— Me deixe a sós com ele

Ordenou rudemente Snoke a todos aqueles que estavam presentes, menos é claro quem ele sempre tinha domínio, Kylo Ren. O cavaleiro sentiu uma diversão sádica na mente do General mais próximo, e sob Phasma ele apenas viu algo sobre ser rápida em buscar a tropa. Todos saíram do local, comandantes, alguns poucos troopers, Hux e Phasma, os assuntos somente faziam dizer a alguns deles e logo após isso cada um saia, um a um.

Snoke era um ser estranho e maldoso, ele tinha desejos sujos e piores do que Kylo poderia imaginar, seu legado era de morte e sofrimento, uma única vez em que entrou na mente do mesmo, sentiu toda raiva e dor que a galáxia poderia imaginar. Snoke havia treinado inicialmente para que seus inimigos não pudessem ler sua mente, isso inclui Ren, uma vez que o líder não confia em ninguém.

Kylo tirou seu capacete para olhar diretamente ao líder, não havia ninguém ali para olhar sua face e julga-lo por qualquer coisa que tenha feito, segurou o capacete entre a cintura e o braço direito, olhou para o grande holograma azul do ser e aguardou o que Snoke o tinha para falar.

— Senti uma perturbação em sua mente, cavaleiro de Ren

— Não há nada, Supremo Líder

Era verdade que Kylo estava mentindo, ele tinha um segredo para si próprio agora. Snoke não fazia ideia do que era ou quem era, mas poderia retirar da sua mente se quisesse neste mesmo momento, então o rapaz estava fazendo de tudo para bloquear os novos fatos de sua vida. Isso significava muito para ele, realmente muito.

— Não há nada em me confiar, Kylo Ren?

Nesse momento o gigantesco holograma inclinou-se sob Ren, os olhos daquele ser estranho o encarando profundamente. Ele deveria se manter calmo e tentar ocultar o máximo de fatos que pudesse, Kylo sabia que se seus planos ocorressem conforme o planejado ele poderia alcançar o que mais desejava, e isso acarretava uma mudança significativa em vários lugares. Estava tentando demonstrar confiança e por isso firmou sua voz.

— Não há nada que desejo relatar, Supremo Líder

— Não ache que pode me trair, Kylo Ren – A voz do Supremo Líder aumentou consideravelmente e Ren olhou para o chão – Você não deve me subestimar, sou seu mestre e você sabe o que passou, você já me testou antes e somente isso basta. Não está longe o momento em que eu o subjugarei!

Enquanto dizia tais palavras Kylo pode sentir uma onda de dor chegar em si, uma dor absurda e agoniante, uma dor que chegava a sua cabeça, no canto mais profundo de sua mente. Era insuportável, ele sentia as dores daqueles que um dia ceifara a vida, dos que tinham sido torturados em suas mãos, dos que haviam sofrido, tudo de uma vez, incluindo a dor mais horrível de todas que existiria para o resto de sua vida e a qual não havia perdão, a de quando matou seu próprio pai.

Kylo gritava e chorava de dor, quando colocou suas mãos sob a cabeça a mesma sobre caiu sobre si com a forca dez vezes maior, ele estava sendo dilacerado, marcado, violado por aquelas visões, por aquele sentimento, nem percebeu que estava aos seus joelhos enquanto sofria. Ele viu novamente todas aquelas cenas, todos aqueles rostos, todos aqueles sofrimentos e esperanças partidas, dentro de si sabia o que realmente doía, não era nada físico e sim interior.

Subitamente tudo parou, o holograma havia se desligado e Snoke havia sumido. Ele pode se desvencilhar daquilo que o atormentava, ficou alguns minutos agachado enquanto recuperava seus sentidos. Por mais ruim que aquilo pudesse ser, era comum sofrer daquela maneira quando decepcionava ou saia dos planos do grande líder, por mais que houvesse se passado tanto tempo em que ele estivesse ali, não se lembrava de quem era e de que um dia tivesse resistido a Snoke.

Depois que se sentiu apto para voltar as suas ocupações, o homem limpou o rosto para botar a máscara novamente, e enquanto ia para fora daquele salão escuro o qual os comandantes faziam reuniões pode sentir a energia que a moca emanava. Não era forte ainda, ela estava desacordada dentro da sua sela, mas Kylo resolveu que não iria até a mesma durante alguns dias, talvez até que ela se acostumasse com a ideia.

Quando passou aos guardas de fora da sala, pode sentir a observação tensa que faziam sob ele. Ren estava verdadeiramente irritado, ele estava irritado por tudo, por todos, por nada e ninguém, desejava ardentemente que aquilo não acontecesse mais, ele havia visto tantos rostos e todos eles não saiam de sua mente, somente andou alguns metros a frente, ligou seu sabre vermelho e lentamente se voltou aos guardas da porta.

Dentro do capacete ele gritava como um louco e os tropers, dois mais precisamente, só tiveram tempo de se defender precariamente enquanto ele vinha com fúria contra os homens. Um ficou seriamente injuriado e o outro desacordado, apesar de ter passado pelos dois a porta havia ficado criticamente danificada.

Geralmente não havia como saber que o homem estava fora de si, quando alguma coisa o irritava muito ou saia do seu planejamento a primeira reação era certamente negativa, e muito negativa. Os guardas que vieram rapidamente por conta do barulho nada fizeram a não ser ficarem parados pelo choque, Ren virou-se e saiu do local gritando em plenos pulmões para que os funcionários não ficassem em seu caminho, muitos davam saltos e pulavam rapidamente tremendo em suas pernas para livrar o acesso.

O cavaleiro chegou em seu quarto e tudo que pode fazer foi retirar o capacete e lança-lo com toda força para o outro lado do ambiente, o objeto de metal chocou-se contra a parede e caiu com o peso em algum canto por ali. Ele andava de um lado para outro com a fúria fluindo em seu sangue, seus pés pesados batiam com força o chão e ele apenas podia sentir o tremor de cada um.