Keep Your Head Up

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Boa leitura!!

Foram duas semanas corridas e as coisas estavam normais, era sexta e eu deveria dormir cedo, amanhã era o casamento da minha irmã e eu deveria estar disposta.

Eu e Lucas estranhamente, depois daquela noite não ficamos mais e nem tocamos no assunto. Nos encontrávamos, saímos juntos e estava tudo como antes, por mais que ficasse com vontade de beija-lo. Me embolei em meus pensamentos e peguei no sono. Acordando percebi minha irmã, que já estava acordada e animada, de cabelo meio feito. Levantei, coloquei uma roupa qualquer e fui direto pro carro.

Estava de mau humor, não sei porque, queria estar bem, mas acordei meio com vontade de voltar pra cama.

Cheguei na casa de praia da minha tia Stela, ela estava nos esperando na sacada da frente, acenou e foi até o portão. Olhei em volta e senti uma nolstagia, não ia ali desde pequena, a casa era enorme e eu amava muito ficar com os meus primos naquela casa tomando leite e correndo na areia toda agasalhada no inverno. O céu estava limpo, cinzento e bonito ja que era manhãzinha, estava frio porque a casa era bem perto do mar. Minha tia era mais nova que minha mãe, e era mais bonita, admito, mas a tia Stela era esnobe e não emprestava tão fácil um centavo da sua fortuna. Mas ela sim era feliz, tinha um marido, dois filhos que tinham um futuro maravilhoso, e sua riqueza parecia não ter fim.

Abraçou minha irmã, fez um discurso bobo e me abraçou. Ficou conversando com a minha mãe, enquanto eu e a Olivia íamos pra dentro nos arrumar. Quase entrando na casa ouço Stela falando "Laura, a Lia está linda, posso arranjar um namorado pra ela", revirei os olhos e pude ouvir uma risada forçada vindo da conversa.

Cheguei no quarto e fiquei observando minha irmã se olhando no espelho, ela parecia ter a constelação nos seus olhos, eram olhos grandes e lindos e eu podia ver sua felicidade. Parei de pensar e sai pro corredor pra ver se meu humor melhorava, era 8 da manhã, e eu estava mandando mensagem freneticamente pro Lucas, mas ele não me respondia.

Olhei os quadros que se encontravam no corredor escuro, era meio deprimente ficar olhando eles, tinha pessoas sorrindo e gastando seu dinheiro. Havia várias da minha tia Stela sozinha e algumas fotos com seus filhos e o seu marido. Queria poder escrever nesse momento.

O tempo passava devagar e ainda era 8:30, estava pra enlouquecer naquele corredor gigante. Como era torturante não ter nada pra fazer e ficar pensando, pensando e pensando. Naquele momento sentia falta do meu pai, queria que ele estivesse aqui pra ter quem me defender, ele iria dizer que era cedo demais pra eu começar a me arrumar e que deveria estar dormindo. Queria poder abraçar ele mais uma vez.

Ligo pro Lucas pra passar o tempo e ele não atende.

Vou para um quarto onde estava meu vestido. No quarto coloco minha roupa, penteio meu cabelo e me olho no espelho. Não vejo nada de bom, meu rosto era pequeno e pálido, tinha olhos marrons e algumas sardinhas. Minha boca era avermelhada e inchada. Meu cabelo era negro, comprido e cheio, com alguns ondulados. Tinha um corpo pequeno, seios bunda e coxa. Não tinha barriga chapada, até tinha saliência. Meus braços eram finos e minhas mãos pequenas. Era meio desproporcional mesmo já tendo 17 anos. Desde os 12 anos tinha essa crítica a mim mesma, chorava todos os dias por isso. As coisas começaram a piorar quando fiz 14 anos, achava que ia ficar bonita entre essa idade pra 15, mas não fiquei, todos os dias minha barriga doía e eu me sentia enjoada e triste, me sentia feia e insuficiente, me achava chata e tentava ficar calada sempre. As coisas foram de ruim pra péssimo, aos 15 fui diagnosticada com ansiedade e aí tive tomar uma batalhada de remédios, e tinha que ir a terapia todas as quartas. Mas as coisas passaram e foram melhorando, parei de tomar tantos remédios me sinto mais calma quando respiro fundo, desenho ou escrevo. Mas a minha opinião sobre a aparência parece que nunca vai mudar, não adianta o que dizem. Eu realmente não me sinto bem. Mas me acostumei com isso.

Coloquei meus sapatos e fui a procura da cabeleireira que estava com as mulheres.

Já eram 2 horas quando eu, minha mãe, minha tia e algumas pessoas já estavam arrumadas. Fiquei jogando papo fora com meus primos, até que Lucas me liga e diz que já ta chegando, só precisa de mais informação sobre a casa. Digo pra ele e chega em 20 minutos. "Vamos lá pra cima" digo a ele sem apresentar a ninguém.

"Nem queria vir" diz ele já sozinho comigo, com uma cara de quem não queria mesmo "não fala isso, me mágoa" digo e ele se aproxima, pega na minha cintura e me empurra de leve na parede, nunca o vi assim, cheio de atitude. "Me desculpa, não queria te ver triste" Sussurrou ele no meu ouvido. Me arrepio e o beijo, não ligava se ele não queria me beijar, eu queria beijo-lo, mas ele retribuiu e a sensação das nuvens estavam de volta, me sentia no céu de novo. Nos beijamos lentamente como naquela noite. Ele me prensava na parede e explorava cada canto da minha boca, e mexia suas mãos na minha cintura, respirávamos em sintonia. Já estava enlouquecendo querendo sair correndo pra qualquer cama que me aparecesse. Ele beijava tão bem.

"Desculpa" peço depois que paramos "eu que peço desculpas, e também queria agradecer" "por que?" eu sabia porque mas queria ouvir saindo dele "pela aquela noite, foi muito legal da sua parte, eu estava num momento fraco" ele sorri pra mim e me lembro do antigo Lucas que me chamou todo inseguro na palestra e dou um selinho.

Alguns minutos depois descemos e fomos até a praia onde seria a cerimônia. Chegando lá achei meu cunhado, dei os parabéns e disse que aquele era o Lucas, nós três conversamos e vieram mais alguns dos meus primos e quando eu vi já eram sete horas e minha irmã estava atrasada.

Era sete e meia quando minha irmã sai da sacada, nos meus olhos bem pequena. Ela foi se aproximando do portão e foi aumentando sua forma. Estava linda, com o cabelo preso, a maquiagem com cara de retocada pelo choro. Estava com o vestido lindo e solto. Olhei para o Leo, meu cunhado e pude ver os seus olhos brilharem e suas pernas bambas. Desde que o conheço sabia que ele saberia lidar com a minha irmã, são perfeitos um para o outro. Parei de olhar ele e vi minha mãe, sentada no último banco, preferiu ficar lá para não parecer nas fotos. Ela estava chorando obviamente, estava com a expressão triste, pude ver isso, mas sei que também estava aliavida e feliz.

Minha irmã entrou com seu sogro. Fizeram a cerimônia e houveram choros, risadas, histórias, fotos e comida.

Notas finais
Obrigada por ter lido até aqui!! Espero que tenham gostado.