Karma

3 Sob As Estrelas


Notas iniciais
Obrigado a todos que estão comentando e acompanhando :D Boa leitura!

“Eu posso ver diretamente em sua alma, sentindo-se tão perdido e fora de controle. Brilhe. Se o seu coração te diz, então quem é você para questionar?”

– Birdy

Derek subia os andares do loft com a cabeça a mil, repassando tudo o que havia acontecido minutos atrás. Tudo bem que tirar Stiles de uma briga, protegê-lo da chuva em seu carro e levá-lo seguro para casa não foi nada demais para ele, afinal tudo isso já havia acontecido e mais de uma vez. Afinal eles são “amigos”, se é que podem ser chamados assim já que Derek não costuma ter amigos, mas Stiles é parte do pack como qualquer outro lobo. Derek não pode evitar sentir todas as emoções emitidas por Stiles a todo o momento, e isso só serviu para comprovar que Stiles tinha sentimentos por ele. O lobo também deu certa liberdade em alguns momentos, principalmente na despedida. Mas era isso que queria? Daria sequência no plano de Peter? Começar um relacionamento com Stiles para unir o bando, bom pelo menos falando assim soava melhor do que “Usando o amor de Stiles para ter o que eu quero”. Abriu a porta e entrou em casa, Peter estava na sala assistindo televisão, Isaac dormia em seu quarto. Seguiu direto para o quarto não querendo ser perturbado pelo tio, em vão.

– Isso são horas de chegar em casa? Por onde andou durante essa chuva, eu estava preocupado – Peter continuava bebendo sua cerveja e olhando para a televisão, já sabendo que Derek pararia no caminho.

– Não é da sua conta – Derek respondeu e deu um passo para frente, mas parou. Continuava com aqueles pensamentos na cabeça e não sabia o que fazer. Virou-se para trás encarando o outro e ameaçou falar algo e não conseguiu.

– Na verdade era só pra te irritar, eu não estava interessado – Derek o olhou raivoso – Qual é não entende um pouco de sarcasmo não? Anda, senta aqui e me conta o que aflige esse coração solitário – O loiro apontou para as outras bebidas que estavam ali e convidou o mais novo. Derek sentou-se ao lado do tio ainda sem dar uma palavra.

– Olha eu não ia falar nada, mas você ta com um cheiro de homem, se é isso que você não ta tendo coragem de falar fica tranquilo que eu não tenho preconceito nenhum – Peter riu sacana, ele sabia que era o cheiro do humano, só queria provocar Derek para ele falar.

– Não seja estúpido. Eu estava conversando com o Stiles, só isso.

– Ótimo! Então já começou a se aproximar dele, o que conversaram? – Peter perguntou demonstrando interesse.

– Nada de mais, mas eu não sei se devo mesmo fazer isso agora, ele anda frágil, talvez seja melhor esperar um pouco – Derek disse com indecisão na voz.

– Claro que não, esse é o melhor momento pra se aproximar dele, você não vai desistir disso, não é Derek?

– Não, estou certo de tudo, só tenho que manter ele por perto até o Scott confiar em mim, essa é a parte difícil.

– Scott confiar em você?

– Não – Derek rolou os olhos para Peter – Manter Stiles comigo, você sabe que eu não sou a melhor pessoa do mundo, não sou romântico, divertido ou qualquer coisa que seja importante em um relacionamento.

– Isso com certeza – Peter concordou e abriu um sorrisinho, Derek o olhou feio – Bom, pelo menos você também herdou os genes de beleza dos Hale, já é um bom começo.

Eles ficaram um tempo em silêncio.

– As pessoas ainda vão a encontros, certo?

Peter tentou a todo custo conter o riso.

– Você não esta ajudando!

– Okay. Um encontro talvez não, tente algo mais algo sutil e não apresse esse processo entre vocês, não vai querer assustar ele, Stiles é inexperiente – Peter aconselhou.

– Certo, tratarei disso amanhã – Derek seguiu para seu quarto.

– Só mais uma coisa – Peter o interrompeu – No começo quando eu sugeri tudo isso você reagiu muito mal, o que mudou agora?

– Nada, só fiquei esses dias estudando isso e percebi que pode funcionar, então farei para fortalecer meu bando – Derek respondeu – Boa noite.

▽▽▽

– Stiles! – O xerife entrou correndo na casa e começou a revirar o andar de baixo inteiro gritando o nome do filho – Stiles, esta aí em cima? – Subiu a escada e entrou no quarto do garoto quase arrombando a porta.

– Pai o que ta acontecendo? – Stiles levantou-se da cama ainda confuso e cansado e foi surpreendido por um abraço esmagador de seu pai – Ei pai, estou bem.

– Eu é que pergunto o que esta acontecendo, me disseram que você saiu desesperado da delegacia e agora te encontro aqui com o rosto machucado, será que da pra me explicar?

Stiles silenciou, abaixou o olhar e tomou seu tempo para falar.

– Eu acho que não to pronto ainda para encarar as coisas – Respondeu com a cabeça baixa – Quando eu vi aqueles casos não resolvidos foi como se tudo voltasse à minha mente e eu surtei, sai correndo na chuva e acabei caindo de cara no chão. Nem lembro como consegui chegar em casa.

– Eu não devia te forçar a isso, eu quis ajudar, mas só atrapalhei não foi?

– Tudo bem, não é culpa sua, eu só não vou conseguir continuar com isso, e eu não queria te decepcionar pai.

– Não se sinta assim – John voltou a abraçar o filho – Você passou por muita coisa, vai ter seu próprio tempo para se recuperar, eu estou aqui para o que você precisar. Você nunca vai me decepcionar filho.

Stiles se sentia mal por esconder de seu pai a verdade sobre o que aconteceu, sobre os lobisomens, mas era para sua própria proteção, não queria envolvê-lo nisso.

Pai e filho ainda conversaram mais um pouco antes de se recolherem, já era tarde da noite e o xerife tinha trabalho ao amanhecer. Enquanto Stiles, bem, ele planeja dormir um pouco e passar o dia lendo como costumava fazer, já que sair de casa, e agora até mesmo ir à delegacia acompanhado de seu pai, ainda era algo difícil de lidar.

Stiles acordou cedo, não conseguia pregar os olhos devido a ansiedade que o deixava agitado. Fez tudo o que costumava fazer pela manhã, já era como um ritual, e quando seu pai foi para delegacia, se deitou no sofá para continuar a leitura de seu livro. Já era perto do meio dia quando seu celular começar a tocar interrompendo sua leitura, Stiles não conhecia aquele número que aparecia no visor e não atendeu. Algum tempo depois e a pessoa continuava insistindo até que Stiles cedeu.

– Fala – Atendeu sem vontade alguma.

– Stiles?

– Não, abominável homem das neves, o que quer?

– Desculpe, acho que essa não é uma boa hora, é? – Do outro lado da linha a pessoa vacilou ao ouvir a voz do garoto.

– Na verdade não, então se vo... Espera quem é que ta falando? – Stiles parou ao reconhecer aquela voz, isso ou ele estava ficando paranóico mesmo.

– Derek.

Stiles gelou.

– Derek!? É... Eu não sabia que era você, foi mal mesmo falar daquele jeito, eu nem sabia que você tinha celular, muito menos meu número.

– Tudo bem, já estou acostumado com você falando assim – Derek riu e Stiles ficou constrangido, mas era verdade – Eu só queria saber se você esta bem depois do que aconteceu ontem contigo.

– To bem, tirando as dores e alguns hematomas, que graças a Deus estão nas costas e não na cara, senão teria muito o que explicar ao meu pai.

– É, você passou por uma boa.

– Hum – Stiles soltou.

Ficaram um tempo em silêncio, tentando pensar em algo para puxar conversa.

Um bom tempo.

– Estranho – Derek sorriu para si.

– O que? Responde – Stiles se apressou com a manifestação do outro lado da linha.

– Você não é tagarela no telefone.

– Sério isso? Achei que você ia falar algo super interessante.

– Eu não sei o que dizer Stiles, e você também não ajuda muito.

– Ultimamente eu to meio pra baixo mesmo, e também isso ta meio desconfortável sabe.

– Eu te deixo desconfortável? – Derek perguntou.

– Não é isso! Falar no telefone com você é desconfortável, entendeu no te-le-fo-ne. Se bem que assim você parece até mais sociável, quando a gente conversa, o que é meio difícil porque aqui nessa cidade a gente ta sempre fugindo da morte e não tem tempo pra nada, você não é de falar muito com a boca, só fica mexendo essa sobrancelha pra lá e pra cá e todo mundo tem que decifrar as coisas. Mas sei lá também, eu não tenho conversado muito com vocês nesses dias e até falando assim por celular eu fico meio inseguro porque eu não sei que cara você ta fazendo pra essa conversa fiada, que por sinal você não gosta nada – Derek ouvia a respiração ofegante do mais novo após parar de falar.

– Agora sim parece o Stiles que eu conheço. E eu gosto de conversar sim! – O lobo protestou.

– Ah sim, acredito, pelo celular é fácil não é? – Stiles provocou, Derek riu mais uma vez.

– Eu sinto falta de conversar com alguém assim, sobre nada.

– Sobre nada? Eu tenho conversas muito mais interessantes que um simples nada, seu azedo, e seu eu não tivesse pânico de até sair de casa você veria só. Mas tenho que concordar com você infelizmente, eu sinto falta de conversar com meus amigos, eu nem sei como essa conversa esta durando tanto.

– Talvez por telefone seja mais fácil realmente.

– Sim.

– Bom, já que você tem medo de sair de casa...

– Ei – Stiles interrompeu – Não é medo, é... Receio só.

– Será que eu posso passar aí pra gente conversar, sei lá, falar sobre ontem, sobre o que você ta passando? – Derek ficou nervoso e Stiles quase pôde ouvir Peter rindo ao fundo – Okay isso pareceu um pouco invasivo eu só...

– Tudo bem se você quiser, mas não precisa se sentir obrigado a nada por causa do que aconteceu comigo ontem.

– Entendido, à noite eu passo na sua casa, pode ser?

– Sim, até lá.

– Até, Stiles.

A ligação se encerrou, Stiles se jogou no sofá ainda tentando absorver tudo aquilo. Era incomum essa preocupação por parte do lobo, por outro lado seria bom abrir-se com alguém, mas porque com o Derek isso parece mais fácil do que com Lydia, Allison ou até mesmo Scott? Stiles não sabia, ou preferia não admitir.

Derek chegou à casa de Stiles por volta das oito horas, o humano estava sentado no gramado na frente da casa com um olhar atento. Derek se aproximou com as mãos no bolso da jaqueta e andando calmo.

– Oi – Derek falou sem graça.

– Veio andando é? – Stiles levantou o olhar para fitar o outro.

– Quase isso, e o que você ta fazendo aqui fora? – Derek sentou-se ao lado de Stiles.

– Eu pensei ter ouvido um barulho no andar de cima enquanto assistia televisão, mas deve ser coisa da minha cabeça já que meu pai ligou falando que vai atrasar hoje – O garoto bocejou.

– Então você veio aqui fora à noite e sozinho, muito esperto.

– É, eu acho que não foi uma boa escolha mesmo, só fiquei com medo – Stiles baixou o olhar, mexia na grama com os dedos e sentia-se um tanto envergonhado.

– Eu não consigo sentir medo em você, pelo menos não agora, mas um monte de outras coisas e isso me preocupa. Isaac me disse que você esta doente.

– Não é bem uma doença, mas eu me sinto desprotegido, inseguro, como se a qualquer momento algo ruim fosse acontecer sabe? – Derek concordou – Eu mal consigo sair na rua e a noite não durmo direito pela ansiedade.

– Entendo, logo após o incêndio, quando fugi com Laura, eu fiquei totalmente desolado, e tinha vários desse sintomas de estresse pós-traumático, se ela não estivesse comigo acho que enlouqueceria.

– Você deve ter sofrido muito depois que ela partiu também – Stiles voltou a olhar para o lobo.

– Muito, mas depois de passar por tantas coisas, a gente aprende a superar e seguir em frente – Stiles assentiu e eles podiam sentir a cumplicidade do outro apenas pelo olhar – Eu não tinha ninguém, mas você tem o bando ao seu lado Stiles, mesmo que não estejamos tão unidos assim – Os dois riram.

– Scott vem se fazendo de difícil para entrar no bando ainda?

– Sim, eu gostaria muito que estivéssemos todos juntos, para nossa própria proteção, você sabe como essa cidade é, coisas acontecem o tempo todo.

– Eu sei, porém Scott e Jackson não confiam em você e eu não os culpo, ainda não sei qual é a sua – Derek o olhou curioso.

– Não me olhe assim, você é todo misterioso, esta sempre de cara fechada e mal humorado e sempre que aparece nos traz problemas, e nem tente argumentar comigo ouviu?

– Não vou, você esta certo.

– Sempre estou, esse seu jeito é só por medo de se aproximar das pessoas, você não é o lobo mau da história – Stiles deitou na grama olhando para o céu, pôs os braços atrás da cabeça.

– Como você chegou a essa conclusão?

– Mesmo com essa postura intimidadora, você sempre se preocupa e tenta proteger os outros, mesmo que não tenha as melhores decisões. E também você não tinha motivo nenhum pra fazer o que fez comigo ontem – Stiles se levantou e fez cara de dor.

– O que foi? – Derek perguntou.

– A surra de ontem – Passou as mãos nas costas.

– Eu posso te ajudar – Derek se aproximou.

– Não precisa, sério.

– Você prefere sentir dor? Não seja idiota – O lobo pegou mão de Stiles e absorveu a sua dor – Melhor?

– Sim obrigado, me deu até mais sono – Stiles deu um longo bocejo e voltou a deitar, Derek fez o mesmo do lado do humano.

Eles ficaram mais um tempo conversando e observando a lua e as estrelas brilhando no céu.

– É tão boa essa paz, sob as estrelas, sentindo essa brisa passando pelo corpo, da uma sensação de leveza. Eu precisava disso, da companhia de alguém, me acalmou – Stiles era sincero com suas palavras e Derek percebia isso.

– Acho que nos dois precisávamos espairecer um pouco – Respondeu – Ei Stiles?

Stiles caiu no sono, Derek o chamou e cutucou um pouco, mas sem resposta. Estava em um sono profundo, a calma tomou conta de seu corpo e o sono veio fácil dessa vez. Como acordar aquele ser todo fofo dormindo com a boca aberta babando não era uma opção, Derek o pegou no colo e o levou para a cama dele. O cobriu e Stiles agarrou firme e se enrolou ainda inconsciente. Derek sorriu percebendo que os sentimentos do garoto estavam mais amenos, ele fazia bem ao humano, então tudo isso não poderia ser errado, ou poderia?

“Segure a minha mão quando as luzes se apagarem. Você está se sentindo com medo, mas ninguém entende. Mantenha a cabeça erguida e não olhe para baixo, eu vou guiar seus passos.”

– Birdy

Notas finais
Esse foi mais calmo, o que vocês acharam? Comentem, até o próximo, meus queridos!