Kekkai
2 Capítulo 2
Notas iniciais
O que eu vi não era realmente o que eu estava esperando. Não era um fantasma de maneira alguma e isso me deixou meio tristonha, mas o que eu via era algo muito mais interessante que um simples fantasminha camarada. O que eu via era uma menina que devia ser uns dois anos mais nova que eu e tinha cabelos compridos e loiros, olhos verdes e pele bem clara. Ela usava uma camisola branca meio-encardida destas que se usam em hospitais quando se esta internado e segurava um violino junto ao corpo encolhido nos fundos da ‘sala’.
A sala era praticamente limpa. As paredes eram cobertas por um papel de parede azul claro e o chão tinha um piso de madeira que cheirava a pinho. Não havia nenhum tipo de cômoda, mas tinha um futon bem perto de onde a menina estava. Eu dei um passo na direção da ‘sala’ mas a menina se levantou bruscamente e estendeu uma mão na minha direção.
- NÃO! – Ela gritou tão alto que eu quase pulei para trás.
Olhei para ela. – Por que?
- Se você entrar aqui vai ficar presa na kekkai também! Nunca mais vai poder sair! Não entre, por favor!
Kekkai? Mas do que diabos aquela garota estava falando? Pelo que eu me lembre a kekkai era um tipo de barreira de proteção ou sei lá o que. Uma baboseira criada por japoneses para dizer que se entrassem em uma kekkai estavam protegidos do mal. Eu nunca entendi bem esse tipo de coisa e nem sabia dizer que o que eu ouvi sobre a kekkai estava realmente certo.
- Eu não entendo... – Meu pensando saiu alto demais pelos meus lábios.
- Não entende o que?! Você não pode entrar aqui e pronto! – A garota parecia aborrecida. Tão linda.
- Esse negócio de kekkai não existe... É só superstição... Igual aquele troço de se você cortar as unhas a noite não irá ao enterro dos seus pais... É tudo mentira...
- Não é mentira! – Ela parecia irritada e segurava o violino na mão esquerda com tanta força que eu pensei que ela ia tacá-lo em mim. – Você já cortou a unha de noite para saber? Aposto que não!
- Nunca cortei, mas...
- Viu! Você tem medo igual aos outros... Se tem medo de cortar a unha a noite não pode entrar em uma kekkai!
- Eu não tenho medo de cortar a unha à noite! E olha como fala comigo... – Eu já estava aborrecida com aquela menina ‘mandona’. – Eu só vim aqui porque eu pensei que tinha um fantasma aqui dentro...
- Mas eu não sou um fantasma! – Ele pareceu ter ficado triste de alguma maneira com o que eu falei.
- Eu sei! E é isso que eu estou achando mais estranho... Interessante. – Eu realmente não sabia o que pensar. – Por que você esta aqui?! Onde estão seus pais?! – Eu dei um passo para a frente, mas com outro movimento brusco ela apontou o violino para mim como se fosse uma arma. Acho que fiquei com medo de verdade dela e de seu violino ‘poderoso’.
- Eu não tenho ninguém... Agora saia daqui antes que eu jogue isso em você! – Ela balançou o violino. Eu comecei a dar risada e me sentei em frente à entrada da ‘casa’. Ela me olhou atônita. – Eu já disse para você ir embora! Você não escutou?
- Eu não vou entrar... Prometo. Mas você está sozinha, não é? Acabou de falar isso... – Dei um leve suspiro e abri um sorriso simpático enquanto olhava para a menina em pé a poucos metros de mim. – Podemos conversar e você não vai se sentir tão sozinha... Eu não sei porque você esta aqui e nem porque não posso entrar... Mas acho que podemos conversar, não é? Eu não preciso chegar em casa cedo hoje e você não está fazendo na por aqui...
- Talvez...possamos conversar... – Ela se sentou a poucos centímetros de mim. — Sobre o que você quer conversar?
- Hum... – Fiquei pensativa por alguns segundos e depois voltei a falar de modo animado. Talvez para também animar a menina. – O que você fica fazendo aqui o dia todo?
- Tocando violino, conversando...
- Conversando com quem?
- Com o vento...
Fiquei olhando confusa para ela e isso a fez sorrir timidamente. Um sorriso muito bonito. Dentes brancos e perfeitos alinhados em uma boca pequena. Lábios finos e rosados. Aquela menina era uma verdadeira princesa. Mas algo ainda me perturbava o espírito. Eu ainda não sabia o porquê de eu não poder entrar lá. Apesar de ela ter falado sobre a kekkai eu ainda não acreditava. Era ilógico demais para acreditar.
- Er... Qual é o seu nome? – Eu tinha me esquecido de perguntar isso. – O meu é Hotaru!
- Kotori... O meu nome é Kotori...
Notas finais
Espero que leiam... Espero reviews u_u
Fale com o autor