Karakuri Burst
5 Lixo inútil.
Notas iniciais

LEN POV'S ON
Algumas horas antes...
Assim que desci do prédio do Gakupo e dobrei algumas esquinas, tinha um homem falando com a Kagamine, que aparentemente estava alucinando. Não se espera muito para descobrir o que um homem vai fazer num beco escuro com uma mulher, neste momento, indefesa.
–Ei!
O sujeito sumiu num piscar de olhos, é incrível o que o medo pode fazer. Não pude ver sua face, o que é meio nostálgico. Suspirei, eu nunca consegui encontra-la... Não, tenho que afastar esses pensamentos e encarar a realidade, Rin morreu, não tem como ela ter aguentado aquele ferimento sem ajuda médica que claramente ela não deve ter recebido, droga! É tudo culpa minha, a única vida que não consegui salvar era a mais importante pra mim. Esqueça e volte a realidade Len, que por sinal esta bem engraçada, aqui estou eu com a Kagamine aos meus pés. Interessante não?
Primeiro me assegurei de tirar a arma de seu poder, não queria que ela acordasse do nada e metesse uma bala na minha testa, então me lembrei que Gakupo ia ser encaminhado para o hospital por conta do corrido, claro que Luka não iria ficar feliz, mas isso não era prioridade.
Peguei meu comunicador.
–Kaito? Agente Kaito, responda.
–Estou operante, comandante. O que foi?
–A ambulância já chegou?
–Colocando ele na maca, aconteceu alguma coisa? — Escutei alguém gritando atrás: ‘’Como assim não posso acompanha-lo?!’’ Deveria ser Luka.
–Achei a Kagamine.
–Não é possível, ela fugiu, nós todos vimos.
–Mas ninguém viu ela cair.
–Certo, onde estão?
–Na rua de trás do edifício. -Preciso me localizar. — Num beco exatamente.
–Num beco é?
Nem precisei estar lá para sentir o sorriso malicioso de Kaito sobre mim.
–Sim, mande a ambulância rápido.- Desliguei.
Uns 2 minutos depois várias ambulâncias apareceram ao redor do edifício, pegaram ela e a colocaram na ambulância, mas me deu uma aflição de deixa-la ir sozinha, e além do mais tinha que proteger a Kagamine do Gakupo e o Gakupo da Kagamine.
–Sigam-nos com a viatura, depois de lá estarão dispensados.
Presente.
Quando chegamos na porta do hospital Meiko nos parou.
–Nem uma comemoração?
–Pra que? Hoje não tivemos nada além de sangue derramado. — Comentou Luka.
–Pegamos a assassina mais procurada de Tokyo, e isso merece sake!- Rebateu Meiko.
–De certo modo ela esta certa Len, hoje foi um dia e tanto, faz bem descontrair. — Kaito botou pilha.
–Podem ir vocês e me contem como foi, porque hoje vou ficar aqui. — Avisei.
–Estou com o Len, eu não vejo razão de comemorar. — Pelo menos Luka vai ficar.
–Sério Luka? Vai ficar aqui mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde a Yuzuki chegará? — Provocou Meiko.
–Estou aqui de guarda e só pra isso. — Deu uma pausa dramática — E se a namorada do Len der um ataque de psicótica pra cima do meu Gakupo?!
–Você disse Meu Gakupo? — Kaito disse maliciosamente.
–Você disse namorada do Len?! — Perguntei quase rosnando.
Luka olhou as unhas e respondeu sem tirar os olhos delas.
–Sim e com certeza. — Me olhou como se estivesse olhando a minha alma, gelei na hora. — Len você não me engana, eu vi a troca de olhares entre você e ela quando ela pulou a vidraça.
Não podia negar que a olhei diferente do casual, mas achei que ninguém havia percebido.
–...
–Quem cala consente. — Meiko riu.
–Se vocês ficassem mudos, seriam mais espertos.
É, eu sou o cara. O silencio reinou depois da minha fala e ninguém se atreveu a dar um pio. Fomos ao 3° andar, eu e Kaito seguimos para o quarto 3109 enquanto Meiko e Luka iam para o quarto 3216.
Paramos em frente à porta do quarto e Kaito falou:
–Vai ficar aqui mesmo?- Assenti. — Cara, você trabalha demais.
–É a satisfação de um trabalho bem feito.
–Anda pensando bastante nela, não? — Olhei mortalmente pra ele — Pensando bastante num jeito de captura-la. — Corrigiu.
–Não nego.
Na porta estava uma plaquinha com os dizeres: "Enfermeira responsável: SeeU " Nome esquisito, mas pouco importa. Abri a porta e dei espaço para Kaito.
–Damas primeiro.
–Vá se catar.
Então nos deparamos com a Kagamine ligada a tubos e com uma coisa tremendo a seu lado, porque enfermeira aquilo não era.
–Enfermeira SeeU ?- Kaito tentou acorda-la do transe.
–Ah, vocês chegaram! Vão ficar aqui não vão? — Não nos deixou responder. — Ainda bem!
Kaito colocou a mão no meu ombro e sussurrou:
–Vai que é tua rapá. — E deu meia volta, saindo porta afora antes de eu poder dizer qualquer coisa.
–Onde estão as roupas dela?
–Como? — Perguntou corada.
–Podem conter evidencias. — Paciência, paciência...
–Ali no banheiro.
Ela me indicou onde é o banheiro e comecei a mexer. Evidencias que nada, só estou afim de por meu plano em prática. O plano consistia em por um chip localizador naquela flor que a Kagamine sempre usa, assim, caso ela fugisse, (o que eu não vou permitir) era só rastreá-la e aproveitar a cara de otária que ela iria fazer por acha-la tão rápido. Coloquei e depois voltei ao quarto. Precisava de um café, pois a noite iria ser longa e ainda eram 22:47.
Já estava saindo quando me deparo Meiko.
–Ela não vai vir comigo. – Disse ela se referindo a Luka.
–Pode ir então, esta liberada.
Fui na direção oposta de Meiko, onde provavelmente seria a cafeteria, o caminho estava cheio de macas e cheiros não muito agradáveis.
–Um café forte, por favor.
–Aqui está.
Estava prestes a tomar um gole quando um médico abriu as portas da cafeteria com tanta força que achei que iriam quebrar.
–O paciente Gakupo esta piorando!
E com isso lá se vai o meu café. Corri até o 3216 e vi Gakupo ter algumas convulsões, depois de algumas medidas desesperadas de controla-lo, eles o levaram novamente a sala de cirurgia. Procurei Luka para reconforta-la, pois deveria estar péssima com tudo isso, mas estranhamente ela não estava lá, o porquê eu não sei, Yuzuki não tinha chegado então não tinha motivo de Luka não estar presente. Tenho afazeres pendentes e com vontade de tomar o meu café, mas preciso checar a Kagamine... Sim, estou decidindo entre Kagamine e café.
–Socorro!
O grito vinha do quarto da Kagamine e a voz não era dela. Café, você perdeu.
Abri e porta e vi Luka tentando sufocar a Kagamine enquanto SeeU tentava impedir.
–Luka!
–Não, ela vai pagar, ela tem que morrer!- Dizia entre soluços e lágrimas.
–Luka! Você não é assassina!
–Ela vai morrer!
Cansei de tentar me comunicar, ela estava completamente cega por causa de Gakupo, e o jeito é agir. Pulei em cima dela e a imobilizei.
–Luka, vá embora.
–Estarei no quarto de Gak... — Interrompi.
–Não, vá embora desse hospital. — Disse autoritário. — Não quero que venha trabalhar amanhã.
–Mas...
–Isso é uma ordem.
Com isso Luka foi embora. Dispensei SeeU e arrastei a poltrona do canto do quarto até o pé da cama. Suspirei, ia ser uma longa noite e eu ia ficar ali ela toda.
Fitei a Kagamine várias vezes e imaginei diversos motivos dela usar tantas ataduras, e todos não foram bonitos, me perguntei como ela havia conseguido até no pescoço. Mas até que ela é familiar, ou é isso ou é efeito de ficar a olhando por tanto tempo. Dispensei SeeU umas 5 ou 6 vezes e voltei a olhar a Kagamine, e acho que nunca percebi o quanto ela é bonita, mas isso tem o seu porque: É que normalmente não percebemos que a pessoa que quer te matar é atraente. Cochilei.
Acordei com os raios de sol na minha face mas não a ponto de incomodar, sorri, até que percebo meu erro: E se ela tivesse fugido nesse meio tempo? Por via das dúvidas, a algemei na cama.
Meu relógio de pulso apitou indicando que era hora da minha equipe chegar. Quase imediatamente SeeU abriu a porta seguida de Meiko e Kaito, depois elogiaria eles pela pontualidade.
–Bom dia, flor do dia!-Zombou Kaito.
–Vamos à cafeteria? — Estava quase implorando.
–Fominha é?- Provocou Meiko.
–Haha, tão engraçados – Revirei os olhos.
–Afinal, onde está Luka? Ela não veio conosco. — Perguntou Meiko.
–Dispensada.
–Nossa, pra você dispen... — Kaito tentou falar, mais foi interrompido por Meiko.
–O que ela fez?!
–Simplificando: Tentativa de homicídio. — Silêncio.- Café? Por favor! — Agora estava implorando.
–Vamos!- Kaito disse e o agradeci mentalmente. — Meiko fique de guarda na porta, se acontecer alguma coisa, sabe onde nos encontrar.
–Entendido.
Eu e Kaito nos dirigimos porta a fora e seguimos para a cafeteria e esperamos numa fila de 5 pessoas. Depois de 15 minutos foi a nossa vez, pedi um café e uma fatia bolo de banana e Kaito comprou um picolé.
–E aí?
–‘’E aí’’ o que?- Não tinha entendido.
–Como foi a noite?
–Sem café.
Ia finalmente dar um gole no meu tão esperado café quando Kaito pôs a mão sobre a xícara e me forçou a baixa-la.
–Não foi isso que quis dizer.
O que Kaito quis dizer eu nunca irei saber, porque nessa hora Meiko abriu a porta da cafeteria com tanta violência que estou começando achar que essas portas são inquebráveis.
–A Kagamine está num estado crítico! -Falou imitando a voz da SeeU.
Saímos correndo, mas ao cruzar as portas me virei para dar um adeus ao meu café. No meio dessa corrida uma maca acabou parando no meio do corredor, paramos bruscamente e empurrei ( N.A: Lê-se jogou) a maca para seu devido lugar. Entramos, civilizadamente, no quarto e encontramos uma cama revirada e SeeU nos meus pés.
–M-me desculpem... — Foi tudo que conseguiu dizer.
Corri até a janela a tempo de a ver fugindo, maldita! Como conseguiu? E pior, ela estava com a arma!
Mas eu tenho uma carta na manga: O chip!
–Vamos! — Gritei para Kaito e Meiko, que assentiram com a cabeça.
Seguimos com a viatura até onde o trajeto nos permitia, e onde nos impedia, corríamos feito loucos, até que eu a encontrei.
–Len? — Ela perguntou levemente surpresa.
–Quem te deu a autorização de me chamar por esse nome?- Que intimidade é essa para me chamar pelo primeiro nome?!
–Len, porque você me levou a aquele hospital?
–Não escutou o que eu te disse? — Ela não pode me ignorar.
–Não escutou o que eu te perguntei?
Bufei, então percebi uma coisa, essa era nossa maior conversa sem o perigo de morte iminente, sem uma arma carregada ou uma katana levantada.
–Você caiu de uns 5, 6 metros... Não queria que você morresse desse jeito...- Estava sendo sincero.
–O quê?- Falou incrédula.
–Tem que apodrecer na cadeia primeiro. -Completei.
Ela bufou. Sorri, consegui o que queria.
–Quem era aquele cara? — Perguntei. Com certeza ela devia conhecer o maluco do beco.
–Que cara? – Abriu um sorriso. – Ciuminho, é? — O quê?! Como ela pode pensar numa coisa dessas?!
–Não! Porque teria? Apesar de tudo você é apenas um lixo inútil!
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