma guerra recém declarada cuja primeira fase era a guerra química que transformou todos em zumbis, mas por enquanto eu não tinha certeza de nada.
A van era como aquelas vans de transporte ilegal de imigrantes que víamos em filmes. Eu achava um exagero comprar uma van de 15 lugares, mas entre um carro de sete lugares (que era muito desconfortável), uma mini van (que era muito cara) e a uma van, era óbvio o que mais compensava. Era isso ou um trailer acabado que nosso vizinho estava tentando vender havia três anos. E eu tinha que admitir que a van tinha vindo a calhar nessa situação (não que meus pais estivessem pensando em um apocalipse zumbi quando a compraram).
Estava um completo silencio no carro. As únicas vozes que eu ouvia eram as de Kyla e Amy que tentavam consolar Jane, ainda arrasada pela irmã estar desmaiada. Jane e Mace nunca tinham sido muito próximas. Seus pais, o senhor e a senhora Rogers, eram muito ricos e deixavam as filhas sempre sob os cuidados de empregadas (o que na minha opinião era um luxo extremamente desnecessário), isso não fez com que elas se aproximassem muito, já que o maior evento em família que tiveram foi a festa de aniversário do tio de Mace que tinha sido num iate em Monaco. Foi a única viagem em família deles.
–Chegamos — falei estacionando a van na entrada da garagem.
Eu nem precisei dizer nada. Foi só eu parar o carro que Max já desceu para abrir o portão da garagem. As vezes eu me esquecia que ele tinha passado sua infância praticamente inteira vindo na minha casa depois da aula. Aquele era o cômodo com o teto mais alto da casa, que tinha sido adaptado pelos antigos donos da casa (pelo que tinham me dito, o pai era campeão nas competições de monster truck, e guardava uma enorme super bigfoot preta em casa) o que resultou em uma mini escada de quatro degraus para se chegar no meu quarto.
Estacionei a van e Max fechou o portão imediatamente. Eu tinha ficado tão entretida em chegar em casa que havia me esquecido completamente de passar no posto de gasolina, então só nos restavam cinco quilômetros para serem andados. Isso daria para chegar no posto, mas não seria o suficiente para uma fuga emergencial.
Desci da van e abri a porta que dava para o resto da casa. Eu estava aliviada que estávamos em segurança.
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