Kayralor - Uma história Star Wars
40 Meditação
Nos arquivos do Império haviam escritas as coordenadas deste local, Kylo Ren nunca tinha ido lá até então, mas agora sentia uma necessidade crescente de ver a casa de seu avô, Darth Vader. Se até então seu tempo com a máscara icônica do grande legado não o relembrou de sua família, este lugar agora trazia uma grande aura negra para o seu interior.
A Commander chegava calmamente no hangar daquele palácio negro, o clima era extremamente mais quente e a gravidade um pouco mais pesada que de costume. Mustafar mostrava suas chamas e violência a Kylo Ren que saia agora da nave com alguns troopers e outros três tipos de encarregados, dois médicos e dois sanitários.
Todos foram andando diretamente para os seus serviços enquanto Ren ia um pouco mais para a beirada observar o precipício. Olhou para dentro dele por alguns longos minutos enquanto as lavas de Mustafar escorriam por entre as fendas de enormes pedras negras, ele virou-se e adentrou aquele local por um enorme portão negro que fazia parte do hangar e dava para os fundos do que poderia chamar de castelo.
Ele podia sentir o poder daquele lugar, podia sentir o lado sombrio encrustado com força naquelas paredes e naquele pequeno local, que não havia nada a ser mostrado. Não havia nenhum ambiente comum, todos eram para o uso exclusivo e próprio de Darth Vader, havia somente um quarto e somente uma sala de contatos, nesta um grande telão onde ele poderia se conectar com toda a galáxia.
Havia uma sala vazia e negra, feita da mais pura pedra sensitiva dos rios, planeta natal de Qui-Gon Jinn. Havia algo acontecendo dentro de Kylo Ren e este precisava ser salvo de tais implicações, a Força o havia encaminhado para Mustafar e este queria encontra-se novamente. Ele adentrou este lugar e o observou por um momento, nada mesmo havia dentro da sala negra, apenas um tapete velho e sujo.
O homem retirou seu capacete e respirou fundo, mesmo que o local em volta daquela sala fosse quente, ali dentro era extremamente frio, ele sentou-se sob as pernas sob o tapete velho no meio, postura ereta enquanto ainda observava um pouco a sala. Algo crescia dentro de si e ele queria arrancar tal sentimento de dentro dele, algo perigoso, algo vulnerável, algo forte e incontrolável. Não se sentia perdido, mas sentia que estava se perdendo, suas convicções, ideiais e valores estavam todos muito turvos em sua mente, por que essa praga crecia dentro dele.
Não havia preocupação com Kayralor, ele a havia deixado bem na Finalizer mesmo após ter andado todo aquele deserto de areia rosa com ela em seus braços, aquele planeta havia o deixado fraco e mole. Ele havia drenado seus poderes enquanto estava lá com ela, Kayralor. Quem era ela? Essa coisa em relação a ela, essa estranhice, crescia dentro de si como um vírus descontrolado, praga, doença.
Mesmo sem focar sua mente, dentro da câmara ele já conseguia escutar sussurros da Força. Ele não suportava meditar, não aguentava, odiava tudo em relação às suas meditações, mas se a Força o havia chamado para algo, deveria saber. Fechou os olhos e alguns momentos vieram a sua mente como brasa queimando sua pele, um templo em chamas e os olhos em pânico.
“A face do meu filho”, disse a voz tão familiar que o homem sabia bem quem era. “Meu filho está vivo”
“Saia da minha cabeça”, foi tudo que ele conseguiu dizer entre dentes. E então o templo novamente em chamas, seu sabre fincado no peito de um daqueles que eram iguais a ele. Os cabelos de uma mulher ao vento, belos cabelos negros voando contra ao sol que tocavam seu rosto agora com muita calma e delicadeza.
Kylo Ren balançou a cabeça com violência e bateu forte em sua própria perna com frustração, não era isso que ele queria ver. Ele queria ver o momento que o lado negro tomou seu coração, queria lembrar-se de como havia retirado Ben Solo de sua vida e agora Kylo Ren se erguia de forma poderosa e ameaçadora.
“Me ajude Obi Wan Kenobi, você é minha única esperança”, Ben Kenobi era de onde havia seu nome se originado, quanto mais tempo passava mais irritado e frustrado dentro da meditação ele ficava. Ele viu Rey agora e como o mesmo havia manipulado ela de forma tão poderosa, aquela cicatriz ardeu novamente em seu rosto e ele gritou de dor, não só ali, mas nas pernas e em seu ombro também. O ferimento que Chiewie havia feito em seu troco doeu como naquele mesmo momento.
“Ben”, disse a voz do homem.
“Luke Skywalker”, ele respondeu num instante. “Eu irei encontra-lo e nada mais restará dos Skywalkers”, falava com extrema raiva. Viu Ach-To, Luke tinha estado no planeta e Kylo Ren podia ver o primeiro templo Jedi, a algum tempo estava procurando por esse lugar, mas agora não havia mais nada que fosse relevante naquele local. Tudo parecia desolado e não fazia muito sentido ir até lá no momento.
Era extremamente verdade que Ben Solo havia fechado todos os tipos de conexão na Força para sua mãe Leia Organa, depois que se juntou a Primeira Ordem, Ben fazia questão de não deixa-la entrar nunca. E esse era um dos principais motivos de porque nunca meditar, o canal estava aberto agora e a mulher sabia. A aflição veio do peito do homem, ele não queria escuta-la, não queria encara-la, ele iria negar essa conexão pois isso doía no fundo de sua alma, se é que ainda tivesse uma.
“Eu posso ve-lo, Ben... Eu sei que está aí, eu sei que ainda há bem em você...”, a voz era calma e reconfortante. “As escolhas que faz Ben, todas elas... Estão o levando para o sofrimento, estão levando quem você ama a sofrer... Aplie sua mente, você verá... Alguém sofre”.
— Não... Não... Me tire daqui! – A voz era arrastada de agonia
“Ainda há esperança... Eu vejo, algo cresce em seu coração! Você nega. Mas por quanto tempo vai conseguir fazer isso, Ben? Por quanto tempo vai conseguir repreende-lo? Por favor, meu filho... Volte para casa! Ainda há casa para você, seu pai...”
— Pare!
Silencio. Ele via agora Kay, a moça era forte na Força e sua mente era incrivelmente blindada as cobranças dele, Kylo Ren poderia tentar qualquer coisa e então ela apenas aguardaria que ele estivesse terminado por que isso não surtia efeito algum sobre ela. Ela era tão igual a ele e por isso funcionava, ela não era nada como Rey que era praticamente seu oposto, Kay era incrivelmente mais forte a todos que ele já havia visto. Ele confiava nela, confiava nela. Não podia acreditar nisso.
E então a o sentimento crescendo em seu peito agora era visível, crescia com força e vontade e nada havia para faze-lo parar. Leia estava certa, ele não saberia por quanto tempo seria possível controla-lo ou nega-lo, mas saberia que faria isso com todas as forças que tivesse até o fim de seus dias. Focou-se em ver o momento em que se ajoelhou diante do Supremo Líder Snoke, mas então aquela memória não durou muito, ele voltou a flutuar para perto de Kay e como ele se sentia livre. Livre. E preso a ela.
O momento veio em que ela o disse sobre Poe Dameron e como ele se sentiu em relação a ela naquele momento, por que confiava nela? Estavam convivendo a algum tempo e ainda assim ele tinha ido atrás da mesma naquele planeta desolado, ele, Kylo Ren, o assassino de Jedi. Ele havia se preocupado com ela, queria saber como ela se sentia e se corria perigo, mesmo que a moça não precisasse de nada disso. E ainda assim se sentia extremamente só em Mustafar, não havia ninguém, não havia nada.
Aberto. Vulnerável. Luz.
Medo.
O que estava acontecendo com ele? Não existia medo nele e agora esse sentimento, não só esse, mas alguns outros que ele nem se quer sabia que existia estavam surgindo como uma infecção. Ele havia começado isso e agora havia medo sobre seu plano. Pela Força viu um coração cheio de vontade e luz, ele iluminava Ben e isso o trazia esperanças, odiava isso, odiava mais que tudo em sua vida.
Vozes sussurravam perigo e então ele as afastava, o cabelo de Kylo Ren caia sobre seu rosto enquanto ele mais uma vez balançava a sua cabeça.
“E se você se for, Ben?”, a voz dela ecou violentamente na cabeça dele.
— PARE COM ISSO! – Ele gritou alto dentro da sala
Ele não queria aceitar o fato de que ela se preocupasse com ele, pois isso o demonstrava que havia alguém que se importava, havia alguém ali por ele quando não havia mais ninguém. A respiração pesada do homem se elevou e ele não podia sair da sua meditação, queria abrir seus olhos, mas então sentiu as mãos quentes dela tocarem seu rosto como naquele momento em que esteve com ele no Silencer. Seu peito descia e subia com muita velocidade pois aquilo era... aquilo era...
“ESTÁ EM PERIGO”, gritou uma voz na Força e então ele pode sair da meditação. Era a voz de Han Solo.
O homem estava assustado, sentiu como se tivessem dado uma surra em seu rosto, o peito descia e subia rapidamente enquanto ele procurava por ar, apoiado no chão seus cabelos caiam mais além seu rosto e o suor pingava de sua testa e queixo. Eram sempre tão vividas e ele detestava toda a sensação que isto o causava e por que as visões nunca mostravam o lado sombrio, ele havia conversado com Luke e Leia naquele mesmo momento e sempre se odiara por isso.
Por esses motivos Kylo Ren não meditava, ele não suportava ver tudo novamente e até então a Força o havia atraído para lá para mostra-lo alguma coisa. Ele abriu a porta da sala com muita violência, entendia agora parcialmente o que estava se passando dentro de si e fora de si, um trooper que esperava lá fora quase caiu de susto.
— FAÇA CONTATO COM A FINALIZER AGORA — Ele disse enquanto quase atropelava alguém com seu corpo enorme
Não demorou muito até que os controles estivessem ajustados para a comunicação, os troopers estavam tranquilamente sentados na sala de controle quando o homem entrou com tudo no ambiente, usando sua máscara e apertando o botão de início.
— Vice-Almirante Beldwin – Pausou – Comandante Ren, o que...
— Sem mais Vice-Almirante, me traga Hux imediatamente – Sua voz era de um urgência e raiva nos comunicadores que ele mal podia conter
— Senhor... General Hux, não se encontra... Ele... Está no controle de uma missão – Disse o homem com medo
A mão de Ren fechou-se diante de si enquanto o homem terminava sua frase e então o Vice-Almirante sentiu suas cordas vocais pregarem com um poder invisível aos seus olhos.
— Que... Missão? – Kylo Ren era pura fúria
— A-A... Garota... Foi entregue em Oxilon... – Ele falava entre suspiros
O homem bateu com a cabeça no chão enquanto Ren ainda o tinha em suas mãos, ele desligou a chamada enquanto gritava feito um louco dentro da sala. Kylo Ren não podia acreditar que se afastando de Kayralor por tão pouco tempo a causaria tamanho sofrimento, não somente a moça, mas a ele também. O rapaz não imaginava que isso poderia acontecer. Kylo Ren não negava que tentava se afastar e ainda assim o universo conspirava para leva-lo até ela. Não, o homem entendia que não, ele mesmo estava indo para Kayralor agora, não o universo, ele mesmo.
— LIGUEM A COMMANDER AGORA! SETEM O CURSO A OXILON
A Força era bruta nele, e estava indo para busca-la. Ela não foi em missão, foi vendida.
— ORGANIZEM UM BATALHÃO NO PLANETA AGORA MESMO
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