Keep yourself Alive
11 Nem tudo é o que parece
Notas iniciais
Tudo derrepente parecia diferente, as paredes, a falta de janelas e aquela luz infeliz que piscava sobre sua cabeça.
Castle relutou em abrir os olhos. O cheiro de mofo e o ambiente úmido era extremamente familiar.
Ao abrir os olhos seu pior medo se instalou, sentindo seu estômago embrulhar. E ao tentar levantar uma das mãos, pode ter certeza de onde estava.
Mas o que ele estava fazendo aqui novamente? Por que ele estava com as mãos presas e por que essa maldita luz não parava de piscar? Seus pensamentos foram tomados de uma grande incerteza. Se pudesse jurar, juraria que tinha ido dormir com a Kate, em seu quarto no loft, ambos tinham passado o dia no parque e tinha sido um dia tão agradável. Ele tinha escutado pela primeira vez seu bebê, tinha acabado de saber que ia ser pai, e mesmo assim estava aqui, preso novamente. Como pode? Tinha sido tudo um grande sonho e ele apenas fantasiou? Será que sua mente criativa de escritor tinha lhe pregado tamanha peça?
Olhando em volta, ao tentar se mexer, sentiu uma enorme dor. Claro! Lá estava a costela reclamando novamente. Nada era como se lembrava do dia anterior, porém tudo era exatamente como se lembrava a semanas atrás.
As paredes eram em um tom amarelado, podia jurar que um dia foram brancas, porém agora tinha marcas amarelas que caiam por toda a extensão do cômodo, como se gotas de água estivessem escorrendo no mesmo lugar durante anos. Havia uma porta de madeira, bem ruim aliás e que faltava algumas lascas e o escritor se esforçava ao máximo para ler algo escrito nela, porém o que mais lhe encomodava era a falta de uma janela, sem contar a lâmpada velha pendurada por um pedaço de fio que por algum motivo talvez uma leve brisa que ele não conseguia identificar de onde vinha, balançava ela para lá e para cá. Como estava propositalmente em cima da cabeça do escritor, a claridade misturada com a dor de cabeça que ele sentia, mais o movimento o deixava ainda mais irritado.
Ele fechou e apertou os olhos na esperança de que estivesse sonhando, aguardou alguns segundo mas para sua frustração tudo estava como antes de fechar os olhos. — "Não é possível. Nenhum sonho é tão real assim."
"Sonhando comigo Castle?" — Não, não podia ser. Essa voz era conhecida, e era a última que ele gostaria de ouvir. Sem muita animação Castle abriu os olhos e virou a cabeça para um canto do quarto onde ele estava sentado.
"Se você estivesse em meu sonho estaria morto."
"Péssima escolha de palavras Castle, já que não sou eu que estou amarrado em uma cama." — Ele disse com um sorriso sarcástico no rosto.
"Fácil de se resolver. Me solte e podemos acertar as coisas de igual para igual."
O assassino gargalhou. — "Ah Castle! Bom saber que você acorda com um ótimo senso de humor."
"O que você quer Tyson?"
"E voltamos para esse papo outra vez." 'O que você quer Tyson', 'Por que não me mata logo', 'Deixe a Beckett em paz', blá-blá-blá..." — Ele disse alterando a voz em um tom mais fino, zombando do escritor. — "Já está ficando cansativo escritor. É tudo que tem?"
"Não, tem mais.. Sempre tem mais. Mas não responderiam minhas perguntas."
"Ok. Quer respostas? Vamos jogar. Eu te apliquei uma droga conhecida como o soro da verdade e sabendo que você não pode mentir para mim, vamos jogar... Eu respondo uma sua e você uma minha."
"Isso soa como se eu tivesse outra alternativa. Era isso que aplicou na minha perna?"
"Mas não tem escolha mesmo, e sim era o que apliquei. Vamos lá Castle! Sei que sempre gostou de joguinhos. Como estou bonzinho, vou ignorar essa sua pergunta e vou responder uma sua primeiro." — Ele fez uma leve pausa. — "Bem, o que eu quero? Deixa eu pensar. Ah quero que você e a detetive Beckett sofram o máximo possível."
"Por que? Você estava livre. Por que vir atrás da gente e correr o risco de ser pego?"
"Nossa, você realmente não sabe brincar não é? É toma lá dá cá Castle. Quantas perguntas... Você responde agora. Me diz, como você sentiu ao descobrir que eu era o assassino e não uma vítima?"
Castle tentou segurar, mas as palavras praticamente saltaram de sua boca. — "Me senti um idiota. Acreditamos em você, tentamos te proteger, quando você deveria ter morrido na cadeia."
"Hum, bom... Está sendo verdadeiro." — Ele se levantou e se aproximou de Castle. — "Como se tivesse outra escolha não é? Ok, minha vez. Por que não te mato? Sabe por que escritor? Seria fácil de mais. Qual a graça que teria? A graça está em ter ver aqui derrotado e a detetive lá desesperada. A cada pista que mando, a cada noite que passa. Realmente ela gosta de você não é? Juro que pensei que você não passava de um cachorrinho correndo atrás do osso quando conheci vocês. Você tem seus talentos... Hum, talvez eu fique algum tempo consolando e ajudando a detetive depois."
"Deixe ela em paz!" — Castle disse gritando, fazendo um esforço tentando soltar as mãos, esquecendo por um momento da dor no abdômen e em sua cabeça.
Tyson levantou as mãos. — "Eu, estou aqui Castle, não estou fazendo nada para ela, se acalme. Mas, continuando. Kate é a pessoa mais importante na sua vida?"
"Não!" — Castle disse de uma vez, segurando a explicação.
"Vejo que aprendeu a jogar! Está bem, vamos lá. Por que voltei? Vingança! Queria ter um motivo altruísta sei lá, mas não, é apenas vingança mesmo."
"Se vingar por que? Se estava livre!"
"Não, não, não. É minha vez, e não estava, estou livre."
"Até a Beckett te encontrar."
"Ela não vai. Sabe por que? A hora dela vai chegar, mas será quando eu quiser que chegue. No momento estou me divertindo vendo ela sofrer. Voltando ao jogo. Você me disse que ela não é a mais importante, e quem seria? Martha? Alexis talvez? Admito que sua doce filha apesar de não ser exatamente o meu tipo é bem atraente."
"Cala a boca." — Castle gritou e puxou com toda a força que tinha a amarra de couro que prendia seus pulsos. — "Não se atreva..." — Ele se contorcia freneticamente, buscando uma maneira de se soltar. — "Eu vou te matar Tyson, você me ouviu?! Isso é uma promessa!"
Escutando o som de seu telefone no bolso o assassino continuou. — "Uma pena Castle, terei que esperar para morrer, estão me ligando mas prometo que já volto para continuarmos com o nosso jogo... Se comporte, não queremos encerrar mais cedo não é?" — Ele deu dois tapinhas no rosto do escritor, sorriu e saiu fechando a porta.
De onde estava Castle podia ouvir algum tipo de trinco se fechando. "Ótimo!" — Ele pensou. — "Mesmo que me desamarre ainda teria que abrir aquela porta." — Por um instante soltou o ar e deixou que o corpo soltasse toda a pressão, permitindo respirar fundo, coisa que não era muito fácil, pois ao expandir o peito sua costela doía.
Fechando os olhos, permitu-se ver ela, seu rosto, seu sorriso... E isso de alguma forma lhe acalmava. Pensou em sua resposta. — "Claro que Beckett era importante mas seria um conjunto em que Alexis, Martha e Beckett ocupavam junto a posição de "mais importante" em seu coração. Eram sua família, cada uma tinha um pedaço dele e juntando todas as partes ele se sentia inteiro. Não poderia viver faltando uma, seria como uma mão sem dedos, ou as pernas sem os pés. Ficou pensando em cada palavra dita pelo assassino, 'vingança' isso era importante para ele. Temeu pela segurança de sua família. Beckett era policial, mas Tyson já havia passado a perna neles uma vez, e a julgar pela situação delicada, temia que ela fizesse alguma besteira. Não era muito difícil imaginar ela se colocando em perigo para salva-lo. Sentiu sua respiração apertar novamente, seu ritmo cardíaco acelerar. Tudo que queria era sair dali e poder abraça- la. Encontrar sua família.
As vezes pensava que se ele não tivesse se envolvido com o pessoal do distrito, não teria colocado elas em perigo, mas também não teria conhecido Beckett. e talvez fosse apenas aquele Richard Castle de antes, raso e superficial. — "Não!" — Ele acabou pronunciando. Não haveria chance de ele viver sem Beckett, ou pior, escrever. Suas histórias, seus livros, eram ela. Inspirados nela, se ela não estivesse ali, bem provável que estaria sobrevivendo da venda de Derick Storm.
X.X
Então, derrepente Castle se viu caminhando por um estreito corredor. Tudo parecia diferente e confuso. Olhando para suas mãos e depois para trás passou a correr. — "Estou livre." — Ele praticamente gritou e correu o mais rápido que pode. Passou por várias portas, mas ao tentar abri-las era tudo em vão.
Estavam todas trancadas e depois de algumas tentativas ou empurrões ele acabava desistindo e seguindo para a próxima até se ver parado em frente à uma porta muito parecia com a do cômodo que ele estava. E para sua surpresa ao tentar abrir essa não estava trancada. Ele virou a maçaneta devagar tentando não fazer ruídos, e ao adentrar teve um grande susto. Alexis, Martha e Kate estavam em pé presas pelas mãos e braços por uma corrente que descia do teto. Sentiu o pânico se instalar mal podia controlar sua respiração. As três estavam assustadas, Alexis e Martha choravam e Kate, ah Kate, ela estava com um grande hematoma no rosto. Provavelmente tinha resistido. Ao olhar em volta ele teve que saltar para trás quando percebeu que estava em uma das salas do distrito, a sala que Beckett geralmente usava para interrogatórios. Tudo era muito confuso, ele esfregou os olhos, abriu e fechou algumas vezes, era como se estivesse com a Beckett esperando por um interrogatório, mas tinha algo diferente, o vidro que normalmente não mostrava nada do outro lado estava claro, ele podia ver facilmente Lanie, Esposito, Ryan, a capitã Gates e Jim, pai da Beckett. Todos estavam sentados e com olhares de desaprovação e fixos nele.
"Hora hora, já não era sem tempo! Estávamos ansiosos pera começar o jogo." — Tyson falou do canto da sala, ele estava vestido como um guarda e segurava uma espécie de controle nas mãos.
"Tyson? Mas eu... Você estava lá... eu…"
"Castle? Parece confuso. Se sente bem? Quer um copo de água ou podemos apenas jogar?"
"Não!"
"Você não tem opção lindão! Vou explicar as regras de uma vez. Temos três lindas pessoas aqui como pode ver, porém apenas uma, só uma sairá viva." — Ao apertar o botão alçapoēs se abriram sobre os pés das três mulheres.
Embaixo havia uma máquina com grandes lâminas que se movimentavam de lados opostos, ou seja, não teria como sobreviver à ela. Castle tentou correr mas suas pernas não obedeceram, ele puxava elas mas era como se estivessem sem vida, sentiu suas forças saírem de seu corpo e a enorme dor ao bater com todo seu peso no chão. Ele tentou se levantar mas foi inútil, suas pernas perderam a força.
"Não! Deixe elas. Por favor!" — Ele disse se arrastando, implorando e chorando. — "Tyson mate a mim, eu imploro."
"Não Castle, não é fácil assim, eu lhe disse. Você terá que escolher apenas uma."
"Eu não posso! Por favor, eu não posso escolher."
Apertando novamente um botão, Castle ouviu as correntes se mexerem fazendo com que as mulheres descessem um pouco, porém a de Alexis desceu um pouco mais.
"Alexis! Não!" — Castle gritou depois de ouvir a jovem gritar em pânico.
Depois foi a vez de Martha. — "Mamãe!"
"Ok Castle! Sua escolha foi feita." — Apertando o botão as correntes que seguravam a detetive se soltaram, jogando seu corpo bruscamente dentro da máquina. Kate não teve tempo nem de gritar. Seu corpo foi engolido pela máquina gigantesca.
E então, Tyson não era mais Tyson. Na sua frente estava o capitão Montgomery que balançava a cabeça de um lado para o outro. "Esperava mais de você rapaz!" — Ele disse saindo em direção da porta.
"Kate! Não, Kate." — Ele gritava com a voz rouca já sem forças.
"Castle!"
"Não, Por favor... Kate!"
"Castle! Acorda! Rick!"
"Kate?" — Castle disse em meio à soluços.
"Rick, amor! Acorda!"
Abrindo os olhos após um leve chacoalhar dela. — "Kate! Você está viva!" — Ele a abraçou.
"Amor você estava tendo um pesadelo. Olha para mim, está pálido, o que estava sonhado? Quer conversar?"
"Eu sonhei que estava sonhando com você."
"Oi? Como assim?"
"Era ele Kate, ele vai voltar."
"Ele quem? Rick quer um copo de água?"
"Tyson." — Ele se sentou na cama, ficando de frente para ela que ja estava sentada. — "Eu não sei, acho que sonhei ou me lembrei de um tempo que estive lá."
"Rick, é normal isso. Você passou maus bocados, sua mente vai te pregar peças. As vezes algumas lembranças aparecem em meio a pesadelos... Vai por mim, acontece e é perfeitamente compreensível."
"Não Kate, ele disse que seu objetivo era se vingar, temos que pega-lo, mas como vou ajudar se nem andar eu posso. E agora temos um bebê. Espera, temos um bebê né?" — Ele perguntou confuso.
Beckett pegou o rosto dele, com uma mão de cada lado. — "Amor, escuta, vamos conseguir. Lembra do que te falei no parque?" — Ela esperou ele acenar com a cabeça, indicando que se lembrava. — "E sim, temos um bebê!" — Então se aproximou e beijou ele, um beijo suave cheio de amor esperando com que ele acalmasse e se sentisse seguro. Se separando, Kate fez o que geralmente ele faria. Puxou sua cabeça para o colo dela, e fazendo carinhos em seus cabelos. — "Acha que consegue voltar a dormir?" — Ela abaixou delicadamente dando um beijo em seus cabelos.
"Não sei, tenho medo de sonhar novamente. Vi você morrer Kate."
"Shh, vai ficar tudo bem, estou aqui Castle e quando acordar ainda estarei aqui."
"Promete?"
"Sempre!"
Kate continuou os carinhos até senti-lo pesar em seu colo, ele tinha tido um longo dia e com a medicação para dor que ele estava tomando não foi difícil voltar a dormir, mas no fundo Kate sabia que ele estava certo, Tyson não era alguém para ser ignorad, e se seu instinto estivesse certo, ele estava mais perto do que pensavam.
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