Katarina & Talon - O Grito de uma Lâmina
2 Chapter 2 - Greed Ambush
Notas iniciais
As ruas de Noxus... Durante a noite trajetos perigosos onde é preciso coragem para sair e força para voltar. Durante o dia movimentados comércios e constantes gritarias relacionadas a ladrões que muitas vezes acabam mortos por serem pegos. Era uma tarde comum, como qualquer outra. O sol brilhava forte no céu, perto do seu horário de pico, fazendo os burgueses da região suarem conforme anunciavam seus produtos, frutas, armas e todo tipo de coisa imaginável. Por entre as várias simples pessoas que passavam pelas calçadas movimentadas, um rapaz com vestes negras, capuz que cobria quase todo seu corpo, deixando apenas seus lábios e queixos aparentes passava discretamente, assim como qualquer outra pessoa, não chamava atenção, não fazia sons, não conversava nem esbarrava em ninguém, apenas andava seu prosseguia seu caminho desviando as várias pessoas que cruzavam com si. Hora ou outra era possível ouvir pessoas reclamando sobre algum pertence ter sumido, e sempre que o rapaz ouvia tais palavras, abria um leve sorriso com suas mãos no bolso... Segurando sempre o pertence do qual falavam. Esta era a parte mais simples do trabalho do rapaz de mãos leves. A parte que não envolviam mortes, onde ele roubava os mais ricos e ingênuos, os quais ostentavam suas largas correntes de ouro e relógios dourados.
Quando finalmente foi distanciando-se da área comercial, o jovem encapuzado virou a esquina que se seguia, parando em frente a um pequeno bar mal iluminado, com alguns brutamontes e outros velhos sentados, desperdiçando suas vidas com grandes copos de cerveja e cachaça, enquanto atiravam cartas de baralho na mesa, rindo como bêbados sem compromisso. Assim que pisou com um pé dentro do estabelecimento, retirou com um movimento rápido e suave o capuz que o cobria, revelando um rosto com traços fortes e um machucado ou outro. O cabelo castanho caia por sua face, balançando de leve conforme ele prosseguia até o balcão. Era só mais um qualquer entrando naquele bar de perdidos na vida.
— Talon, meu rapaz! — Dizia com uma voz rouca, o velho barbudo que esperava atrás do balcão. Sorria vendo o jovem se aproximar, enquanto limpava uma caneca de madeira com um paninho simples.
— Sem cerimônias, você havia mencionado que precisava de um relógio não? — Talon dizia sem transparecer qualquer expressão em seu rosto, apenas seu tom de voz grosso podia passar a seriedade com que Talon tratava seus negócios. Retirava de forma discreta a mão que permanecera em seu bolso por um bom tempo, e junto da mesma, um relógio novo em folha, provavelmente custara um bom tempo de trabalho para quem quer que tivesse comprado. Apoiado no balcão, virava lentamente a palma de sua mão com o relógio, derrubando o pertence, e em seguida erguendo o olhar para o velho barbudo atrás do balcão, que a essa hora apoiava a caneca ao lado do relógio.
— Hoh hoh! Você não perde tempo não é mesmo Talon? Implacável como sempre, se eu peço-lhe uma cabeça, uma cabeça eu recebo no dia seguinte! Impressionante... — Dizia no mesmo tom rouco de antes, rindo como se achasse graça naquilo, lentamente ele levava sua mão até o espaço embaixo do balcão, como se fosse retirar uma arma para defender-se de um assalto, mas o que retirava era apenas um envelope discreto, podia-se notar que ele era consideravelmente gordo, devia haver bastante coisa ali dentro. O homem sorria na direção de Talon, pegando o relógio sem cerimônias, como Talon havia pedido, então o tateava de leve, dando breves olhadas no objeto, como se o analisasse, por fim o levava para baixo do balcão com sua mão livre, pegando da estante de bebidas uma garrafa de cerveja aberta e pela metade, então a colocava do lado da caneca que anteriormente estava perto do relógio. Batia com certa força a garrafa na madeira do balcão, para que Talon percebesse, não que fosse necessário.
— É assim que eu gosto. Huh. Uma boa cerveja depois de um bom negócio. Espero que agora não perca a hora de seus pagamentos. — Talon agora falava num tom um pouco mais amigável, como se houvesse se juntado na conversa com o homem, parecia mais satisfeito em ver a garrafa de cerveja ali, virando ele mesmo na caneca que o esperava ali, então com um breve suspiro dava um grande gole na mesma, batendo-a de volta no balcão em seguida.
E assim os dois foram jogando conversa fora ali, em pé mesmo, enquanto pouco a pouco iam se embebedando, Talon gostava daquele bar, o fazia sentir como se estivesse em casa, aquele lugar supria quase todos os vícios que tinha, haviam bebidas, dinheiro e cigarro, só faltavam mulheres para se tornar o lugar ideal para o garoto morar. A noite ia pouco a pouco chegando, assim como o bar ia esvaziando, perto do horário de fechar, poucos ficavam ali, afinal voltar para casa sozinho, de noite e passando pelas periferias é sempre um risco que poucos estão dispostos a correr. Talon por fim terminou de virar sua última caneca, diferente do velho barbudo que já estava quase caindo ali mesmo, o rapaz não aparentava estar embriagado, apenas um pouco mais eufórico. Com um grande suspiro ele deixou uma nota de dez bronzes no balcão, como se pagasse pela cerveja, então virou-se para a saída e pôs-se a andar, parando apenas quando ouviu o homem o chamar.
— Ah! É-É mesmo T-Talon! Heheh... E-Eu me lembro de ter visto um cara andando por ai, carregava bastante ouro! Tava indo pelas periferias, acho que ia parar la perto da Aço Mágico, aquela fábrica de armas sabe. — O velho dizia apoiado no balcão para que não acabasse caindo ali mesmo, estava claramente alterado, mas parecia dizer o fato com uma grande certeza, o que acabou por deixar Talon intrigado, já que bêbados geralmente não falam coisa com coisa.
— Huh! Não espere que eu vá te dar alguma parte do que eu pegar, se eu for pegar. — Dizia num tom que deixava óbvio que de fato, Talon não se importava muito com isso, então antes que o velho pudesse dizer mais alguma coisa, Talon pisou o pé para fora do bar, e em uma fração de segundos já não era mais visto. O velho apenas ria de forma boba, dando rápidas olhadas pelas mesas e pisos de seu estabelecimento. Levava algumas canecas que restavam em cima da mesa até o balcão, hora ou outra dava sorte e encontrava algum pertence esquecido ou caído no chão, e sem hesitar o colocava no seu bolso como se já fosse seu. Por fim quando deu a hora de fechar o local, caminhou até as portas de enrolar que fechavam o bar, e então sem cuidado algum foi descendo cada uma delas. O som do aço batendo contra o chão era a única coisa que podia-se ouvir ali. Por fim o homem finalmente caminhou até atrás do balcão novamente, agora sentando-se num banco mais alto, esticando as pernas por cima da madeira, e então acendendo um cigarro que havia jogado por ali, ria e tragava como um bêbado qualquer, em meio a uma baforada de fumaças, o velho repousou o cigarro no porta-cinzeiro, e então enfiou a mão por baixo do balcão novamente, da mesma forma de quando havia pego o envelope de Talon. Desta vez ele retirava um belo e gordo saco, conforme manejava e brincava com o objeto em suas mãos, era possível ouvir o som de moedas e mais moedas colidindo umas com as outras, o que fazia o velho bêbado sorrir.
— Heheheh... É tão fácil... E-Enganar crianças! Vá com Deus Talon, não vou mais p-precisar das suas mercadorias a partir de hoje. Que bela doação eu recebi hein. — Era perceptível o desenho de duas adagas cruzadas naquele saco de ouro, era como se fosse um emblema, por fim o homem se acomodou de vez naquele banco e jogando sem cuidado o saco de ouro no chão ao seu lado, acabou fechando os olhos e rapidamente dormindo, passando a roncar como um porco, definitivamente uma má companhia para passar a noite, a julgar pelo forte cheiro de bebida e sons desagradáveis que saiam do senhor.
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Poucas pessoas podiam ser vistas perambulando pelas ruas de Noxus neste horário, Talon passava despercebido por qualquer um que encontrava em seu caminho, caminhando pelas sombras, entre os prédios e casas que cercavam as ruas, sempre observando cada pessoas que encontrava, todas elas comuns, aparentemente sem nada de especial, o que desapontava um pouco o garoto. Não era como se esperasse encontrar um pote de ouro, como o velho havia descrito, mas tinha uma certa curiosidade sobre a veracidade daquela história. Após andar por algumas quadras, finalmente chegou numa área mais abandonada, com construções ruins até para os padrões das periferias noxianas. Não havia muito segredo, qualquer alma que entrasse em alguma daquelas construções velhas era só mais algum coitado em busca de um abrigo temporário. Essa descrição encaixava-se perfeitamente em Talon. Passando algumas casas, o rapaz entra em uma minúscula casa de madeira, se é que aquilo podia ser chamado de casa. Era como um cafofo para ratos, a madeira podre, a falta de energia ou coisas do tipo. a pouca luz que entrava naquele lugar era proveniente de alguns postes de luz que brilhavam por perto do local. Uma cama quebrada, armários velhos sem muita coisa dentro além de teia de aranha, algumas roupas velhas e rasgadas e várias facas diferentes. Era isto o que podia ser encontrado naquele lugar onde Talon costumava passar a noite. Não era tão confortável, mas era o mais seguro e mais próximo de um teto que Talon conseguia arrumar. Cogitou deitar-se naquela cama e dar logo um fim àquele longo dia, mas sabia que enquanto não checasse a possibilidade de conseguir muito dinheiro, não conseguiria dormir. Como de costume, foi até uma parte da "casa" com o chão quebrado, ou melhor, uma das partes onde a madeira já havia se perdido há tempos, haviam muitas áreas assim por ali, no escuro e sem noção do ambiente em que estava, alguém podia facilmente pisar em falso e torcer o pé por aquelas espaços quebrados. Cavando um pouco com suas mãos naquela terra úmida sob a madeira, Talon desenterrou uma pequena alça, e a puxou com força, quando a mesma ergueu-se, podia-se ver um baú não muito grande, tampouco decorado, apenas madeira simples e talhada, sem tranca ou qualquer coisa parecida. O garoto abriu aquela antiguidade e rapidamente jogou o envelope la dentro. Estava com pressa e não teria tempo para enterrá-lo novamente, contudo sabia que era arriscado deixar aquilo dando sopa ali num lugar tão desprotegido. Jogou o baú no buraco cavado novamente, e tratou de cobrir com terra apenas as partes mais óbvias, deixando o que daria mais trabalho para depois, então puxou alguns panos rasgados que serviam de tapete ou cobertores, e cobriu aquele buraco na madeira, deixando apenas os mais recentes pelo resto da casa visíveis. Alongou seus braços e retirou duas grandes facas da capa negra que vestia, puxando-as de bolsos internos. As guardou dentro do armário empoeirado que havia naquele local, provavelmente para fazer companhia a vários fungos que gostavam de madeira podre, equipando-se com algumas shurikens e um punhal mais bem feito. Sabia que nesta situação armas mais discretas que facas grandes, como punhais e shurikens seriam mais adequadas. Então por fim após terminar de escolher seu arsenal, guardou suas armas novamente pela sua vestimenta, e por um espaço aberto na parte de trás do seu cafofo, o qual Talon usava como janela, retirou-se dali, subindo de telhado em telhado e seguindo em direção a lugares mais afastados de Noxus. Saltava de casa em casa, com tamanha habilidade que era difícil acreditar que aprendeu tudo sozinho. Anos e anos fugindo e caçando o deram todo o talento de que precisava. Escolhia as casas com melhor aparência que encontrava. A última coisa que queria era que algum telhado quebrasse enquanto pulava de um para outro. Sempre de olho na rua, procurava por qualquer sinal de vida, mas a esta hora da madrugada, além dos cadáveres em valas, que algum dia foram de homens trabalhadores, as únicas outras coisas que Talon conseguia encontrar eram ratos e baratas.
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Após algum longo tempo de corrida pelos muros e telhados, Talon foi chegando em áreas mais chiques e luxuosas, onde tomava mais cuidado, se fosse visto pelo telhado destas casas teria problemas. Foi pulando de muro em muro, passando por quintais e becos como um rato passando pelo esgoto, de longe podia avistar uma grande fábrica construída sobre o rochedo, já na saída de Noxus, era a fábrica de armas Aço Mágico, se a informação estivesse correta, era por aqui que Talon encontraria quem quer que carregasse tanto ouro assim. Encolhendo-se em sua capa negra para que camuflasse-se entre a escuridão, foi lentamente arriscando mais sua localização e passando por áreas onde seria mais visível, até que já na saída daquele bairro nobre, onde provavelmente ninguém mais poderia o ver, onde caso decidisse por prosseguir, não encontraria mais nada além de terrenos baldios e futuramente matagais e florestas, ele encontrou uma pessoa... Não sabia dizer se era homem ou mulher, não sabia dizer se era um alvo frágil ou não. Mas podia ver os vários sacos de ouro amarrado em volta de sua cintura, podia perceber as vestimentas de luxo. Tão encapuzada quanto o próprio Talon. Era um milagre ainda estar viva, ou no mínimo ainda estar com tanto ouro dando bandeja. Cada vez mais desconfiou de ser alguma tentativa de armadilha. Se fosse este o caso, já pensava em qual resposta daria para o velho homem do bar.
Seja la quem fosse por baixo daquele capuz, não se mexia, apenas encarava algumas folhas de papeis em suas mãos, de costas para a visão de Talon. Um ataque de longe, silencioso com shurikens e seria tudo que precisaria para finalizar aquela vítima. Percorreu alguns metros para ambos os lados, esgueirando-se de forma discreta pelos muros para que pudesse ter uma visão mais ampla do local. A resposta para o que procurava veio com um pequeno sorriso. Não havia mais ninguém no local, mais ninguém pelas ruas. Era apenas Talon e aquela pessoa. Não tinha como ser uma emboscada. Não de uma única pessoa. Enfiando ambas suas mãos pela parte interna de sua capa, com grande maestria e precisão, retirou-as com alguma shurikens, as quais arremessou com força e velocidade na direção das costas daquela pessoa. Diferente do que pensou... Não houve qualquer reação, seja la quem fosse, nem ao menos percebeu as shurikens se aproximando, ou era o que parecia. Todos os projéteis haviam atingido em cheio os pontos onde Talon mirara, todos acertaram nas costas do encapuzado que caiu diretamente no chão. As folhas as quais seguravam se esparramaram e logo começaram a voar em sua frente. Com o impacto algumas bolsas com ouro se abriram e o tintilar das moedas colidindo e caindo sobre a rua podia ser ouvido, aquilo confirmava que a grande quantidade de ouro que Talon estava prestes a por as mãos. O barulho provavelmente acabaria por chamar atenção de alguém que pudesse estar em residências próximas, o jovem assassino sem perder tempo arremessou mais algumas shurikens pela rua por onde pretendia pisar, na tentativa de desarmar alguma possível armadilha, mas a única coisa que ouvira foi o som de suas lâminas colidindo e ricocheteando para o ar até caírem no chão. Num breve salto do muro em que estava, correu pelo caminho de shurikens que havia se formado no chão, e num rápido movimento retirou a outra arma que havia trazido consigo, seu afiado punhal. Num salto rápido e curto, com o tronco mirado para o chão, Talon apontou seu punhal para o possível cadáver, e desceu com força a lâmina contra o corpo... Esperava terminar seu serviço e levar o máximo de ouro que pudesse... Mas... Interrompendo o som das moedas sobre o chão, outro barulho pode ser escutado. Aço colidindo uns com os outros, seguidos de um breve e rápido som de carne sendo rasgada.
— Talon, Talon! Então você realmente mordeu a isca... Deve estar em grandes dificuldades para arriscar tudo por tão pouco ouro assim. — Era possível ouvir uma voz mais forte que se impunha no ambiente.
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