Kepler's Farm

9 Desespero - Capítulo Final.


Notas iniciais
"Late at night I could hear the crying I hear it all, trying to fall asleep When all the loved around you is dying How do you stay so strong? How did you hide it all for so long? How can I take the pain away? How can I save?" Trecho de "Fallen Angel" de Three Days Grace.

Depois de ouvir a história que Melanie tinha acabado de contar, fiquei em choque por alguns segundos. Mas não foi apenas por que eu ouvi um relato de abuso sexual constante que tomou um caminho horrível. Talvez tenha sido por que Ruy conseguiu deturpar a história e tenha tentado me fazer acreditar nele. De fato, a presença de um espírito foi o que menos me incomodou ali. Depois de analisar toda a situação, decidi agir. Destranquei a porta e antes de sair, olhei para trás. A luz voltou depois de horas no escuro, vi Ruy se destruir enquanto se debatia nos móveis do porão. Saí correndo pelo caminho que dava lá fora e encontrei meus irmãos e minha mãe lá. Eu os abracei num gesto de empatia, pois todos estavam sentindo a mesma coisa naquele momento. Minha mãe beijou minha testa, mas não podíamos nos deixar levar por aquilo, sabíamos que Jennifer tinha sumido e precisávamos encontrá-la. Olhamos em volta tentando adivinhar por onde começar a procurar, pois não tínhamos ideia de onde ela podia estar. Nós nos levantamos e começamos a procurar desesperadamente. Minha mãe achou melhor a gente se dividir. Fiquei com o primeiro andar, as salas, o banheiro e a cozinha. Bel e Théo ficaram com o segundo andar e minha mãe com o terceiro. Depois de procurar por ela sem sucesso, decidi ver com os outros como andavam as coisas.

— Mãe! Achou ela? – Gritei lá de baixo, subindo as escadas.

— Não filho, ela não está em lugar algum. Onde ainda não procuramos? – Disse ela, colocando a mão na testa.

— Eu não sei! Caramba, o que aconteceu com ela? Vocês não estavam brigando com o Ruy aqui? – Perguntei.

— Sim, é verdade. Mas eu não lembro muito, eu acabei caindo no chão e perdi toda a noção do que estava acontecendo. Só foi você falar nisso que eu consegui me lembrar. – Falou ela, saindo do quarto. Quando encontramos Théo e Bel.

— E aí, algum sinal dela? – Perguntou minha mãe.

— Não, nos quartos lá de baixo não está. – Disse Bel.

— Nem nos outros cômodos do segundo andar. – Completou Théo.

— Certo. Enzo procurou no primeiro andar e também não encontrou. Onde mais podemos procurar? – Perguntou ela, muito preocupada.

— Tem o celeiro mamãe! – Disse Bel.

— Claro! Ele deve ter levado ela lá. Vamos meninos, vamos achar sua irmã e ir embora desse lugar horrível. – Falou ela, descendo rapidamente as escadas.

Quando saímos, nos deparamos com uma péssima situação. O porão estava em chamas, logo, a casa pegaria fogo também e isso se tornaria um incêndio muito grande. Minha mãe começou a correr desesperadamente para o celeiro, mas a porta estava se fechando lentamente. Quando ficamos de frente pra ele, conseguimos ver aquela criatura, ela parecia estar indo embora. Minha mãe não se intimidou e entrou lá procurando por Jennifer em todo o canto. Eu e meus irmãos ficamos do lado de fora, esperando ela voltar. Pude ouvir minha mãe dizer: “Meninos, ela não está aqui...” E antes que terminasse de falar, a porta do celeiro se fechou sozinha. Corri com Théo para impedir, mas não conseguimos. Agora, além de minha irmã estar desaparecida, minha mãe estava presa no celeiro, com um incêndio iminente. Precisávamos agir ainda mais rápido dessa vez.

— Enzo, você precisa procurar por ela na casa de máquinas, enquanto isso eu e Bel vamos tentar soltar a mãe. Tá? – Disse ele, procurando algum lugar da porta cuja madeira estivesse podre para quebrar.

— Não, temos que ficar juntos e... – Antes de terminar, fui interrompido.

— Não Enzo. Não seja covarde agora. Todos estamos com medo, mas precisamos de você. Tanto a Jennifer quanto a mãe estão em perigo agora. E nós somos três, mas Bel não consegue fazer nada sozinho. Então por favor, faça o que estou falando. – Disse ele, procurando um pedaço de madeira no chão.

Olhei para a casa de máquinas que estava à esquerda e a alguns metros longe de mim. Andei rapidamente até lá e quando abri a porta, senti um calor muito grande, pois o fogo já estava tomando a parte interna da casa. Entrei lá, mas não havia lugares em que eu pudesse procurar. Então, mexendo nas coisas encontrei um mapa da casa, onde estava circulada uma área desenhada e escrito: “Reservada para plantio”. Eu saí de lá usando o mapa como um guia. Atravessei a fazenda e pulei o muro, assim como mostrava no mapa. Quando olhei com meus próprios olhos, fiquei pasmo; A área era muito grande e parecia que era um lugar reservado para plantação. Mesmo que eu passasse o resto da madrugada toda procurando por ela, não ia encontrar. Mas não desisti de cara, eu não poderia decepcionar meu irmão. Fui nesse terreno adentro. Eu não tinha nem começado a procurar naquele monte de barro. Mas já estava exausto. E quanto mais eu andava no meio de tudo aquilo, mais terra eu achava pra procurar... Eu continuei andando, até que pisei em algo mais... Sólido, digamos assim. Olhei para baixo e peguei o objeto. Era um osso humano. Assustei-me e tropecei no meu próprio pé. Quando tentei me levantar, coloquei a mão em cima de vários ossos e corpos que ainda estavam em decomposição. Fiquei horrorizado e vomitei. Desesperei-me, levantei e comecei a correr de volta, mas não vi mais o muro da fazenda... Enquanto isso Théo e Bel tentavam soltar minha mãe.

— Mãe, você consegue encontrar uma escada? Lá no alto da porta tem uma parte aberta que é usada para ventilar aí dentro. Se você alcançar, pode sair daí. Mãe consegue me ouvir? – Perguntou Théo, sem ter respostas.

— Mamãe? Tá tudo bem aí? – Perguntou Bel. – Théo, olha! Tá saindo fumaça lá de cima! — Gritou desesperado.

— Claro, ela deve ter desmaiado... Mas não é possível que o fogo já chegou aqui... – Disse Théo, começando a pensar no que ele faria...

— Théo, precisamos de algo grande pra quebrar a porta, né? – Falou Bel.

— Claro, o carro! Muito obrigado, pequeno! – Concluiu Théo, colocando a mão na cabeça de Bel.

Théo saiu correndo em direção ao carro, viu o corpo do meu pai e colocou a mão no rosto como um gesto de tristeza. Entrou e deu a partida, dirigiu até a porta do celeiro e buzinou. Avançou até bater na porta e soltar o cadeado, depois, engatou a ré e saiu do carro. Entrou no celeiro e encontrou minha mãe desmaiada e encostada em uma mesa. Ele e Bel a puxaram pra fora e colocaram no banco de trás do carro. Então, Théo olhou para Bel e disse: “Cuida dela, vou achar Enzo e vamos sair daqui, ok?”.

Enquanto eu olhava em volta tentando imaginar para que direção ficava o muro, ouvi Théo me chamar e consegui decifrar pra onde era. Então fui correndo até ele. Quando nos encontramos expliquei que seria difícil Jennifer estar ali e o que vi. Ele entendeu, mas ficou intensamente triste, pois, nós não fazíamos ideia de onde ela estaria. Decidimos voltar para a fazenda e ficar perto do carro, pensando no que fazer. Quando chegamos, Bel estava com o celular da minha mãe na mão.

— Gente, a prima ligou. Expliquei pra ela o que houve e ela ligou para a policia, e já tá vindo pra cá também! – Disse ele, com um sorriso aberto no rosto.

— Cara, claro! Como nunca pensei nisso?! Você é um gênio Bel! – Disse Théo.

Comemoramos por um tempo, mesmo preocupados com Jennifer e triste com a morte do meu pai, mas merecíamos um descanso depois de tudo aquilo. A casa pegou fogo e nós ficamos na rua esperando a policia chegar. Cerca de trinta e cinco minutos depois, eles chegaram e chamaram ambulância para a minha mãe. Depois os bombeiros. Disseram para nós que iriam esperar minha mãe acordar e estar disposta a der um depoimento, enquanto isso iriam ouvir a gente. De inicio, duvidaram de toda a história. Quando minha mãe acordou e contou, eles deram mais atenção. Eu mantive segredo em relação ao que aconteceu sobre Melanie e sobre o aparecimento do espírito dela e da conversa que teve comigo. Contei que esperei Ruy entrar, joguei algumas coisas que estavam ao meu alcance nele enquanto descia as escadas e fui embora. Explicaram que o incêndio deu inicio lá no porão, então disse que foi ideia minha fazer isso. Recomendaram a minha mãe que começasse a fazer acompanhamento psicológico comigo e toda a família. Lamentaram o ocorrido e entraram em contato com o seguro de vida do meu pai e o seguro da casa de meus avós. Nós decidimos nos mudar de ShadesVille, pois aquela cidade lembrava ele e nunca mais voltar para FarmCity. As autoridades não encontraram Jennifer em nenhum lugar...

Depois de muitos anos, conseguimos retornar a nossa vida normal, superando tudo aquilo que aconteceu. Quando Théo fez 21, estava namorando e fazendo faculdade de medicina. Bel fez 10 anos e conheceu um melhor amigo, fiquei feliz por ele pois nessa idade eu me sentia muito solitário. Minha mãe desistiu de trabalhar fora e abriu um restaurante perto de casa. Assim passava mais tempo com a gente. E eu... Quando fiz 17 recebi uma ligação de um desconhecido dizendo que já havia passado por aquilo, e que gostaria da minha ajuda com casos sobrenaturais.

Quatro anos depois, criamos uma equipe de caça a assuntos sobrenaturais e começamos a resolver vários casos de possessão e de construções assombradas.

Quando fiz 23, recebemos uma ligação da policia. Jennifer foi encontrada. Ela foi enterrada viva a vinte e três quilômetros do ultimo lugar onde foi vista, A Fazenda Kepler. Sendo assim, um grande mistério a maneira de como ela foi parar lá...

Eu e minha equipe estamos indo investigar.

Notas finais
A história sobre Kepler's Farm chegou ao fim. Mas a história sobre Enzo ainda não! Fique por dentro e não perca as novidades. Obrigado por ler até aqui e me acompanhar nessa Fic!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.