Karma
7 Família Martin
Notas iniciais
“Agora me pergunto se eles perceberam que chorei a noite toda. Eu disse a mim mesmo que não te amo, mas é mentira.”
– Jessie J
Depois de assistir todas as séries possíveis em seu computador, já era madrugada, Stiles decidiu dormir um pouco e aquele som de chuva caindo lá fora era ótimo para relaxar, ele precisaria mesmo. Deitou-se exausto na cama, seus músculos da perna ainda doíam um pouco por causa da caminhada na reserva, fazia tempo que Stiles não se exercitava de forma alguma. Claro que foi inevitável pensar em Derek naquela hora. Ele estava se aproximando, por algum motivo que Stiles não sabia, ele só não conseguia pensar que fosse algo natural, até porque ele é Derek Hale, esse nome já é um adjetivo por si só. Enquanto Stiles tinha aquele sentimento de talvez não ser o bastante para o lobo. Independente do motivo que fez Derek se aproximar, Stiles estragou tudo agindo daquela forma, na hora parecia ser o melhor a se fazer, mas ele foi tão grosso que provavelmente Derek não vai querer vê-lo por um bom tempo, sorte dele ter saído com todos os dentes na boca. E com essas lembranças ele caiu no sono, com os olhos marejados.
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Derek estava tão nervoso de ter sido abandonado ali na mansão sozinho que nem ligou para a chuva e foi embora a pé mesmo, uma longa caminhada até o seu loft. Chegou depois de um bom tempo, estava com a roupa encharcada e a maior carranca possível. Isaac estava deitado entre as pernas de Peter no sofá da sala, eles assistiam televisão, ou melhor, eles já tinham pegado no sono e acordaram com o barulho da porta pesada se abrindo. O alfa ignorou totalmente aquele momento que os outros dois estavam tendo e parou na frente deles com o braço cruzado, lançou um olhar sorrateiro para seu beta que entendeu imediatamente e os deixou a sós ali.
– Céus, o teto do jipe se deteriorou no caminho até aqui? – A situação do moreno não era das melhores e Peter não deixaria passar.
– Isso é tudo culpa sua! – Derek apontou o dedo na cara do tio – Aproxime-se dele, você disse, ele gosta de você, você disse, você consegue conquistá-lo, você disse – Ele andava de um lado para o outro bufando entre as palavras.
– Não me diga que você estragou tudo – Peter levantou-se do sofá surpreso, mas logo voltou a sentar com a intimidação que Derek impunha com os olhos vermelhos.
– Eu estraguei? Eu levei foi um bolo do Stiles, recheado de insultos, e o pior que ele esta certo em tudo o que disse sobre mim – Derek estava com o ego ofendido, isso não se podia negar, mas ele estava gostando dos momentos que teve com o garoto nos últimos dias, sentia-se leve com alguém que o entendia.
– Hum, nada bom – Peter resmungou.
– O que é nada bom Peter?
– Você esta hesitando.
– Eu não estou hesitando, eu fiquei perto dele, toquei, tentei o máximo de aproximação que consegui e ele não correspondeu.
– Talvez não tenha correspondido com ações, mas você prestou atenção nos sentimentos dele? Como ele ficava quando vocês estavam juntos? – Peter questionou firmemente, ele tinha um interesse nisso que Derek não entendia muito bem.
– Mas é claro, eu só topei fazer isso por que eu sinto essas coisas nele, se eu estivesse causando algum mal ou desconforto eu já teria desistido – Derek respondeu sincero – Mas ficar assim não vai nos levar para lugar algum, muito menos trazer Scott para o bando, talvez essa não tenha sido uma boa ideia – Derek sentou-se ao lado do tio no sofá, ele estava com um aspecto cansado.
– Não decida nada de cabeça quente, dê um tempo ao garoto e depois você vê o que faz, esta bem? – O sobrinho apenas assentiu com a cabeça levemente e Peter subiu para o quarto, Derek fez o mesmo minutos depois.
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Um novo dia amanhecia em Beacon Hills, o sol aparecia tímido por entre as nuvens tornando o clima mais agradável, deixando para trás o tempo ruim que causou estragos pela cidade. Natalie Martin dirigia calmamente pelas ruas da cidade, indo em direção a sua casa com seu sobrinho Bruce a seu lado.
– Já estamos chegando, logo você estará em casa – A mulher animava o garoto ao seu lado no carro. Ele estava com os olhos vidrados por onde passavam, sentindo-se ansioso por ter todo esse mundo de volta para si.
– Eu estou muito nervoso quanto a isso – Ele fez uma pausa breve seguida de um suspiro – Quero dizer, isso é o certo a se fazer? Voltar para cá? – Bruce disse incerto.
– Você recebeu alta, meu querido, e você conhece bem aquele lugar, eles não deixariam ninguém sair se não tivessem certeza absoluta que estivesse bem. Agora você voltará aos nossos cuidados, como sempre deveria ter sido, o passado fica para trás – Isso o confortava, saber que a família estava lá para ele, foram momentos difíceis que ele passou naquele lugar, estar livre era mais do que bom.
Alguns minutos depois e eles finalmente chegaram a casa, Lydia e seu pai já esperavam impacientes e os recepcionaram calorosamente. Lydia não via o primo há mais ou menos um ano quando fez sua última visita a ele na Eichen House, em seu aniversário, as visitas são um tanto restritas naquele lugar. Ela parecia mais feliz com isso do que ele, eles ficaram por horas conversando na sala e Lydia o atualizou com tudo o que havia ocorrido na cidade e no mundo, ela era bem exagerada. Seu pai terminou de arrumar as coisas no quarto do garoto, enquanto a senhora Martin teve seu devido descanso.
– Lydia vai com calma, eu não consigo assimilar tanta coisa assim ao mesmo tempo – A ruiva ria da confusão que causava no outro com tanta informação que lhe dera, as coisas andavam agitadas, se ele soubesse da parte sobrenatural da história então.
– Tudo bem, a gente vai ter tempo de sobra pra botar tudo em dia mesmo. Aliás vocês demoraram a beça pra chegar aqui, já estávamos preocupados.
– A chuva nos pegou de surpresa, tava tão forte que era impossível sairmos de lá, sua mãe teve que dormir por lá mesmo e só conseguimos partir pela manhã, fiquei até com medo dela enlouquecer mesmo estando por um dia apenas – Lydia sorriu, seu pai também ouvindo aquilo do outro lado da sala.
– Ei Lydia, esse não é seu professor? – O homem chamou a atenção para si, na televisão o noticiário local falava do acidente entre dois carros ocorrido durante a madrugada em Beacon Hills. Quatro mortos no total, entre eles Adrian Harris, professor de química na escola Beacon Hills High School, morto ainda no local do acidente.
Lydia ficou pálida na hora, as imagens mostradas ali eram exatamente iguais ao sonho que tivera naquela noite. Aquele frio na espinha voltou e uma sensação de vazio tomou conta de seu corpo, os outros dois perceberam o nervosismo da garota, mas não puderam impedir ela de sair correndo pela porta da frente. Lydia não correu mais que alguns metros até dar de cara com Jackson, ele a segurou pelos braços trêmulos, não tinha ideia do que estava acontecendo com a garota.
– Lydia o que você tem? – Ele perguntou assustado, ela não respondia, mas o abraçava forte, Jackson estava ficando preocupado.
– Lydia o que deu em você? – Bruce veio correndo de dentro da casa e os encontrou ali na frente abraçados, quando se aproximou da prima ela foi sentindo uma leveza instantânea e aquele sentimento mórbido não a atingia mais.
Ela se separou de Jackson e secou as lágrimas com a as mãos – Eu já estou melhor, obrigada – O namorado fez um carinho em seu rosto. O loiro voltou sua atenção ao garoto parado tímido ao lado deles, abriu um sorriso largo ao perceber quem era. Caminhou em direção a Bruce o abraçando.
– Cara é tão bom te ver! – Bruce estava meio sem graça com aquilo, ele era muito vergonhoso, mas Jackson era seu melhor amigo na infância, era bom revê-lo.
– Bom, eu ia perguntar o que você estava fazendo aqui, mas acho que isso responde a minha pergunta – Lydia sorriu para os dois, Jackson a puxou para mais perto, unindo os três em um abraço.
– Você disse que ele chegaria hoje eu não perderia isso – Jackson respondeu – Agora será que da pra explicar o que aconteceu pra você sair assim toda desesperada da sua casa? – Lydia não respondeu.
– A gente viu uma notícia na televisão, parece que o professor de vocês morreu em um acidente – Bruce interveio – Bom, seu pai deve estar preocupado, eu vou lá dizer que esta tudo bem e vocês podem conversar sozinhos – O garoto entrou.
– O professor Harris? – Jackson questionou – Eu vi pela televisão antes de sair de casa, mas isso mexeu tanto com você assim? – Ele estava intrigado, a reação da garota era um tanto exagerada para ele, Harris não era próximo dos alunos.
– Sim eu senti por ele, mas não é isso, é que... Droga, não tem como contar isso sem parecer uma louca.
– Tudo bem, só conte de uma vez.
– Eu sonhei com o acidente, tudo era tão igual às imagens mostradas na televisão que eu não sei se aquilo foi um sonho ou se eu estava realmente lá – Tudo estava confuso na cabeça dela, coisas estranhas estavam acontecendo desde que ressuscitou Peter tempos atrás.
– Ei não fique sofrendo assim por nada, foi só uma coincidência, você não esta ficando louca, esta bem? – Lydia assentiu – Você precisa espairecer um pouco, se divertir, sei lá.
– Tem razão – Lydia concordou segurando as mãos do namorando e balançando calmamente.
– Que tal a noite do filme, faz tanto tempo que não acontece e você adorava.
– E você odiava – Eles riram.
– Eu sei, eu não gostava muito do Stiles e do Scott antes de tudo isso que aconteceu com a gente, mas acho que seria bom para todos nós voltarmos com isso.
– Bom, pode até ser, mas primeiro tenho que convencer o Stiles, você sabe que ele não anda muito bem. E não será a mesma coisa sem a Allison – A caçadora estava há pouco tempo longe da cidade, mas todos sentiam a falta dela.
– Se tem alguém que consegue convencer o Stiles é você. E a gente pode levar o Bruce, assim ele se enturma com o pessoal – Eles andavam em direção a casa.
– Duvido muito que ele queira, você viu como ele ficou envergonhado perto de você? E olha que ele gosta bastante de você, vamos dar um tempo pra ele se acostumar antes de conhecer aqueles dois loucos, Stiles e Scott – Eles já iam entrando quando Lydia percebeu algo incomum na entrada da casa.
– O que foi? – Jackson perguntou ao ver a expressão confusa estampada na face dela.
– Essas flores, não estavam aqui ontem – De fato, o jardim na frente da casa dos Martin estava florido, diferentemente das outras casas.
– Ué, as flores aparecem assim do nada na primavera – O loiro disse não ligando muito.
– Jackson nós já estamos no verão!
– Que seja, são apenas flores, vamos entrar.
– Já vi que agora vou ter que dividir sua atenção com o meu primo – Lydia parou Jackson na frente da porta.
– Pode até ser, mas isso eu só posso fazer com você – Ele a puxou pela cintura e selou seus lábios nos dela.
Pela tarde, Lydia ligou para Scott para falar sobre a noite do filme. O lobo animou-se com a ideia e topou na hora, porém lembrou que o motivo deles não terem isso há algum tempo era a mal estar de Stiles. Ele já estava bem melhor agora, mas Scott não dava certeza de nada, embora soubesse que a presença dos amigos faria muito bem ao jovem. Para não correr o risco de Stiles fazer-se de difícil, Scott e Lydia decidiram que aquilo deveria ser uma surpresa, Erica, Isaac e Boyd também foram convidados, e às sete horas da noite todos estariam na casa do Stilinski com filmes de terror e muita pipoca.
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Stiles passou o dia ao lado de seu pai o ajudando com alguns casos da delegacia, era dia de folga de John, mas como de costume ele sempre levava serviço para casa e Stiles adorava ajudá-lo com aquilo. Quando já estava anoitecendo, o garoto subiu para tomar um banho e se viu pensando em Derek novamente naquele dia, se ele soubesse quantas homenagens já havia recebido naquele ambiente quente e úmido pelo vapor. Stiles massageava lentamente seu membro, seu corpo encostado na parede molhada, mas sua mente divagando pela mansão lembrando-se de cada momento daquele dia. Da forma como Derek o tocou, a respiração ofegante dele misturando-se com a sua e a vontade de atacar aquela boca que estava a poucos centímetros de distância. Seus movimentos aceleraram, soltou um gemido baixo quando chegou ao ápice, seu líquido viscoso escorreu pelo corpo até se esvair pelo ralo. O garoto ainda estava perdido em seus pensamentos quando seu pai começou a bater na porta do banheiro e ele percebeu o quanto estava demorando ali.
– Filho você ainda ta vivo? – O xerife perguntou depois da quinta batida e Stiles finalmente respondeu um pouco baixo pelo constrangimento – Scott esta aqui.
– Pede pra ele esperar mais um pouco, já to saindo pai – Stiles falou mais alto dessa vez, seu pai desceu as escadas e ele pôde sair do banheiro, foi para o quarto e se vestiu rapidamente para encontrar o amigo no andar de baixo.
Quando Stiles desceu, ainda vestindo sua camisa, quase caiu da escada com o susto que levou com todos os seus amigos sentados ali na sala conversando. Seu pai estava ciente dessa surpresa que prepararam. Estavam todos espalhados pelo sofá e pelo chão, fazia um bom tempo que todos eles não se reuniam. Mesmo sem entender o que estava acontecendo, Stiles cumprimentou um a um até falarem para ele sobre a noite do filme, e o humano não tinha escolha nenhuma a não ser aceitar. Eles conversaram a noite inteira botando todo tipo de assunto em dia, era a última semana de férias e eles faziam apostas para o início do semestre escolar. Dentre os assuntos, Bruce também foi posto em pauta por Lydia.
– Ele é meu primo e veio morar conosco, acho que os meninos se lembram dele – Ela se referia a Scott e Stiles.
– Espera aí, seu primo Bruce? – Lydia assentiu com a cabeça – Aquele que estava no sanatório? O maluco? – Stiles perguntou deixando os outros ainda mais curiosos.
– Olha como fala Stilinski! – Jackson o repreendeu zangado, Stiles aquietou-se.
– Como a gente não ficou sabendo disso? – Scott perguntou se aproximando e logo todos os amigos estavam ao redor dela.
– Como você não lembra Scott? Foi pouco antes do incêndio na mansão dos Hale, só se falava nele naquela época – Erica se meteu no meio.
– Bom eu nunca contei por que não é algo que eu goste de lembrar, o que importa é que ele esta bem.
– Agora eu quero saber – Scott insistiu.
– Eu já pretendia contar mesmo pra vocês se enturmarem com ele – Todos sentaram em uma rodinha para ouvir a explicação da ruiva – Há alguns anos os meus tios, os pais de Bruce, morreram em um acidente de avião quando foram visitar um parente na França. Eu lembro que ele passou umas semanas na minha casa quando isso aconteceu. Quando fomos informados do acidente, Bruce entrou em depressão, ele era muito pequeno para encarar tudo isso e ficou muito mal, começou a se comportar de um jeito estranho. Teve um dia que ele fugiu de casa e ninguém o achava em lugar algum, a polícia o encontrou na floresta sozinho e chorando, totalmente abalado – Lydia fez uma pausa – Ele até inventou ter sido atacado por lobisomens naquela noite, embora não estivesse nem machucado. Depois disso tiveram vários outros surtos e meus pais o internaram na Eichen House, ele esteve lá todo esse tempo e agora pelo que parece já esta melhor e minha mãe resolveu trazê-lo pra cá de novo – Lydia contou tudo o que lembrou e notou que todos estavam se olhando de uma forma estranha.
– Espera aí, lobisomens? – Stiles questionou e todos concordaram com a cabeça.
– Bom, ele costumava ter alucinaçõ... – Lydia não terminou de falar e fez a mesma cara que seus amigos fizeram anteriormente.
– Eu ainda não tinha parado pra pensar nisso – Jackson também estava surpreso.
– Não pode ter sido verdade – Lydia respondeu.
– Claro que pode, eu sou um lobisomem e sabemos que existe muita coisa estranha por aí – Scott disse – Talvez ele tenha sido incompreendido por todo esse tempo.
– Mas Lydia disse que ele não tinha nenhum ferimento quando foi encontrado, talvez seja só imaginação mesmo, e uma tremenda coincidência, diga-se de passagem – Isaac disse e eles concordaram e voltaram a ver o filme com uma pulga atrás da orelha.
“Quando você olha para cima, enxerga as razões do por que fazemos o que fazemos.”
– Jessie J
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