Kayralor - Uma história Star Wars
36 Caverna
A caverna era fria e úmida, Kay tinha a sensação de que alguma coisa morava lá dentro e ela não tinha certeza, apenas pode escutar pingos e coisas pequenas que rastejavam. Ela ficou pensando se aquele homem foi alguém importante, como foi a vida dele e muito mais, mas a semelhança dele com Kylo Ren não poderia deixar de ser notada. Será que eram parentes?
Ela sentou-se numa pedra ali e relaxou seus músculos, estava com areia em todas as partes do seu corpo incluindo nos cabelos, deu uma sacudida para tirar o excesso. Ela colocou-se em posição de meditação e respirou fundo, fechou os olhos e respirou mais uma vez, respirou como havia dito aquela voz.
“...eu o odeio, odeio. Não há nada que possa fazer...”, fogo e mais fogo. “...como terminamos assim?...”, gritos de dor e raiva. “...não há nada...” uma raiva tomava conta do seu coração. “...nunca será mais forte que ele...”. “...você me traiu...”.
A moça abriu os olhos, mais uma vez assustada, eram visões do futuro, mas haviam tantos futuros, será que isso um dia mudaria? Havia gritos de dor, de raiva e desespero, também haviam choros e uma ira crescente, o que estava acontecendo naquele lugar? BB9 estava meio sonolento ao seu lado e nada da tempestade de areia parar ou diminuir, pensou que ficariam lá por bastante tempo.
Ela havia deitado agora e olhava para o teto da caverna, era escuro, mas havia alguns brilhantes em cima, nada que chamasse a atenção realmente. Quanto mais escuro ficava lá fora mais alguns animais vinham e se amontoavam, Kay pode ver o que pareciam ser gatos com orelhas enormes, estavam mais com medo do que ariscos. Um sentou-se ao seu lado e esfregou-se em Kay fazendo um som amigável, ela sorriu e o acariciou.
Uma figura negra entrou na caverna rapidamente e ela levou o que achou ser o maior susto da sua vida, gritou e levantou-se como um raio, pôs de frente o sabre de luz, seu coração palpitava muito fortemente. Ao se aproximar ela percebeu que era ele, Kylo Ren? O que ele estava fazendo naquele planeta? O capuz estava coberto de areia rosa assim como todo o resto da sua roupa, ele ficou parado, mas rapidamente retirou o capuz e a máscara.
— Você estava demorando – Disse em urgência – Eu vim para saber se estava bem
Essa frase saiu muito rápido de sua boca, nesse momento ele não conseguiu controlar o que pensava, se aproximou rapidamente dela para ver o seu rosto e ficou esperando alguma resposta ou nenhuma. Kylo Ren sabia exatamente que Kay não precisava de ajuda, sabia exatamente que a mesma não precisava ser protegida, pois ela evoluía a cada dia em seu treinamento, mas ele não podia deixar de responder a essa vontade. Ele parecia muito tenso e preocupado, a máscara segurava em sua mão e pendia para o chão.
— Estou presa aqui, se não percebe – Disse rapidamente – Eu estou bem... Como me achou?
— Procurei pelo rastreador – Sem muita emoção
— Você colocou um rastreador em mim? – Perguntou com raiva
— BB9 tem um rastreador, você não
Ren virou-se contra ela e abanou toda sua roupa, a areia saiu dali flutuando enquanto ele se batia com alguma violência. Ela observou um tempo depois se sentou novamente, os gatos que estavam ali tinham se afastado, Kay nem imaginava que BB9 tinha um rastreador, mas no momento estava funcionando muito bem, pensou.
— Eu odeio isso – Ainda se batia, mas com autocontrole parou – A tempestade está muito forte lá fora, vamos ter que esperar
— Podia ter me esperado no Finalizer – Replicou
— Eu disse – Pareceu irritado com isso – Você estava demorando muito
— Quanto tempo estou fora? – Questionou-se
— Desde o último contato, 12 horas
Kay não podia imaginar que estava fora a tanto tempo já, o tempo no planeta claramente era bem maior do que ela havia pensado. Deveria ter andando muito nas areias para que levasse tanto tempo chegando a caverna, Ren sentou-se longe dela e colocou seu capacete ao seu lado. Realmente ele havia saído da Primeira Ordem para ve-la, uma vez que ela já havia perdido a noção do tempo. Ele ficou observando a garota de maneira preocupada e tensa, ela sentia que queria falar sobre o que havia acontecido mais cedo.
— Sobre mais cedo... – Foi interrompida
— Eu menti para você
Ele levantou-se num salto, e andou em direção a ela estendendo a sua mão. Rapidamente percebeu que havia se sobressaído e então recuperou a compostura ereta e indiferente, ele olhou para uma parede qualquer com o rosto sério e tenso a boca serrada, e depois olhou para ela com calma. Ren estava relutante sobre algo, alguma coisa dentro de si mesmo que ele lutava em admitir, ela podia ver nos olhos do homem que ele se esforçava para manter aquela maldita postura.
— Pareceu tão real... – Disse ela
— Eu não... Quis dizer aquilo – Engoliu o seco e abriu a mão esquerda diante de si – Eu não faria... Eu... Estou aprendendo com... Você – Era relutante nas palavras
— Está tudo bem – Inclinou-se para frente – Eu te pressionei e você me deu o que poderia dar no momento... Não irei mais pedir por isso, a Força deve fluir...
Com aquele corpo altivo, Ren olhou para ela e voltou a se sentar lá, longe dela. Kay notou que nunca havia visto Kylo Ren sentado e isso era engraçado por que suas pernas eram maiores que qualquer coisa que ela via. Os olhos grudavam-se nos dela com alguma emergência, ele sempre quis saber o que se passava na mente da moça, mas a única coisa que poderia fazer era tentar entende-la por suas ações e reações. Kylo Ren gostaria de dizer que não ler a mente da mesma era problemático, mas até o momento ele estava aprendendo muito.
Ele não se sentia assim com todas as pessoas, gostaria de poder dizer que estava errado e se desculparia, mas havia orgulho demais nele. Kayralor não precisava disso para saber que ele queria se desculpar com ela pois ele já estava fazendo isso internamente, mesmo sem um fluxo compartilhado, ela sempre sabia. Dessa vez ele a olhava com um tom sereno e calmo, mas não fixou o olhar por muito tempo pois sabia que ela desgostava disso, ele tinha interesse por analisa-la e saber o que ela tinha em mente sobre ele, não só sobre ele mas também sobre ela e tudo ao redor, porém a jovem desgostava quando ele gastava tempo a olhando firmemente e agora inclinado para frente olhava para o chão.
— Você pode sentar comigo, se quiser – Era calma – Eu sei que se interessa pela troca de nossa energia
— Está lendo minha mente? – Questionou ele com um pouco de irritação
— Eu nunca li sua mente... E você saberia se estivesse – Disse rápido
— E como sabe? – Pareceu desconcertado
— Eu também gosto – Ela piscou os olhos calmamente
Demorou alguns segundos enquanto processava essa informação, Ren ponderou muito, seus olhos olhavam para algum lugar inexistente, mas ele saiu dali e sentou-se ao lado dela. Saber que ela também gostava teve algum efeito sobre ele, achou isso muito satisfatório afinal ele não sentia isso sozinho. A energia era realmente melhor próxima de Kayralor, para os dois, cada vez mais ele aprendia sobre aquele fluxo e porque não teve ou tinha com mais ninguém. Ele estava ao lado dela parado com uma pedra, apenas respirando e contorcendo seus dedos.
— Quem era Darth Vader? – Perguntou calma
Ele ficou um pouco nervoso, mas voltou ao estado atual. Ambos estavam ao lado do outro, mas não faziam contato visual, apenas energeticamente.
— Anakin Skywalker, pai de Luke Skywalker e Leia Organa – Falou rápido
— Darth Vader também usava uma máscara como você, mas ele precisava... Por que você usa?
Kay estava sendo inocente e Ren podia perceber, ela não tinha intensão saber a fundo quem ele era, apenas alguns motivos para usar a máscara, decidiu dar mais do que pediu.
— É uma demonstração de força, sou líder do Clã Ren e todos devemos usar – Falou seriamente mirando a frente – A máscara demanda poder e respeito, o Clã Ren sempre a utilizou e a derrota nunca nos alcançou... O envolvimento do Clã não é algo que Snoke tenha poder sobre, são chamados em decisões que mudem o destino da galáxia... O líder do Clã Ren só deve chama-los sob valores de honra
— É algo antigo? – Questionou ela
— Data-se de 1900 ciclos antes de Luke Skywalker – A voz dele era pesada e ecoava nas paredes
— E onde estão seus amigos? – Questionou sem muita emoção
— Não são meus amigos – Disse rápido
A jovem havia percebido que ele tinha ficado irritado, ela encostou-se na pedra atrás de si e observou o homem que estava inclinado para frente com as mãos entre as pernas e aquele acessório apertado em seu pescoço que o deixava mais imponente ainda, piscou os olhos pesados, havia dormido 2 horas somente aquele dia, estava cansada de andar na areia. O gatinho veio e pulou em seu colo, ficou enquanto ela fazia carinho calmamente e olhava para o teto.
— Eu gosto do seu cabelo – Disse sem contato visual
— Você já me disse isso – Ele olhou para ela
A garota riu e fechou os olhos, ele era engraçado de uma maneira mortal e séria, mas era por causa da irritabilidade e da arrogância que faziam ele ser chato e engraçado ao mesmo tempo, ele a irritava de uma maneira saudável. Antes quase chegou a ser mortal, mas agora ele a irritava de uma maneira quase natural, era comum que num trabalho dentro da Primeira Ordem as coisas ficassem um pouco difíceis, mas agora Kayralor poderia jurar que algum dia sentiria falta dele. Ela fechou os olhos profundamente, amanhã tudo voltaria ao normal, eles sairiam dali e nunca mais se falariam tanto tempo de novo, pensou, e isso a entristecia, gostava de Ben. O gato fazia um barulho engraçado em seu colo. Gostava de Ben, pensou.
Sua cabeça pendeu para o lado e encontrou-se no ombro dele, o homem era rígido e a tensão foi extrema nesse momento, ele não estava acostumado com toques físicos de ninguém. Ben não sabia dizer a ultima vez que foi tocado, mesmo os seus ferimentos eram curados por droids e isso o deixou muito nervoso, se pudesse ser mais rígido que uma pedra, ele havia conseguido essa façanha com sucesso. Os olhos dela fechados, sentiam os cabelos dele passarem por seu rosto levemente, ele sentia o respirar dela em seu pescoço, teve que olhar para a moça rapidamente. Ele abriu mais o braço por trás dela para que ficasse mais confortável.
— Eu gosto do seu também
Kay escutou ele dizer, mas já estava longe demais. Apagou.
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