Keep yourself Alive
16 Noah
Notas iniciais
Alguns meses depois...
“Beckett você tem certeza?”
“Castle o que você acha?” – Ambos olharam a grande poça d’água se formando em baixo dos pés da detetive.
“Ok, calma. Respira, eu vou pegar as coisas” – Castle que já havia recuperado completamente seus movimentos corria de um lado a outro.
“Não sei se é eu que precisa de calma!” – Ela resmungou segurando a barriga, fazendo uma careta. Uma nova contração se formava.
“Consegue andar? Já peguei tudo.” – Ele estava segurando a bolsa dela, uma mala e as chaves do carro.
Beckett o acompanhou com passos lentos,segurando gemidos de dor que as vezes escapava fazendo Castle se agitar ainda mais. A decida de elevador pareceu demorar uma eternidade, Rick já havia apertado o botão para o térreo várias vezes, deixando Kate um pouco irritada. Ela estava segurando o máximo a dor que estava se concentrando em sua pelve, e se fosse honesta tudo em sua volta a estava deixando irritada.
“Castle, você precisa se acalmar ok?!”— Ela disse revirando os olhos ao ver seu noivo apertar o botão pela milésima vez.
“Eu? Eu quem devia dizer isso para você.”— Ele passou a mão pelos cabelos, mostrando uma camada de suor que se formava em sua testa. “Me desculpe Kate, não gosto de vê-la sofrer.”
“Não estou sofrendo...”- Ela fez uma pausa, apertando a barriga um pouco mais forte. “Ok, talvez um pouco, mas não é algo ruim.”
Castle passou a mão sobre a barriga dela e agradeceu quando as portas do elevador se abriram. Ele pediu para que Kate o esperasse na frente do prédio enquanto correu para pegar o carro, já que a saída da garagem era sentido contrário ao caminho do hospital. Em minutos ele encostou o carro em frente a ela e não pode deixar de notar que ela estava corada e suando, provavelmente estava sentido mais dor do que deixava transparecer. Ele havia pesquisado muito sobre bebês e partos enquanto Meredith estava grávida de Alexis e sabia muito bem que a dor era grande.
Assim que Kate conseguiu se sentar e passar o cinto de segurança sobre ela, ele estava dirigindo seu carro, numa velocidade acima do normal, mas Kate dessa vez não ia se incomodar.
Cerca de dez minutos eles estavam adentrando no hospital. Kate estava mais quieta e suas respirações alteradas. Um pouco antes do médico a levar ela segurou seu braço com força.
“Você não vem?” – Não era algo que se via constantemente, mas a durona Kate Beckett parecia estar com medo, o que o deixou de coração partido. Ele sabia que era tudo novo para ela, ele já havia passado por essa situação, se Kate tivesse visto ele na época que Alexis nasceu provavelmente teria atirado nele, afinal ele era mais histérico que a própria Meredith.
“Sim, mas preciso aguardar um pouco aqui do lado de fora. Enquanto isso vou ligar para seu pai e minha mãe.”
“Ok, chame a Lanie.”
“Assim que puder entrar eu venho te buscar senhor Castle.” – Disse a enfermeira amável que conduzia Beckett em uma cadeira de rodas.
“Obrigado.”
Ele ficou imóvel olhando ela desaparecer no corredor, se ele pudesse sentiria toda a dor que ela ia enfrentar agora, mas como não podia faria de tudo para ela ficar confortável e feliz, e isso incluía trazer Lanie o mais rápido possível. Pegando o celular foi para um canto um pouco mais isolado para fazer as ligações aos seus familiares e amigos avisando que o bebê estava chegando.
*Flashback on*
Castle estava sentado no sofá, a noite tinha sido longa. Ele estava recuperado da sua quase paralisia e um jantar tinha sido organizado para comemorar. Todos vieram, seus amigos do décimo segundo, sua família e até mesmo Jim, que já estava ficando mais acostumado as visitas ao loft. Beckett decidiu deixar Lanie em seu antigo apartamento e passou a morar com ele, já que eram quase nulas as chances dele deixar ela ficar sozinha e grávida, e ela não o deixaria também, mesmo depois de saber que ele estava curado. Enquanto ele estava pensativo e bem distraído no sofá, Kate se aproximou com uma caixa na mão. Castle sorriu, ela havia mudado tanto. Não tinha perdido sua personalidade forte, mas estava mais aberta a demonstrações e também a demonstrar mais afeto. Ele queria levar todo o crédito nisso mas sabia que o bebê tinha grande parte da conquista.
“O que é isso?” – Ele perguntou ainda sorrindo.
“Eu pensei em esperar, mas...” – Ela esticou o braço e entregou a caixa nas mãos do escritor. Era uma caixa bonita, delicada. O que o fez ainda mais curioso. Ao abrir viu papéis de ceda que envolviam uma pequena peça de roupa, um boddy que dizia “garotão do papai”, com letras azuis e vibrantes.— Isso quer dizer? É mesmo? Como?”
“Eu fui fazer uma consulta e Sarah tentou a sorte. Lá estava ele, de perninhas abertas sem a menor vergonha”. – ela disse contendo as lágrimas nos olhos. “Tem mais uma coisa ai...”
Ao revirar os papéis ele viu uma foto, uma pequena foto, mas era seu bebê, e era seu garoto. Não que ele não estivesse contente se fosse outra menina mas, no fundo ele sempre sonhou em ter um garoto e fazer tudo o que ele não pode fazer com seu pai.
*Flashback off*
“Senhor Castle? Senhor? – A jovem enfermeira tentou tirar ele da espécie de transe que ele havia entrado.
“Ô me desculpe, estava distraído. Está tudo bem? Aconteceu algo?”
“Não senhor Castle, está tudo bem. Só vim chamar o senhor para entrar no quarto, sua esposa o espera.”
Esposa, não havia nada nesse mundo que ele quisesse mais do que chamar Beckett de esposa. Mas esse não era o momento, o bebê está a caminho e Kate precisava dele. Claro, ele não corrigiu a enfermeira, ele gostou da ideia de ser o marido. Logo colocou o celular no silencioso e acompanhou a moça de branco até o quarto 105 que diga-se de passagem, era no mínimo uma piada da vida o número desse quarto, ele sorriu para si mesmo e entrou.
Beckett estava mais sentada do que deitada na cama, um aparelho estava em volta de sua barriga onde ele podia ver num monitor os batimentos do bebê e também um fio transparente levava algum tipo de remédio ao braço da detive. Ele ficou paralisado um tempo perto da porta olhando para ela, realmente partia seu coração ver ela sentir dor.
“Castle, parece que você quem vai ter o bebê.” – Ela disse na pequena pausa que havia entre uma contração e outra. “Conseguiu ligar para todos?”
“Sim, todos a caminho. Inclusive a doutoraParish.” – Ele disse com menos entusiasmo. Eles haviam combinado (mesmo sobre protesto da parte dele) que a amiga e médica ficaria com a Kate no quarto durante o nascimento, mas ele nunca disse estar feliz com a ideia e Beckett pode facilmente notar a frustração em seus olhos azuis.
“Cas, venha aqui.”— Era incrível, mesmo que ela estivesse com dor, prestes a dar a luz, ainda era controlada e perceptiva. Fazendo o que ela pediu ele ficou o mais próximo que pode dela ao lado da cama e segurou sua mão. “Você fica ok?!” — Bastou para um enorme sorriso aparecer no rosto do escritor. Sorriso que ela amava. Ela não contou a ele, talvez nunca contaria mas, ela não havia escolhido Lanie, na época em que tiveram essa conversa ele ainda estava se recuperando e ela temia que ele não conseguisse acompanhar, então inventou a desculpa de que queria a amiga com ela na sala de parto.
Ao sentir outra contração chegando inconsciente apertou o máximo que pode a mão dele, que tentou mas não conseguiu segurar o gemido de dor. “Desculpa...”
“Não tem o que se desculpar Kate, isso não é nem de perto o que está passando.”— Ela sorriu,mas não por muito tempo pois logo sentiu a onda de dor novamente.
O médico que faria o parto voltou ao quarto, ele era um senhor grisalho que andava para cima e para baixo com uma gravata decorada. Era alguém que realmente gostava do que fazia e de crianças, o casal estava muito feliz em tê-lo como seu médico. Fazendo um breve exame; — “Vamos lá mamãe, está na hora de fazer força.”
Castle gelou, era agora! Só podia torcer silenciosamente para que tudo acabasse bem e bem rápido, mas olhar para Kate o fez tranquilo. Ela estava com um olhar que ele conhecia bem, não era medo, era determinação, e se alguém podia fazer qualquer coisa que quisesse esse alguém era Kate Beckett.
Alguns empurrões, apertos em sua mão, respirações e batimentos acelerados o mundo parou. Literalmente era como se o quarto e todos nele estivem em câmera lenta e a única coisa que ele ouvia era um choro, alto e continuo. Era ele, seu bebê, seu filho com Katherine Beckett. O médico sugeriu que ele ajudasse a cortar o cordão e entre a tremedeira e o choro ele o fez o deixando ainda mais emocionado. O bebê foi colocado no colo da Kate e Castle não sabia dizer o que era mais bonito. Se era Kate, mesmo após ter um filho, ou se era ter seu filho em seus braços. Ele era perfeito, da onde estava Castle examinava o pequeno dos pés à cabeça. Contou os dedos das mãos e dos pés, olhou e acariciou os fios ainda poucos de cabelo em um tom castanho claro e não pode deixar de sorrir ao ver os seus olhos em seu filho. Ele parecia quase babar quando Kate falou; “Ele tem seus olhos Cas...”– Cas era algo dela, só dela! Ela o chamava assim e ele sabia que isso era o mesmo do que “amor” ou “querido” e ele amava isso, bom, ele amava tudo. E não pode conter as lágrimas. Ele tirou o celular do bolso e bateu uma foto do rostinho do pequeno, guardou novamente e se abaixou para beijar a testa de sua musa e agora mãe do seu filho e logo sua esposa.
A enfermeira pedindo licença pegou o bebê apenas para os procedimentos padrões mas Rick teve que se conter para não arrancar ele e devolver a Kate.
Olhando para ela, ele a viu de olhos fechados e um largo sorriso estampava seu rosto. Ele quis beija-la, mas não queria interromper seus pensamentos então apenas acariciou as costas de sua mão.
“Somos pais Castle!” – Ela disse com os olhos ainda fechados.
“Sim! Os mais sortudos.”
“Ele é lindo não é?!”
“E seria diferente? Tirando meus olhos ele é sua cara.”
Ela abriu os olhos e sorriu. – “Mentiroso, quem o ver vai perceber, ele é um mini Castle.” – Mas ela não parecia estar chateada.
“Desde que puxe a inteligência da mãe por mim está tudo ótimo.” — Ele brincou e ela riu.
“Uma mistura perfeita...”
“Sim.”— Ele abaixou e a beijou rapidamente.— “Perfeito.”
“Você precisa avisar nossos pais, devem estar lá fora ansiosos.”
“Ok, vai ficar bem?”
“Caro! Mas volte logo.”
“Sim senhora!” Ele riu, deu outro beijo em seus lábios e saiu do quarto.
Beckett agora sozinha, olhou em volta e não conseguia tirar o sorriso dos lábios. Uma leve dor ainda a lembrava do que havia acontecido, mas mesmo a maior das dores valeria aquele choro, aquele rostinho. Uma felicidade enorme transbordava em seu coração, algo inexplicável.
Parecia surreal, era inacreditável, parecia até mentira, parecia que tudo que já tinha vivido não era nada, nada comparado aquilo, ela chorou, e na verdade se assustou porque ela só conseguia pensar que aquilo tudo era algo tão forte e imensurável, aquele negocinho tão pequeno que estava dentro de sua barriga, e era real, era verdade... Se sentia como se fosse explodir. Logo depois ela sentiu medo, medo de não ser boa o suficiente, e se algo acontecesse? E se ela se machucasse no trabalho e se seu bebê perdesse a mãe assim como ela.
Ela estava tão concentrada que nem viu Castle se aproximando. Ele sabia, assim que viu sua feição, ele já imaginava que isso fosse acontecer, mas ele estaria sempre ao seu lado para a ajudar .
“Amor?” — Ele disse beijando sua testa e ela estremeceu, se assustou com sua presença. Lágrimas apareciam em seus olhos.— “Não penseassim ok? Você é muito capaz de ser uma boa se não a melhor mãe. Olhe para Alexis, mesmo sem estarmos juntos você foi o exemplo de mãe dela, você estava lá sempre que ela precisasse, não se torture com pensamentos ok? Não tenho a menor dúvida que nosso bebê tem muita sorte em ter você como mãe.”
As lágrimas já escorriam pelo seu rosto, como ele sempre sabia o que dizer? Como ela esperou tanto para estar com ele? Como Meredith o largou? Ele tinha seus defeitos claro, todos tem, mas ele era perfeito, perfeito para ela.— “Eu te amo.” – Foi tudo o que ela conseguiu pronunciar em meio às lágrimas.
“Eu mais...” — Ele a beijou docemente.
Escutaram alguém limpar a garganta e quando olharam era a enfermeira. — “Acho que o pequeno aqui gostaria muito de mamar.”— Ela disse entregando ele a Kate que por sua vez fez uma cara de pânico.— “Não se preocupe amor, você aprende”. – Castle falou baixinho perto do ouvido dela.
Enquanto a enfermeira ensinava e explicava algumas coisas a Kate, Castle se afastou um pouco, apenas para que ela se sentisse mais confortável. Mas nunca, em nenhum segundo tirou os olhos deles.
Era uma visão nova, ver a destemida detetive segurando um bebê enquanto amamentava e fazia algumas caretas. Mas era tão doce, e ele perdeu longos minutos somente observando.
“Você precisa de um babador papai?” – Ela disse divertidamente.
“Talvez mais de um.” – Ele disse sorrindo enquanto chegava perto da cama novamente.
“Preciso de um banho.”
“Logo querida, logo!”
“Amor, querida. Você está realmente inspirado hoje não é?”
“Não posso fazer nada, você não ajuda também, sendo tão linda.”
“Continue assim e vai ganhar um biscoito!” – Ambos riram, até a enfermeira que terminava de anotar algo não conseguiu conter o riso. Ela se recompôs, explicou mais algumas coisas, disse que logo os visitantes poderiam entrar e se retirou do quarto.
“Falando em biscoito.” — Castle começou.— “Já percebeu que não escolhemos o nome dele?”
“Eu achei que cookie era bom, estava até pensando em bordar CC em suas fraldas.” – Beckett teve que segurar o máximo para não rir.
“Hahaha engraçada você detetive!”
“Eu gosto de...”
“Noah...”— disseram juntos. Noah foi um dos nomes citados por eles enquanto viam nomes para bebês, mas discutiram tanto que acabaram deixando pra quando ele nascesse.
“Isso é assustador as vezes.” – Ela disse e logo voltou sua atenção ao pequeno que resmungava enquanto mamava. — “Olha Castle, ele puxou a você!”
“Não me lembro de resmungar enquanto faço o que ele está fazendo.” – Ele deu seu sorriso lateral, e fez sua cara de safado, fazendo ela corar.
Pronto, lá estava eles, com os mesmo jogos, a mesma intensidade o mesmo amor. E isso era reconfortante, saber que não iam mudar.
Assim que pode todos entraram para conhecer o mais novo membro da família Castle, e nem um só deles conteve as lágrimas. Esposito bem que tentou, mas quando Beckett disse que ele e Lanie eram os escolhidos para padrinhos ele desabou, prometendo dar a vida se preciso fosse para proteger o pequeno. Lanie também ficou muito emocionada e disse que cuidaria do pequenino sempre que precisasse. Mas quem realmente não fez questão de esconder a alegria foi Jim, ele também foi o primeiro depois dos pais a segurar o bebê.— “Ela estaria tão orgulhosa de você Katie.”— Foram suas palavras em meio às lágrimas.— “Obrigado Castle, por ser persistente.”
“Ei!”— Ela protestou.
“Não foi fácil sabe...” – Ele começou, amenizando o clima e fazendo todos rirem.
Martha também se emocionou muito, porém Alexis ficou um pouco mais ao canto. E isso preocupou Kate.
Assim que todos saíram, prometendo que voltariam amanhã, Kate disfarçadamente pediu para que Castle saísse um pouco com a mãe para que ela pudesse conversar com a Alexis.
“Eu não sei vocês, mas eu preciso de um café. Mãe você vem comigo?” – Martha que não era boba comprou a história e saiu logo atrás de Richard do quarto.
“Você quer segura ele Alexis?” – Kate perguntou um pouco insegura.
“Eu posso?”
“É claro! Ele é seu irmão, e eu espero que você o segure bastante.” – Ela sorriu.
Alexis pegou o pequeno Noah e Kate podia ver lágrimas escorrerem por seu rosto.
“Ele é tão lindo! Eu nunca vi um bebê tão bonito.”
Kate sorriu; — “Eu acho que ele me lembra você!”
“Sério?”
“Não conte ao seu pai, porque ele acha que é ele mas, olhando bem seu rostinho me lembra muito uma foto sua quando bebê que seu pai me mostrou. Espero que ele puxe a você, porque sabemos que tanto eu como seu pai somos cabeças duras.” – As duas sorriram.
“Eu sei que é infantilidade da minha parte, mas senti ciúmes dele.”
Kate observou a garota acariciar a cabecinha do bebê.— “Agora olhando para ele só consigo amar, eu não sei, um amor tão grande como se ele estivesse aqui sempre.”
“Eu entendo. Sabe Alexis, é normal se enciumar, seu pai sempre foi só seu e eu não te culpo por isso.”
“Na verdade..” – Ela parecia insegura.— “Não foi só do meu pai que senti ciúmes.”
“Ah Alexis, você pode não ser minha filha, mas eu sempre a considerei assim! E eu espero mesmo, que Noah seja como você Alexis, eu sei que seu pai sempre diz e talvez eu nunca te disse mas tenho muito orgulho de você! Desde quando fez o estágio na delegacia. Eu não poderia pedir um exemplo melhor para seu irmão e espero que você esteja sempre por perto para ajudá-lo e amá-lo.”
Alexis beijou a cabecinha do irmão; — “Claro que sim Kate, sempre!”
Sim, tal pai, tal filha! Kate não poderia se sentir mais feliz. Se no passado a vida tinha lhe tirado sua família, no futuro ela veio compensar, dando a ela os Castle’s e agora seu pequeno Noah. Aos poucos tudo estava se ajeitando e ela estava muito feliz com isso.
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