Karakuri Burst
1 Kagamine Rin.
Notas iniciais

Era mais uma noite fria e vazia, assim como havia sido pelas últimas semanas da cidade de Tokyo. Só se ouvia barulho dos pequenos saltos de Kagamine Rin, batendo contra o asfalto. Empunhando sua arma, estava prestes a fazer próximo serviço.
Horas antes...
RIN POV’S ON
– Seu próximo alvo, será um importante magnata da família Kamui, elimine quem estiver presente, como sempre. — Disse Miku, não muito interessada.
– Sim, senhora. — Mas você não tem 50 anos, Miku.
Ela era uma das poucas pessoas que eu tratava com respeito, por hora, era minha chefa, só tenho duas coisas que ainda valorizo em mim: meu orgulho e minha lealdade. Por hora.
Nunca fui de me curvar a ninguém, é estranho e dói as costas. Mas enquanto ela suprir meu desejo indomável de destruir e me sentir poderosa e ainda ser paga por isso, tá ótimo. Faço tudo o que ela pedir.
Miku era a mulher mais poderosa que já havia cruzado meu caminho, e quando ela fez a proposta não pude recusar. Miku parecia comigo, sem pena, sem remorso, só acabando com os obstáculos a sua frente, ela é chefe de toda a organização Burst. E como sempre, usava uma camisa social branca, uma gravata azul piscina uma saia branca na altura dos joelhos com sua meia calça cruzada e scarpins brancos também. Seus olhos azuis piscina combinavam perfeitamente com seus cabelos da mesma tonalidade preso em um rabo de cavalo bem feito. Tinha que admitir, Hatsune Miku é uma mulher bonita, só não é mais do que eu, claro.
Desculpa, hein.
Sai de lá com minha arma nas mãos, não me importava com os olhares horrorizados ou atravessados. Alguns homens paravam e olhavam, realmente sabia que era linda, poupe-me de humildade.
Usava meu vestido vermelho tradicional e meu quimono branco aberto. Estava frio, mas nem tanto. Meu cabelo preso em um coque amarrado num laço com uma flor vermelha presa na lateral. Minha franja cobria meu olho direito inteiro juntamente com as ataduras que usava por baixo, que também cobria o final da minha cicatriz, que partia do meio da minha bochecha esquerda, e subia até meu olho direito, o enfaixado. Sempre achei essa cicatriz um tanto sedutora.
Shhh, é segredo.
Presente.
Finalmente cheguei a lugar: Empresas Kamui e Associados. Que filial feia. Está na hora de por um fim em tudo isso mesmo, atirei na recepcionista, o que rendeu vários gritos. Povo exagerado. Logo após atirei na câmera de segurança, não queria deixar rastros, ou melhor, nem tantos. Foda-se, não existe filme mais queimado que o meu. As pessoas gritavam e corriam a todo custo para saída. Isso já estava me irritando. Pessoas são irritantes.
–Todos calados e pro chão. – Viva ao clichê. — Não se atrevam a chamar a polícia, pois eu atirarei na cabeça sem dó! — Gritei dando dois tiros de aviso... Na cabeça do empresário mais próximo.
Que nojo, respingou em mim.
Entrei no elevador, sabia que tinha aproximadamente dois minutos até alguma autoridade chegar, tsc. Esse povinho não aprende mesmo. Subi até o 27° andar, o escritório principal, quando as portas se abriram, apontei a arma em direção a secretária, que fez uma tentativa falha de avisar Kamui sobre minha chegada. Uau, essa manja.
Entrei nas portas com um símbolo ‘’K’’ completamente exagerado. Essa Coca definitivamente é Fanta.
–Que bela surpresa temos aqui... – Disse Kamui Gakupo, me olhando de cima a baixo. Como se eu ainda me importasse com esse tipo de coisa. Aliás, isso é fala de pedófilo.
–Porque não guarda seus últimos suspiros, falando algo mais inteligente? — Perguntei ironicamente, esse sujeito me dava nojo.
–Faria se fosse o caso. — Ele riu — Mas claramente não é. – Deu por fim um sorrisinho de canto. Querido, eu tenho cara de palhaça? Chega desse sujeito, apontei a arma, quando estava com dedo no gatilho, a gangue Karakuri aparece. Dá onde diabos eles vieram?! Da puta que pariu?
Eles eram quatro. Shion Kaito, um homem de cabelos e olhos azuis, só pelo brilho do olhar dele quando se referiam a Miku, conclui que ele era apaixonado por ela. Ah, como a burrice é linda. Tolo, idiota, demente, retardado, vamos abusar dos sinônimos.
Cof, ridículo, cof.
Um dia eu paro.
Ao seu lado vinha Megurine Luka uma mulher de cabelos longos róseos, com olhos azuis. Igual uma boneca de porcelana. Agora deu vontade de quebrar. Fontes contaram que ela e Gakupo são amantes, o que explica esse olhar de ódio para mim. Nossa, que medo. Pelo menos são boas fofocas.
No meio havia Sakine Meiko, uma mulher de olhos e cabelos castanhos, sem muitos podres dessa pessoa. Chata. Desperdício. ‘’Bang!’’ Morta.
Mais a frente havia Len, Kagamine Len, que me olhava com mais puro ódio, todos estavam de farda e seus quepes ridículos.
Sem falar de usarem katanas em vez de armas. Perfeitos palhaços.
–Isso vai ser divertido. — Disse com um olhar, e sorriso desafiador.
–Porque não cala a boca, sua imunda?! – Disse Len, devolvendo com o melhor dos elogios.
Valeu coleguinha.
–Então quer dizer que o ‘’famoso Len’’, vai fazer uma injustiça numa luta? Justo você, que se diz tão certo e limpo? Vai lutar contra uma mulher e ainda vão ser três a mais. –Falei com deboche no olhar.
Len já empunhava sua arma fazendo menção de combate, quando Luka o interrompeu.
–Não, Len... Viemos juntos aqui com apenas um único objetivo, não se desvie! Se for pra enfrenta-la faremos isso juntos. — Kaito e Meiko assentiram, não pude acreditar nisso, eu contra todos eles? Filhos da...Ok, vai ser fácil.
Não Rin. Pensa um pouco, mulher. Isso só pode ser armadilha, tenho que realizar a minha missão, e depois o jeito é fugir.
Olho sorrateiramente para a janela, havia um prédio a lado e eu sabia que conseguiria pular, daria pra despistar Len e seus palhacinhos.
Em um ato rápido atirei na direção de Luka, sabia que se atirasse nela Gakupo ia se jogar na frente, a única garantia de que a bala iria acerta-lo era mirar na sua’’ amada’’. E deu certo, sorri, bando de idiotas.
Gakupo caiu no chão e uma grande poça de sangue se formou ao redor de seu corpo, Luka chorava desesperadamente, igual uma otária.
Perfeita distração, eu vou é dar no pé daqui. Essa vidraça com aspecto de vidro de aquário não deve suporta o que devo fazer. Coloquei os braços na frente do rosto, o protegendo, e me atirei contra o vidro.
É, entradas e saídas glamorosas são comigo mesmo.
Virei-me para trás, avistando os cinco patetas.
Len estava me encarando. E com um olhar triste ainda por cima. Por quê?
E o mais importante, porque eu to ligando?
Droga. Perdi tempo demais naquele olhar de babaca e errei pouso. Havia posto apenas um dos pés no topo de um estabelecimento, e escorrei pra trás. Perdi o equilibro e caí, devia ser uns cinco metros.
Boa, Rin.
Eu só posso ter batido a cabeça... Vi que estava num beco e que minha visão ficava cada vez mais escura...
Ah, que merda.
Nos meus devaneios, poucas palavras escapam dos meus lábios.
–Porque eu fui crida? – Senti meu corpo fraquejar. — Pra que eu nasci? Pode responder?
Tudo seria normal se eu não tivesse escutado uma resposta.
–Pra que foi criada? Vou te dizer.
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