Kenda: A queda dos quatro grandes.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
De manhã, os nossos dois guerreiros prosseguiram a caminhada. A menina sempre seguia em frente, não importasse qual dificuldade aparecesse em sua frente.Então a dúvida logo surgiu nos pensamentos de Taima. Pra onde eles estariam indo?
– Kenda. — ele chamou. A garota nem se quer olhou para trás. — Qual é o nosso destino?
– Sul.
– A terra do povo do fogo? — ele disse espantado com a ousadia da menina.
– Sim.
– Você está louca?
– Talvez.
Taima apertou o passo e se pôs a frente da menina, a impedindo de passar.
– Saia da minha frente!
– Esse povo tem um temperamento muito forte! Você não vai querer vê-los.
– Pra sua informação, eu já os vi!
O guerreiro ergueu as sobrancelhas.
– Jura?
– Sim. Agora saia da minha frente, pois eu sei exatamente o que estou fazendo!
Taima virou de lado e deu espaço para ela passar.
– Tudo bem então. Não irei mais discutir com uma mente adormecida.
Taima achar que Kenda estava fazendo a coisa errada, tudo bem. Mas dizer que ela tinha uma mente adormecida, isso já era demais. Kenda girou rapidamente em seus calcanhares e arrancou a faca de sua cintura, a deixando do lado do seu corpo.
– Olhe aqui Taima! Não pense que em nenhum momento eu lhe dei liberdade ou chance, para dar opiniões ao meu respeito. E até mesmo, que os espíritos me perdoem, mas até mesmo com seu juramento, nem sequer por um misero segundo eu cheguei a confiar em você nessas horas. Então, deixe-me continuar meu caminho. E se quiser continuar comigo, siga o exemplo da raposa, e seja silencioso.
Por alguma razão, o guerreiro não ficou assustado. Pelo contrario, achou a explosão da garota extremamente excitante. Nunca em toda sua vida havia visto um temperamento tão diferente vindo do lado feminino. As jovens da aldeia sempre lhe davam o máximo de atenção, e sempre queriam persegui-lo. Kenda era realmente uma criatura misteriosa para ele. "Tudo bem, esquentadinha." Ele pensou. Mas falou apenas.
– Prossiga.
A garota se virou cerrando os olhos. Taima soltou um suspiro e deu um sorriso de canto quando Kenda já estava a sua frente. Quando o grande manto negro cobriu o céu, eles acharam um lugar para acampar.
* * *
Na madrugada, Kenda acordou com um horrível uivo. Sua primeira reação foi olhar para onde Taima havia adormecido na noite anterior. Ele não estava ali. Levantou rapidamente e agarrou seu casaco de pele. Com a faca em punho seguiu os rastros e os barulhos que ficavam cada vez maiores. Se escondeu atrás de uma enorme árvore com o tronco todo retorcido e observou a cena mais chocante que já vira. Dois enormes animais brigavam amargamente entre si. Ela não conseguia ver direito, pois a claridade estava escassa. Viu os dentes brancos das feras enquanto elas rosnavam uma para a outra e andavam em círculos. Um dos animais, pulou sobre o outro e ganidos agudos que fizeram os pelos da nuca de Kenda se arrepiar começaram a varrer o ar. Ela não sabia o que fazer, pensou em até mesmo abandonar o lugar e ir atras de Taima. Mas foi então que uma nuvem descobriu a lua, lançando sua luz bem acima do horripilante espetáculo. De imediato reconheceu um dos animais, Taima. Dois lobos. O outro estava com sua pelagem em total vermelhidão. Mas ela podia ver que por baixo de todo aquele sangue, ele era branco. Foi aí que ela o reconheceu.
– Olathe. — sussurrou. — Olathe! — ela gritou saindo de trás da árvore. O lobo branco parou de atacar e olhou para a pequena garota que se aproximava. O lobo cinzento a observou rosnando cada vez mais alto a medida em que Kenda se aproximava de Olathe. O lobo branco se transformou em um guerreiro de alta estatura, braços fortes e duas tranças de cada lado do rosto.
– Kenda. — ele disse em tom baixo.
– Kenda, não se aproxime dele! — Taima alertou com raiva em sua voz.
– E porque não? — a garota perguntou com ironia.
– Esse desgraçado estava se preparando para te atacar enquanto dormia.
– Isso é verdade? — ela olhou para Olathe que tinha faíscas de fúria em sua iris.
– Não! Eu estava caçando e senti cheiro de cinzas. Pensei que pudesse ser caçadores do Nukpana.* Mas para meu deleite, é você.
Kenda corou para Olathe. Não sabia o porque, mas aquilo deixou Taima ainda mais furioso. Kenda correu e abraçou Olathe. Aquele ato demorou menos de 8 segundos, pois Taima passou pelo meio dos dois os separando.
– Se quisermos chegar ao nosso destino, precisamos seguir em frente. Vamos! — sibilou.
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