Khour

2 A ponte de Haüma


Notas iniciais
Não aguentei, hehe', tive que vir postar o primeiro capítulo! Espero que gostem.

– Ainda falta muito, Ly?

– Não... Na verdade, – ela se apoiou no cajado – nós acabamos de chegar.

À frente dos dois, havia uma ponte enorme, construída com madeira e fios de bronze. Algumas plantas enroscavam suas raízes pela grade de madeira que beirava a travessia, enfeitando-as. Do outro lado, era visível a cidade de Haüma, abençoada pela deusa da alegria e da festividade, Shi.

Lyra podia ouvir a música vinda da cidade. Ela torceu o rosto em desprezo e gemeu. Phael, seu companheiro, abriu um sorriso bobo.

– Podíamos aproveitar a visita e...

– Nem pensar. Não vamos ficar nem um segundo além do necessário nesta cidade.

– Por que você é assim?

– Eu tenho um objetivo. E não posso perder tempo.

Sem dizer qualquer outra palavra, Lyra deu um passo adiante, iniciando sua travessia pela ponte. Phael, calado, a seguiu. No meio do caminho, toda a ponte estremeceu, e uma voz grave pôde ser ouvida pelos viajantes.

– Quem se aproxima dos portões de Haüma?! Diga seu nome, e talvez os deixarei seguir.

– Quanta grosseria... – ela bufou e revirou os olhos – Além disso, nem sequer mostra-se para mim. Estou desapontada.

– Nossos nomes são... São...

– Reina e Kaýbe. Viemos para o festival do sol.

– Hm... Reina... Kaýbe... Certo, podem seguir.

– Ufa... – Phael sussurrou.

Ambos continuaram a caminhar pela ponte, que rangia de leve a cada passo pesado de Lyra. Chegando aos portões da cidade, dois homens vestidos de vermelho e branco guardavam o local, acompanhados de dois cães de duas cabeças. Os homens apontaram suas lanças para eles, enquanto os cães rosnavam e latiam. Com o punho livre segurando os cabos das espadas em suas cinturas, os guardas – gêmeos, aliás – perguntaram em uníssono:

– Seus nomes?

– Reina. E este é meu irmão, Kaýbe.

– Não reconhecemos.

Ela abriu um sorriso de canto, frio, olhando para os guardas por baixo do capuz do sobretudo branco que usava.

– Não? Que pena... Acho que terei que me apresentar.

Foi rápido demais para qualquer um prever. Num piscar de olhos, Lyra soltou o cajado – deixando-o em pé – e avançou contra os guardas, puxando as adagas envenenadas de sua cintura e aplicando vários cortes fatais nos dois homens que protegiam o portão. Os cães, assustados, fugiram pela ponte ao verem seus donos mortos no chão, Lyra voltando ao local onde estava e segurando o cajado antes que pudesse cair, ainda com aquele sorriso gélido nos lábios. Puderam ouvir uma risada grave e satisfeita vinda do abismo abaixo deles. Com isso, avançaram, abrindo os portões e adentrando Haüma.

A música ainda tocava e a cidade estava eufórica. Pessoas vestidas de laranja, amarelo, branco, verde e vermelho, sorrindo, conversando, dançando, comendo e bebendo. Algumas crianças brincavam de pique, outras de esconder, outras encenavam o teatro infantil. O pátio central da cidade estava todo enfeitado, com uma estátua enorme da deusa Shi ao lado do deus Hunk, líder da cavalaria celestial e governante do sol.

– Temos que encontrar a pedra.

– Deve estar naquele templo, – Phael apontou – no topo da colina.

– Sinto a presença da magia dela... Com certeza está lá.

– Então vamos, porque os guardas já sabem que estamos aqui!

Dito isso, os dois correram pela multidão, camuflando-se entre as pessoas que aproveitavam do festival. Os guardas se espalharam pelo local no intuito de cercar os intrusos, mas de nada adiantou. Phael e Lyra eram rápidos demais para serem alcançados e capturados por guardas normais.

Ao chegarem à entrada do templo, sem hesitar, empurraram a barreira de pedra que impedia a passagem.

– Uau... Que lugar enorme!

– Cala a boca. – ela sussurrou.

– Desculpa.

No interior do local havia inúmeras tochas acesas, iluminando os corredores interligados. Caminharam, até encontrar outra estátua do deus do sol, desta vez sentado em um trono gigante de mármore branco. Em sua cabeça havia uma coroa de ouro, e cravado nela, a Pedra Solar. Um raríssimo diamante dourado repleto de poder, cujo dono poderia comandar o fogo e a luz, além de ter energia suficiente para ficar duas semanas sem dormir.

– Lá... Lá está ela. A pedra!

– Foi mais fácil do que pensei.

– Ora, ora, ora... Parece que tenho companhia. – uma voz masculina ecoou no local – Isso vai ser interessante.

De entre as pilastras saiu um homem, aparentemente com idade entre vinte e cinco e trinta anos. Tinha cabelos ruivos até o pescoço, presos em um rabo de cavalo baixo com a franja solta, olhos tão vermelhos quanto o cabelo, dentes finos e pontiagudos como os de um demônio e pele clara. Sorrindo e de braços cruzados, perguntou:

– O que traz duas crianças até aqui?

– Não interessa a você. – Lyra respondeu séria.

– Nossa, como você é mal educada. Fiz apenas uma pergunta inocente e...

Antes que ele pudesse continuar, Lyra já havia enfiado as adagas em sua barriga. Ele não foi capaz de desviar ou sequer impedir, a velocidade dela era realmente inacreditável. O veneno corria pelas veias do homem. Então o ruivo ampliou o sorriso e passou a língua pelos próprios lábios.

– Hm, é forte e saboroso... Onde posso conseguir deste?

– Já deveria ter morrido!

– Eu? Morrer? – ele gargalhou – Não.

O homem segurou Lyra pelo pescoço e lançou-a em cima de Phael, que escalava para pegar a pedra na coroa da estátua. Ambos caíram e rolaram. Lyra se levantou, gesticulou para Phael distrair o ruivo enquanto ela pegava a Pedra Solar. O grisalho assentiu.

O ruivo se aproximou dos dois e da estátua. Phael avançou contra ele, e a luta começou.

Phael fez um pequeno corte no próprio dedo, deixando escapar um pouco de sangue, e em seguida transformou aquilo em uma lâmina gigante e vermelha. O ruivo emitiu um som de admiração, mas logo puxou as adagas de Lyra de sua barriga e contra-atacou. Com tamanha força, o ruivo abriu a guarda do grisalho e lhe deu uma cabeçada na testa. Virou-se depressa e lançou a adaga na mão de Lyra, que soltou a pedra, desprevenida.

– Ora seu...!

– O que? Babaca? Miserável? Filho da puta?

– Exatamente!

– O que pretende fazer com o poder da pedra?

– Por que acha que eu te contaria?

– Não responda minha pergunta com outra pergunta.

– Simplesmente não é da sua conta.

Ela avançou no ruivo com o cajado. Tentou acertá-lo várias vezes com golpes e magia, mas ele desviava e sorria. Phael se levantou zonzo e viu que Lyra estava distraindo o homem, então, aproveitou a chance para atacar pela lateral. Ele refez a lâmina de sangue e correu para lhe cortar o pescoço, mas em algum milésimo de segundo o ruivo trocou de lugar com Lyra e Phael feriu sua amiga.

– Arhg! Sou eu, seu imbecil! — ela gemeu.

– Mas... Ele... Eu...

– Procurando por mim? – o homem perguntou com sarcasmo, enquanto segurava a Pedra Solar em sua mão direita – Acho que isso fica comigo, afinal, a bonitinha foi rude e não quis me dizer o que vão fazer com a pedra, então, eu vou lhes dizer o meu desejo!

A expressão no rosto do ruivo mudou para algo totalmente louco e psicopata. Um sorriso enorme, olhos arregalados, pupilas dilatadas e os dentes, como antes, brilhantes e pontiagudos, além do cabelo bagunçado pela luta.

– Eu vou absorver essa magia e usá-la contra os deuses! Os mesmos deuses que mataram meu irmão! Vou tirá-los do comando de Khour, vou libertar este mundo!

Um pequeno sorriso se abriu nos lábios de Lyra.

– Então venha conosco.

– O que?! Você pirou?! – Phael repreendeu – Esse louco quase nos matou e agora você o quer no nosso time?!

– Primeiro: não somos um “time”. Segundo: ele é forte, vai ser útil. E terceiro: temos um objetivo comum.

– Eu vou com vocês sob uma condição.

– Qual? – Phael perguntou.

– Eu quem vou usar a Pedra Solar.

Lyra torceu o rosto e ficou encarando o ruivo por um tempo. Depois, assentiu.

– A propósito, eu sou Mathew, o Caçador de Sombras.

– Sou Lyra, a Vingança.

– E eu sou Phael, o Sanguinário.

– “Vingança”? Por que não “Vingadora”? – o ruivo indagou.

– Porque eu sou o espírito da vingança.

Notas finais
E então? Aprovado? *-* Devo continuar? Deixem aquele review saudável, estou aberta a críticas e sugestões. Beijinhos da Zaki ~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.