Kazunari
1 Capítulo Único
Notas iniciais

Midorima's POV
Bati duas vezes na porta.
– Estou entrando, Takao – anunciei e então escutei aquela sua risada animada.
– Olá, Shin-chan! – Ele sorria para a direção da minha voz; admirei sua face e suspirei ao ver uma bola de basquete em suas mãos, provavelmente a que eu havia lhe dado. – Que cheiro gostoso, o que tem aí?
– Ah, minha mãe fez uma torta para você – eu sorri e deixei a torta ao seu lado. – Como se sente?
– Estou bem! – Ele exclamou sorrindo fraco enquanto mexia a bola de uma mão para a outra. Me deixei apenas observar. Takao não merecia aquilo, não mesmo.
Há mais ou menos um ano e meio ele havia sido diagnosticado com uma doença degenerativa no cérebro, o que foi uma surpresa para todos. Tudo começou com Takao perdendo a sensibilidade a muitas coisas, como calor e dor; havia reparado nisso enquanto jogávamos basquete, mas não pareceu algo importante no momento, talvez fosse apenas imaginação ou sono. Pouco tempo depois ele começou a ter dificuldade para se mover e sua visão ficou embaçada.
Sua mãe o levou ao médico e fizeram vários exames, mas entre exames e exames, Takao perdeu o movimento das pernas e, logo após descobrirem a doença, ele perdeu a visão. E então começaram vários tratamentos para que retardar o avanço da doença.
Eu soube dos sintomas da doença e fiquei realmente preocupado, afinal ele poderia ter oscilações da memória, depressão, perder vários movimentos e coisas assim me preocupavam demais. Eu nunca havia visto Takao chorar, mas naquele dia, quando contaram-lhe o que tinha, eu o vi entrar num desespero ao qual acreditei que jamais veria. Foi assustador.
Mas ele recuperou-se emocionalmente, havia voltado a agir como sempre, sorrindo e animando a todos. Entretanto eu notava que ele sentia falta do basquete, que sentia vontade de levantar da cama e sair correndo, queria ver as coisas e eu me irritava toda vez que ele dizia que era a vida, que ninguém decidia o que era justo ou injusto. Eu ficava revoltado. De tantas pessoas que mereciam aquilo, por que ele?
Todos diziam que ele tinha sorte de ter perdido apenas a visão e o movimento das pernas, que mais um pouquinho e ele estaria em estado vegetativo, mas eu não achava nem uma gota de sorte naquela situação toda. Eu queria poder fazer algo, mas não tinha como. Então abandonei o basquete, Akashi brigou comigo, ficou irritado, dizendo que tínhamos uma promessa, mas Takao estava muito acima daquilo, acima até mesmo de nossa amizade. Eu não jogaria basquete se Takao não estivesse ao meu lado. Nem mesmo por Akashi.
Todos os dias eu visitava Takao e o levava para passear comigo, contava como estava o dia ou algo de interessante que via pelas ruas, o levava em passeios onde ele podia se divertir, como um concerto de música clássica, museus para cegos, onde ele podia tatear para sentir a obra, em rios, praças, às vezes até a praia, ele sempre gostou da praia, o levava aonde quisesse ir.
Eu estava estudando para passar numa boa faculdade de medicina para poder ser o médico pessoal dele. Era o meu objetivo e eu o faria, cuidaria dele para o resto de sua vida, ele gostando ou não. Até porque eu não sabia até onde aquela doença podia evoluir, parar, o que ela podia fazer com Takao, então eu ficaria ao seu lado e o ajudaria sempre, não deixaria que nada o afetasse mais.
– Quer comer agora a torta? – Perguntei sentando-me ao seu lado na cama. Ele já podia ficar em casa, mas havia todo um equipamento e remédios ao seu lado, e havia também um médico pessoal, que sempre o visitava.
– Quero sim, é aquela de frango, né? – Ele perguntou esperançoso e eu dei risada.
– É sim. – Afirmei levantando. – Já volto, vou pegar um prato.
– Shin-chan... – Olhei para ele novamente, sua mão procurava-me no ar, então aproximei meu rosto da mesma e deixei que me tocasse, sorri levemente quando seus dedos passearam por meus lábios, ele desceu a mão até minha nuca e puxou meu rosto, dando um leve beijo em minha testa, em seguida eu fiz o mesmo. Era sempre assim, ele sempre fazia aquilo. E eu sempre me forcei a sorrir. – Queria poder ver seu sorriso... você quase nunca sorria...
Eu não soube o que responder, então continuei em silêncio. Takao suspirou e soltou-me, sua expressão logo ficando triste, eu sempre ficava sem reação quando ele fazia esse tipo de comentário, então o deixei ali e fui atrás de um prato, garfo e faca para poder alimentá-lo. Encontrei sua mãe novamente.
– Olá, Midorima. – Ela sorriu fraco e eu retribui. – Ele não está muito bem hoje...
– Notei. – Eu suspirei. – Trouxe torta para ele.
– Ah, sim, quer um prato? – Eu assenti. – Como sua mãe está?
– Esta bem, acho que ela virá aqui hoje. – Sorri para a mulher pegando o prato que me oferecia, com garfo e faca.
– Estarei esperando... aliás... – Ela me olhou ajeitando o cabelo negro como o de Takao, seus olhos castanhos pareciam cansados. – A psicóloga acha que ele está num começo de depressão...
– O quê? – Eu fiquei boquiaberto.
– Nós sabíamos que podia acontecer, Midorima. – Ela suspirou. – E isso só pode afetar ainda mais seu sistema. Só queria deixá-lo ciente disto, me desculpe.
– Tudo bem... eu vou tentar ajudar como puder. – Sorri fraco e dei as costas à mulher. Não era hora de deixar Takao sozinho. – Cheguei. – Me aproximei de sua cama e tirei o pano que cobria o recipiente com a torta. Cortei um pedaço e coloquei no prato, em seguida ajudei Takao a sentar e comecei a cortar pedaços da torta e dar em sua boca. – O que está pensando?
– Hum? – Ele ficou com uma expressão confusa.
– Me diga no que está pensando... – Eu pedi novamente, cortando mais um pedaço da torta.
– Não acho que seja uma boa ideia. – Coloquei o prato sobre a mesa de cabeceira e me ajeitei em sua cama, me aproximando mais dele, peguei suas mãos entre as minhas.
– Me conte, vamos conversar... – Eu pedi, sentia algo muito estranho nele, que tentava retirar suas mãos das minhas timidamente, mas eu as prendia.
– E-eu... – O vi abaixar a cabeça e suspirar. – Eu me sinto culpado por você ter saído do basquete... sei que amava jogar. E... e por ter decidido ser neurologista por minha causa. Me desculpe ser um fardo para você também... não precisa vir me ver todos os dias, Shin-chan.
– Ei, ei. – Eu ergui seu rosto, deixando que suas mãos caíssem sobre suas pernas inertes. – Eu deixei o basquete porque jogar sem você não tem mais sentido para mim. Takao, basquete não é basquete sem você... e também... eu sempre quis ser médico, só mudei a área para poder cuidar de você, não é um fardo e nunca será, ok? – Limpei as lágrimas que haviam escorrido por suas bochechas. –Eu estou fazendo tudo isso porque quero.
–Mas você não está vivendo sua vida. E isso é culpa minha. – Takao soluçou e respirou fundo, controlando-se muito para não chorar. Fiquei surpreso, não imaginava que Takao se importasse tanto comigo estando da forma que estava demonstrando naquele momento.
– Kazunari... – Eu murmurei abraçando-o. – Você é minha vida agora, ok? Então eu estou vivendo cada segundo dela. Pare de pensar coisas desnecessárias, idiota! – Senti ele abraçar meu pescoço e chorar um pouco. – Olha o tipo de coisa embaraçosa que me faz falar... – Senti-o rir baixo em meus braços e, quando se afastou, limpei seu rosto e o fiz voltar a comer.
– Sua mãe faz a melhor comida do universo depois da comida da minha mãe. – Eu ri de seu comentário. – Essa torta é realmente divina.
– Sim, tem uma inteira aqui só para você, vou pedir para sua mãe guardar.
– Posso comer mais um pedaço? – Ele pediu e eu suspirei, não sabia se devia ou não. – Por favor, Shin-chan, o médico só tem me receitado sopas.
– Ok, só mais um pedaço. – Eu ri, não podia negar nada a ele. – Abre a boca. – Eu pedi e coloquei mais um pedaço de torta em sua boca, observando-o mastigar completamente satisfeito, mas deixando o rosto sujo, levei a mão até seus lábios e limpei-o. – Quer passear hoje?
– Podemos ir à praia?
– Podemos sim, mas está frio, então terá que vestir algo quentinho e não vamos entrar na água hoje. – Eu avisei e ele assentiu.
Após comer a torta, o ajudei a se vestir, ajeitei suas pernas na cadeira de rodas, cobrindo-as bem, e arrumei o cachecol em seu pescoço, ele sorria animado para sentir o vento e o cheiro da praia. Sorri com sua animação e empurrei sua cadeira, ele bateu palmas e o levei até o elevador que haviam colocado na casa para que ele pudesse descer e subir normalmente. Desci com ele e avisamos sua mãe de que iríamos passear um pouco, ela apenas nos pediu para voltarmos antes da neve.
Takao's POV
Eu sentia o vento batendo contra a minha face, frio e cortante. Era tão gostoso. Eram em pequenos momentos como aquele que eu me sentia verdadeiramente vivo e eles aconteciam apenas com o Shin-chan. Eu gostava de ficar perto dele, sempre gostei, mesmo com aquele jeito arrogante e frio dele, a verdade é que ele é muito gentil. Um perfeito fingidor.
Eu gosto do Shin-chan.
Mas não é gostar só como amigo, é muito mais que isso. Mas eu não podia fazer nada nas condições que estou, já havia perdido minha chance de falar o que sentia por ele, então só podia aproveitar o tempo que tínhamos juntos, que não duraria muito. Shin-chan não estava pensando bem em seu próprio futuro, ele se culpava de alguma forma pelo que havia me acontecido, achava que eu não merecia, que podia ter acontecido com ele e não comigo. Mas ele precisava se livrar de mim, porque agora eu era apenas um peso.
Eu sinto muito por isso, não queria me tornar esse incômodo para ninguém, principalmente para o Shin-chan, então eu tentaria uma despedida, era o certo a se fazer.
– Shin-chan, como está a praia? – Eu perguntei com um leve sorriso.
– Fria. – Eu ri baixo, ele era objetivo demais, às vezes. – O céu está bem nublado e parece que estamos presos, está bem cinza, o mar está agitado, consegue ouvir, não? – Eu assenti sorrindo e suspirando. – Mas está bonito, até... logo a neve vai começar a cair. – A voz dele era tão bela, era como uma música iluminando a escuridão a qual eu vivia agora, quando ele falava eu podia imaginar um mundo inteiro, eu me guiava e me segurava nele.
– Parece realmente bonito. – Eu sorri fraco. – Ah, amo quando o tempo está assim... eu gostava de fazer chocolate quente e assistir filmes nesses dias.
Eu esperei uma resposta, mas ela não veio, então eu soube que ele estava se sentindo mal novamente. Ele sempre ficava mal por minha causa, estava cansado de deixá-lo assim, o amava muito para fazê-lo sofrer dessa forma. Ergui minha mão e ele a pegou, segurando-a e ficando ao meu lado, sua mão sempre quente esquentava a minha.
– Que expressão é essa? – Perguntei apertando levemente sua mão. Ele é muito gentil. Shin-chan é verdadeiramente amável. Ele dedicava tudo de si para mim, apenas para mim, se preocupava como ninguém, porém ele me colocava acima até mesmo de si e era isso que eu não queria.
– Que tipo de expressão você sugere que eu estou fazendo? – Escutei sua voz rouca e baixa, parecia não ter nenhuma diferença, mas eu o conhecia muito bem, Shin-chan era bobinho demais.
– De quem está prestes a chorar. – Eu ri baixo e ele apertou minha mão.
– Impossível. – Senti-o se ajoelhar a minha frente e abraçar minha cintura, apoiando a cabeça em minhas pernas. – Mas você não poderia saber... – Sua voz realmente o entregava, sorri fraco ainda alisando seu cabelo. — Não é como se você pudesse me ver, você pode?
– Você é um idiota, Shin-chan... – Meu sorriso sumiu por alguns segundos, a dor era tamanha em sua voz, mas logo eu sorri. – Quando se trata de você, Shin-chan, não preciso ver com meus olhos para saber como você está. – Eu falei, acariciando seu cabelo, sempre gostei da textura que tinham. Me perguntava muitas vezes se teríamos ficado íntimos assim caso eu não tivesse a doença, se ele me abraçaria assim, se me deixaria acariciar seus cabelos ou até mesmo beijar sua testa todos os dias.
Ele não me respondeu mais, então ficamos daquela forma até eu escutá-lo soluçar e sentir seus ombros tremerem conforme seu choro ficava mais forte. Continuei alisando seu cabelo, pensando se não seria melhor falar o que eu tinha que falar agora, era óbvio que eu não estava fazendo nenhum bem ao Shin-chan, eu tinha que deixá-lo ir.
– Shin-chan... – Suspirei, enchendo-me de coragem. – Eu acho melhor parar de me visitar e desistir dessa ideia de ser meu médico.
– O quê?! – Sorri fraco, sabendo que ele estava me olhando, então abri meus olhos, apenas para que pudesse ver meus opacos olhos castanhos.
– É melhor você seguir a sua vida, eu sou um peso para você, que é novo, saudável e tem um futuro próspero... e... Shin-chan, você é muito gentil. – Eu senti que ia chorar, então me controlei. – Dedique tudo o que tem a alguém que possa te retribuir e te fazer sorrir, eu só te faço chorar, não quero mais isso, não quero mais fazer o Shin-chan chorar... Te pedi para vir aqui porque queria me despedir.
– M-mas...
– Shin-chan... – Escutei seu silêncio e o barulho do mar, então sorri e procurei por seu rosto, que já não apoiava mais em minhas pernas. Ele colocou sua cabeça entre minhas mãos e senti suas bochechas molhadas, aquilo apenas me machucava, nos machucava. Dirigi meus olhos para onde estaria seu rosto, encontrando apenas a escuridão onde deviam estar seus brilhantes olhos verdes. – Shin-chan, eu amo você. Eu sempre amei...
– Tak-
– Me desculpe por isso... eu devia ter controlado meus sentimentos, mas não pude. – Eu ri baixo, sentindo as lágrimas começarem a escapar contra a minha vontade. – Eu não sei exatamente quando aconteceu, mas aconteceu. Fico muito feliz por ter sua amizade e por tudo que já fez por mim, mas acho que já chega. Eu já tive você o suficiente, agora dedique-se a alguém que te mereça, ame alguém... você merece, Shin-chan... porque você é muito gentil.
– E se eu já amar alguém? – Sua pergunta foi como uma facada em meu peito. Foi então que notei minha ingenuidade, estar comigo não o impedia de amar outra pessoa, não é? De dormir na casa de uma garota ou até mesmo estudar e passar o tempo que não estava comigo ao seu lado. – Kazunari... — Minhas mãos saíram de sua face sem que eu percebesse, então não notei quão próximo ele estava até sentir sua testa colada à minha. – Eu amo você. — Meu coração acelerou e senti-me arregalar os olhos completamente surpreso. – Já te pedi para parar de falar coisas tão desnecessárias... – Ele acariciou minha face com a ponta dos dedos. – Me desculpe se tenho parecido triste, é que... eu... só acho muito injusto o que aconteceu e... e você parece sempre tão forte, tão feliz, mas eu sei que não está assim... e estou nervoso com os estudos, com o Akashi me irritando o tempo todo, o colégio, minha família... são tantas coisas... você é minha paz, por favor, entenda.
– Me desculpe, Shin-chan... esse é meu jeito... não quero lamentar, tenho que viver, não é? – Suspirei abaixando minha cabeça. – Mas... você... digo, isso que disse... sobre me amar...
– É a coisa mais verdadeira que já disse em toda a minha vida. – Ele afirmou com tanta segurança na voz que eu pensei que podia morrer ou viver para sempre apenas daquele momento, acabei me encolhendo e abaixando a cabeça, sabia que estava corando. – Eu te amo muito, do jeitinho que é. – Senti meus olhos voltando a encher de lágrimas e ofeguei baixo, contendo um soluço, uma de suas mãos alisava meu cabelo enquanto a outra estava em meu rosto. – Kazu... posso te beijar? – Eu me assustei com a pergunta e fiquei com mais vergonha ainda, mas assenti, meu coração disparando com o apelido que havia me dado.
Senti suas mãos em meu rosto e fechei meus olhos, não que aquilo fosse mudar algo, seu rosto estava tão próximo que eu sentia sua respiração bater contra a minha; respirei fundo e senti seus lábios serem pressionados contra os meus, calmos e delicados, quase como se eu pudesse sumir. Gentil, Shin-chan é muito gentil. Coloquei minhas mãos em seu peito, sentindo o calor por entre seus casacos, senti as batidas rápidas de seu coração e fiquei feliz em saber que não era o único nervoso.
Ele moveu devagar seus lábios contra os meus, massageando-os de um jeito gostoso, entreabrimos nossos lábios ao mesmo tempo e nossas línguas se encontraram, suspirei com o toque quente e delicado. Shin-chan tinha sabor de hortelã na boca, mas misturado a mais alguma coisa, era gostoso e típico dele, verde. Levei meus braços até seu pescoço e o abracei, de forma que suas mãos desceram até minha cintura. Naquele momento eu não me sentia cego, eu sentia apenas que estava beijando o amor da minha vida. Eu não precisava ver. Me sentia tão completo quanto poderia me sentir.
Estava nos braços de Shin-chan.
Seus lábios se afastaram devagar, mas seu rosto continuou próximo, sua testa colada à minha, não pude evitar sorrir. E então senti algo frio em minha bochecha se desfazendo. Neve.
– Droga! Temos que voltar. – Eu apenas assenti sentindo-o começar a me empurrar, mas parou do nada e então algo me cobriu e ele colocou meu capuz na cabeça.
– Shin-chan, você vai passar frio e se molhar. – Eu fiquei preocupado ao notar que era seu casaco em mim.
– Eu sei, mas você não pode ficar resfriado, Kazu. – Novamente ele me deixou sem palavras apenas com aquele apelido, sorri fraco e me encolhi, sentindo o cheiro agradável de seu casaco, era amadeirado. O cheiro do meu Shin-chan.
~X~
Midorima's POV
– Kazu, cheguei. – Entrei no quarto, ele estava deitado virado para a parede. Foi então que notei que estava dormindo, sorri fraco e me deitei ao seu lado após fechar a porta, puxei a coberta e me cobri também.
– Shin-chan. – Escutei sua voz rouca de quem havia acabado de acordar e sorri.
– Dorminhoco. – Sussurrei em sua orelha, sentindo-o estremecer. Takao deixava suas reações tão expostas, eu amava aquilo.
– Desculpa, é que não tinha nada para fazer. – O vi bocejar e começar a virar-se para mim, ajeitando ele mesmo suas pernas. Selei seus lábios rapidamente, observando seu rosto ficar avermelhado, jamais me cansaria daquilo. – Como foi a prova?
– Ah, não sei bem, haviam tantas pegadinhas... – Comentei com um pequeno suspiro. Havia acabado de voltar do vestibular, agora teria de esperar a lista sair para saber se havia ou não tirado uma boa nota. Era noite e eu estava um pouco cansado, mas não ficaria sem ver meu escorpiano. – Mas o Oha-Asa disse que seria um dia muito bom para mim e eu alcançaria meus objetivos.
– A-ah... – Olhei para Takao, ele estava completamente vermelho e deslocado, estava mexendo muito as mãos.
– O que aconteceu? – Perguntei confuso.
– N-na-nada.
– Você já mentiu melhor. – Comentei sentando-me, puxei-o e o fiz ficar sentado em meu colo, Takao não tinha noção do quanto era leve. – Fala, o que houve?
– N-não... – Ele escondeu o rosto em meu pescoço e eu suspirei alisando suas costas.
– Se não falar, não poderei te ajudar, Kazu. – Eu avisei, alisando agora seu cabelo.
– Shin-chan... e-era... um dos seus ob-jeti-vos... fa-fazer... – Takao ficou paralisado em meus braços e tremia muito, eu estava verdadeiramente preocupado. – F-fazer... s... sexo comigo? – Foi minha vez de ficar paralisado e completamente sem reação. Eu estava boquiaberto e sem saber nem ao menos para onde olhar.
– A-ahn... e-eu... não diria que isso... seria um objetivo... – Eu corei e suspirei derrotado. – Não penso nisso, na verdade, quero respeitar seu espaço, Kazu.
– S-Shin-chan... nã-não seja tão... lerdo. – Olhei para sua face, estava realmente vermelha, foi quando notei que sua respiração estava mais acelerada que o normal. – S-sei que pode... ser meio es-tranho... já q-que não po-posso mover as pernas... m-mas eu... realmente quero fazer isso... com vo-v-você.
– M-mas... Kazu...
– Por favor, Shin-chan. – Eu estremeci quando ele sussurrou rente a minha orelha, deixando-me ainda mais preso às suas vontades.
– Tem certeza?
– Eu pareço estar brincando? – Eu ri baixo, jamais havia visto ele falar tão sério. Era justamente aquilo que assustava. Suspirei e o apertei contra meu corpo. — E-espere... a luz está apagada?
– Não... – Eu franzi a testa e o vi corar mais.
– Apague.
– Por quê? – Distribuí beijos por seu rosto e ele suspirou.
– T-tenho vergonha... e... quero que s-sinta isso co-como eu vou sentir... quero que seja igual... pelo menos em relação à visão... – Eu fiquei boquiaberto novamente. Era um dia para surpresas. Sorri fraco e beijei sua bochecha.
– Pode deixar. – Levantei-me deixando-o sentado na cama e apaguei a luz, certificando-me de que a porta estava trancada. Eu nem acreditava que realmente faríamos isso, meu coração parecia querer sair por minha boca a qualquer momento. Caminhei até a cama e sentei-me a sua frente, tendo de tatear o local. — Pronto...
– Shin-chan... tire sua roupa. – Escutei a voz do moreno e respirei fundo, começando a retirar minha própria roupa, começando pela camisa, deixando que as peças caíssem ao chão. Ao terminar, suspirei.
– Tirei. – Senti o sangue subir completamente por meu rosto, tudo aquilo soava tão embaraçoso, mas estava verdadeiramente ansioso para fazer aquilo com Takao. Era minha primeira vez, então queria que fosse especial não apenas para mim, mas também para ele.
– M-me beije... – Sorri fraco e levei a mão até seu rosto, tendo um pouco de dificuldade de me achar naquela escuridão, acariciando-o, aproximei meu rosto e selei os lábios dele, que abraçou meu pescoço e o puxou com pouca força, mas de forma que comecei a deitar lentamente sobre seu corpo delicado, notando que também estava nu. O contato entre nossas peles me fez estremecer. Nosso beijo ficava mais molhado a cada minuto, nossas línguas entrelaçadas se moviam ávidas por mais e mais. Takao apertava meus ombros e eu sua cintura.
– Kazu... – Sussurrei quando separamos nosso lábios, jamais havíamos chegado ao ponto de ficar nus, eu estava amando a sensação de sua pele contra a minha, de como ele parecia pequeno e frágil, delicado. Desci os beijos para seu pescoço, deliciando-me com o sabor de sua pele, ele começava a ofegar e arfar mais, sorri fraco, estava ficando realmente excitado com aquela situação. Senti seu membro ganhando vida aos poucos e levei minha mão até o local, rodei-o com minha mão, sentindo-o apertar meus ombros.
– Ahh, Shin-chan... – Ele gemeu manhoso quando comecei a masturbá-lo lentamente, sentindo as reações de seu corpo, ele apertava meus braços, e eu sentia seu corpo estremecer, até mesmo eu tremia. Meus lábios lábios caminhavam por sua pele, tinha um sabor indescritível.
Minhas mãos passeavam por seu corpo, decorando cada pedacinho que eu podia tocar. Movia minha mão aos poucos, aumentado a velocidade gradativamente, ele movia seu corpo inquieto enquanto eu lambia seus mamilo, mordia-o, minha mão movia-se sem que eu quisesse parar.
Comecei a descer meus beijos, retirando minha mão de seu membro, distribuindo beijos e lambidas por seu tronco malhado, sentindo-o arquear as costas conforme eu descia, sorri satisfeito, feliz em poder lhe causar sensações como aquelas, mordi seu baixo ventre e suspirei, jamais havia feito algo como aquilo, mas era Takao, então estava tudo bem. Coloquei a língua para fora e lambi seu membro ereto e quente, sentindo-o estremecer e escutando um gemido baixo. Continuei naquilo até seu falo estar molhado, então o coloquei na boca e o chupei devagar.
– Sh-Shin-chan! – Senti sua mão em meus cabelos, puxando os fios, mas não parei meus movimentos, me perguntava se aquela era a primeira vez dele também, então decidi fazer tudo com calma, lhe dar prazer e deixá-lo bem, era esse meu objetivo. Eu não sabia como fazer aquilo exatamente, admito, mas me dediquei aos locais onde sabia que Takao sentiria mais prazer, o que parecia estar dando certo, me senti satisfeito e ainda mais excitado com tudo aquilo. – P-pare... aah... – Eu escutei sua voz falha e retirei meus lábios de seu membro.
– Não estava bom?
– E-estava... ma-mas não quero... gozar agora. – Murmurou e eu notei que estava envergonhado, então sorri.
Segurei suas pernas amolecidas novamente e me pus entre ambas, uma delas deixei que repousasse sobre a cama, quanto a outra ficou encostada na parede, dando-me algum espaço, lamentei pelas coisas terem de ser daquela forma, mas não ficaria sentindo pena de Takao quando estava na hora de amá-lo, ele não era digno de pena. Ele era forte e eu o admirava. Muito. Beijei seu rosto e sorri.
– Kazu... nós vamos casar um dia... – Sussurrei em sua orelha e alisei os fios de seu cabelo. – E teremos uma casa só nossa, vamos ficar juntos para sempre. – Depositei vários selos em seus lábios e senti ele me abraçando com força e seu corpo tremia, como se estivesse chorando, mas apenas retribuí ao abraço e meu membro acabou roçando sua entrada, fazendo-o gemer um tanto manhoso, o que me arrepiou.
– Shin-chan... me deixe... p-pr-provar. – Eu não entendi muito bem o que ele havia dito, mas sua mão tocou meu membro, fazendo-me gemer contido. – E-eu quero. – Meus olhos estavam arregalados de surpresa, mas minha respiração ficava cada vez mais ofegante e incontrolável, ele movia a mão em meu membro de forma compassada, apertando um pouco mais às vezes. – Me deixe sentir seu sabor, Shin-chan... — Todo meu corpo reagiu e senti meu membro crescer um pouco mais em suas mãos, as veias pulsavam e eu estava louco, meu pênis começava a doer. Precisava de alívio.
– H-ai. – Arfando, desfiz aquela posição e passei minhas pernas por cada lado de seu tronco, ele ainda deitado, suas mãos alisaram minhas coxas até pararem em meu membro, senti-o guiar-me um pouco mais para frente até minha glande tocar algo molhado. Arrepiei-me por completo. Sua língua quente deslizou por minha glande, conhecendo os formatos, os sabores, logo ele passou a lamber toda minha extensão e eu ficava com os olhos fechados, ofegando e grunhindo contido.
– Shin-chan, está tão quente e duro. – Corei fortemente com seu comentário e não o respondi, até porque não consegui, ele abocanhou quase todo meu membro me fazendo gemer um pouco mais alto. Aquilo era incrível, sua boca era tão quente e úmida, as sensações me causavam um torpor intenso e eu me arrepiava por completo, quando notei, estava movendo meu quadril contra sua boca e ele apertava minhas coxas, olhei para baixo, queria tanto saber que tipo de expressão ele estaria fazendo.
Senti ainda mais desejo por Takao.
– Kaa... aah... – Gemi quando ele começou a circular minha glande com sua língua, pressionando sua língua no pequeno orifício, causando intenso espasmos em meu corpo, apertei os fios de seu cabelo, movendo-me um pouco mais rápido, escutando seus gemidos abafados. Eu não aguentava mais, queria muito Kazunari, queria amá-lo, senti-lo. Afastei-me devagar, estava ofegando como louco. – Kazu, quero você. – Declarei, convicto dos meus desejos e ansioso.
– Me tome, Shin-chan. – Eu tinha certeza de que ele sorria, então levei minhas mãos até sua face sentindo as curvas de sua face e sorri também, ele realmente estava sorrindo. – Vá devagar... por favor.
– Ok... – Me posicionei entre suas pernas novamente e respirei fundo, passei minhas mãos por baixo de seu corpo e o abracei com carinho, ele tremia ansioso em meus braços, coloquei o rosto na curva entre seu pescoço e ombro e beijei, sentindo seu cheiro, logo ele me abraçou e comecei a penetrá-lo devagar, aproveitando o pré-gozo lá que saía de meu membro e a saliva que eu havia deixado para facilitar a entrada. Suas unhas estavam cravadas em minhas costas e eu o apertava mais contra mim conforme sentia meu membro ser esmagado dentro dele, causando uma dor intensa. – K-Kazu... relaxe um pouco... – Pedi num gemido sôfrego, ele respirou fundo e relaxou um pouco, facilitando a entrada.
– Ngh, Sh-Shin-chan... aaah... – Ele gemeu dolorido e eu parei. – Não, continue, por favor! – Ri baixo e o beijei, continuando a penetrá-lo, ele apertou meu cabelo e intensificou ainda mais o beijo, tornando-o apressado e necessitado. Fiquei surpreso com sua ansiedade que nem notei quando o penetrei por completo.
Estávamos completamente conectados agora, eu sentia o calor e a maciez de seu interior, as leves contrações involuntárias que dava por causa da penetração, escutava sua respiração descompassada e me arrepiava com os pequenos e leves arranhões que fazia em minhas costas. Alisei seu corpo e voltei a beijá-lo com volúpia, estava louco por ele, sentia cargas elétricas percorrerem por meu corpo.
– Kazunari, você é tão gostoso. – Deixei escapar, estávamos começando a ficar bem mais confortáveis com a situação. Eu não conseguia parar de pensar em coisas pervertidas, e em me sentir ansioso para me mover, queria escutá-lo gemer mais, gemer meu nome, queria absorver aquele calor que emanava de seu corpo. Lambi seu pescoço e ele gemeu baixo e manhoso, comecei a provocar um de seus mamilos, puxando-o enquanto marcava sua pele clarinha. – Tão delicioso... Kazu, tão quente... – Gemi baixo sentindo-o cravar ainda mais as unhas em minhas costas.
– Shin-chan, se mova, por favor, agora. – Ele me pediu apressado e eu me arrepiei. — Não aguento mais. – Declarou e eu tinha certeza de que estava corando. Coloquei suas mãos na cama e entrelacei nossos dedos, apertando suas mãos com certa força e carinho, colei nossas testas e sorri.
– Eu vou te amar agora, Kazu... – Sussurrei antes de beijá-lo apaixonadamente e começar a me mover. Comecei lentamente, movendo apenas meu quadril quase numa dança sensual sobre seu corpo, indo para trás e saindo quase completamente e enterrando-me lenta e profundamente em seu interior, ele arqueava as costas e gemia languidamente, apertando minhas mãos. – Aaah, Kazu. — Gemi seu nome entre um novo beijo, uma onda de sentimentos me preenchia, e o prazer era intenso.
Comecei a me mover um pouco mais rápido, estocando-o de forma ritmada, movendo um pouco mais meu corpo, de forma que friccionava seu membro entre nosso baixo ventre, meu membro deslizando por suas paredes apertadas e deliciosamente quentes. Distribuí beijos por seu rosto, escutando seus gemidos. Eram como música, a mais perfeita música que eu já escutara. Soltei uma de suas mãos e acariciei sua face, voltando a beijá-lo, enquanto ele segurava meus fios de cabelo e os apertava.
– Shin-chan! – Gemeu alto o meu nome ao ser tocado num lugar específico e eu sorri. Acheio lugar. Apoei-me na cama, soltando sua outra mão e ele segurou meus ombros com força, me ajudando a manter nossa posição e passei a estocá-lo mais rapidamente, enterrando meu membro em seu interior, sempre passando pelo mesmo local. — Aaaah! Aahhh, m-mais!
– K-Kazu... – Gemi seu nome, ele começava a pressionar meu membro durante as estocadas, causando sensações de prazer absurdas, meu corpo todo tremia tamanho o prazer que sentia. Ele não conseguia controlar a sua voz, então o beijava, temendo que nos escutassem, mordia seu lábio inferior, puxando-o.
Nem ao menos notei quando meus movimentos haviam ficado tão rápidos. O barulho oco de nossos corpos se chocando era claramente escutado por entre nossos gemidos arrastados e incontroláveis, roucos e manhosos. Sentia meu cabelo ir e vir, fazendo cócegas em minha face, alguns estavam grudados em minha pele suada, mas não me incomodava nem um pouco, suas unhas me arranhavam com força, eu tinha quase certeza de que me cortava em alguns lugares, mas aquilo me dava prazer, saber que ele estava tão excitado assim.
– Aaaah! – Ele gemeu alto e mordeu impulsionou-se para cima, apertando meus ombros para ajudar e mordeu meu ombro, sua voz ecoava alta e eu não conseguia parar de grunhir de prazer ao escutar o som, o penetrava com mais força agora, queria sentir tudo dele, tudo nele. Tirei minhas mãos da cama e caímos juntos, comigo prensando seu corpo, desci minhas mãos com força, arranhando sua pele e apertei sua bunda, minhas investidas mais rápidas e intensas, não conseguia mais me controlar, nada. Minha mente, meu corpo, minha voz... meu amor. Tudo havia se perdido naquele ato. – Aaah, SHIN-CHAN! – Ele gritou meu nome quando comecei a sair e penetrá-lo com força várias vezes, puxou meu cabelo e eu sorri.
– Kazu, eu te amo. – Minha voz saiu arrastada e desejosa naquele sussurro ao pé de sua orelha, senti-o estremecer e sorri, lambendo sua orelha. – Eu te amo muito. – Minhas mãos subiram e acariciei sua face enquanto alisava seu corpo com a outra. – Você é minha vida, Kazunari e eu te quero para sempre...
– Shi... Shintarou! – Ele gritou meu nome uma última vez antes de liberar seu prazer entre nós, eu o abracei e sorri, segundos depois me liberei dentro dele, tudo o que havia segurado apenas para lhe dar mais prazer. Gemi em sua orelha, deixando que escutasse seu nome sair por meus lábios enquanto eu sentia tanto prazer. – E-eu... aah... uhn! – Ele ainda tinha espasmos e eu beijava seu pescoço sem conseguir parar. Eu estava extasiado e cheio de sentimentos muito bons, queria que ele sentisse meu amor. Depositava beijos por todas as partes de seu corpo que podia alcançar.
E então eu comecei a rir. Eu ria e chorava ao mesmo tempo, enquanto beijava todo seu rosto e o apertava em um abraço carinhoso, sentindo o calor de seu corpo. Não me continha em felicidade.
– Kazunari, eu realmente te amo, ah, por Deus, como estou feliz por você ser meu... – Revelei. Poderia ficar ali para sempre e não me sentiria nem um pouco triste. Nunca. – Kazunari, eu quero você para sempre. – Eu sorri e depositei um selo longo em seus lábios macios. – E nós vamos casar, vamos morar juntos e adotar uma filha. O que acha de termos uma filha? – Eu ri novamente e o apertei, queria fundi-lo a mim.
– Ei... Shin-chan?
– Oi? – Escutei sua risadinha e logo seus braços abraçaram meu pescoço.
– Você é tão bobinho. – Senti-o roçar o nariz no meu e sorri também. – Eu te amo, Shin-chan, idiota. Quero dormir...
– Temos de tomar banho antes. – Eu o alertei e ele riu levemente. – Vou te dar um banho, vamos...
– Sim, sim...
Eu teria me casado com Takao. Teria adotado uma adorável criança que o entendesse e o amasse, uma menina chamada Ayako, porque ele achava esse nome bonito, teríamos comprado uma casa e morado juntos, teríamos ido passear no parque muitas vezes, e na praia também. Teríamos feito amor mais inúmeras vezes e teria sido incrível como sempre era, trocado juras de amor e aproveitado um ao outro.
Mas não foi assim.
Takao piorou quando eu estava no quarto ano de faculdade, piorou muito. Quando terminei e me tornei seu médico, todos diziam que já não havia chances, mas eu lutei por ele e dei tudo de mim, eu o beijava e dizia que o amava todos os dias, dizia que ele me fizera o homem mais feliz da face da Terra, porque ele fez isso. Até ele começar a perder a memória e esquecer-se de mim, de todos, eu era apenas o Dr. Midorima para ele.
Eu o cuidei por anos e anos. Foram dezessete anos cuidando dele... mas ele se foi. Num dia ensolarado e quente, um dia que aparentava ser extremamente alegre, onde as pessoas riam nas ruas, preparavam coisas gostosas e falavam sobre o quanto a vida era boa.
Takao havia dito que a vida era a coisa mais intensa e bela que ele já experimentara e que estava realmente feliz por ter vivido o tempo que viveu e, principalmente, por ter sido amado por quem ele amava.
Takao faleceu sorrindo para mim. Sorrindo para o Dr. Midorima que o cuidava tão bem.
E eu estava chorando.
Depois disso, eu entrei para um hospital renomado, era um médico sério e não me misturava muito.
Não tenho muito mais o que dizer, vivo uma vida monótona, apenas sorrio quando penso em Takao e nossos momentos, posso dizer que sou feliz. Ele me fez um homem feliz. Apenas espero para poder encontrá-lo novamente, lá, do outro lado.
Essa foi a minha vida e Takao Kazunari é o homem que amo, tenho 75 anos de idade e estou aposentado, moro sozinho em uma pequena casa em Hokkaido, de onde posso ver a praia, caminho todas as manhãs e converso com meu amado, leio livros e, mais do que tudo, anseio pelo dia que o reencontrarei, mas não é como se quisesse morrer.
Tudo acontece no seu tempo, Takao me ensinou isso.
Que velho chato eu sou, não é? Perdão, quando ficamos sozinhos, acabamos sentindo uma carência de conversar, de falar o que sentimos, muito obrigado por terem lido sobre minha vida e peço perdão caso tenha sido um pouco irritante. Agora eu vou me deitar, é uma noite chuvosa e está muito tarde!
Muito obrigado... e boa noite.
Porém Midorima Shintarou jamais acordou novamente. Finalmente havia encontrado o sono eterno.
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