Keep yourself Alive
3 Amo você.
Notas iniciais
Beckett se viu parada olhando a caixa que parecia encará-la. Leu, releu o bilhete. E tudo que crescia dentro dela era um misto de ódio é pânico. Sentou se no sofá puxando a caixa para perto de suas pernas, inspirou tomando o maior fôlego possível e tirou a tampa. Dentro estava a camisa do Castle, não bastava ser sua camisa preferida, aquela azul que ela tanto amava. Ela estava coberta de sangue.
Kate se viu no loft sozinha, com uma camisa de Richard manchada de seu sangue provavelmente. Ali ela não precisava ser forte ou demonstrar ser a fortaleza que todos estavam acostumados. Ela colocou a tampa ao seu lado no sofá, puxou suas pernas para cima e entrelaçou os braços segurando as pernas apoiando a cabeça nos seus joelhos e desabou. Durante todo o dia segurou o grito que explodia em seu peito, o choro que engolia cada vez que uma evidência era checada, ou o nome do Castle era pronunciado ou até mesmo o simples barulho da máquina de café indicando que estava em uso.
Chorou assim como chorou anos atrás quando perdeu sua mãe, ou naquele verão que viu Castle sair do distrito com Gina indo para Hamptons por falta de sua própria coragem em assumir seus sentimentos. Não era justo ele estar passando por isso. Ela tinha treinamentos, ela era a policial. É mesmo assim ele estava lá. Sabe Deus onde é, e pior se estaria vivo?
Sua vontade era de gritar. Jogar coisas nas paredes apenas para as ver quebrar. Assim como quebrado estava seu coração. Pensou em beber algo forte, mas não conseguia se mover. Seu choro saia alto em meio a soluços. ‘É isso que você queria seu desgraçado? Me ver destruída? Que droga conseguiu! Me devolva ele. Por favor! Me devolva o Castle! Rick”... E foi tomada mais uma vez pelas lágrimas. Ela sabia que estava sozinha, mas não conseguiu evitar os gritos. Precisava dele, precisava de uma teoria louca dele. Seu cheiro único, um misto amadeirado e Castle, não havia como descrever seu aroma, seus olhos azuis e seu sorriso.
Aquele que a encantara desde a festa de lançamento do livro onde ela o conheceu a partir de um caso que imitava na vida real os assassinatos de Derik Storm.
Levantou-se, pensou em ligar para Lanie, mas já era tarde e honestamente não queria ser vista assim. Fechou a caixa impedindo a visão do tecido azul.
Se conhecia bem Jerry Tyson, não haveria provas ali para serem coletadas. Foi até o escritório, parte da casa que mais lembrava ele.
Sentou-se em sua cadeira, abriu seu laptop e sorriu ao ver a frase “I’m Writer”. Sabia que usava para si quando tinha bloqueios no meio dos capítulos. Olhou em volta, cada livro, cada quadro, tudo ali parecia gritar seu nome. Se debruçou sobre a mesa apenas para deixar mais lágrimas saírem.
Ficou um bom tempo ali, como se fosse possível sentir sua presença no ambiente. Olhou para porta várias vezes, a sensação que tinha era que tudo não passava de mais um de seus pesadelos e que ele iria entrar com duas canecas de café e um sorriso magnífico no rosto. Mas não iria.
Não tinha forças para ir para casa, não tinha coragem. Saindo do escritório adentrou-se no quarto dele. Tudo parecia surreal. Ontem estavam nessa mesma cama, fazendo amor. Sentindo emoções que nem poderia ser descritas. O jeito que ele a tocava, os beijos pelo seu corpo, o encontro de suas intimidades, os tremores do ápice e a exaustão que os tomava após o ato. Ontem adormecera sobre o peito ainda nu dele e hoje olhando para o jogo de lençóis púrpura e o punhado de travesseiros, a cama estava vazia.
Foi até uma das gavetas pegou uma camiseta dele e como já vinha no loft com mais frequência já tinha algumas roupas íntimas aqui, Castle fazia questão de que ela deixasse algumas em sua gaveta. Dizia que toda vez que abrisse saberia que não estava sonhando, que era real o relacionamento deles.
Foi para o banheiro tomar um banho, pensou por um instante na banheira, mas não tinha cabeça para isso. O banho foi rápido, lavou os cabelos e ficou um tempo com a cabeça embaixo da água. Seus olhos doíam e sentia o pulsar na lateral da cabeça. Desligou a água afastou a porta do box pegando uma toalha e se enrolou. Saindo parou na frente do espelho. Sua feição cansada, sua face limpa agora sem nenhuma maquiagem transmitia todo o cansaço e sofrimentos que estava passando. Após uma analisada de si própria se secou e se vestiu. Deitou-se na cama dele, puxou para abraçar seu travesseiro e fechou os olhos na esperança de dormir algumas horas. Pensou em tudo e mais um pouco. ‘Dizem que só damos o valor de fato a algo ou alguém quando percebemos que talvez vamos perdê-los.. E de fato a realidade é essa. Por anos Castle esteve aqui, levando toda manhã um café. Nunca disse a ele que o que eu mais gostava não era o café, e sim o sorriso e o ‘bom dia detetive’ que acompanhava o café, esses sim, eram meus favoritos! Nunca disse o quanto me doeu vendo ele sofrer enquanto não conseguia ultrapassar minhas barreiras. Nunca disse tantas coisas, inclusive que eu o amo tanto. E talvez nunca diga.’ Em meio a esses pensamentos e lágrimas ela adormeceu. O cansaço finalmente cobrou o desgaste físico e emocional fazendo dormir por quase toda a noite.
Acordou por volta das quatro e meia da manhã. Olhou para o lado a procura dele, havia sonhado com ele. No sonho eles estavam em Hamptons deitados em uma cadeira espreguiçadeira abraçados olhando as estrelas.
Levantou-se e ao adentrar na sala a imagem da caixa a fez lembrar de sua realidade. Castle estava há quase vinte e quatro horas fora, nas mãos de um dos piores psicopatas que já tinha conhecido. Fez uma xícara de café e por mais que não quisesse chorou outra vez.
Logo a sala do loft parecia com o distrito, levantara tudo o possível, sobre Castle, sobre Tyson. Anotou tudo que se lembrou. Onde foram, locais públicos, fez uma lista de pessoas que os conhecia. Pensou, que não tinha como ele entrar e sair do loft sem ser visto. Ou conhecer a rotina deles. Ele mencionou o quadro e outras coisas que não teria como ser apenas um blefe.
Fez uma nota mental de interrogar alguns empregados do prédio e analisar novamente as câmeras de segurança.
Colocou o que era possível no lugar deixando o loft arrumado e dirigiu até seu apartamento. Precisava trocar de roupa. Saindo do loft vestindo a mesma roupa do dia anterior.
Chegando em seu apartamento o porteiro disse que uma entrega havia sido feita para ela. Ela pegou um envelope das mãos dele e rapidamente seguiu para seu apartamento. Antes de trocar de roupa ligou para Esposito para falar sobre a caixa deixada no loft, dizendo apenas que mexeu somente na tampa e afirmando que deixou avisado na portaria que mandaria policiais para examinar o local e as imagens das câmeras novamente.
Enquanto se vestia ela encarava o envelope, era pequeno então não deveria ter alguma parte do Castle, Mas e se fosse uma foto? Antes de vestir a blusa não aguentou e abriu o envelope. Nele tinha um bilhete com o seguinte recado.
“Cara detetive Beckett. Espero que tenha dormido bem, que de alguma forma a tenha ajudado enviando o cheiro do escritor para você. Mas sei que imagens valem mais que palavras, então, segue um link. Porém há regras , esse link só poderá ser acessado após as nove. Não queremos acordá-lo cedo não é?! JT ."
Olhou para o relógio já em seu punho e ainda eram sete e vinte. ‘Deus uma hora e meia de pura agonia’. Terminou de se vestir pegou o envelope junto com o bilhete e seguiu para o distrito. Chegando foi recebida pelos parceiros que estavam de saída para o loft. Ambos pareciam como ela, cansados, tristes e abatidos. O distrito estava assim.
Castle matava a paciência de todos, mas alegrava o ambiente. Sempre de bom humor e comunicativo poderiam dizer com toda certeza que até mesmo a durona capitã Gates conhecida como “de aço” sentia sua ausência. Cumprimentou seus parceiros e foi direto para sua mesa. Colocou a bolsa sobre a cadeira e virando para o quadro de evidências deu de cara com a foto que queria arrancar dali.
Checou o relógio, ainda faltavam mais de meia hora. Então encarou a foto, torcendo para que ele estivesse vivo. Sendo forte para voltar para casa. Contava até mesmo os segundos para as nove da manhã. Chamou Tory a analista deles para tentar rastrear o site assim que abrisse. As dez para as nove, entrou na sala da analista com a capitã Gates.
Fecharam as portas e foi quando o relógio indicou o horário, Beckett abriu o site pelo link indicado no bilhete. Nada a preparou para um momento como esse. O link abria uma aba que pedia o contato pela webcam e treinamento algum poderia ajuda-lá ao ver Rick deitado sobre um colchão sujo no canto de um cômodo sozinho. Ele estava com uma das mãos presa e seu rosto estava machucado. Mesmo de longe podia ver na sua testa o inchado. Ele estava vivo, foi em tudo que se concentrou para não gritar ali.
“Castle! Rick, amor? Você pode me ouvir?”
Mas ele continuava imóvel. Deitado sobre o colchão.
“Rick, olhe para mim. Castle por favor?!”
Ele abriu os olhos e levantou um pouco a cabeça, como se procurasse o som de sua voz.
“Rick, amor!”
Castle olhava para os lados sem entender de onde vinha ou se Beckett estava lá.
“Kate?”. Sua voz saiu rouca, baixa. E paralisou por uns instantes a respiração da detetive.
“Cas, eu posso te ver! Eu vou te encontrar Rick eu prometo!”
“Kate... Tyson..” Ele disse ainda deitado sem se mover muito.
“ Eu sei amor. Por favor aguente firme. Castle por favor!”
Ele deu um meio sorriso, forçado em seu rosto machucado e disse: “Sempre!”
“Rick?” Ela esperou ele se concentrar em sua voz e “Eu te amo! Você me ouviu?”
“Rick!!!” Ela gritou quando a imagem foi cortada.
Deu uns passos para trás apenas para se encostar em uma mesa, precisava de equilíbrio, já que não sentia forças em suas pernas. Colocou as duas mãos sobre o rosto o cobrindo e assim ficou durante uns minutos. Esqueceu de que não estava sozinha na sala. Olhou entre os dedos para ver Tory clicando como nunca no teclado do computador e Gates olhando para a tela como se em algum momento a imagem fosse voltar.
“Tory localizou de onde veio o sinal?” A capitã perguntou.
Kate limpou o rosto e foi próximo da analista esperando pela sua resposta.
“Droga! Ele é esperto.” Escapou da boca dela enquanto digitava freneticamente.
“O que? Como assim? Não conseguiu rastrear?” Kate soltava uma pergunta em cima da outra. Sua única pista seria essa.
“O link passou por várias torres de vários países. Talvez seja possível filtrar, mas levará algum tempo. Kate, sinto muito!”.
“Não é sua culpa Tory. Apenas tente localizar. Por favor!”
“Beckett, o que não entendo é o que Tyson ganha com isso tudo?” Foi a vez de Gates perguntar.
“O que ele ganha? Meu desespero. Ele está sempre um passo na frente. Sabia do meu relacionamento com Castle, sabia de coisas de dentro do loft e nossa rotina. Vingança é tudo que ele quer!” Sua voz era baixa e pela primeira vez Kate Beckett demonstrava sinais de fraquezas.
“Detetive do pouco que conheço o senhor Castle, sei que ele não vai desistir. E você Kate, já vi passar por cima das regras, arriscar sua vida para proteger as pessoas. Não me diga que um homem com problemas fará você desistir?! Volte a aquele quadro, olhe como Castle olharia. Você me disse uma vez que ele vê a história. Veja você também, traremos o Sr Castle de volta para matar a minha paciência. Acredite ele não desistiria fácil assim.”
“Eu sei. Obrigada Capitã”. Ela não ousaria dizer mais. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Antes pelas imagens de Castle agora pelas palavras da Capitã. Ela estava certa. Ele não desistiria, em casos que não havia provas ele surgia do nada com uma teoria louca que geralmente levava à uma pista e o caso era resolvido.
Já estava do lado de fora quando parou ao ouvir a capitã.
“E, Kate? Não dê a ele o que ele quer. Não entre no seu jogo!”
“Sim senhora!”. Ela abaixou a cabeça e voltou para sua mesa.
Estava parada novamente encarando a foto de Castle quando Esposito chegou com um copo de café. Kate se virou depressa, por um instante apenas um instante aquele cheiro de café a fez pensar que ele estava ali. Pegando a decepção no rosto da amiga Esposito a entregou o copo com o líquido quente e disse.
“Sinto muito Kate. Não havia pistas no loft. Ryan está com as imagens novamente esperando encontrar algum detalhe. Você tem alguma notícia? “
“ Sim. Eu o vi Espo.”
“Como? Você viu o Castle? Ele está vivo?”
“Está! Mas está ferido.” Explicou sobre o envelope e o link. Disse o que estava acontecendo que estava esperando Tory localizar, se ela conseguisse. Contou sobre as ameaças e deixou escapar um pouco da frustração que sentia.
“Kate, vamos pegá-lo. Eu, quero dizer nós sabíamos sobre vocês. E Castle não vai escapar daquela conversa com seus parceiros aqui.” Ele disse de um jeito divertido. Na verdade Esposito sempre se comportou como um irmão mais velho. Ryan também, mas Espo era ciumento e protetor assim como todo bom e chato irmão mais velho. O jeito dele a fez rir, pela primeira vez no dia. Imaginou Castle perante aos amigos explicando ‘suas intenções‘.
“Valeu Espo!”
“Vamos pegar ele Kate. E trazer o Castle de volta.” Ele disse segurando um dos braços dela.
“Kate?” Tory apareceu na porta da sala onde estava. “ Consegui , achei o endereço do IP “
Beckett em segundos estava na sala com a analista junto com Esposito e Ryan que já estava lá analisando as imagens do prédio de Castle. Todos olhavam fixamente para a analista e seu computador enquanto ela digitava. Ficaram surpresos quando um mapa apareceu na tela tinha uma seta vermelha que marcava o local de onde o IP do computador estava vindo.
“Não pode ser!” Kate falou.
“Não tem como ele estar ali.” Esposito confirmou.
“Kate pode ser uma armadinha”.
“Ryan, armadilha ou não. Não vou ficar aqui parada enquanto Castle luta pela vida.”
“ Vou com você beckett”. Esposito não deixaria ir sozinha.
“Poderíamos chamar reforços Kate.” Ryan disse preocupado. Sabia que por ser um local público e conhecendo as artimanhas do assassino temia pelo pior.
“Ryan não dá tempo. Se ele estiver por lá, pode fugir.”
“Tá certo Kate. Vamos, Castle é meu amigo também.”
Assim foram os três para o destino marcado com a seta vermelha. O local era uma cafeteria conhecida dela. Onde muitas vezes Castle comprou seu café.
Kate não conseguia afastar de seus pensamentos o rosto dele no monitor. Abatido, ferido. Tudo que mais desejava era poder levá-lo para casa e cuidar dele.
Chegando no local se depararam com muitas pessoas no estabelecimento. Uma fila estava a partir da porta e ia até o caixa. Pegaram seus distintivos e se identificando foram passando pelas pessoas até chegar ao gerente que estava próximo ao caixa . Kate conhecia bem o café dali, eles com certeza tinham certa fama. Mas não costumava ser tão cheio como estava hoje.
“Senhor? Com licença. Detetive Beckett da Polícia de Nova York. Pode me dizer o que está acontecendo aqui?”
“ Ah, olá detetive. Esperava por você! “
“Oi? Esperava por mim?”
“Sim, o Sr Castle pediu que eu lhe entregasse seu café. E também pagou café para todos eles, por isso está cheio dessa maneira. Só um minuto que vou pegar seu café.” Ele não deixou com que ela falasse e saiu em direção às máquinas de café.
“Esposito, Ryan. Não tem como Castle ter estado aqui, olhem em volta. Veja se alguém viu alguma coisa.”
“Aqui detetive. Café com leite desnatado e baunilha.” Ele a entregou um grande copo de café. Porém ao virar o copo percebeu que tinha algo escrito .
“Achou mesmo que seria fácil assim querida Kate. Aproveite seu café. JT”
Kate se virou para o gerente e perguntou sobre a aparência do homem que fez o pedido e ele descrevendo ficaram perplexos a ouvir que o próprio Tyson viera fazer o pedido. Conversaram com algumas pessoas que também o descreveu como o ‘Sr. Castle‘.
“Ele está se arriscando Kate. Vai errar. E quando o fizer, pegamos ele.” Esposito disse em um tom baixo apenas para que os três ouvissem.
Kate saiu do estabelecimento olhou em volta. Analisou os edifícios em frente e nada. Tudo era um grande nada. Encostou na parede e abaixou colocando as mãos sobre os joelhos.
“ Kate?” Ryan chamou sua atenção. Para que ela olhasse para ele.
“O que?”
“Veja. Tem uma câmera ali.” Ele apontou para uma placa que ficava pendurada em frente a cafeteria.
“Vou ligar para o setor de tráfego e pedir as imagens”.
“Ótimo. Espero que consiga algo. Estou cansada de estar sempre um passo a trás.”
Entraram no carro e seguiram para o distrito. Ryan havia conseguido que lhes enviassem as imagens e Tory estava analisando. Esposito pegou nomes e telefones de algumas pessoas no café por serem testemunhas. Kate pegou com o dono do lugar também a fita da câmera de segurança que eles tinham. E ao saírem do elevador Kate foi direto para a sala da analista.
“Tory então, alguma novidade?”
“ Sim. Olhe!” No vídeo Tyson aparecia com um sedan preto. Estacionava em frente ao café e entrava no estabelecimento. Após poucos minutos saia entrava no carro e partia.
“A placa! Consegue rastrear?”
“Sim. Já estou buscando.”
Após a informação da placa começou uma busca frenética pelo veículo. Acionaram parceiros que trabalhavam no trânsito. Ryan estava vendo imagem das câmeras da cidade. Esposito ligava para um e outro em busca de possíveis informações e Kate tinha ido até ao necrotério a pedido da amiga legista.
“Kate. O que você tem? Está pálida!” Lanie disse puxando a amiga para que se sentasse.
“Não sei. Me sinto enjoada. Na verdade com a correria não comi nada . Apenas café”.
“Kate tem certeza que é só isso?”
“Claro Lanie. O que você quer dizer com ‘só isso?’ Meu namorado foi sequestrado a mais de vinte e quatro horas. O pior homem em espécie está sempre um passo a minha frente e eu não tenho pista alguma de como achá-lo”.
“Ei, calma. Kate não quis dizer nada. Apenas me preocupei. Por que semana passada você comentou estar enjoada também. Mas você tem razão. Deve ser o estresse.” Ela finalizou não querendo estressar ainda mais a amiga. Porém como médica fez uma nota mental de observá-la.
“Martha ligou novamente? “Perguntou ela mudando o assunto.
“Sim. Ligou hoje de manhã. Está difícil encontrar desculpas pelo fato dele não atender o telefone.” Ela disse com a cabeça baixa encarando o chão.
“Kate. Você vai encontrá-lo. Sei que vai.”
“Como todos podem ter tanta certeza? Lanie e se eu não o achar a tempo? E se..”
“Beckett nada de ‘e se’. Você vai e pronto.” Se aproximando da amiga sentou-se ao seu lado sobre uma das camas.
Kate olhou para ela e a abraçou.
“Obrigada Lanie. Por aturar minha explosão. Desculpa ter sido grosseria.”
“Amigos são para essas coisas.” Saindo do abraço, Lanie a olhou nos olhos, segurando a amiga em ambos os braços.
“Mas estou preocupa com você! Olha sei que você está passando uma situação horrível. Mas, além de amiga sou médica. E não me perdoaria se algo lhe acontecesse”.
“Você não está exagerando? Nada vai me acontecer. Estou bem Lanie, apenas preciso me lembrar de comer.”
“Kate. Eu preciso saber.”
“Saber o que?”
“Quando foi seu último ciclo menstrual?”
Continua...
“Ser profundamente amado por alguém lhe dá força, enquanto amar alguém profundamente lhe dá coragem.”
Lao Tzu
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