Quando pousaram a jovem viu que era um planeta extremamente quente, não era desértico, porém seu clima era abafado com as inúmeras casas e construções irregulares que haviam. O piloto não era ninguém que ela conhecia e já havia anunciado que apenas fazia entregas para a Primeira Ordem e nada mais, não estaria lá quando voltasse.

Andou um pouco pelas ruas e viu muitas coisas acontecerem, era um planeta com a população tipicamente pobre que chamavam de Oxilon e por algum motivo todos lá sofriam bastante como quase em toda a galáxia. Aparentemente não havia uma base da Primeira Ordem perto de onde estava e aquela sensação de cilada não passava. Não sabia nem por onde começar, mas lembrou-se de dar uma olhada em sua bolsa e o que viu dentro da sacola a desagradou completamente.

Havia uma lanterna, algumas unidades da Primeira Ordem que não serviam de nada naquele planeta em que ninguém usava o dinheiro da organização e também havia um porta trecos com uma mini faca. Não havia nem comlink, nem rastreador ou qualquer coisa relacionada com uma arma, Kay gritou um palavrão e todos a observaram enquanto chutava qualquer coisa que estava no meio da rua.

Kay andou em passos fundos até qualquer lugar mais a frente e as pessoas continuavam a olhar para seu rosto com um pouco de desconfiança era claro que não era dali, colocou seu capuz na cabeça e deu alguma volta durante um tempo, escutou conversas relevantes e irrelevantes. Algumas delas estavam falando sobre um rapaz moreno que estava na área, mas que se parecia muito com um rebelde procurado pela Primeira Ordem, seja quem fosse também queria estar anônimo com ela.

Havia como sempre seres de todas as formas vivendo naquela cidade, as crianças brincavam despreocupadas nas ruas sujas e os adultos fumavam e jogavam sabaac, uma palavra que ela havia aprendido em seu encontro com Poe Dameron. Era um jogo muito popular na galáxia havia notado que até em momentos de lazer os stormtroopers jogavam isso, mas não teve tempo de aprender, talvez agora fosse o momento.

Ficou algum tempo encostada em uma parede próxima onde acontecia um jogo animado de sabaac, havia várias pessoas de vários tipos reunidas próximas a uma grande mesa quadrada que faltava alguns pedaços. Tentou aprender alguns movimentos de cartas, interessou-se em saber qual a aposta mais querida e jogadas interessantes, as brigas eram constantes e isso daria algum trabalho.

Uma pessoa estranha se aproximou e ficou próximo a ela.

— É preciso saber jogar se quer tirar alguma coisa deles – A voz era calma

— Quero saber se apostam informações... – Disse, mas foi mais como um resmungo para si mesma

— Tudo é aposta neste planeta

A garota olhou bem para aquele ser esquisito parado próximo a ela, era um Twi’lek muito estranho, sua cor de pele era azul e seus olhos amarelados, tinha uma feição de ser bastante doente e seu odor podia ser sentido à distância. A moça esperou por algum tempo até que tivesse a oportunidade de jogar igualmente com os homens e alienígenas que estavam sentados observando e outros em pé.

— Quero uma partida!

Anunciou e a plateia se abriu muito desconfiada ao seu redor, todos olhavam sorrateiramente para ela que não era daquele lugar. Kay sabia no fundo que essa não era a melhor maneira para achar alguém, mas talvez fosse a única, pois ninguém iria falar de bom grado onde estava o maior contrabandista da área e ela sinceramente havia perdido toda a paciência que tinha depois do vacilo que Hux havia dado consigo.

— Para jogar você precisa ter algo para apostar garota e no momento parece que não tem nada – O homem riu com seus comparsas

— Eu tenho... – Ela abriu a bolsa e jogou tudo o que tinha na mesa – Essas coisas!

Isso pareceu agradar o homem que logo após parou de rir para analisar as coisas que ela tinha, parecia valer a pena uma rodada com alguém que ele nem sabia quem era. Parecia uma forasteira e de maneira nenhuma iria conseguir tirar alguma coisa dele.

— Parece interessante – Passou a mão em sua barba nojenta – O que você quer em troca?

— Uma informação... – Disse rapidamente

— Qual?

— Onde está o grande da área?!

Kay pareceu furiosa enquanto dizia isso e talvez tenha tido algum respeito naquele momento, porém os homens voltaram a rir e pediram para que se sentasse. O velho que estava jogando com ela era gordo e fedorento, tinha as roupas todas machadas de alguma coisa que ela não sabia e nem queria pensar no que era, e o sotaque estranho de muitos planetas longe dali.

O homem e a moça começaram a jogar sabaac, depois de algum tempo observando, Kay conseguiu aprender o básico, mas somente isso também, era necessário muito mais tempo caso quisesse realmente saber jogar. Havia uma tensão, todos observavam com silencio e alguns cochichavam coisas que ela não conseguia entender, no primeiro ato sentiu-se confiante pois estava com alguma vantagem.

A partir do segundo ato as coisas desandaram, provavelmente por que o ser estranho estava trapaceando e não precisava ser um Jedi ou Sith para ver isso. Era perceptível a troca de olhares entre todos, era a maneira com a qual ele fazia para vencer, se ela tinha determinada carta os olhares faziam uma rota, se tinha outra, diferente rota. O jogo chegou ao fim quando o homem jogou suas cartas na mesa e ela perdeu desonrosamente, Kay ficou furiosa de bateu com as mãos na mesa espalhando no chão tudo que havia ali.

— Você trapaceou! – Gritou

— Não pode provar isso mocinha! – Ele levantou-se

— Seus amigos o ajudaram – Continuava a gritar

— Não há ninguém aqui que possa provar seu ponto – Ele estendeu os braços abertos – E por me chamar de ladrão, você vem comigo, por que eu sou o grande da área!

Que ideia ruim havia sido, agora o Twi’lek estava bem atrás dela estendendo uma arma para sua cabeça, os outros homens ali ficaram espantados e outros também estenderam suas armas. Não podia usar a Força contra as pessoas, seria uma descoberta estrondosa e pior ainda, ela elevou as mãos ao alto e olhou todos, sabia de cor agora quem fazia parte da gangue.

Foi encapuzada e amarrada, jogada dentro do que parecia um transporte, escutava gargalhadas ao fundo e tudo balançava muito, bateu com a cabeça e o corpo muitas vezes. Depois do que pareceram horas, a coisa toda parou e ela estava bem tonta, empurraram-na para fora do tal transporte caiu com tudo no chão, mas logo foi levantada por duas mãos. Andaram mais o que parecia ser dez minutos e a jogaram de novo no chão, retiram seu capuz e foram embora com gargalhadas.

Era uma maneira extremamente ruim de se morrer ela havia pensado, ainda estava amarrada e com muito esforço sentou-se próximo a qualquer parede que ali tinha. Demorou algum tempo até que sua vista se ajustasse ao ambiente e que ela percebesse que estava trancada agora dentro do covil do homem, suspirou. O que faria ela não sabia, mas deveria ter um plano em breve, não poderia passar o resto da sua vida ali, ou poderia?

— Ei, ei você! – Perguntou a voz de um rapaz – Chegou aqui agora, o que viu lá de fora?

Ele parecia muito apressado, mas não havia muito que ela pudesse dizer. Eram muitas as pessoas no subsolo, trancafiadas e desesperançosas, mas ele não era um desses, ao Força ao seu redor era boa.

— Não vi nada, eles taparam meus olhos – Respondeu sem muita emoção

— Você viu a cara dele? Sabe como é? – Era bem apressado

— Sim... – Tentou responder com calma

— Ótimo!

O homem passou as mãos por entre as grades e desamarrou as mãos de Kay, estavam machucadas em carne viva e doíam muito, agora pode se virar para ver quem era. Ela olhou para o rapaz e sua pele era morena como haviam descrito na cidade, as roupas estranhamente escolhidas como a dela e uma jaqueta marrom, parecia ansioso demais. Estava do outro lado da cela, ambos estavam separados pelas grades.

— Precisamos sair daqui! Todos os dias eles levam alguém que nunca mais volta – Estendia a mão

— Espere, vamos com calma – Segurou a mão dele institivamente – Qual seu nome?

— Finn, e o seu?

— Finn? Você é quem eu estava procurando... Mas não parece o chefe da área – Falou confusa

— Ah não – Ele se afastou – Você é da Primeira Ordem?

— O que? Não! Olha... Meu nome é Kay e precisamos sair daqui logo!

— Temos que ter um plano – Ele se aproximou novamente – Mas os carcereiros só chegam aqui à noite

— A quanto tempo está aqui? – Ficou intrigada

— A dez dias! – Disse nervoso

— Dez dias?

Notas finais
Finn está entre nós mas não numa boa hora, espero que ambos consigam sair dali.