Kayralor - Uma história Star Wars
98 Uateri II
Quando acordou viu o seu médico de sempre parado ao seu lado, sentia-se ainda cansada e nem sabia quanto tempo havia se passado. O homem sorria gentilmente para ela enquanto BB9e e BB8 estavam ali ao pé da cama, ela sentiu-se feliz ao ver os dois.
— Amigos, vocês estão aqui – Disse ela
— Bewweped – Falou BB9e
— Também é bom te ver BB9e e o seu namorado – Sorriu – Gregor, vejo que não foi embora também
— A vida na saúde é tudo que eu tenho – Pensou – Fora isso eu gosto quando você vem aqui quase sempre morta
Ambos riram, e tirando a manta de cima de si ela percebeu sua nova perna protética, em um aço limpo e claro bem abaixo do seu quadril, por um momento ela ficou triste e depois aceitou sem muitos problemas, aquela perna realmente havia dado o máximo que tinha. Já o braço Kay não havia perdido, mas não sentia mais nada ali, finalmente a Primeira Ordem havia tirado algo dela.
— Quanto tempo eu dormi? – Questionou
— Cerca de dois dias – Piscou Gregor
— O que aconteceu enquanto estive aqui? – Disse rápido
— Ben Solo enviou as tropas para os planetas que pediram ajuda, no momento alguns aceitaram se manter dentro do regime do Novo Comando enquanto outros se negaram e então as guarnições foram realocadas...
— Onde ele está? Eu já posso sair daqui? – Não se aguentava de tanta ansidade
— Ele está na sala de procedimentos para a instalação de uma prótese e sim, mas tome cuidado ao andar, precisará se acostumar primeiro
Kay se levantou rápido e quase caiu, seria um pouco dificil se acostumar, mas como algum treino logo voltaria a ser ágil novamente. Gregor foi embora e ela se vestiu, viu o símbolo do novo comando e achou bem bonito, algo que unia os dois lados de uma mesma moeda. Andando devagar ali pela nave que estava um pouco deserta, viu rostos que conhecia e outros que não sabia quem eram, sentiu-se feliz por aquela união. Kayralor gostaria de ir até Ben, mas sabia que seu caminho era outro aquele dia, ele havia confirmado dentro da conexão e agora demonstrava confiança no que ela precisava fazer, não havia perigo.
Seguiu em direção ao hangar e viu Luke Skywalker parado bem a frente de uma nave comum de carga, o homem já esperava por ela e sabia que viria para ajuda-lo, Luke sabia que quem deveria fazer isso era seu sobrinho, mas havia muita raiva ainda imbuida nele. Ela o cumprimentou e o homem a seguiu, pode ver a esperança em seus olhos, sabia que não poderia ter Mara de volta pois havia morrido tentando voltar até Rey, mas sua filha estava diante deles e respirava. Luke poderia vê-la viva, poderia vê-la sorrir e quem sabe até mesmo conviver com Rey, seu coração se alimentava com essa felicidade e Kay o ajudaria a encontra-la, ele sabia esse caminho e havia visto isso a muito tempo atrás por Ezra.
Kay observou aquela moça, ela tinha a feição jovem e parecia alegre de coração e então havia se deixado influenciar por um mal muito maior que ela, havia estado com Ben e se odiavam, mas não havia nada presente no momento, estava perdida na Força e iriam acha-la. Estavam indo ao templo mais próximo que ficava em Uateri II, Kay nunca havia estado naquele local, mas não se importava se estava sendo guiada por Luke e Ben parecia também não estar preocupado. Luke havia errado com Ben e o mesmo havia errado com seu tio, mas havia uma confiança agora que as coisas pareciam estar correndo num rumo.
...
Traziam Rey numa maca que flutuava atrás dos dois, Kay vinha seguindo o senhor até visualizar um enorme pilar talhado pelo tempo, não era um lugar tão conhecido por Jedi ou Sith, observava o quando de energia tinha aquele espaço. Luke parecia estar familiarizado com o templo e sua energia estava constantemente se equalizando com o ambiente, uma das técnicas que Kay não sabia ainda como fazer, talvez ele a ensinasse um dia. Pararam à frente do objeto, e ela pode observar a imagem de três pessoas, pareciam unidas daquela forma para toda a vida, era uma escultura muito bonita de se ver.
— Precisamos abrir o templo – Luke comentou – Preciso que toque o ser que mais lhe cause empatia, precisa ser sincera ao escolher...
Ela observou bem, era moça muito bonita e muito pura, outro era um homem muito sinistro e um senhor que via tudo estando exatamente no meio, era ele que combinava mais com Kay e sabia disso a muito tempo. Tocou no peito dele e o mesmo brilhou em seus olhos, uma cor muito branca e intensa, Luke estava mais atrás e apontou seus braços um para cada outro ser que estavam moldados, os olhos brilharam em verde e vermelho. As estatuas lentamente se afastaram daquela entrada, deixando o enorme pilar com a porta aberta para eles, sabiam para onde deveriam ir.
— Nada do que verá aqui se parece com o que um dia viu – A alertou
— Estou pronta – Confirmou
Seguiram em direção a porta e foram caminhando em frente lentamente, era uma pilastra e então logo chegariam à parede, traziam Rey consigo e parecia um caminho muito escuro. Kay podia sentir sua conexão com Ben mesmo a muitas distancias que estavam, seu marido parecia alerta para o que estava acontecendo e subitamente aquele elo sumiu, ficou um pouco assustada e continuava a andar, estava escuro seguindo Luke e não sabia o que estava acontecendo. A moça viu muitas estrelas brilharem num ceu infinatamente escuro e bonito, era um lugar tranquilo e cheio de paz, propósito, notou que estavam caminhando sobre um mar de estrelas e isso a deu bastante medo.
— Traquila, Kayralor... – Acalmou
— O que... Que lugar é esse? – Olhava ao redor
— Um mundo entre mundos – Falou firmemente
— É incrivel e assustador ao mesmo tempo – Disse sem saber que lado escolher
— Precisamos acha-la, não temos tanto tempo aqui... Precisamos escuta-la, procure pela raiva... Foi a última emoção de Rey antes que pudesse retira-la de sua mente – Falou tristemente
“Creio que você precisa de algo. Desesperadamente.”, foi o primeiro sussurro que escutaram e Kay sabia de quem era, aquela era a voz de Maz Kanata. “Esses são seus primeiros passos...”, agora Luke conhecia aquela voz, velho Ben. “Não é assim que a Força funciona!”, a voz de Han Solo.
Estava errado e a moça sabia, nunca encontrariam Rey dessa forma, podiam ver vultos na Força, mas não era por aquilo que estavam procurando, não era por uma pessoa que estavam vindo e dessa forma não sairiam daquele lugar com ela. Procuravam por uma moça que havia tido planos para o futuro e tão cedo foram tirados de si, procuravam por esperança e compaixão, procuravam por um coração muito parecido com o que foi Luke em sua juventude, uma pessoa que era humilde e que ajudava a todos aqueles que precisavam, puro e gentil, dócil e afutoso, essa sim era Rey antes de tudo.
“Não! Não, volte!”, era ela. Kay correu para um dos lados e esperou que voltasse, estava naquele lugar e poderiam salva-la, “Onde estou? Onde estão os outros”, “De onde você vem?”, “A Força?” “Nós vamos nos encontrar novamente, eu acredito nisso”.
— REY! – Chamou Kay
Era como uma névoa muito fina que se aproximou dos dois, Rey parecia triste e distante naquele lugar, como se não se lembrasse o porquê de estar tão perdida, não se lembrava dos seus amigos e dos seu país, a única coisa que lembrava era de estar sozinha por todo o sempre.
— Rey, volte conosco! Você se perdeu a muito tempo, mas ainda pode voltar – Disse Kay
— Eu não tenho mais lugar nessa história... – Dizia a nevoa – Vivi sozinha por tanto tempo e então vim parar aqui, não me lembro mais o que aconteceu... Não quero mais sofrer
— Lembre de seus amigos, Finn! Chewie e BB8! Todos esperam por você... – Ela disse estendendo a mão
— Finn? Eu sinto falta dele... – Movimentou-se rapidamente – Mas não, é melhor me manter longe, meus pais fizeram isso por mim... Me abandonaram para que vivesse melhor
— Não! Rey, eu sou seu pai! Procure em seus sentimentos e saberá que é verdade – Luke exclamou – Iriamos voltar por você, iriamos cria-la e cuida-la, mas aconteceu muito rápido...
Houve um momento de tensão naquele lugar, Rey parecia confusa e então uma imensa felicididade havia entrado em seu coração, sabia que era verdade e Luke era o pai que tanto procurava a muitos anos. Ela se aproximou mais como se quisesse abraça-lo, mas não poderia fazer isso, estava num mundo além dos mundos e não havia como voltar, assim voltou a se entristecer profundamente. Kay estalou os dedos e isso ecoou muito profundamente naquele local, chamou a atenção de Rey para aquele lugar e pode ver o próprio corpo ao lado de Kay, dormia tranquilamente, se assustou com isso.
— Não sei como voltar – Sua voz chateava-se
— Se acalme, Rey... Pense em sua casa, em como acha-la – Kay
— Eu não tenho uma casa... – Chorava
— Agora você tem – Disse Luke – E prometo não deixa-la ir... Eu estarei ao seu lado
Rapidamente aquela nevoa sumiu e sentiram a moça ter algum lapso de consciência em seu corpo, aquele lugar todo tremeu, parecia muito que iria desabar ou alguma coisa bastante parecida, Luke alertou-se.
— Precisamos ir, nosso tempo aqui acabou – Segurava a mão de Kay
A moça pegou Rey em suas costas novamente e correram para a saída, podiam ver a saída tremendo em seus olhos, corriam a todo vigor para aquela luz, mas Luke não tinha a mesma vitalidade de antes. Com a Força ele jogou as duas para fora e Kay caiu no chão se embolando junto com Rey que ainda dormia, Kay olhou para ele rapidamente, não iria conseguir e isso esmagou seu coração. Não podia ver se separarem novamente, ela jogou as duas mãos a frente e o puxou através da Força, o homem veio rápido saindo daquele lugar por um triz e o portal se fechou com as estatuas tomando seu lugar calmamente.
Luke não caiu usando a Força como apoio, ele ajudou Kay apanhar Rey do chão e leva-la de volta a nave e foram direto ao Finalizer, Luke estava ao lado de Rey e parecia tranquilo, ansioso para que acordasse. A ligação de Kay e Ben havia voltado, ele parecia muitíssimo preocupado e conseguiam se falar de onde estava, mas parecia muitíssimo dopado para isso, provavelmente estava em processo cirúrgico e podia sentir o desgosto dele por isso. Durante a volta Luke decidiu contar um pouco de Ben para Kay como uma forma de distrações, eram boas historias de como ele era realmente corajoso e forte, um jovem de muita determinação com o coração puramente bom.
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