Fosse lá o que existisse aquele lugar não era nada comum a ela e Kay continuou encarando sem saber o que fazer, se aquele era o templo, como faria para entrar? Sentou-se no chão e passou um tempo, era bastante cedo e os primeiros animais saiam de suas casas para comer, incluindo um gato Lothal branco que sentado em cima de um pico a observava intensamente.

— Como eu posso entrar BB9? Não tem uma porta – Chateada

— Bewweped – Disse rapidamente

— Hm, pode ser bom

Kay fechou os olhos e pensou na Força, queria encontrar a resposta e visualizar o que havia lá dentro, precisava de ajuda para seu caminho. Queria encontrar verdadeiramente como fazer seja lá o que queria fazer, no momento ela só queria saber o que fazer com os itens que carregava, ela gostaria de entender por que haviam chegado até ela. A moça concentrou-se bastante e ao fundo de sua vontade sentiu longinquamente as vibrações de Ben, ela poderia dizer exatamente de qual ponto da galáxia vinha aquilo, quase como um localizador.

Kay voltou a pensar nos seus objetos e desejava saber o que fazer com eles, ela se concentrou e sentiu que havia muito conflito dentro dela assim como Ben, aquilo era ruim para todos e principalmente se estavam longe um do outro. Sentiu um tremor no chão e abriu os olhos rapidamente, as pedras estavam agora se movimentando muito lentamente e saiam da terra como grandes torres, BB9 ao seu lado parecia muito tenso. Aos poucos uma entrada foi se mostrando, e o gato branco saiu da ponta da pedra num instante, pararam de se movimentar e ela pode se aproximar do portal.

Kay foi entrando devagar, era uma passagem bem estreita e pouco iluminada que desceu lentamente para não escorregar em nada, quando atingiu o fundo a passagem atrás dela se fechou e o templo voltou a ser o que era antes, BB9e e ela ficaram observando por alguns minutos. Aquele lugar era como um canal, uma antena para todos os poderes da Força, tudo que acontecia dentro era mais intenso e perceptível, ela pôde sentir as vibrações passando por suas veias e enchendo seus pulmões, calvagando em sua mente como grandes cavalos de luz.

Chegando ao fundo viu enormes pilastras e estranhos esqueletos sentados em posição de meditação, era estranho como pareciam calmos e não assustadores. Novamente sentiu o templo, a Força era incrível naquele lugar, forte e constante e mais uma vez a moça sentou-se para tentar descobrir o que fazer com tudo e mais um saco de tralhas que nem sabia onde colocar. Mal havia sentado e fechado seus olhos.

— Engraçada, ela é – Riu

A moça abriu os olhos e para sua surpresa duas pessoas estavam presentes da mesma maneira que Anakin havia aparecido para ela, estavam os dois agora. Fantasmas de uma outra era e época, iluminavam o interior do templo como tochas brancas, um era pequeno e verde e o outro tinha o cabelo e barba grisalhos. Aquele pequeno era engraçado, ele tinha as feições muito antigas e sérias, mas sua voz era estranhamente engraçada e carregada de uma boa vibração sobre a vida. Já o segundo parecia acompanha-lo pacientemente e ter muito mais respeito pelo verdinho do que Kay estava tendo em sua mente.

— Quem são? – Questionou ela – Você é que é engraçado!

— Importa isso, agora? – Disse o pequeno – Boa menina você é – Riu

— Somos mestres Jedi antigos – Disse o mais alto – Estamos aqui para ajudar, seu papel é importante no futuro

Kay pensou um pouco e depois parou de pensar, os homens presentes a observaram estranhamente. Ela colocou os três itens no chão a mostra para eles, olharam para estes e um colocou a mão em sua barba pensativo. O pequeno vinha andando ao redor de Kay com uma bengala enquanto o maior ainda coçava sua barba, ele tinha o cabelo curto e parecia muito mais intrigado com as coisas do que o verdinho que de certa forma se divertia. Uma muda, um cristal e um diário, respectivamente.

— São três itens da Força... – Disse ela

— Um você planta, o outro você rega e o ultimo você colhe – Falou o barbudo

— Como posso regar e colher? – Perguntou

— Olhar com os olhos da Força, ela não faz – Disse o verdinho

— Isto é um cristal kiber nascido de uma fonte especial, é raro e forte – Falou o homem enquanto o cristal flutuava a frente de Kay – Para construir sua arma você precisa entender exatamente o que é por dentro, você mesma

— O último só entenderá, se a mesma coisa fizer – Falou o pequeno – Com os olhos da Força deve ver

A moça não teve tempo de pensar os fantasmas indicavam que queriam ir.

— Anakin me disse eu que poderia ajudar Ben! – Falou rapidamente – Como?

Os dois se entreolharam, havia uma certa tensão sobre o que deveria ser dito e Kayralor aguardou pacientemente a decisão dos dois.

— Ben pode ser salvo Kayralor, mas ele precisa ver isso por si mesmo – Disse o homem – Você não pode fazer nada por ele... Ben precisa entender os conceitos de uma vida que ele nunca teve, amizade, confiança, virtude, amor... Todos são necessários a ele... Anakin disse que você poderia ajuda-lo a perceber e é verdade, mas só ele pode ver

— Escutar você ele não vai, sozinho ele entenderá – O verde falou – De Vader há muito nele, mas de Solo também há

— Ben está dominado pelo lado sombrio por que ele acredita firmemente que pode mudar o destino da galáxia sozinho... Ele viveu muito tempo na escuridão e ver a luz é uma questão que envolve muito dele, Ben está preso em um legado infeliz de dor e sofrimento – Disse o homem enquanto passava a mão em sua barba – Ele está perdido Kayralor, acredita que não pode mais ser salvo e não há mais chão a qual se segurar... Mas todos podem ser salvos e eu compreendi isso muito tarde... Luke fez isso por seu pai e eu o ajudei enquanto pude...

— Mas... Próximo de encontrar um caminho, ele está – O homemzinho riu – Tolo ele é, mas tolos somos todos

— Há alguma coisa que eu possa fazer, qualquer coisa? – Perguntou ela com pressa

— Fique onde está – Disse o mais alto

— Disse Anakin a você, Kayralor – Coçou a cabeça o pequeno – Fluxo tudo tem, deixar seguir você deve

— Harmonia Kay, bem e mal... Tudo é um só, a Força é uma só... A Força não perteçe a você para mudar, ela pertence a si própria para transformar

Antes de ir o pequeno mesmo que em sua forma espectral bateu com a begala na cabeça de Kay e aquilo doeu, ela o deu um peteleco na orelha e esse riu para a mesma antes de desaparecer, aquilo foi reconfortante ao seu coração. Os dois homens se foram e Kay se sentiu extremamente sozinha de novo, era como se estivessem lá a tanto tempo e agora se foram rapidamente como as folhas em vento. Quem era ela? Como ela poderia saber quem era de verdade?

Pensou, Kay não sabia nada sobre o seu passado, tinha vivido com Gnar e o amava como um pai, sempre foi uma criança forte e a Força estava com ela desde que se lembrava. Fechou os olhos e viu as lembranças de seu passado, inicialmente vivia em uma cidade e depois moveu-se para a floresta quando seus poderes estavam ficando maiores. Então Gnar chegou com esse diário e o guardou para sempre em seus objetos onde a moça só pode pega-lo de volta recentemente. A moça tinha amigos na Resistência e tinha na Primeira Ordem, tinha que deixar o fluxo seguir.

BB9e viu o saco de tralhas flutuar e secretamente derrubou todos os itens no chão, a moça continuava sentada e focada enquanto o cristal brilhava a sua frente. Todo esse tempo a moça tentava entender quem era, era corajosa e tinha medo, era forte e era fraca, sorria, mas também sofria. Ela sabia que estava no meio e isso significava equilíbrio, luz e trevas e nada mais apenas a Força e ali dentro essa canalização foi muito mais forte, ao mesmo tempo que queria ajudar a todos sabia que haviam sacrifícios a serem feitos, era um fardo a ser carregado, mas com determinação ela poderia fazer isso.

Kay estava no meio e finalmente podia ver isso, ela não era Jedi e nem era Sith, ela era a pura Força que sabia dos dois e praticava os dois, ela era ninguém e ao mesmo tempo todos. Paixão com desapego, sacrifício e compaixão, entendimento e ignorância, tudo exatamente equilibrado e agora estava bem consigo mesma. Nem Primeira Ordem e nem Rebeldes, ela ajudava a todos igualmente. Ainda queria aprender muito sobre seu poder, mas também gostava do mistério que isso empregava.

Ela escutou um click e um barulho de algo caindo ao chão, ela abriu os olhos e estava ali um sabre de luz preto com detalhes em prata claro, era muito bonito pensou ela. Apanhou do chão e segurou em suas mãos, se encaixavam perfeitamente. A grande cicatriz na mão que havia sido atingida pela blaster agora não era nada pois o sabre estava confortavelmente seguro.

— De quem é esse sabre BB9? – Questionou intrigada

— Bewwpeo, bewwep – Disse com animação

— Eu que fiz? Nossa, é incrível!

A moça acendeu e uma luz branca saiu dali, era lindo demais, leve e ergonômico. Ela girou com ele ao redor do corpo e parecia se encaixar perfeitamente com tudo nela, a lâmina branca brilhava sem nenhuma interferência e enquanto ela passava de uma mão para a outra ele se acomodava as duas perfeitamente. A mão afundada de Kay a qual a blaster havia atingido conseguiu pega-lo sem nenhum problema, era um sabre leve e que demonstrava calma para Kay, diferente do sabre de Ren que era pesadíssimo e instável.

Kay envolveu sua mão com a Força e a passou sobre a lâmina, pode senti-la. Era uma lâmina leve e altamente perigosa, totalmente diferente do sabre de Kylo Ren ou Luke Skywalker. O cristal kiber era antigo e puro, mas havia nele encrustado sabedoria negra, poderia ter atingido quaisquer cores e este preferiu a branca por estar no lado neutro de Kay. Desligou.

Ele se aproximava.

Notas finais
Eu não acredito nessa de mestres que são distantes de seus alunos, aquela história de respeito quase divino com seu mestre pra mim não funciona e a Kay também sabe que mestre nada mais são do que alunos no passado, o fato de ela ter tirado uma onda com o senhor em questão remete que não somos intocados, a Força não é algo para alguém intocado e especial, e sim para qualquer um. Quebrando essa barreira do mestre/aluno fica claro que ninguém deve ser arrogante, ou se sentir humilhado por um titulo de professor ou etc... O pequeno também sabe disso, ele adora bengalar seus alunos ♥