Keep yourself Alive
14 Não foi nada
Notas iniciais
A semana seguinte praticamente voou. Beckett estava de volta ao distrito e Castle havia começado a fisioterapia. Alguns dias eram realmente difíceis, Rick se sentia frustrado de não poder ir ao distrito, e nem sempre conseguia controlar seu humor.
"Cas?" — Kate disse passando pela porta da frente.
"Aqui." — Ele gritou da cozinha
"Castle! O que você está fazendo no chão?" — Ela se apressou em alcança-lo.
"Brincando de esconder." — Ele disse sacartiscamente.
"Ok, tá bom! Eu não sou obrigada a aguentar esse mal humor. Quer ajuda ou não?"
"Quero."
"E…?"
"Por favor, será que você pode me ajudar? Eu imploro, suplico..."
"Por mim vai ficar ai. Eu realmente te amo, mas você mal humorado ninguém merece. Já tenho coisas de mais na cabeça e hoje não foi um bom dia."
"Espera." — Ele a pegou pelo pulso. – “O que houve ? Me desculpe! Vocês estão bem?" — Ela pulou as duas pernas dele que estavam esticadas no chão, se abaixou encostando as costas em um dos armários se sentando ao lado do escritor.
"Ei? Vem aqui." — Ele passou seu braço pelas costas dela trazendo seu corpo para ele. — "O que aconteceu?"
"Estou de saco cheio Castle! Odeio papelada, me sinto inútil lá. E fico preocupada com você aqui."
"É isso mesmo?"
"É " — Ela encostou a cabeça nos ombros dele e ele percebeu quando ela começou a chorar.
"Amor? Me diz, não é só isso, eu sei que não."
" Não é nada Cas" — Ela disse tentando sufocar os soluços do choro.
"Kate, olha para mim." — Rick se afastou um pouco para que pudesse ver o rosto dela. "Me diz." — Ele passou a mão na bochecha dela levando os fios de cabelo dela que tampavam seu rosto para atrás da orelha.
"Eu… Eu tenho medo ok?"
"Medo de quê?"
"Disso tudo." — Ela disse jogando as mãos para o alto e depois voltando os braços para descansar as mãos em sua perna. Castle ficou surpreso, mas entendia. Nesse tempo todo ele surtou várias vezes, Alexis surtou algumas e até Martha havia se excedido na bebida em uma noite na semana passada. Mas não a Kate. Kate Beckett ficou firme como uma rocha todo esse tempo, apoiou ele, brigou algumas vezes, gritou outras, mas sempre firme. Não era de se esperar que ela simplesmente surtasse. Fora que ele sabia bem como os hormônios da gravidez podiam ser instáveis.
"Ei?" — Ele disse segurando a lateral do rosto dela. — "Vai ficar tudo bem."
"Será mesmo Castle? Estamos seguindo, fingindo que está tudo bem mas, não há pistas sobre ele em lugar nenhum, e eu nem posso ir atrás dele. Você fica completamente vulnerável aqui sozinho."
"Kate? O que aconteceu?"
"E se Castle? Olha para mim, cada dia que passa estou mais lenta, meus pés estão começando a inchar, fico sem ar as vezes e minha percepção me faltando."
"E da onde saiu tudo isso?"
"Nada amor, deixa… Vamos sair do chão."
"Não senhora." — Ele disse segurando ela apertado. — "Algo despertou tudo isso, o que houve?"
"Eu tive um pesadelo."
"E ?"
"E eu não conseguia te salvar."
*Flasback on*
Beckett chegava em casa após mais um dia de trabalho, suas pernas doíam muito e sentia-se pesada, ofegante. Sua gestação já estava avançada beirando os nove meses e permanecer em pé durante muito tempo começava a ser um difícil desafio. Estranhou ao notar que a porta estava destrancada, parecia estar apenas encostada, e ao passar pela sala, deixando sobre o sofá sua bolsa e o casaco, Kate foi atraída com uma voz muito familiar. E lá estava ele, Tyson estava debruçado sobre o corrimão da escada e tinha no rosto um enorme sorriso.
"Olá detetive, quanto tempo. Fico feliz em ver que a família está crescendo. Uma pena que terei que diminui-la, ou não. Realmente não me importo."
"O que você está fazendo aqui? " — Beckett tentou se mover e então sentiu que não conseguia, seus pés pareciam grudados no assoalho, e toda tentativa de sair do lugar era frustrada.
Tyson soltou uma grande gargalhada e disse — “Você é tão patética, acha mesmo que poderia me vencer? Ainda mais assim." — Ele gesticulou com uma das mãos apontando para a enorme barriga da detetive. – “Ah detetive, vingança é um prato que se come frio, espero que tenha aproveitado seu tempo com o escritor, porque agora acabou!"
"Você não sabe o que diz. Onde está o Castle?" — Ela usou todo seu alto controle para não amolecer a voz e demonstrar o medo.
"Beckett, Beckett! Castle está me aguardando para que eu termine o que comecei. Não achou que eu simplesmente ia embora não é?" — Ele fez uma pausa e continuou. " Você achou não foi? Como se eu fosse esquecer todo esse tempo que tive que viver escondido, sempre a margem da sociedade, com meu rosto estampando em vários lugares. Só fico feliz em saber que primeiro será a última coisa que Castle irá ver e segundo, tenho certeza que você nunca se esquecerá do meu rosto."
"Tyson você não.." — Ela teve que parar de falar ao sentir fortes dores. Não, não podia ser, não agora. Isso não podia estar acontecendo, ela precisava estar bem, ela precisava ajudar o Castle.
"Algum problema detetive? É mesmo uma pena você não poder subir e acompanhar " — Ele tirou do bolso da jaqueta um pedaço de corda verde, muito semelhante ao encontrado uma vez em uma de suas vítimas e esticou para que ela pudesse ver.
Beckett teve que se curvar ao sentir a intensidade da dor aumentar, sentiu lágrimas quentes descerem pelo seu rosto e sua garganta estava bloqueada, ela queria gritar, mas não saia nenhuma voz. Ela queria correr mas não conseguia se mover. Todo seu alto controle parecia ter sumido e tudo que conseguia sentir era um desespero sem tamanho.
"Kate!" — Uma voz chamou ao fundo, ela virou a cabeça em posição ainda curvada para ver Alexis que tinha o rosto vermelho de chorar. — "Issso é culpa sua. Você disse que ia cuidar do papai." — A menina disse em meio as lágrimas.
"Alexis me desculpe." — Ela disse baixinho não conseguindo conter seu próprio choro.
"Não! Você é culpada. Você é policial e vai deixar o meu pai morrer. É tudo culpa sua, sua!!"
"Alexi.." — novamente uma onda de dor, ela tentou olhar em direção do assassino que se afastava lentamente em direção aos quartos no andar superior do loft.
"Nãão!" — Seu grito saía mais como um sussurro, e tudo que ela podia pensar era que não conseguiria ajuda-lo, Tyson mataria o Castle bem na sua cara e ela não ia fazer nada, Alexis tinha razão, era tudo culpa dela. Se ela não tivesse deixado ele acompanhar ela nos casos, se não tivesse se apaixonado por ele, e se...”
"Kate..." — Mais uma voz conhecida, essa vinha da porta. Lanie se aproximava a abraçando e puxando em direção a saída.
"Não Lanie, o Cas..." — Lanie interrompeu.
"Vamos Kate, temos que ir."
"Não, você não entende. Ele vai matá-lo."
"Ok, depois vemos isso, você precisa vir, o bebê está nascendo."
"Lanie é o Castle."
"Eu sei, e podemos cuidar disso depois. O bebê não pode esperar". A amiga médica puxava a detetive para fora do loft, foi nessa hora que Beckett ouviu Castle gritar por seu nome e ela não tinha forças para voltar. Tudo em sua volta começava a girar e a última coisa que via era uma pequena luz que ficava em cima da porta de entrada do loft.
"Kate… Katee?" — Ela olhou para o lado, para encontrar o rosto dele, que estava um tanto confuso.
*Flashback off*
"Desculpa... eu..."
"Voltou para lá não foi?"
"Sim..." — Ela enxugou algumas lágrimas que escaparam e acabaram descendo por seu rosto.
"Ei... " — Ele a trouxe mais para perto, abraçando apertado fazendo com que a cabeça dela ficasse sobre seu peito. – “Está tudo bem Kate, foi só um sonho ruim. Lembra do que me disse quando tive aquele pesadelo horrível?" — Ele perguntou acariciado os cabelos dela.
"Que ia ficar tudo bem?!" — Ela disse em meio as lágrimas.
"E vai!"
"Eu não posso te perder Rick, não sei como seria minha vida. Eu levei tanto tempo para superar a perca da minha mãe, não sei se conseguiria fazer isso de novo."
"E não vai precisar Kate, eu estou aqui. Quando digo sempre eu realmente quero dizer, sempre.”
"Eu sei, mas e se eu não conseguir..."
"Eu saberei que tentou ao máximo, e isso já ia me bastar.." — Ele disse antes dela terminar de dizer.
"E a Alexis? Sua mãe, o bebê?"
"Tenho certeza de que iam fazer o melhor. Kate, olha para mim." — Ele esperou que ela o fizesse. — “Eu te amo! E saber que você me ama e que está esperando um bebê meu, me faz ser o homem mais feliz da face da terra. Ainda temos um longo caminho para percorrer, eu sei que esse medo vai sempre nos cercar até acharmos ele, mas você mesmo que me disse que não podemos parar nossas vidas, ele ganharia o jogo se assim nós fizéssemos."
"Você tem razão." — Ela disse secando o rosto com a manga da blusa.
"E?"
"Eu te amo também?!" — Ela lhe mostrou um pequeno sorriso.
"Assim está melhor. Agora, será que ainda rola aquela ajudinha?" — Ele disse sorrindo. Era incrível como ele conseguia, seus olhos lhe passavam tanto amor, seu sorriso fazia crescer dentro dela uma segurança inexplicável. Como se Richard Castle fosse seu herói secreto, de certa forma era. Ele primeiro ajudou com palavras, mesmo sem saber. Depois tornou seus dias mais alegres com suas teorias, então por fim lhe mostrou como era se sentir amada novamente, esperou e derrubou suas barreiras. Sim, esse era Castle, seu herói disfarçado de namorado.
"Claro." — Ela ia se levantar quando ele a puxou novamente. Dessa vez se sentou sobre as pernas dele. E com toda ternura e amor possível ele a beijou.
"Agora sim." — Castle disse sorrindo com o rosto ainda bem próximo ao dela.
"Você é incrível sabia?" — Kate disse acariciando o rosto dele.
"Sim, o melhor!"
"Não exagera!" — Ela sorriu e se levantou. — “Ainda posso te deixar ai."
“Você não faria isso." — Ele disse olhando ela se afastar. — "Faria? Kate? Kaaate?"
Ela deu a volta e voltou empurrando a cadeira. — "Claro que não bobinho."
O resto da noite correu bem, após um longo banho compartilhado na banheira, muitas caricias e algumas iguarias japonesas pedidas pelo telefone ambos adormeceram, o sentimento de medo ainda pairava sobre eles, a insegurança de não saber o que se passava na mente obscura do Tyson com certeza ainda tiraria algumas noites de sono, mas enquanto tivessem um ao outro sabiam que mesmo que fosse clichê, sim, tudo ia ficar bem. Afinal amanhã é um novo dia e com ele traria boas notícias, era dia de consulta com a obstetra e toda a família aguardava ansiosamente para saber se de fato cookie era menino ou uma menininha. Um dia após o outro, foi isso que combinaram de viver. Sem angústias ou ansiedades com o amanhã, bastava o agora, o hoje.
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