Karasu
1 Nova realidade
Notas iniciais
–Ele nasceu em uma cordilheira, no monte mais alto, distante de todos os clã's. Era um criança dita como um monge num templo Shaolin. Foi treinado pra ser um guerreiro, seus pulmões eram fortes graças ao efeito do ar rarefeito, seus músculos se tornaram mais fortes e resistentes... foi educado pra ser uma arma de defesa. Só nunca entendeu o porquê!
Ate que sua casa foi atacada, dois meses depois que o céu rugiu e a terra tremeu; os Sword Master's chegaram, incendiaram o monastério, mataram todos... a "paz" foi rompida de vez, os clã's ergueram muralhas entre suas divisas e mesmo sendo ridículo começaram a cobrar por recursos e pedágios pra forasteiros. Você compreende?
– Sim!
E os dias passaram
[...]
"Um caminho escuro, um céu sem estrelas ou luar, carvalhos negros com folhas brancas por todo lado; foi este cenário que me foi dado assim que acordei. Estava tonto, fraco... não muito distante a frente vinha uma voz..."
– Deve ser ele! “Pensei que fosse aquele que cuidara de mim. Não via cortes em minha pele, não sentia nenhum osso quebrado, eu deveria estar morto...”
–Não!! “Briguei comigo mesmo, eu precisava voltar, lutar junto ao meu povo, minha família.”
“Meus pés percorreram o longo caminho ate um local "claro", ate um circulo formado por pessoas em volta de uma fogueira.”
– Venha, não tenha medo... “Disse o dono da voz, um jovem de óculos”
"Todos me olhavam, pareciam ver um fantasma"
–Onde estou? “Questionei”
–No Mu! “Um deles responderá”
–A voz disse: “Vá ao Mu, procure por Vaziø, conte o que ocorreu; se ele achar você merecedor, te dará uma nova chance... uma chance de voltar pra casa, de ter uma casa.”
–Voltar?! “Todos falaram espantados”
–Bem, vamos escutar o que tem a dizer...sente-se! “Ele disse me mostrando um assento bem a minha frente”
"Me sentei, conversamos, contei tudo....e com isso as horas passaram, no fim..."
–Não contenha as lágrimas... “Falava Ø sem expressão alguma, com olhos que pareciam enxergar bem mais além, por fim deu um largo sorriso e disse:”
–Relaxe "Fera"!rsrsrs...
"Ao seu lado direito estavam um casal de garotos, pareciam não ter ouvido a história, admiravam algum desenho no chão que quem sabe eles mesmo fizeram. A garota quase não contia a euforia, ela tinha cabelos pretos, olhos bem expressivos, parecia não ser tão alta, tinha um corpo normal e mais parecia ter 12 anos pelo seu largo sorriso. Já o garoto parecia ser um pouco mais velho graças a barbicha, contudo carregava um semblante bem parecido com o da garotinha. Em meu lado esquerdo estavam mais um casal, estes pareciam ser íntimos, a garota sentada no chão enquanto o rapaz repousava a cabeça em sua coxa, olhavam atentos o fogo que nos aquecia. A minha direita um garoto se deliciava com uma enorme coxa de avestruz, seus olhos brilhavam e era nítida a saliva escorrendo em sua boca a cada dentada. Mais um pouco a sua direita uma dupla pareciam dormir, a menina parecia ter a mesma idade daquela outra próxima a Ø, porem o menino parecia uma criança. E por ultimo no meu campo de visão estava aquele que parecia de longe o maior do grupo, se pontificava em pé ao lado esquerdo do jovem de óculos. Todos pareciam usar o mesmo estilo de vestimenta, mais negra que a escuridão da noite...mal conseguia entender os detalhes."
–Se você foi treinado e os Monges eram tão habilidosos lutando, então eles estão bem! “Uma voz em meio a escuridão me questionava”
–Eram guerreiros que a tempos abandonaram a ira, limparam suas mãos do sangue de seus inimigos, pobres que encontraram a guerra enquanto procuravam a paz... “Respondi olhando na direção da voz que vinha mas além, de dentro da floresta escura por trás de Ø.”
–E você procura o mesmo que eles? “Rebateu”
–Não me tire por idiota, naquele dia me foi tirado tudo, família, amor, casa, amigos...minha fé também foi queimada. Não procuro nada além do meu lugar nesse mundo.
– Deve sentir ódio não?!... interessante...
– Chega! Pare de atiçar esses sentimentos ruins Shadowm... “Falou o garoto de óculos olhando sobre os ombros a escuridão, agora eu via em meio as sombras dois glóbulos oculares, que voltavam a se fechar sumindo no breu da noite dizendo:”
– Não se engane meu grande amigo, você viu os olhos dele ao pronunciar essas palavras, não preciso atiçar nada, a sede que ele sente é bem maior que a minha, a sua ou de qualquer outro desse clã de “malditos”. Fiquem bem e bom descanso... bem vindo novato!
– Me chamo Sora! “Retruquei, porem ele não voltara a falar enquanto os passos dentro da escuridão foram sumindo ficando mais silenciosos ate sumir...”
– Não ligue com ele e tente passar por tudo isso sem guardar rancor.
– O que ele quis dizer com “Todos”?
– Vamos dizer que não foi só você que perdeu algo...
“O circulo que fazíamos em volta da fogueira mostrava agora pessoas olhando o vácuo de suas próprias almas, ao longe existia um vilarejo, deveria haver mais habitantes, poderiam estar dormindo, tenho quase certeza que já se passava da meia noite.”
– E como você sobreviveu ao ataque? “Perguntou o pequeno garoto mirrado que mal conseguia conter o sono.”
– Minha mestra e mentora se atirou junto a mim no desfiladeiro, aquele que vocês chamam de cemitério dos anjos, isso tudo segundos antes de sermos atingidos por uma chuva de flechas. Nossos corpos foram direto contra a correnteza do rio Alfa, eu acho...depois disso não lembro de mais nada!
– Você deve ter sido trazido ate certo ponto pela correnteza, foi um milagre ter sobrevivido, você ingeriu muita água, quando o Yuu te trouxe estavas desmaiado.
– Quero voltar ao monastério! Yuu... “Repeti enquanto pensava:”
“Então foi ele quem me salvou?! Por quê?”
– Preciso agradecê-lo, onde se encontra o Senhor Yuu?
– Bem, já esta tarde e o Yuu já deve ter indo dormir, amanha você pode agradecer. “Falava ele usando um tom de deboche enquanto isso os outros se levantaram, desejaram boa noite e sumiram na escuridão, logo foi a vez de Vazio que também sumiu deixando um convite:”
– Esperamos você amanha aqui logo cedo...
“Todos se foram e o silencio se fez presente, voltei minha face para o céu sem a presença da lua ou das estrelas, a fogueira iluminava pouco, só o suficiente pra ver o caminho de volta a “minha” caverna, meus olhos enfim refletiam a incontrolável tristeza da perda, lagrimas tomaram seu posto e desceram devagar pelo meu rosto enquanto eu me dirigia ao leito. A entrada era simples, como qualquer outra caverna, deitei-me na cama feita de algo similar a palha e madeira, fechei meus olhos..."
– Pai, mãe...me desculpem não pude salvar vocês, mestra...fui fraco demais, amores...perdão mas não consegui manter minha promessa . “Balbuciei”
“Uma corrente de tristeza passou pelo meu corpo, o choro e os soluços me trouxeram a agonia e por fim eu desmaiei... exausto!”
... E O SILENCIO FOI COMPLETO...
[...]
“Senti meu corpo ultrapassar o colchão entrando em queda livre, meu cérebro se desligou, meu diafragma contraiu, meus pulmões se encheram de sangue, a atmosfera me puxava com tudo que tinha pra baixo... não pude pedir socorro pois me faltava ar, não havia lugar pra se segurar e o abismo não parecia ter fim. O sangue voltava pelos meus olhos, senti minha cabeça explodir e por fim desisti de tudo, da vida, dos sonhos e me entreguei a morte. Porem algo segurou meus braços 1; 2; 3 vezes... inútil, já era tarde de mais pra retarda a velocidade posta sobre meu corpo.”
– ELA, ajudem ela por favor! “Tentei falar, mas nada saiu de minha boca”
“Mais uma vez, agora nos dois braços 1;2;3 vezes, sem sucesso. Me largaram.”
– Desistiram?! “Pensei aliviado e minha mente ficou limpa, meus olhos fecharam, senti algo me abraçando, aquele calor...era ela! Como um casulo protetor me protegendo, acertamos em cheio a correnteza do rio...então...”
[...]
...ACORDEI...
“Ainda era cedo, o sol mal nascera, eu me pus sentado na cama por algum tempo, dentro da caverna era quente, não era muito grande, porem era igual a qualquer outra choupana. Haviam poucos moveis, só o suficiente para uma vida simples, tudo era feito de madeira ou pedra e argila. Tentei me por de pé, mas meu corpo foi de volta a cama, estava tonto, curvei meu pescoço virando meu olhar pras minhas mãos escoradas em meu joelhos...uma gota...caira em meu pulso direito, levei a mesma mão ate meu nariz, ele sangrava. Quem sabe efeitos colaterais da queda e ingestão de água em exceção, me sentia fraco, tentei mais uma vez me por de pé, respirei fundo, me escorei em um cômodo que havia ao lado direito da cama, continuava tonto, fechei meus olhos, me escorei de lado na parede da caverna e aos poucos fui retomando o controle da respiração...havia voltado ao normal!
Em cima do cômodo estava uma muda de roupa preta semelhante as de Ø e seu grupo, agora os detalhes eram maiores, era uma blusa grande, semelhante a um *Kyo(Algo parecido com um Kimono) de mangas longas, havia uma abertura por baixo de cada axila, uma calça longa e larga. Me assemelhei a um *Ryo(Algo parecido com um Samurai). Eram antigas!
Mais à frente havia um pequeno espaço e um balde de madeira, me aproximei, estava cheio com água, ali devia ser o banheiro, me dirigi a ele, tomei um bom banho e troquei minhas vestes, fui em direção ao lado esquerdo da cama , nesse espaço havia um fogão a lenha e uma mesa com um fruteira que contia maçãs, lembrara que não comia nada a dias, mesmo enjoado ingeri duas delas. Sai da caverna, da entrada agora eu conseguia ver a minha esquerda a floresta de carvalhos agora bem diferente do que eu lembrava, estavam negros e com folhas brancas, e a cada milímetro iam aumentando de volume. Aquela sensação que pairava... era como se alguém me observasse, nas sombras das arvores, segui em frente onde havia uma trilha, me levara ao campo de encontro, o mesmo lugar onde se reuniam ontem a noite.
Nunca vi um dia tão cinza, os carvalhos se amontoavam, o céu fechado com nuvens mal deixava o sol brilhar, o forte vento trazia as cinzas do vulcão Fúria...Fúria, la estava ele, logo a minha esquerda, era enorme, o gigante que ultrapassava as nuvens, o Titan que nunca dormia, a cachoeira interminável de magma... Seguindo o caminho por mais alguns minutos logo a frente surgiu o acampamento, o anfitrião me esperava, vestia o mesmo uniforme de antes e carregava consigo em sua cintura duas espadas que pareciam ser da mesma estrutura que os carvalhos Negros."
– Onde estão os outros? “Perguntei”
– Bom dia, eu os mandei na frente, você esta bem?
– Sim! Só um pouco tonto as vezes...mas fora isso esta tudo bem.
– Foi bom você ter demorado, eu queria mesmo ter uma conversa contigo!
– Algum problema guerreiro?
– Isso só quem poderá dizer é você “amigo”. “Sua tonalidade de voz calma agora era ameaçadora”
– Entendo! Acharam-me na correnteza quase morto, atravessei um continente quase inteiro e nem imagino como, não falo nada com nada, um completo desconhecido. Você acha mesmo que eu tentaria algo?!
– Avalie melhor a situação caro amigo, estamos em tempos de guerra, toda sua historia pode ser usada como blefe, mesmo que tenha sido trazido pelo Yuu, ele pode ter sido enganado Também... não pode?
– Agora entendo o apelido "Vaziø" , aquela expressão de ontem...falso! Essa insegurança é aceitável, só quero que lembre... Eu não quis ser trazido, cheguei quase morto, quem sabe só vivo hoje graças a você e ao Yuu...
– Realmente não sei como você resistiu aos ferimentos, o Yuu disse que passou sete dias te carregando. Mesmo que tenhamos sido criados quase no mesmo local, pessoas estão em constante mudança...e eu não vou arrisca a vida deles só pela sua!
– Como assim "criados quase no mesmo local"?
– Você pode até não lembrar, mas também fui do templo...mas isso não importa!
– Ok... “Me virei de costas e olhei um caminho que certamente me levaria ate a divisa do Mu com Fúria.”
–Onde você pensa que vai? “Questionou ele”
– Procurar um lugar pra ficar, creio que alguém que é visto como inimigo não possa ficar aqui...
– Não disse que você era inimigo, porem não é a mim quem você deve convencer, só te digo, se em algum momento você fizer algo suspeito ou que coloque em risco a vida de quem quer que seja no Mu... eu não vou hesitar em te matar!
“De certa forma eu o entendia, ele agia como líder, protegia seu bando”
– Como acha que fará isso? Com uma espada de madeira?
“Ele apenas sorriu fechando os olhos, se virou e se pós a andar em direção ao vilarejo, enquanto eu o acompanhava ele falou:”
– Nem tudo é o que parece *Fera!
“Ele permanecera todo o tempo calado, chegamos ao pobre vilarejo onde as casas eram simplórias , porem o povo parecia feliz...os moradores de lá olhavam para Vaziø com desconfiança, já as crianças apreciam o temer. Ele não sentia o peso dos olhares, caminhava depressa sempre mantia a face virada pro solo, em alguns minutos chegamos aos que parecia os limites do povoado, a placa alertava o perigo”
NÃO ULTRAPASSE, RISCO DE VIDA!
“Ele fez o sinal do crucifixo varias vezes de olhos fechados, parecia orar.”
– Eles pareciam te temer.
– E temem!
– Porque?
– Pois eu não me rendera aos medos deles, porque eu entendo o que eles desconhecem... não só eu mas todos do clã .
– Qual clã ?
– O qual fazemos parte... o *KARASU(CORVO)!
“Ele ultrapassou o aviso e eu o acompanhei, o caminho se estendia por mais uma floresta de carvalhos escuros como o breu de uma noite e suas folhas secas eram brancas como a neve, os longos galhos se entrelaçavam no alto quase impedindo que a luz entrasse... seu ritmo não diminuía e a impressão de estar sendo observado não sumira."
– A que se referia a placa?
– Estamos no território “deles”, qualquer intruso é visto como inimigo e é morto, mas não se preocupe...você esta comigo.
– Então vem dai essa sensação de observação, mas quem são “eles”?
– São a primeira tribo que habitaram o Mu, muito antes que meu pai e eu. Quem sabe sejam os primeiros desse continente.
– Você parece sentir um resquício de medo em alguns dos crucifixos feitos ainda pouco...
– Eu os respeito, apenas isso, foi me passado essa doutrina...desde sempre.
“Minhas pernas mostravam bem o quanto eu andara, subimos um morro íngreme a tal ponto que do alto era possível ver todo o vale de Mu”
– Chegamos!
“A floresta de carvalhos terminara em lugar lindo, um amplo local cercado por montanhas, a esquerda um lago com uma cachoeira que deveria ser o fim do rio Omega e na direita algo similar a uma pequena praia, dunas sendo banhadas pelo gigantesco Oceano. Nunca haverá de imaginar algo tão perfeito em um lugar tão macabro. Na praia dois garotos lutavam, eram rápidos!"
– Aqueles são Alice e Hyugo. “Afirmou meu jovem amigo, enquanto assistia a luta ao meu lado direito”
“Havia uma longa decida ate a margem do lago, o chão por completo era revestido com um gramado esmeril, rochas arredondadas de grande e médio porte circulavam toda a extensão do gigantesco lago, a cachoeira que parecia brotar das nuvens de tão alto que eram as montanhas que a sustentava no céu, a queda d’água tinha consigo a fúria do continente, caia com tamanha forca que partículas de água se espalhavam pelo ar, criando assim uma brisa suave. O liquido era tão límpido a ponto de ser possível ver o céu refletido nele junto com o fundo das águas. No céu poucas nuvens, havia o bastante para impedir que ondas de calor excessivo passassem, um caminho circulava meio lago, fazia uma lua minguante descampada que nos levava a uma floresta completamente diferente da de carvalhos, e um pouco mais além estavam as Dunas que pareciam pó de ouro... lá o sol mostrava ser mais forte e as ondas pareciam querer engolir toda a praia. Aquele céu azul junto ao verde esmeril da grama me trouxe lembranças delas.”
– Vaaazziøøøøøøø!!!!! “Gritava uma garota que estava sentada no solo com um garoto deitado em seu colo, um pouco mais a minha diagonal esquerda na decida para o lago”
– Aquela é Evangeline e seu “marido” Kerberus, só pra avisar, ela vai querer te testar! “Alertava meu condutor enquanto caminhávamos em direção a eles”
– Eawe quatro olhos, bom dia?! "Falava a jovem me olhando dos pés a cabeça com um ar de riso"
– Kerberus, precisamos conversa! "Vaziø ignorara a garota."
“O jovem abriu um dos olhos o fitando por alguns segundos, sentou ao lado de sua amada, a beijou, levantou bocejando e continuaram a descer pela trilha”
– A Eva ira te mostrar tudo e apresentara você aos demais, lembre-se o que te falei. “Explicou Ø ao descer com Kerberus”
“Ela levantou, limpou seu corpo com sua mão tirando os pequenos pedaços de grama. Se pôs na minha frente, seus olhos eram de certa forma meio fechados, seu ar de riso fazia sua bochechas maiores, cabelos longos, um pouco mais que os ombros. Ela vestia a parte de baixo da mesma roupa que nós e algumas faixas em seu busto fazia um top, estava descalça e com um pedaço de grama no cabelo. Dirigi minha mão a sua cabeça para ajudar na auto limpeza, porem ela rebateu minha tentativa com sua investida e retirou o fragmento com as próprias mãos, voltando agora a me fitar”
– Pode me dizer qual é a graça? “Perguntei”
“Ela sorriu cobrindo a boca com a mão”
– Você é menor que eu... “Quase não conseguia falar sem conter as gargalhadas”
– Haaaaaaaa.... é isso?!
– É sim... rsrsrsrsrs... desculpa!
– Não, esta tudo bem... “Olhei de canto a paisagem”
– Rsrsrsrs... ta, parei!! Rsrsrs... agora é serio! Enfim, o que você quer saber primeiro? “O ar de riso era mantido pela sua voz”
– O inicio... os livros só dizem que essa parte do continente foi a maior afetada pelas erupções de Fúria, mas nada é mencionada sobre os carvalhos ou este lugar. O que diabos é o Mu?
– Ixiiii... você fez a única impossível de explicar, só quem sabe de tudo é o líder claro ou o senhor dessas terras.
– Dono? O Mu tem dono?
– Sim! O que sabemos é que há séculos atrás, antes da devastação de Fúria, essas terras eram habitadas por uma classe guerreira denominada Troll’s. Essa raça ameaçava todos que haviam em seu caminho, guerras foram travadas mas os Troll’s com armamentos melhores e um numero maior de guerreiros sempre saia vitoriosos, ate que... um dia surgiram “eles”, não sabemos quem são ou que são, o máximo que o nosso líder nos contou é que eles se escondem nas sombras, seus corpos são revestidos com algo similar a penas negras e podem tomar outras formas...
– Tengus?
– Não sei ao certo, só sabemos que esse clã enfrentou e venceu os Troll’s, os expulsou dessas terras e pra garantir que eles nunca mais voltassem, os sobreviventes fizeram um feitiço com os corpos dos caídos em batalhas... transformaram seus corpos em arvores, carvalhos aos nossos olhos, troncos que criam um caminho sem fim para intrusos quem tentam entrar no Mu, arvores que são indestrutíveis!
– Entendo, e eles? “Perguntei acenando com a cabeça para o pessoal que treinava”
– Há... eles são os escolhidos, Ø e o “Mestre” nos acolheu, nos educaram e nos treinaram, o pessoal do vilarejo são os antigos moradores, aqueles que acham que “Clã” salvador foram enviados por anjos e não por demônios... são pessoas legais!
– Pode me apresentar os demais?
– Claro... bem, vamos começar, na cachoeira estão o Tayrex embaixo da cascata em meditação, no centro do lago está o Shadown aquele sentado na grande pedra também em meditação. Nas dunas o casal que luta é a Alice e o Hyugo... só uma observação a Alice é muito forte, rsrsrs... O garoto meio gordinho que dorme mais do que assiste a luta se chama Okumura, as duas “crianças” com ele são irmãos a Minna e o Mooto, aquele que saiu com o Ø é meu Marido, mas ele você já sabe o nome e eu sou Evangeline... prazer!
– Prazer, me chamo Sora, sou um meio monge do monastério das montanhas.
– Eu ouvi você dizer seu nome ontem, mas como assim meio monge? É por causa do tamanho?!...kkkkk... “Ela voltara a entrar em crises de riso”
–Não! Diferente deles eu fui treinado pra luta, usado como espião...sendo uma antena receptora de ódio e desprezo, por quase todos os outros.
–Me desculpe, não devia ter brincado.
– Tudo bem... “Ela parecia ser sincera”
Ahoooo....ahooo...ahoooooo
"Esse som vinhera subitamente, como um grasnar, em segundos dentro da floresta o som se fez mais forte fazendo ecoar por todas as partes e mostrando que ali podia haver algum tipo de vida animal"
– Quatro olhos idiota, ele ama fazer isso...
– Hum...? “Minha face deveria ser de completa confusão”
– Relaxe, é só o Ø chamando, por algum motivo os corvos daqui imitam tudo que ele grita...
– Galeraa... Cheguem aqui por favor! “Chamava Vaziø”
"Todos escutaram em alto e bom som o corvejo do líder, foram um a um ao encontro do epicentro da voz, Kerberus estava ao lado de Vaziø, vestia apenas a parte inferior da roupa que parecia o "uniforme". O alto que a Evangeline chamara de Tayrex vinhera ensopado com o traje completo, parecia não se encomendar. Um moreno magro saira também de dentro do lago só com a parte inferior de sua vestimenta, enquanto sua camisa vinha por cima do ombro, esse se chamara Shadown. Em segundos a garota cujo nome era Alice vinha de top feito com faixas igual a Eva, sua blusa por cima dos ombros cobria suas costas , porem estava aberta na frente mostrando assim seu tronco, trazia consigo o garoto de barbicha chamado Hyugo, puxado pela gola da camisa desmaiado, arrastado pelo solo. Mais atrás vinham o casal de crianças, Minna e Mooto, como sempre pareciam sonolentos, ao lado deles estava um rapaz de maior "porte", seria ele o Okumura. Todos os três vinham com seus trajes completos. Todos se reuniram perto do inicio da floresta próxima ao lago, embaixo de uma das árvores Ø ditava ao grupo os motivos da reunião"
– Bem, como todos perceberam o número de habitantes na vila vem crescendo, infelizmente nossas terras são inférteis para o plantio de qualquer coisa e como sabemos só nosso grupo tem permissão de vir a essa parte do Mu e lá só os carvalhos sobrevivem, essas árvores nos protegem e somos gratos por isso, porem estamos sem remédios, nossa comida está quase no fim, o Fúria continua despejando suas cinzas no vilarejo e...
– E vendo todo esse contexto em conjunto a ele, nós decidimos que precisamos viajar para a Floresta Sombria, lá encontraremos mais alimentos e remédios. “Tomava a palavra o garoto que Eva chamara de marido.”
– É necessário que todos estejam prontos, sairemos amanhã logo cedo! “Finalizou o Líder”
– Kerb...?! “Eva o olhava com uma face melancólica, já havia lágrimas em seus olhos e sua voz chorosa mostrava nitidamente seu medo”
"O jovem foi a seu encontro a abraçou, beijou sua testa enquanto acariciava gentilmente seus cabelos."
– Calma, tudo bem! Ø sabe, você vai ficar cuidando dos aldeões no vilarejo.
"Houve tumulto entre o grupo, milhares de perguntas foram despejadas sobre Ø, duvidas naturais."
– Pessoal...ei pessoal... “Vaziø elevava sua voz a deixando cada vez mais grave”
"Os presentes na reunião conversavam entre se, pareciam ignorar a presença daquele que vos pedia atenção"
– Silêncio!! “Ø gritou apenas uma única vez, fez um estrondo com sua espada a batendo em uma das árvores.”
"O silêncio pedido se fez presente e agora todos voltaram a observa lo com toda atenção"
– Todos nós vamos, as únicas exceções serão a Eva que tem motivos fortes e aceitáveis para não ir a Floresta, e o Sora que devido a seu estado só nos atrapalharia.
– Eu posso ir! “Retruquei”
– Mas não vai, xiw está decidido! Mesmo com todas as objeções não é Kerbeus?
– Você é o líder, a responsabilidade é sua... “Respondeu o jovem agora com sua amada em seus braços e com um olhar desconfiado fixo em mim.”
– Ok então, todos de acordo certo? “Questionou o líder”
"Todos presentes no local concordaram com singelo sim"
–Entendo... vão pras suas casas, visitem seus entes queridos, aproveitem a noite, nossa missão começa amanhã, estejam prontos.
"Já era tarde quando a reunião se findou, todos caminhavam de volta pro vilarejo com o semblante de medo e o silêncio só era rompido pelo crocito dos pássaros, aves essas que só ouvíamos porem eram invisíveis ao nossos olhos. Voltamos pelo mesmo caminho de carvalhos."
– Olha Alice, começou... “Alertou Hyugo apontando um dos carvalhos”
"Algo surpreendente acontecia bem ali, em questões de milésimos foi se espalhando, era incrível, as árvores passavam por uma metamorfose, seu tronco negro se transformava em um branco puro, enquanto suas folhas ficavam negras acompanhando o anoitecer que caira com o por do Sol em nossas costas."
– O que diabos é isso? “Estava pasmo contudo aquilo”
– É como se as folhas absorvesse a luz durante o dia e no inicio da noite a energia guardada fosse direcionada para o tronco, só ainda não entendo porque isso acontece... Haaaaa, me desculpa a falta de educação, me chamo Tayrex, muito prazer.
– Sora, o prazer é todo meu...como sabe de tanto? “Perguntei enquanto andávamos pela trilha”
– Eu as observo a anos, gosto de estudar coisas, procurar a verdade escondida, minhas anotações são a maior parte da minha vida...
– Você disse anotações certo? Quer dizer que você tem papeis e tinta pra escrever certo? “O interrompi animado que sua resposta fosse sim”
– Não gênio eu escrevo com o dedo...kkkk...claro que tenho tinta e papel, mas porque a pergunta? “Sua voz era irônica”
– Eu perdi meu caderno de anotações, você teria um pra me dar?
– Tenho sim , toma! “Ele tirou um pequeno caderno branco de dentro da blusa e me deu junto com algo que mais parecia um pedaço de galho”
– O que é isso?
– Use pra escrever, é algo que inventei, as folhas do caderno não molham nem queimam, são feitas com folhas caídas desses carvalhos, quando quiser ler o que escreveu aqueça as folhas.
– Não entendi muito bem, mas valeu...muito obrigado.
"Ele sorriu, pôs a mão no meu ombro e gargalhando disse:"
– Você é bem lento viu...
"Eu apenas sorri. Seguimos enfrente, passamos pelo vilarejo onde alguns de nós ficaram, talvez pra se despedir...demoramos a chegar no acampamento, acendemos a fogueira, comemos em silêncio. Apenas Vazio, Hyugo e Alice estavam ali comigo, por fim nos despedimos e cada um dirigiu-se a sua respectiva residência. Não me manifestara em momento algum mesmo estando afogado em perguntas. Cruzar fronteiras era difícil pra não dizer impossível, como eles fariam pra passar em stealth?... Meu caminho como sempre estava escuro, no céu as nuvens impediam o brilho da lua e das estrelas, estava quente, o ar parecia não circular, isso possivelmente explicaria porque as cinzas não caiam. Decidi dormir fora da caverna, subi sobre a rocha que chamava agora de casa, deitei me com o rosto virado pro céu me pus a escrever no caderno que o Tayrex me dera, em algumas horas o sono veio mais forte, foi ai que duas estrelas cadentes romperam a escuridão. Uma lágrima escorreu vagarosamente pelo meu rosto e então com "elas" duas na mente...eu dormi!"
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