— A garota não quer me devolver os pratos com mantimentos, senhor

Falava um trooper com seu superior ali próximo a nova “cela” em que ela estava ocupando. Ambos tinham uma expressão de confusão mesmo que estivessem mantidas dentro do capacete, resolviam o que fariam com ela em alguns minutos.

O quarto era realmente maior que uma cela no StarDestroyer, havia uma cama e um ambiente para higiene, como era tudo na Primeira Ordem, o preto era a cor dominante. Não havia barulho dentro do quarto, mas os homens pareciam inquietos do lado de fora.

— Garota estranha, vamos entrar e retirar à força – Disse o superior

— Mas senhor, não podemos abusar de força – O rapaz começou a falar baixinho – Ela é... Se o Comandante Ren descobrir que a machucamos, estamos mortos

— Tem razão, vamos entrar e pedir com paciência, se ela não nos obedecer, nós diremos que ela foi insubordinada...

— Ok!

Os dois homens já estavam digitando a senha para entrar no local quando a figura alta e vestida em preto estava parada, claramente olhando para os dois. Os stormtroopers levaram um susto tremendo e ficaram sem saber como agir, eles se chocaram ali sem muito jeito e então se ajustaram e suas armaduras, não houve nenhuma movimentação entre Kylo Ren e os guardas.

— Éer... Comandante, a moça...

— Não. Entrem. Jamais. Saiam da minha frente.

Os guardas apenas acenaram com a cabeça e se afastaram, e enquanto Ren digitava a senha para adentrar a localidade, os homens davam alguns paços de distância para sua própria segurança. A voz metálica ressoou por alguns minutos dentro dos capacetes dos homens, que o deixaram em paz.

Faziam alguns dias que Kylo Ren não via a moça, em sua percepção ela já estava sã totalmente para ser visitada. Quando adentrou o quarto ela estava lá, num canto um pouco escuro do quarto, sentada ao chão e longe da porta, manejava com as mãos um prato vazio e um copo, estavam flutuando ao ar com o poder da Força. Ele a observou por alguns minutos, estava de olhos fechados e bem concentrada ao que fazia, nada havia mudado nela, se não as roupas velhas que agora eram novas e pretas, como as das mulheres na Primeira Ordem.

Em questão de segundos a garota abriu os olhos, e a pontou a mão vazia na direção do cavaleiro. As coisas voaram para a cabeça dele, mas no mesmo instante Ren as segurou com a Força no ar, com sua mão aberta as coisas simplesmente flutuaram, mas após ele fechar em punho sua mão, o prato e o copo se contorceram até virar uma bola de metal e caíram ao chão.

— Pare com isso – A voz distorcida repercutiu no quarto

— O que você quer? – Ela disse rápido e rudemente

Ren aproximou-se a ela com alguns paços e a moça rapidamente se levantou e estendeu a mão contra ele. Ambos perceberam a agitação na Força.

— Você deve aprender os caminhos da Força, eu posso ensina-la

— Meu tio me ensinou tudo. Não quero nada de você – Ela afastou-se um pouco mais por precaução

— Seu tio lhe ensinou o básico, e muito mal

— O que você sabe sobre meu tio?!

Em questão de segundos a garota se aproximou muito rápido de Kylo Ren, ele deveria ter previsto isso, mas isso apenas o assustou, e o surpreendeu. Percebeu alguns detalhes no rosto da mesma que o chamaram atenção, seus olhos eram cinzas e os cabelos eram pretos com alguns tons de azul. Tinha feições finas e harmoniosas, seu corpo era magro e cerca de 20 centimetros mais baixo em relação a ele, sua pele era clara e seu rosto era bonito.

Ela o encarava com coragem mesmo que não o visse, ele percebia que os olhos dela estavam ultrapassando seu capacete. Isso o deixou um pouco nervoso. Sem se mover, ele apenas movimentou a cabeça para o lado.

— Sei que ele não é usuário da Força – Disse sem muita emoção

— Você não sabe, você nunca o viu! ­

Mais uma vez ela o enfrentou aproximando-se ainda mais, Kylo olhou novamente para ela e dessa vez não houve hesitação se não lhe dar as costas. Ela estava próxima demais e aqueles olhos o penetrando.

— Eu li a mente dele, ele é fraco e você é forte – Afastou-se com alguns paços

— Como...

— Você deve se aliar a mim, eu irei lhe ensinar tudo que aprendi – Ele virou-se rapidamente para ela

— Não tenho interesse a me aliar a quem me mantem presa como uma refém – Ela disse rápido

Ren cansou-se e a moça notou isso instantaneamente como uma mudança de ar entre os dois, o clima balanceado rapidamente tornou-se hostil e ela sentiu que deveria tomar cuidado nesse momento.

— Você irá se aliar a mim, ou seu tio morrerá – Ele a encarou com aquela mascara sombria

— Não... – A moca claramente parecia preocupada

— Eu ofereço a você a liberdade enquanto eu a treino, ou a servidão enquanto seu tio morre – Ele disse enquanto a voz metalizada ecoava no ambiente – Terá acesso a tudo o que a Primeira Ordem pode oferecer, caso o contrário será mandada às minas de Itirium para escavação e nunca mais verá a luz do dia

Ela sabia que isso se tornaria verdade se não respondesse exatamente o que ele queria. Havia algo que ela queria proteger e Kylo Ren sabia, pois, a mesma havia deixado muito exposto, ela se culpou por isso no momento, mas precisava agir rápido. Ren não tinha interesse em descobrir o que era isso agora, só queria que ela colaborasse, precisava aprender o que podia ou então não seria nada além de tempo perdido.

Não havia realmente a intenção de manda-la para as minas já que era uma usuária forte, porém precisava fazer parecer real a ponto que ela aceitasse a aprender o que ele tinha a lhe ensinar. Isso havia ocorrido uma vez antes, e sabia que não daria certo.

— Não, por favor. Você deve protege-lo, por favor. Eu... Eu irei aceitar seu treinamento, mas por favor o deixe viver... Me prometa que irá deixa-lo viver...

A jovem se aproximava cada vez mais daquela figura estranha e sombria, pedindo a ele favores com as quais nem sabia se poderia obter. Por mais estranho que poderia ser, ela não tinha medo e faria de tudo para que o velho saísse vivo da complicação a qual ela se meteu. Ela se curvou e pediu com tudo que tinha mais uma vez.

Kylo Ren se odiava, ele se odiava tanto pois já esteve naquele lugar, o fogo de uma determinação tão grande em manter alguém que amava vivo, seu pai, enquanto se humilhava a alguém que queria o contrário, ele havia escolhido ceifar aquela vida por suas próprias mãos à entrega-la às do inimigo. Ren sofria, virou-se em direção a porta e caminhou até lá.

— Não sei mais o que são promessas. Começaremos daqui a dois dias.

Ele saiu do quarto e pode perceber a grande agitação que ela causara, por mais incrível que possa parecer Ren não conseguia ler seus pensamentos, nem sentir o tamanho do poder que a moça tinha. Desconfiava que, de que algum modo ela estava ocultando tais informações, mas como era possível ele ainda não sabia, iria descobrir.