Kayralor - Uma história Star Wars
43 Namoro
— Senhorita, você está bem? – Pausou – Sente-se apta para estar acordada?
O droid enfermeiro perguntou a moça, seus olhos estavam muito pesados e sentia como se tivesse levado a maior surra da sua vida, e foi na verdade. O droid estava com um datapad cheio de informações, flutuando ao lado da cama, Kay tentou levantar-se, mas ele pediu enfaticamente que não. Realmente não conseguiria se quisesse, as forças de seus músculos pareciam ter sumido por enquanto.
— Quanto tempo se passou droid? – Perguntou com as palavras meio embaralhadas
— Três dias senhorita – Disse a voz fina – Irei chamar o médico oficial para vê-la
O robozinho flutuante se foi por um lado e Kay pode ver onde estava, era um local bem iluminado e amplo, tinham várias outras macas ali, algumas com pessoas e outras sem ninguém, eram os troopers de missão. O homem chegou rapidamente, tinha a pele morena e o rosto marcado pelo tempo de experiências em vida, era simpático.
— Olá Kay, você está aqui novamente – Gregor sorriu – Parece um pouco recorrente
Kay quis rir e sorrir, mas parecia um pouco difícil no momento, ele pediu para que fizesse o mínimo de esforço. Aparentemente todos os stormtroopers que estavam na enfermaria pareciam numa situação um pouco melhor que ela, o médico era preocupado.
— Kayralor, você recebeu danos físicos muito brutais no primeiro dia que chegou – Piscou os olhos mantendo a concentração – Encontramos uma fissura em dois de seus órgãos internos, e várias outras escoriações em seus ossos. A situação estava crítica quando Comandante Ren a trouxe, mas conseguimos controlar rapidamente num tratamento modular
O rosto da moça se contorceu um pouco, não sabia que havia sido assim tão grave, no final do dia ela ainda conseguia andar, de uma maneira bem estranho, mas conseguia.
— Você recebeu lesões nas pernas e em seu rosto, fizemos o possível para diminuir os hematomas, mas infelizmente parece que você foi bem castigada – Gregor fez o possível para evitar o rosto chateado – Porém a sua mão foi o mais complicado para restaurar, tivemos que utilizar um crescimento celular na área, músculos, tendões e nervos tiveram de ser reconstruídos
Kay estendeu a mão para que pudesse ver, mas só viu uma atadura branca e ficou bem chateada de não poder saber como realmente havia ficado.
— Isso vai te dar uma cicatriz nova – Pensou ele – Fora isso, estava desnutrida e desidratada, um de seus rins por pouco não parou de funcionar, traumatismo craniano médio, fratura no nariz...
O médico cansou-se e Kay ficou bem surpreendida com tudo aquilo que ele havia dito, o homem estava realmente tentando ser bom no que fazia, mas dizer todo o seu prognostico como uma lista de compras o fazia parecer um pateta.
— Eu poderei lutar novamente? – Perguntou ela rapidamente
— Sim, é claro! – Falou animadamente – Mas por favor, com cuidado, sim? Kayralor, não aguento mais te ver chegando aqui totalmente arrebentada – Olhou para o teto sem esperança
— É um risco ocupacional – Riu
— Vai precisar ficar alguns dias de repouso, uma seção de bacta e scanner por uma hora – Olhou para ela – Depois pegue seu risco ocupacional e dê o fora da minha enfermaria – Ele já estava indo embora
— Greg, por favor – Ela esticou os braços – Por favor, mande chamar BB9. Onde está o comandante Ren?
— Comandante Ren virá imediatamente após ser liberado de seus compromissos. Iremos muda-la para um quarto privativo em alguns minutos, por ordem dele
O médico foi embora e Kay pode vê-lo pedindo que chamassem BB9 até a localidade, a moça estava verdadeiramente cansada, alguns dias de folga não a fariam mal, pensou. Estava preocupada com Finn, o que faria se soubesse que estava na Primeira Ordem? Finn aparentemente ainda não havia conversado com Poe sobre isso, ou Poe havia realmente mantido segredo. E se voltasse até lá? Iria ver tudo queimado e pensar que havia morrido? Gostaria de saber o que havia acontecido com ele, mas deveria pensar uma maneira segura e confiável.
Fechou os olhos e respirou fundo, tudo que havia passado, a humilhação, o terror, tudo voltando a sua mente agora e então a morte do homem horrível. Uma sombra negra havia se formado sobre ela naquele momento, e considerava razoável o seu peso a ser carregado, sentia-se extremamente mais forte agora por mais que estivesse fora de combate, e aos poucos sua mente foi adequando-se a isso.
Dormiu um pouco e acordou quando sentiu ser movida para o quarto, era um lugar mais interessante que a ala em que estava pois ali ela podia ver um pouco das estrelas lá fora. No momento estavam no hiperespaço, os homens a deixaram lá para ficar à vontade e BB9 chegou correndo logo após que saíram, gritando coisas loucamente.
— Beewwp, bewwwpe, beeeep, beewiop, beeeep, bowieeee… — Gritava alto e foi interrompido
— Calma BB9, está tudo bem agora
Kay fez muito esforço para sentar na cama e colocar seus pés para fora, era uma cama mais baixa então deu para conversar tranquilamente com BB9. Ela colocou a mão na cabeça do droid como sempre e fez uma caricia ali.
— Beeewp? – Perguntou preocupado
— Eu estou bem amigo, sabia que ir sem você seria um problema – Sorriu
O rosto de Kay estava com hematomas, inclusive um olho inchado do momento que o homem a estapeou no rosto, alguns cortes e um curativo no seu nariz. BB9 achou aquilo muito doloroso de se ver, fora os roxos e vermelhos por sua pele bem branca como neve.
— BB9, eu preciso que faça uma coisa, mas é muito perigoso... – Disse num tom secreto
— Beebweep, bepeew... – O olhar dele baixou
— O que? Precisamos falar com a Resistência – Falou mais baixo ainda
— Beeowep, bep... – Tom ameno
— O que? Como assim você já faz?
A voz de Kay se elevou um pouco, mas ela botou a mão rapidamente na boca e olhou para a porta, aparentemente ninguém tinha ido lá ver o que havia acontecido. O droid parecia muito culpado, ia para frente e para trás rapidamente.
— Me explique BB9, o que você andou fazendo? – Inclinou-se para ele e os fios de remédio foram todos puxados
— Bebeeeped, bew, bep? – Falou muito baixinho
— Lembro sim, amigo de Poe...
— Beewpe, beeweoeooo
— BB8 e você estão namorando a distância? Mas isso é... – Pensou um pouco – Incrível e perigoso ao mesmo tempo, BB9 quando ia me contar isso? – Perguntou com um pouco de raiva
— Bweeepewwe, beewep – Falou rápido
— Quando tudo isso passasse, sei... Bem, eu gosto da notícia amigo, mas precisamos ter cuidado com isso, é muito arriscado – Colocou a mão na cabeça dele novamente – Estamos numa guerra e quem diria... Parece que o romance surge em todas as oportunidades
— Bewwpe, bepepeped, bepwoep – Disse com certeza
— Terminal desativado? Hm... É uma boa escolha, mude sempre de frequência e encriptação, precisamos ter certeza de que não será pego... – Ela abaixou-se para mais perto dele – Preciso que diga a Finn e Poe que estou bem, e não procurem por mim
— Beeweop! – Com convicção
— Obrigada amigo, você é o melhor
Kay sorriu gentilmente para BB9 que deu voltinhas animado ali embaixo, ela queria descer ficar um pouco em pé, mas ainda doía muito, além disso os fios das maquinas a impediam de ir longe. O droid havia ficado com ela o dia todo, Kay acessou as redes por BB9 e viu o que estava acontecendo pelo destroyer, nada de muito anormal, também viu a rede de notícias e jogaram durante algum tempo.
A moça acessou algumas mentes, sentiu-se muito errada de fazer isso, mas num dia inteiro de total tédio isso parecia um pouco divertido, gostaria de saber o que acontecia na Primeira Ordem. Os relatos eram de total insatisfação por parte dos maquinários que haviam sidos destruídos por Kylo Ren, os homens o chamavam de louco e não sabiam o que poderiam fazer para que o Comandante parasse. Apesar de tudo Kay sentia os níveis de estresse em Kylo Ren diminuindo drasticamente agora que ele sabia que estava acordada.
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