Kevin Potter - RECOMEÇO
1 Prólogo
Notas iniciais
PRÓLOGO
Caí no chão com um baque surdo. Eu não esperava por aquele golpe, muito menos de alguém que podia simplesmente estalar os dedos e me fazer voar pelos ares de Febrasteck.
— Você não é ninguém. — exclamou o deus, me puxando pela gola da camisa e me jogando na outra parede. — O seu reino não é nada!
Eu estava confuso, mas senti a guerra acontecendo ao meu redor. O deus menor, com quem eu lutava era Klaus, filho de Ares. Ele era o filho mais novo e pelo que eu podia perceber, me odiava.
— Pugnus — lancei o feitiço de soco que o fez voar para longe. — Fix et sanabit, et sanabit melius.
Fiz um feitiço de cura rápido para os ossos quebrados e quando Klaus levantou, comecei a jogar destroços do castelo nele. Blocos de pedra, vidros e até corpos de pessoas mortas. Ele desviava na velocidade de um tigre com raiva, e não demorou muito para conjurar fogo de suas mãos e mandar uma onda flamejante pra cima de mim.
Ouvi a risada dele ao fundo, e só deu tempo de erguer um escudo, enquanto o fogo tentava me atingir.
— Desolati. — gritei e minha varinha brilhou, o feitiço saiu num raio e o atingiu na cara.
Não demorou nem um minuto para que ele caísse no chão e começasse a derreter. Um feitiço para transformar pessoas em lava. Mas ele era um deus e aquilo só ia atrasá-lo. Corri o máximo que pude para fora do castelo e vi o exército de Ares lutando contra o nosso.
A raiva de deuses contra feiticeiros não era de hoje. Ares tinha o reino mais próximo do nosso e odiava nosso reino com todas as suas forças.
— Filho. — minha mãe me abraçou. — Precisa sair daqui, precisa fugir…
— O que? — eu a olhei. — Não mãe, eu lutarei.
— Você não entende, você deve ir… — ela falou e lágrimas brotaram do seu rosto.
— Mãe…
— Eles querem você, e não podem ter, você tem que entender, e fugir…
Meu coração estava disparado. O que estava acontecendo? Dois semideuses lançavam flechas sobre nós, mas fiz um escudo que faziam com que elas batessem e voltassem.
— Você é tão poderoso… você entende? — ela me abraçou.
— Mãe, mas você… — eu tentei limpar uma lágrima do rosto dela, mas ela abriu um portal e me empurrou.
Senti meu corpo girar, e minha cabeça se apertar.
Viajar por portais era uma coisa horrível, mas não tanto quando ao que eu sentia agora. Cada pedaço do meu corpo sendo rasgado e costurado um a um. Eu estava em um portal dimensional. Estavam me mandando para outra dimensão.
* * *
Acordei em um quarto de hotel. Londres. Quanto tempo eu dormi? Levantei e tomei um banho. Minha roupa estava rasgada da batalha e meu corpo dolorido.
Olhei para a tecnologia pelo quarto de hotel e olhei pela janela. Carros e mais carros se empilhavam aos montes pela rua. Pelo menos, fui mandado para uma dimensão, onde a tecnologia se equipara com a da minha.
Na minha escrivaninha, tinha uma carta. Eu reconheci a assinatura na hora. Dionísio Vasconcelos, rei de Febrasteck. Meu pai.
“Meu filho. São tempos difíceis nas terras de Watlock. Os nove reinos não se entendem mais como antigamente, Mesmo com nossa cultura e tecnologia avançadas, tendem a optar pela guerra e pelo derramamento de sangue. O que não me surpreende.
Se estiver lendo isso, é por que nosso reino foi atacado. Sua mãe e eu achamos melhor mandar você para um lugar seguro, onde ninguém possa te usar. Espero que você possa entender o que vou te explicar a seguir:
Antes de sua mãe ter você e seus irmãos, uma profecia abateu nossa família: que o oitavo filho de descendência real, teria poderes suficientes para matar qualquer deus e seria o mais forte dentre todos do reino. É claro que todos os reis, dentre os nove reinos, foram obrigados a assinar um termo para que um oitavo filho nunca nascesse. As rainhas, assim que tinham seus sete filhos, eram ligadas e impossibilitadas de engravidar novamente. Sua mãe, quando casou comigo, engravidou de uma menina, mas infelizmente ela não passou de um ano, que é quando apresentamos as crianças ao reino.
Esquecemos o ocorrido, e sua mãe conseguiu engravidar, tendo sete filhos e sendo ligada, assim como as outras: Você, meu filho foi o último. Apesar de sete filhos entre os nossos, você era o oitavo filho de uma descendência real. É por isso que seus poderes são fortes e você é muito mais habilidoso que qualquer um dentro dos nove reinos.
Tentamos esconder o caso, mas você cresceu conquistando seus poderes e aprendendo magia que só velhos feiticeiros conseguem. Muitos suspeitavam e nós sabíamos que esse dia chegaria.
Ares, um dos últimos deuses vivo, propôs que você fosse estudar no reino dele, para te avaliar. É claro que não concordamos, e esse é o real motivo da guerra toda. Se te pegarem, vão saber o que eu e sua mãe fizemos, e toda Febrasteck seria dizimada.
Desculpe, meu filho, eu sei que você não tem culpa. Enviamos você para uma dimensão longe da nossa, onde deuses não existem. Aí, você será chamado de bruxo, não se revele tão forte, e se enturme. Viva!
Entraremos em contato.
Com carinho: mamãe e papai."
Eu não poderia me mostrar surpreso, eu já desconfiava. Me concentrei e tentei ler a dimensão que eu estava. Alguma no ar sussurrava o tempo todo: Harry Potter.
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