Kateus
1 Feliz Aniversário Katherynne
Notas iniciais
30 de agosto. O sol nasceu ás 07:05. 30 de agosto de 2013, sexta-feira, Paris, França, Europa, residência estudantil do colégio com o mesmo nome: Macmilliam Depardieu Le Rouge, em 2011 foi seu primeiro aniversário fora do Brasil. E ela se corroía de solidão. Katherynne Kurz era uma gaúcha de longos cabelos claros e longos, bela cintura, sorriso carinhoso. E no curso de Artes Cênicas até a faculdade. Ela, como diziam, era “curta e grossa”, mas também era muito atenciosa. E ela amava a França. Ela se apaixonou por Paris.
Ela estava tendo uma manhã perturbada, não havia conseguido dormir muito bem. Era sempre assim, não tinha muitos amigos, tinha o essencial, mas, no começo do ano escolar, sempre perdia os que tinha. Estava calada e pensativa; com saudades de casa. Não que se estivesse no Brasil estaria se sentindo melhor do que agora se sentia na França. Depois de amanhã as aulas começariam, ela queria ter ido para Alemanha, mas, não; a França tinha uma ótima escola, tinha uma ótima rede de ensino, um ótimo curso preparativo, tinha um ótimo pacote de ensino, até depois da pós-graduação.
Encolhida no conforto da sua cama, era verão e o verão europeu é tão quente quanto o verão sul-americano, perdeu seus colegas de artes que desistiram do curso de artes cênicas. A verdade é que em quase duas semanas na França, ela não arrumou ninguém para conversar, estava chateada, tinha tanta gente insuportável que ficou, como a nojenta da demônia da Époputa.
Então os seus pensamentos aleatórios rodavam em sua cabeça a incomodando, outro aniversário longe de casa, sem nenhum bolo, nenhum feliz aniversário... Amigos que iam embora sem Como se falava “parabéns” em francês mesmo?
—Joyeux anniversaire, Katherynne... – Ela disse para ela mesma.
O choro que se formava em sua garganta a incomodava. Fechou os olhos não se aguentando mais, precisava de um reconhecimento, ela não aguentava mais ficar só em seu quarto porque não tinha o que fazer agora que sua turma se foi; mas, não podia... Ninguém falava português como a sua turma que ela ensinou; seu francês era intermediário, falar e entender eram duas coisas diferentes. Ela tinha que fazer alguma coisa hoje, nem que fosse comprar um presente para si mesma. Isso; comprar um presente para ela mesma. Kathy abriu a porta do quarto de antes que pudesse dar um passo para fora dele, o monitor do 3º andar olhou para ela surpreso.
—Você não foi para o Petit déjeuner? – Kathy ficou vermelha e seu rosto queimou. Ela não teria conseguido ir no café da manhã mesmo que quisesse; seus amigos foram embora. Com exceção dos seus amores.
Ela estava fazendo aniversário. Mas, não podia negar, Mateus, era o monitor do seu andar e era o mais lindo de todo o andar. Ele era da família S; antes dele tem o G.S. o irmão mais velho, ambos, estudam francês e ambos são bonitos.
Porém ambos namoram.
—Aan... Eu... – Kathy perdeu a fala. Ele olhou para o bloco de notas na sua mão, ela engoliu em seco.
—Oh, claro... Joyeux anniversaire, félicitations! – Ele deu um sorriso para ela, que sorriu de volta. – Eu falei...
—Feliz aniversário e parabéns. – Disse Kathy rapidamente. Mateus sorriu.
—Você é muito esperta mesmo.
—Obrigada. Já me disseram isso...
—♫♪Bonjour mon amour♪♫... – Uma voz cantante apareceu empurrando Mateus para o lado. – Joyeux anniversarie! Tu es magnifique aujourd'hui. – Era um garoto de cabelos castanhos com uma mancha escura no pescoço e olhos cada um de uma cor; alegre, segurando flores e uma caixinha embrulha com papel de presente, para acompanhar, ele tinha heterocromia ocular, um olho de cada cor, ele sorriu para Kathy que sorriu de volta.
—Luco... – Resmungou Mateus olhando para o garoto que sorriu de volta de forma debochada.
—M.S. – O garoto sorria. – Que infelicidade te ver de manhã.
—Digo o mesmo. – Mateus virou os olhos.
—Então... – Ele entregou as flores e a caixa de presentes e deu um beijo em sua bochecha. – Anjo, queridinha minha, nós vamos sair hoje?
Kathy tinha um namoro, Luco Seward, ele gostava dela, ela gostava dele, mas, ela gostava de Matheus Silva também. Era algo inusitado e engraçado, era tipo: “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. ”
—Claro, que tal á noite; pode ser? Está de bom grado?
—Á noite... – Ele beijou a sua mão, fez reverencia encarou Mateus mais uma vez e saiu.
Kathy acenou para Luco que sumiu no corredor, o monitor rangeu os dentes e virou para o lado ficando na frente dela novamente.
—Repulsivo. – Ela respirou fundo, encarou Mateus, ele parou em frente á sua porta e a encarou. Desde quando chegou à Paris, ele sempre foi o monitor de cada andar que ela ficou, parecia que ele a seguia, e ela gostava do jeito que ele a seguia. – Então você só vai sair de noite?
—Acho que sim; quer me convidar para sair? – Ela riu.
—Convidaria; mas, estou trabalhando... – Disse passando a mão nos cabelos os bagunçando.
—São 7 da manhã. – Ela riu sem graça.
Ele analisava o bloco de notas que tinha o nome dos alunos do andar que ele era monitor. Kathy movimentou-se desconfortável na sua porta, agora não podia sair ele estava na sua frente, mas Mateus não percebeu que os olhos da garota incendiavam para cima dele. Ela havia se interessado no garoto desde que o conheceu na primeira noite que chegou, em 2011. E já era 2013; e a namorada dele era tão sem graça.
—Sabe – Ele murmurou pegando uma folha e fazendo anotações. – Seria bem mais fácil de eu trabalhar, se você não me distraísse tanto...
Kathy ergueu a cabeça, confusa.
— Estou te distraindo? – Suas sobrancelhas se juntaram, ela parecia estar em dúvida, ela não estava mesmo acreditando no que ele falou. Aliás, lembrando, ele estava falando com ela. Ele estava olhando fixamente para suas anotações sem prestar realmente atenção nelas; seu cabelo castanho escuro estava até bagunçado de tanto que ele passava os dedos por ele quando tentava segundo ele “trabalhar”.
Não que monitorar não fosse um trabalho, mas, era trabalhoso, desgastante, cuidar de tanta gente, monitorar e cuidar para que ninguém daquele andar não se machucasse. Seus olhos castanhos claros ergueram-se e a fitaram com raiva.
—Sim, está. Me dê licença. – Ele disse entrando no quarto dela.
-Mas... – Kathy tentava entende-lo, á poucos segundos estavam se olhando formalmente, Luco apareceu foi desagradável para Matheus; agora ela tinha a ligeira impressão de que o monitor iria irrita-la.
—“Mas” o que, Katherynne? – Ele aproximou o rosto, com uma raiva desconhecida a fitá-la.
—Então eu fico quieta na minha e você pode fazer isso direito... – Ela disse enquanto segurava a raiva. Ele não devia ter feito tal acusação dela, ela não suportava. Ela não tinha distraído, nem atrapalhado ele, o único dia em si que pararam para conversar, que ele deu atenção á ela, o tempo que ela passou na França passou distraída por ele, e bem no dia do seu aniversário ia ter tal palhaçada? – Percebendo que Mateus não se mexeu nem revidou, ergueu seus olhos para ele. – Você estava reclamando que eu fico te distraindo, pois bem, estou quieta, que tal se mexer se levantar e sair do meu quarto para começar a fazer algo de útil?
—Está bem... – E para sua surpresa, Mateus estava sorrindo quando pegou uma folha do bloco de notas e deu uma folheada, sem realmente ler. – Você é esquisita, Kathy...
— Ah, olha quem fala o senhor distraído... – Ele estava praticamente impedindo a sua saída do quarto, assim que ela tinha aberto a porta do quarto não conseguiu colocar um pé fora dele. Mateus impedia dela fazer isso. – Que se distrai por tudo de importante, mas, aposto que para outras coisas importantes para o seu corpo você não esqueceria. Estou errada monitor que faz tudo menos não monitorar o andar? – Perguntou ela com a voz divertida.
—Eu? Claro que não! – Mateus respondeu falsamente ofendido – Por que eu faria uma coisa dessas? – Eles estavam conversando, era um sonho de aniversário realizado.
Os dois começaram a rir de modo descontrolado, esquecendo por instantes a breve discussão que tiveram á segundos atrás. Os risos foram cessando, e Mateus se aproximando; Kathy pode ver certa raiva brilhar nos olhos do monitor.
— Sabe Kathy... – Sussurrou e sua respiração bateu no rosto da garota que sentiu seu coração falhar uma batida – Você realmente me distrai.
Porém, desta vez, o que ele falou surtiu outro efeito para ela; principalmente porque o seu dedo indicador de acariciava lentamente o pulso de Kathy. Ela sentiu seu rosto enrubescer ela sorriu sem graça e ele retribuiu o sorriso cessou a distância entre eles colocando seus lábios juntos aos lábios de Kathy. Ela esperou que fosse uma brincadeira, ou algo francês, do gênero, mas Mateus não cessou, Kathy não parou porque precisava retribuir o beijo suavemente. De repente seu corpo estava grudado à parede e as mãos de Mateus segurava os seus braços. Era capaz que ele fosse bater nela, ele devia estar tão raivoso, pois, essa era a expressão dele. Mas, ela nem tinha dito nada demais... Talvez seja por isso que ela ficou tão surpresa com o beijo repentino. Provavelmente não havia muita diferença entre um beijo e um tapa. Os lábios de Mateus não se forçaram contra os seus. Kathy respirou fundo, por quanto tempo ela esperou por aquilo? Estranhamente ela achou aquilo nem um pouco ruim.
Alguma coisa naquele beijo despertou uma certa curiosidade na garota que a cintura de Mateus em um abraço, na verdade era um abraço com um beijo. Ele nunca havia lhe dado atenção, muito menos lhe beijado, e era magnifico.
Ela sentiu ele pedir passagem com a língua. E, mesmo receosa, não negou, pois, mesmo que ele tivesse namorada, e a namorada era tão sem graça quanto uma piscina de plástico ao lado de uma piscina de chão em formato de chão em forma de nota musical. E desde que chegou em Paris em 2011, se encantou pelo monitor que toda vez que ela mudava de andar ele monitorar o mesmo andar dela, como se estivesse atrás dela e também não podia mais negar que andava tendo sonhos esquisitos nos quais Mateus entrava seu quarto e a beijava de um modo tão carinhoso que a arrepiava durante o sono; que as vezes ficava acordava para os escrever; ela gostava tanto desses sonhos quanto gostava de comida...
Ela nem precisava se explicar para Luco; ele trabalhava na orquestra do teatro do colégio, era tão ocupado, ele gostava tanto de falar sobre isso que ela podia imaginar tudo e ao mesmo tempo prestar atenção em seu namorado.
Os dedos de Mateus adentraram seus cabelos enquanto este a beijava deliciosamente. De repente Kathy o interrompeu e se afastou; tentando controlar sua respiração, que estava denunciando o seu gosto pelo beijo.
—Heer... Aan... Bom, eu... – Ela ficou confusa. – Meu quarto é o último do corredor, então acho que você terminou de monitorar e eu tenho que sair, então creio que é melhor você ir saindo... Já terminou tudo...
— Eu não terminei... – Mateus sussurrou para si mesmo tão baixo que ela poderia fingir que não ouviu; então foi o que ele fez saiu, e enquanto estava saindo passou o dedo em seus lábios devagar e sorriu sem olhar para trás. Era um sorriso de “felicidade”.
Kathy se pegou massageando a própria barriga e imaginando Mateus ali; arregalou os olhos caindo em si e afastou dela esse sentimento. Ela tinha o seu Luco, meio sinistro, meio louco, muito estranho, mais, ela tinha ele... Ela se sentou com raiva na cama, como se assim pudesse mudar o que aconteceu e, principalmente, mudar o efeito que o monitor causava nela. Levantou-se e lavou o rosto, se encarando no espelho. Algo a incomodava. Tinha que tirar satisfação; por que Mateus a beijou se ambos tinham namorados? Ele não tinha sentimentos por ela, então por que ele fez algo tão... Delicioso e estranhamente carinhoso? Ela devia tirar satisfações? Não precisa. Devia. Não...
Mas, aí ela traiu Luco. Era por esse motivo que ela precisava tirar satisfações. Independente de tudo, o que sentia por ele, isso era falta de respeito com o namorado.
O que a impedia de ir tirar satisfações? Claro, o desejo de querer experimentar os lábios do monitor novamente, era errado, mas, como ela queria, como ela precisava. Ela não precisava na verdade, mas, queria saber o motivo de tal atitude; foi parar tirar uma com a cara dela? Bem no dia do seu aniversário? Mas, ela ia começar se arrumando, ia sair, fazer sua compra de aniversário, sair com Luco e talvez depois perguntasse o motivo pra Mateus.
**
Kathy estava em seu quarto, admirava o quão belo o dia poderia ser e o quão bem ela se vestia, ela sabia se arrumar, ela olhou para o espelho e sorriu para si mesma. Ela ainda estava cansada, relembrado que ela não tinha dormido direito a noite. Como se podia dormir com Mateus andando pelo seu corredor fazendo um barulho ao andar e com Luco sentado em frente de sua porta falando coisas aleatórias? Ela não respondia. Ele estava chapado. Sempre estava. Odiava lembrar disso, sempre, quase sempre.
Ela gostava de Luco, ele era sinistro, sim, assustador com aqueles olhos um de cada cor, eram lindos, mas, quando ele era cuidadoso, carinhoso, calmo e estável, ele ficava lindo. Agora, quando ele era alterado, provocativo, malicioso, impaciente, encrenqueiro, assustador; não que ele ficasse feio; mais ficava apavorante. Ele bebia um pouco para o estresse de teatro passasse, e se drogava, sem ninguém saber, para conter seu TEPT. E será mesmo que era TEPT? Ou era loucura junto com todo o seu grupo? Enquanto pensava o que ele tinha alguém bateu duas vezes em sua porta. Ela ficou em silêncio. Então de repente bateu novamente, só que desta vez com força parecia irritado.
Porque Luco estava irritado dessa vez?
Kathy abriu a porta e se assustou.
—Mateus? – Ela perguntou surpresa que não era Luco, o seu namorado. Ela estava imóvel quando Mateus passou do seu lado entrando no quarto dela pedindo licença baixinho.
—Não, o padre... – Disse enquanto Kathy o encarava. – Claro que sou eu. Pode fechar a porta?
Haviam se passado exatamente duas horas e meia; e ele aparece do nada, como se nada tivesse ocorrido? Ele era muito safado da parte dele por conta de ter namorada e aparecer novamente no seu quarto em ter precisão. Ao menos, ela agora poderá tirar satisfações.
—Pensei que estivesse bravo comigo... – Ela falou. Expulsar ele do quarto o devia ter deixado bravo.
—É exatamente disso que quero falar com você. – Mateus falou sério, era ela quem deveria ir tirar satisfações e não ele aparecer do nada.
—Foi um impulso, não fica bravo comigo... Abraços são normais... – Ela tentou se explicar.
— Que esquisito... – Mateus murmurou aproximando-se atrevidamente da garota. — Considerando que o impulso quem tomou fui eu...
Agora eles estavam tão perto um do outro que suas respirações se misturavam, e seus braços estavam pendurados ao lado do corpo de Kathy e os seus olhos tentavam estudá-la. O que ele estava fazendo? Não era para ele fazer isso... Nem nada daquilo. Ou era?
— Bom o que está esperando? – Kathy perguntou e, por sua voz, Mateus viu que ela estava sorrindo. Debochando? – Não me viu reclamar, não é?
Ele deu um selinho nela e sorriu, ela parecia assustada.
—E sua namorada?
—Minha EX namorada você quer dizer.
E, com um sorriso torto, ele acariciou seu rosto devagar, ela selou seus lábios lentamente, e ele a abraçou fazendo suas línguas se encontrarem, se cumprimentarem, e aos poucos se adorarem. As mãos de Kathy começaram a manifestar-se elas foram aos ombros, desceram ao tórax magro de Mateus e pararam. Ela se afastou dele.
—Assim não...
—Como assim “assim não”? Não o que?
—Você e a Andréia...
—Eu terminei com ela.
—E vai voltar com ela. – Ele riu.
—Não... – Ele revirou os olhos. – Escuta, eu e a Andréia estávamos péssimos. Faz uma mínima de duas semanas em que ela está insuportável e me incomodando... No sentido ruim, muito incomodada com minhas reuniões, muito chateada com as minhas amizades, querendo que eu fosse amigo dos amigos entediantes dela.
—Não é motivo para terminar...
—Ela queria passeios mais longos.
—Não é motivo para terminar...
—Queria que eu trabalhasse menos.
—Ainda não é motivo para terminar...
—Ela queria que eu não fosse mais monitor de andar.
—Ainda não é (...)
—Então eu não monitoraria mais o 3 º andar.
—Não...
—E não veria mais...
—Não é... Desculpe; o que?
—Porque eu teria outro andar, talvez outro prédio para morar.
—O que está dizendo? – Ele sorriu e observou ela se sentando na cama. – Essa é a brincadeira mais sem graça que eu já vi
—Todo ano é a mesma coisa. A mesma ladainha, a mesma prece, o mesmo mantra... – Ele foi dizendo se sentando no carpete do quarto da garota, ela ergueu uma sobrancelha. – “Que ela ainda esteja na França. Que ela ainda esteja em Paris. ” E de um tempo pra cá em venho pensando em uma outra prece “Que ela não vá embora. ”Eu sou meio ansioso, ou meio chato quando tento fazer algo. Por exemplo; em 2011 nem era para eu ser monitor.
Kathy não sabia o que poderia dizer. Mateus estava sendo de pernas cruzadas, com uma expressão séria e com a mão no queixo.
—Eu era um péssimo organizador; mas, eu era irmão do G.S. Grande G.S. Mas, eu não era ela, eu sou o M.S. e consequentemente deveria seguir o seu exemplo. Eu deveria ter saido daqui uns 2 anos atrás; ou seja, 2010...
—Então porque não saiu?
—Porque você chegou. – Ela estreitou os olhos. – Você lembra o que exatamente ocorreu quando você chegou?
—Aan?
—Exatamente a primeira coisa que ocorreu quando você chegou...
—Eu coloquei os os pés na França.
—Tirando isso...
—Eu respirei o ar francês.
—Não...
—Eu fiquei um tempão no aeroporto...
—Katherynne Kurz; qual foi a primeira coisa, exatamente a primeiríssima coisa que ocorreu de importante quando você chegou aqui em Paris?
—Nada... Eu não lembro. Eu fiquei no meu quarto... Eu não conhecia ninguém e... – Ela parecia nervosa, isso estava sendo torturante, ela não lembrava o que era. O que era tão importante nesse nível?
—Você chorou. – Ele se aproximou dela. – Não é incomum alunos em seus primeiros segundos longe de sua casa não chorarem.
—Você não chorou?
—Chorei; mais...
—Então, qual é o problema? O que isso tem á ver?
—Não. Você fez o curso de francês aqui... Você não sabia uma vírgula de francês e aprendeu tudo aqui; e não fazia muito tempo que eu havia decidido em começar um romance um romance com a Déia. Mas, foi estranho. Não que eu não seja fã de casar; mas, pensei bem... – Ele passou a mão no rosto. – NÃO nos parecemos... – Kathy ia abrir a boca para dizer algo. – E não venha me dizer que “os opostos se atraem”; nós não somos nem opostos, nem iguais, nem peças encaixáveis, nem nada. Não parecemos um casal...
—Nunca gostou dela? Que maldade!
—Gostava dela sim. Mas, de repente, foi um grande esforço ver que eu não amava tanto á ela quanto eu estava preparado para amar. Meu irmão mandou eu colocar uma grade no meu coração e não achar que tudo era amor.
Mateus estava confessando seus fracassos para Kathy? Do nada? Com um beijo? Esse era o começo? Ele precisou beijar ela para tomar coragem para falar para ela que estava infeliz?
—Ela era prefeita. Primeiros sete meses, mas, ela não tem nem a mesma animação que eu. Ninguém tem a mesma animação que eu. Então, eu ouvi você na sua terceira aula de francês, como você era animada, era louca, era bem vivida. E cá entre nós muito estressante.
—Eu não sou estressante.
—Guilherme estava bem estressado. – Ele riu.
—Ah, problema é dele.
E novamente eles riram juntos, capaz de gargalharem.
—Então depois daquela cena do caderno...
Kathy havia tacado o caderno na lousa quando Guilherme que dava aula “ousou” dizer que Kathy não fazia nada além de causar algazarra, bagunça e desconcentração em sala.
—Você deixou de ser apenas uma novata na França, e virou a atriz desse show.
—Que show?
—O show do Le Rouge. – Ela sorriu. – depois daquilo quis te dar os parabéns por ter uma ótima atitude, e ter mais criatividade para irritar Guilherme melhor do que eu. Eu iria te dar os parabéns, mas, na hora, eu não consegui nem formular a primeira frase. Desisti na hora; então repensei; com ela todo o dia deve ser um show. Então virei monitor.
—Porque eu tive atitude?
—Você nunca deixou de ter. – Ele olhou para a parede atrás dele, puxou ar. – E dou graças que você nunca percebeu que eu sou o único monitor que sempre muda (...)
—Muda de andar? Sempre percebi. – Ele a encarou. – Achei que era uma regra mudarem todo ano, mas, só você mudava.
—É, sempre atrás de você... – O rosto de Kathy esquentou e ela abaixou a cabeça.
—Você podia fazer isso?
—Não. Mas, tudo é negociável.
—Deve ter sido chateante.
—Não muito... Obrigada. – Ela deu um leve sorriso. Ele caminhou até a cama e se sentou ao me lado.
—E então? Deixa eu entender o porquê você está reclamando da Andréia...
Seu rosto estava vermelho. Não tinha ideia de como começar, e começou a pensar nas milhões de possibilidades de respostas. Aquilo o fez ficar com raiva, ficou um bom tempo sem falar, então ela o encarou. Deu um longo suspiro e concentrou as palavras ditas por ele que foram ditas naquele momento.
—Não vim reclamar dela...
—Você me beijou.
—E faria novamente.
—Não. Não faria. –Ela estava encarando seus olhos. – Eu namoro com Luco.
—Que age de uma forma indelicada com uma dama como você. Você é frágil, como um vidro guardando um tesouro; ele se comporta como uma pedra e sempre trinca você. E ele faz um inferno em todo dormitório com aqueles amigos dele. A atriz que eu conheci não merece isso.
—A atriz que você conheceu?
Mateus segurou Kathy pelos cotovelos e a aproximou dele e seus lábios foram de encontro aos seus. Foi mais suave e satisfatório que o antigo, mas, era muito mais leve, aproveitando que ele tinha se livrado de tudo o que ele prendia. Porém, foi apenas um “selinho” rápido.
— Ouça, Katherynne. Eu meio que gosto de você. Só. – As palavras saídas da boca dela saíram como farpas, pareceu doer, mas também pareceu o desgastar.
Houve um silêncio.
Ela continuou a encarar Mateus, que estava com uma expressão confusa, então finalmente, ela pareceu entendeu. Ela corou. Ela forçou um sorriso.
—Mudava de dormitório....
—Para te proteger. Luco arrebentaria a sua porta e sabe-se lá o que faria. Ele é um Shakespeare apaixonado e destrutivo.
—Só meio que gosta de mim? Mateus, soou tão dolorido vindo de você.
—Eu já me enganei, me machuquei, odiei aquele garoto, e você é mais nova que eu... Não me arrependo. Posso ser mandado embora; mas, se for para ser mandado embora, ao menos estar contigo um breve momento, não irei me arrepender.
—Eu acho que se você for mandado embora...
—Você terá Luco todo para você.
—Sim... – Ela sorriu.
—Nunca vou deixar isso ocorrer, não saio da França sem estar contigo. – Kathy riu.
—E o que você viu em mim de tão forte que ameaça o seu emprego?
—A outra metade que faltava em mim.
—Deve ter dito isso para Andréia.
—Não. – Ele murmurou. – Não mudei de andar por ela. Não virei monitor para ficar perto dela, não era responsável por ela. Não como sou por você. Tem que confiar em minhas palavras.
—Tá certo. – Ela olhou pro chão sorrindo, era um belo presente de aniversário.
Ela capturou seus lábios, porém, não só com um selinho, mas com um beijo voraz. Se fosse para acabar, se fosse para nunca mais o vê-lo. Que fosse essa a despedida. Após o beijo, houve um longo abraço, ela estava tão feliz, incrivelmente tão feliz, ela o tinha nos braços, sempre o protegendo, sempre cuidando dela, ele estava ali com ela.
Ainda abraçados eles começaram a rir e a se encarar. Olhos brilhantes, eles aparentemente se correspondiam, ele não tinha mais Andréia, ela poderia se desfazer de Luco, a pedra que quebrava o vidro que protegia o coração dela.
—Peça para Luco devolver o coração que o corpo dele está rejeitando....
—Está?
—Katherynne; me diga, você tem carinho por ele, medo dele, falta de algo ou só porque não tem mais ninguém? Você quer mesmo ele? Precisa dele?
—Está me deixando ofendida.
—Tudo bem... Desculpe pelo beijo. Vou pedir minha carta de demissão. – Ele ia se levantar quando Kathy o puxou pelo pulso.
—Espere... O que foi isso?
—Me desculpe. Vou falar com o seu namoradinho louco... Vou pedir demissão, vou sair da França e...
—Não me deixa só.
Seu rosto queimou. Kathy podia ser nova, mas... Ele tinha razão, Luco estava quebrando seu vidro.
— Relaxa, se calma. Eu nunca vou deixar você sozinha....
—Ia embora da França agora mesmo.
—Você acha mesmo que eu ia embora da França? Sem mais nem menos?
—E não? – Ele puxou a sua mão para dar um beijo.
—Como disse; não sem você.
—Você quer ficar comigo?
—Para eu ficar contigo, preciso sair de monitor... Preciso arrumar um outro emprego, preciso ter uma casa... – Houve uma pausa. – Mas, também preciso de você. Uma pessoa normal.
Kathy soltou uma gargalhada.
—Eu não sou uma pessoa normal.
—Eu preciso de uma triz Le Rouge. Aceita sair comigo? Começar um compromisso?
Ela riu.
—Aceito.
—Namoramos quando eu ter uma casa.
—Vai demorar?
—Pode aproveitar o dia? É o seu aniversário. – Kathy sorriu. – Pode fazer seus pedidos, o que quer fazer primeiro? Comprar um bolo, ir em um museu, fazer compras...
—Terminar com o Seward...
—Certeza?
—Nunca tive tanta certeza de algo na minha vida como estou tendo agora.
—Depois vou te comprar um presente.
E de repente, ela o beijou. Era provavelmente o único meio de concordar com esse novo estilo de vida. Sem namorar, só sair. Sair, antes de namorar, era ideal. Ele a protegia como se fosse um... Um ursão. Quando namorassem, o chamaria assim.
Ambos foram ao teatro encontrar com Luco, Kathy apareceu sozinha para terminar com Luco; respectivamente ele largou tudo para correr atrás dela, mas, ao levantar a mão para faze-la parar, fez jus ao que Mateus via e ela não. Amistosamente terminaram mais ou menos. Um tempo depois Luco foi embora da França e Mateus arrumou outro emprego, ficava no dormitório ao lado do dela e a visitava todas as manhãs, se esse não era o estilo de vida de Katherynne passou a ser... Aquele aniversario juntos seria provavelmente o primeiro de muitos outros...
Kathy estava feliz, Mateus conseguiu se declarar, naquele dia de verão, ele cantou “parabéns para você” em português com o dormitório inteiro.
—Feliz aniversário Katherynne... ♥
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