Karma

21 Ataque ao hospital


Notas iniciais
No capítulo anterior eu tava meio fora de mim e nem dei conta que já era o capítulo 20! Meu deus passou tão rápido, eu queria agradecer a todos vocês que têm me acompanhado, comentado, favoritado, recomendado... enfim todos vocês meus queridos leitores! Eu diria que estamos na reta final, talvez mais uns 5 capítulos, eu acho gente não tenho certeza é só uma suposição haha mas não vai se estender muito, eu aviso mais pra frente ok, Boa leitura

“Não sou nenhum anjo, nunca fui, mas eu nunca te machucaria.”

– Birdy

Stiles acordou um pouco mais disposto na manhã seguinte, mesmo se não estivesse provavelmente seu pai faria questão de tirá-lo da cama. Diferentemente do dia anterior, quando John desceu para a cozinha, seu filho estava preparando o café como de costume. Ele como bom xerife, e pai primeiramente, notava que algo não andava bem com o filho. Stiles disfarçava com um sorriso forçado enquanto lhe servia o alimento, sentou-se sem que nenhuma palavra fosse dita, talvez fosse melhor caminhar o resto do dia dessa forma indiferente.

– Você sabe que pode me dizer qualquer coisa, não sabe? – John soltou em meio a um gole e outro de café, dando uma pequena checada no filho com seu olhar.

Stiles apenas assentiu levemente com a cabeça sentindo no fundo do peito uma insegurança brotar.

– Por que se você acha que eu não percebi que esta com alguma problema, só pode estar louco. E mais louco ainda se pensa que vai sair dessa mesa sem me contar – Deu um leve riso e abriu seu jornal dando tempo para o filho ter uma de suas reações exageradas. Ele abaixou os papeis ao nível dos olhos para encarar o garoto que estava surpreendentemente calado e de cabeça baixa mirando o copo de leite em suas mãos, seus olhos vermelhos deixaram escapar uma lágrima teimosa. Não importava qual fosse o motivo, para um pai aquilo era de partir o coração.

– Stiles? – Chamou, mas o jovem sentiu vergonha de encarar o pai – Por favor, meu filho, o que você tem?

Sem alternativas, ele se levantou preocupado e foi para o lado dele. Stiles desatou a chorar, seus ombros chacoalhavam e o xerife os segurou, para Stiles encarar o que estava por vir com seu pai poderia ser pior que o desentendimento com Derek. O mais velho puxou uma cadeira e ficou de frente para o outro, passou a mão pelo rosto dele enxugando as lágrimas.

– Você não se sente confortável em conversar comigo? – Perguntou receoso – Talvez retomar as sessões com a psicóloga da escola seria...

– Não é isso – Stiles o interrompeu – É difícil pra mim.

Eles ficaram mais alguns segundos em silêncio.

– Bom, você pode começar falando do seu namoro, quer dizer, eu vi uma aliança no seu quarto então supus que estivesse – Tentou concertar sua indiscrição – Você brigou com ela?

John arriscou, Stiles sentiu seu corpo responder ao nervosismo, não podia fugir mais disso. Respirou fundo encarando os olhos do pai e buscando uma maneira de falar o que precisava ser dito, por mais que tentasse não tinha um jeito melhor ou pior de contar a seu pai que é gay.

– Não tem ela – Finalmente respondeu lutando para manter a calma em um dos momentos mais difíceis que teria que encarar após a morte da sua mãe – Eu namoro um cara, pelo menos namorava até então – Fez uma pausa em conta do nariz que não começa a escorrer – Eu gosto de homens, pai.

Ao contrário do alívio, ele só poderia se sentir ainda pior ao proferir as palavras, nem sequer conseguia encarar os olhos do pai, o medo de rejeição continuava assolando sua alma desde que se aceitou como era, mas não poderia exigir nada de seu pai.

– Mas e Lydia... É... Você sempre foi apaixonado por ela, não é? – Gaguejou, não podia evitar a surpresa que aquilo era, assim como os filhos, os pais não estão preparados para isso.

– Foi uma fase confusa – Sua voz já estava embargada alertando o que viria à seguir – Me desculpa pai, eu não queria te decepcionar – O descontrole desencadeou mais uma vez uma onda de choro, sendo amparado pelo abraço do pai. Stiles queria recuar, sentia-se desconfortável e indigno, mesmo sabendo que não deveria se sentir assim.

– Nunca diga isso Stiles, eu me orgulho muito de você – Falou quase em um sussurro em conta da emoção que o tomava, era difícil ver o filho naquele estado, ninguém deveria sofrer por ser quem é. Ele distanciou um pouco para encará-lo nos olhos marejados – Você tem guardado isso por muito tempo?

Stiles balançou a cabeça em afirmação.

– Eu te amo, Stiles – Depositou a mão no ombro do garoto – Você é meu filho, tudo o que tenho nesse mundo e nada do que faça vá mudar isso, não há nada de errado em ser gay, você entende isso, não é?

– Eu sei – Stiles limpou as lágrimas, um pequeno sorriso começava a brotar – Muito obrigado pai.

– Não tem o que agradecer, qualquer coisa que precisar me contar eu estarei aqui, é meu dever – John sorriu de volta – Agora se apronta pra não chegar atrasado à aula, porque filho burro eu não aceito em casa.

Stiles riu do bom humor de seu velho e o abraçou mais uma vez antes de ir em direção as escadas.

– Onde quer que Claudia esteja, ela esta orgulhosa de você – John proferiu, era tudo o que Stiles precisava ouvir.

▽▽▽

Ainda durante a aula, Scott recebeu uma ligação incomum de sua mãe pedindo para que passasse no hospital logo após a escola, ela apenas disse que tinha algo para mostrar e que era importante. Stiles o acompanhou, parecia mais curioso que o próprio, precisava mesmo distrair a cabeça. Quando chegaram ficaram um tempo na sala de espera até Melissa aparecer por ali. Scott já começou a encher a mãe de perguntas preocupas e ela garantiu que com ela estava tudo bem. Levou os dois para uma sala vazia para que ninguém ouvisse a conversa deles.

– Eu preciso que vocês sejam sinceros comigo – Ela começou falando seriamente – Tem alguma coisa acontecendo de sobrenatural, ou seja lá o que for que vocês estejam metidos?

É claro que eles foram pegos de surpresa com isso, mas não podiam desmentir e nem assustá-la já que não tinham muitas informações sobre o Sluagh, mas talvez a mulher tivesse algo útil para eles.

– Do que estamos falando aqui, precisamente – Scott se manifestou ainda pisando em ovos sobre o assunto.

– Ontem de madrugada quatro pacientes internados na UTI tiveram morte cerebral, no dia anterior dois outros pacientes haviam morrido da mesma forma. O estranho é que embora todos eles estivessem em estado grave de saúde, nenhum dos casos é associado a isso.

– Ou seja, a morte cerebral foi algo súbito? – Stiles perguntou recebendo a confirmação dela – E quais as chances disso acontecer com seis pessoas em dois dias e ser uma coincidência?

– Nenhuma, os médicos estão sem entender o que aconteceu – Ela o respondeu preocupada.

– Mas e onde a gente entra nisso? – Scott perguntou todo confuso.

– As câmeras foram checadas, eu pedi pra um amigo da segurança salvar uma parte no meu celular – Ela pegou o celular no bolso do jaleco e os dois garotos se aproximaram para ver o vídeo, ela o ajustou para a parte que interessava.

– Bem ali no canto, estão vendo? Vindo pela janela – Ela apontou com o dedo, mas Stiles já havia notado aquela sombra.

– Parece um vulto se esgueirando, mas é bem rápido.

– Aparece na gravação de todos os quartos dos pacientes que morreram.

– Ok, agora eu estou ficando com um pouco de medo disso – O beta se afastou para não ver mais o vídeo, Stiles pediu para que ela passasse novamente.

– Espera, volta alguns segundos antes disso aparecer – Ela voltou e Stiles prestou mais atenção em um detalhe – Ali, você viu!

– O que Stiles? – Perguntou confusa, não havia notado nada de diferente, o jovem pegou o aparelho de sua mão e pausou o vídeo no tempo desejado.

– Ali Melissa – Stiles deu play novamente, pela janela dava pra ver um pássaro, aparentemente um corvo voando – Já sei o que esta acontecendo – Stiles trocou um olhar conivente com Scott.

– Será que da pra vocês dois me explicarem o que esta acontecendo?

E então eles explicaram todo o ocorrido há dias atrás, falaram sobre o Sluagh e sua possível relação com as mortes ocorridas já que isso se encaixa na descrição dada por Morell. Melissa ficou atônita com aquilo, nunca se acostumaria com esse mundo sobrenatural que fora envolvida.

– Você tem noção de quantos pacientes em estado grave ou em coma estão internados aqui? Se vocês não impedirem essa criatura, muita gente pode morrer.

– Droga – Stiles respirou fundo e passou a mão pelo rosto, o lobo andava inquieto de um lado para o outro – Nós temos que pensar em alguma coisa, Scott.

– Eu sei, nós vamos precisar reunir o bando – Stiles bufou ao ouvir aquilo – Eu sei que você e Derek estão em um momento difícil, mas isso é algo maior.

– Claro – O humano respondeu – Então vamos logo, temos que planejar tudo antes do anoitecer.

– Me mantenham informada.

Eles se despediram dela e seguiram para a clínica de Deaton, parecia o melhor lugar para armar uma estratégia, eles precisariam da sabedoria do emissário.

▽▽▽

Não demorou muito para que todos já estivessem reunidos no local, Allison havia trazido seu pai e mesmo que os lobos ficassem desconfortáveis com isso, eles teriam que relevar, nesse momento eram aliados. Chris, Deaton e Derek discutiam e estudavam um esquema para deter o inimigo e neutralizá-lo, já que sabiam que Sluaghs não podem ser mortos. Todos os outros também davam pitaco e aquilo estava se estendendo, afinal era difícil quando não se sabia muito sobre o que estavam lidando.

– Deixa me ver se entendi – Stiles disse chamando a atenção dos demais, embora Derek estava de olho nele desde que chegaram, era difícil manter essa distância – Nós todos vamos ficar cercando o hospital pra impedi-lo de entrar e Melissa vai passar cinzas da montanha nas janelas, é só isso que temos – Perguntou preocupado com a falta de opções que tinham.

– Enquanto não encontramos uma forma de detê-lo, só nos resta tratar os efeitos colaterais e impedi-lo de matar mais alguém – Deaton respondeu para o garoto.

– Vamos nos dividir em quatro grupos pra cobrirmos todo o hospital – Derek tomou a frente – Eu e Chris, Allison, Scott e Isaac, Boyd, Erica e Bruce, e por fim Peter e Jackson.

– Ei, acho que você se esqueceu de alguém – Stiles protestou ao não ouvir seu nome.

– Não Stiles, você e Lydia não vão fazer parte disso, vocês não têm habilidades especiais ou com armas para se defenderem – Deaton respondeu seco, era um ultimato.

– Fomos capazes de trazê-lo aqui, acho que somos capazes o suficiente de nos defendermos – Ele detestava se sentir impotente.

– Stiles você sabe que é verdade, nós só atrapalharíamos – Lydia tinha consciência daquilo, mas o humano não pareceu se contentar com isso enquanto fazia o biquinho que Derek tanto gostava.

– Só queremos protegê-los – O alfa disse com um olhar terno.

– Então nos encontramos lá em uma hora – O caçador recolheu suas coisas e partiu com a filha.

– Stiles, por favor, espera – Derek o puxou devagar pelo braço enquanto os outros já iam embora.

– Me solta – Puxou seu braço soltando-se dele – Aposto que me deixar de fora foi ideia sua, não foi?

– E pro seu próprio bem, não seja teimoso.

– Mas é claro, o alfa sempre sabe o que é melhor pra todos – Stiles tinha um tom ressentido que machucava os dois.

– Você tem todo o direito de ficar zangado, mas é perigoso – O Hale tentou encará-lo, mas ele mantinha o olhar distante enquanto bufava de insatisfação – Eu nem posso pensar em algo ruim acontecendo com você, meu pequeno – Tocou com cuidado o rosto dele alisando as bochechas.

– Derek, por favor.

– Me diz que você não sente falta de mim e eu vou embora – Disse baixo se aproximando do rosto do menor.

– Não torne isso mais difícil do que já é.

– Tudo certo por aqui? – Scott apareceu com os braços cruzados e um nítido incômodo com o Hale.

– É melhor você irem, não vão querer se atrasar – Stiles rompeu o contato e partiu.

– Acho melhor você ficar longe dele, já fez o bastante – Trocaram um olhar desafiador – Vamos lutar juntos dessa vez, mas não significa que você seja mais meu alfa.

– Como você quiser, Scott – Respondeu frio.

▽▽▽

Quando o crepúsculo começava a aparecer, eles já estavam apostos. Melissa havia passado as cinzas da montanha nas janelas dos quartos dos pacientes mais suscetíveis a um ataque. Algumas horas se passaram e nada acontecia.

– Acho que nunca vou me acostumar com o Jackson sendo filho do Peter, mesmo eles estando tão grudados agora – Erica lixava as unhas impaciente.

– É compreensível – Boyd disse – É como se estivessem se conhecendo só agora.

– Não é engraçado o quanto eles são parecidos? Eu diria que... – Bruce pausou o que dizia ao sentir uma energia diferente no lugar.

– Esta tudo bem? – Os betas se levantaram e ficaram em alerta.

Uma névoa começou a se formar e o Sluagh se materializou. Rapidamente os lobos avançaram contra ele, sendo interrompidos de se mover. Ainda paralisados eles rosnavam enquanto a criatura sorria ao arremessá-los contra uma parede. Bruce se pôs a frente deles, temeroso, mas assim que começou a se transformar não parecia mais tão indefeso assim. Estendeu suas mãos e delas saíram raios de luz de cor esverdeada que atingiu o Sluagh em cheio. Ele tentou avançar, mas a magia emanada do Sídhe ficava mais forte e o empurrava para trás. Desmaterializou-se formando um bando de corvos que voaram ao longe. Bruce ajoelhou-se exausto, os betas se aproximaram e o ajudaram a se levantar. Erica pegou o celular no bolso e contatou Peter.

– Ele vai para o seu lado.

– Entendido – Peter respondeu e desligou – Fique pronto garoto, ele esta vindo.

Jackson assentiu e logo eles viram os corvos passarem por eles, e em um segundo já estavam rodeados por eles e sendo feridos por seus bicos e unhas. O barulho que faziam era ensurdecedor para os ouvidos sensíveis dos lobos, mas eles conseguiram se defender muito bem com suas garras e espantaram ele dali.

Os três já estavam sentados ali há um bom tempo em espera e o silêncio era absoluto e constrangedor, a situação entre eles era complicada, Allison e Scott haviam conversado há alguns minutos atrás sobre a situação em que se encontravam já que o lobo parecia ter expectativas e a caçadora não queria dar falsas esperanças. A conversa foi em bom tom e eles se entenderam, afinal eram bons amigos antes de tudo, mas Isaac havia ficado incomodado, ele deveria estar se sentido ótimo agora que sabia que a garota não estava interessada, mas a decepção que sentia vindo de Scott foi capaz de deixá-lo para baixo, se sentia excluído e sem importância para McCall.

– Se preparem – Peter disse a Isaac pelo celular tirando-o de seus pensamentos.

Allison já conseguiu acertas algumas de suas flechas nos pássaros que vinham ao longe, os dois lobos também ajudaram a espantá-los e levá-los direto para a armadilha.

– Pai, agora é com vocês – Allison disse ao celular.

O Sluagh já estava em sua forma humanóide nos fundos do hospital, onde Chris e Derek esperavam por ele. Por mais que o alfa o atacasse parecia não surtir efeito já que seus golpes passavam direto pelo corpo da criatura, aparentemente intangível. O Sluagh o tocou e Derek sentiu suas forças se esvaírem. Argent aproveitou o momento de distração e veio por trás e o acertou com um bastão de choque. A criatura se contorceu inteira e largou o Hale, partiu furiosa para cima do caçador, mas o lobo tirou de sua jaqueta uma arma igual a do outro e o feriu. A eletricidade parecia ter um bom efeito contra ele, conseguiu afastar-se dos dois para se recuperar, quando Chris correu em sua direção esquivou-se rapidamente e grudou em suas costas absorvendo sua energia. O Argent caiu no chão sem forças, o lobo ainda conseguiu acertar mais um golpe com seu bastão de choque antes que o Sluagh fugisse dali.

– Você estava certo, a eletricidade parece afetá-lo – Derek estendeu sua mão e ajudou Chris a se levantar.

– Mas não é o suficiente – Disse ofegante e caminhando com dificuldade junto de Derek ao encontro dos outros – Isso só vai espantá-lo.

– Por hoje é o bastante – O alfa respondeu.

▽▽▽

Stiles havia acabado de pegar no sono todo enrolado em suas cobertas, os olhos ainda molhados e uma trilha marcada pelas lágrimas em seu rosto eram indícios da falta que sentia de seu lobo, além de toda a sua decepção com ele. Como era possível amá-lo apesar de tudo? Seu coração apertado doía aos poucos até adormecer com o vento gostoso que vinha da janela. Assim como o vento, uma fumaça negra vinha adentrando o seu quarto e rodeando sua cama. O Sluagh tomou forma e se pôs por cima do corpo do humano, o primeiro contato já estava feito, era questão de tempo para que a alma de Stiles pertencesse a ele.

“Lembra-se das coisas que você me disse e como as lágrimas caiam dos meus olhos. Eles não caíram por que me machucaram, eu apenas odeio te ver chorar.”

– Birdy

Notas finais
OMG, o Stiles não! hahaaha Comentem, please! Até o próximo capítulo.