Karakuri Burst
35 Final feliz.
Notas iniciais

RIN POV’S ON
Um final feliz?
Isso seria tão bom. Um final. E feliz.
Tem uma história bem simples, mas eu a acho bonitinha.
Essa é a história de um garoto e uma garota.
Existia uma garota que não se dava bem com o mundo, e fazia coisas horríveis. Para ela, não era tão ruim como as pessoas enxergavam, ela gostava de ser assim. Também existia um garoto, e ele se dava muito bem com as pessoas ao seu redor, porque sempre fazia o que julgava certo. Para ele, era necessário acabar com ‘’as coisas horríveis’’. Então, os dois se conheceram. Claro, não foi o melhor dos encontros. Quando se encontraram pela primeira vez, provavelmente odiaram um ao outro, por serem tão diferentes. Infelizmente para esse garoto e garota, eles se encontraram mais uma vez, e conversaram por aproximadamente 15 segundos antes de começarem a discutir.
Realmente, eles complicaram tudo.
Houve uma vez que um precisou do outro, embora nenhum dos lados resolvesse admitir isso. E no fim de uma grande confusão, eles se viram presos a passar uma noite sob o mesmo teto.
Ela pensou: ‘’Mas que merda. ’’ E ele ficou irritado, bufando a cada 5 minutos.
Então, durante uma noite eles esqueceram como eram diferentes. E isso foi suficiente.
Mas tudo arquitetava para que eles se odiassem. E mesmo assim eles continuaram acreditando. Mas ainda assim, havia muitos problemas. Coisas horríveis. E como o garoto quis sempre acabar com isso, ele resolveu que protegeria garota das coisas terríveis que a assolavam.
Então, ele morreu para salva-la.
Essa história não tem um final feliz.
Eu também não esperava por isso. Só queria ver um ‘’E eles viveram felizes para sempre’’.
Mas não aconteceu.
E o que aconteceu com a garota?
Ela se trancou se isolou, se iludiu, e por pouco não se suicidou.
Prazer, Kagamine Rin. A garota da história.
Pensar nesta história só me motiva a dar um fim a ela. Eu quero acabar com isso.
E porque essa história não tem fim?
Porque o garoto não deixa.
Ele quer que eu jogue fora o livro da minha história preferida e que eu começasse em uma página em branco.
Pelo menos, é o que ele me leva acreditar.
Depois de seis meses que a história parou de ser escrita, talvez seja melhor apaga-la.
A história ficou esquecida.
E é aí que temos um problema.
Parece que você me esqueceu, Len.
Mas eu não te esqueci.
Seis meses. E a dor é a mesma como se tivesse acontecido ontem.
Desde que você falou comigo no banheiro, já se passaram quatro meses. E quando você falou comigo no banheiro, já haviam se passado dois meses. Ou seja,
Seis meses.
Histórias precisam de um fim. Todas elas precisam.
Ela não pode ser esquecida ou abandonada.
É triste.
Suspirei enquanto abria meus olhos. Dormir sentada é muito desconfortável.
Esta tudo tão quieto. Eu não tenho ninguém pra conversar. Talvez eu esteja sentindo tanto a falta dele que escutei sua voz no banheiro, há quatro meses atrás.
Descobri que era 4 da madrugada assim que olhei o relógio da sala.
Me levantei do sofá e me dirigi até a vidraça que havia lá. Coloquei a mão no vidro, suspirando em frustração.
–Bom dia. – Disse.
Isso é só um teste. Só um teste para ver se alguma vez Len irá me responder. Já que eu apenas espero. Parece que estou fadada a espera-lo.
É começo de Novembro, ou seja, fim de outono. (N.A: Lembrem-se que a fic se passa em Tokyo.) Era questão de tempo até ver os flocos de neve pintando o chão de branco. Sentir aquele frio de 5 graus.
–Eu queria ir num festival de inverno com você. – Suspirei enquanto olhava meus pés descalços. – Talvez o Sapporo Yuki Matsuri¹, já que é o mais famoso, mas eu sempre quis ir ao Yokota Kamura². Eu sei, ainda tá longe para um festival que só ocorre em Fevereiro. Mas eu queria estar com você...
Saí do lado da vidraça e fui até o banheiro com pesar.
Ergui a manga da minha blusa cumprida e suspirei triste ao ver aqueles cortes.
Eu iria fazer mais alguns.
Sabe, já se passaram nove meses desde que descobrimos que eu estava grávida. Então, teoricamente, seria hoje, amanhã, ontem, quem sabe. Isso é horroroso, eu realmente ia ser mãe. Mas isso foi agarrado e tirado de mim.
Olhei em volta e não tardei a pisar em um caco de vidro ainda espalhado pelo chão do banheiro. Praguejei em silencio e comecei a procurar pela lâmina no lugar onde deveria estar.
–Vamos... Onde está essa porcaria... – Murmurei irritada.
Fui para frente do balcão de mármore e procurei em volta da pia o objeto. Isso é uma merda, quando eu estou procurando as coisas, elas se teleportam pra Nárnia.
Se cortar... Não, não era a coisa mais prudente a fazer. Não é bonito ter esses riscos cicatrizados no meu braço. Mas quando eu sofria por conta disso, esquecia que sofria por conta de tudo.
–É inevitável pensar em você. – Anunciei enquanto desistia da minha busca e me jogava em sua cama. – Oh, olha, estou na sua cama, no seu quarto, no seu apartamento, sentindo o seu cheiro e jogando os seus cobertores no chão com o pé. – Suspirei. — Se você me esqueceu, porque tudo me lembra de você?
Quando o assunto tem o nome Len, era impossível não sentir as lágrimas se formarem nos cantos dos meus olhos.
Uma mecha loira do meu cabelo loiro caiu sob o meu rosto. Já iria a assoprar para longe, mas então eu a segurei.
Loiro...
–Oxigenado... – Sussurrei me lembrando de nossos momentos.
Me levantei rapidamente da cama e corri até o banheiro, pisando em vários cacos de vidro. Me agachei e peguei uma tesoura que estava no canto do banheiro.
Ergui um dos maiores cacos de vidro, e o coloquei apoiado na parede.
Sentei-me enfrente a meu reflexo e me encarei.
–I-isso é o melhor a fazer... – Encaixei meus dedos na tesoura e a aproximei de uma grande mecha do meu cabelo. – É o melhor a fazer... – Posicionei a tesoura e num movimento abri as lâminas. – Eu não quero lembrar de você... – Disse fraca, então tomei ar e gritei. — Eu não quero lembrar de você!
–É isso mesmo que você quer?
Soltei a tesoura no chão, o que fez um barulho alto ecoar pelo banheiro.
–Não... Não é isso que eu quero, Len.
Me virei para o meu lado direito, onde você supostamente deveria estar.
Mas é obvio.
Não estava.
– Porque só agora? – Continuei olhando fixo para a minha direita, sentindo a pobre água do meu corpo ir embora por meio das lágrimas. – Porque você só fala comigo agora?! Eu cansei! Eu cansei de tudo isso! Acha que é bom?! Acha que é bom depositar falsas esperanças nos outros?! Eu estou sofrendo! Você gosta de me ver sofrer?!
Suspirei pesadamente.
–Chega. – Disse. – Eu cansei.
Levantei-me do chão e abri as torneiras que encheriam a banheira. Abri-as o máximo que pude, fazendo a água sair da torneira com uma pressão assustadora.
Bati a porta do banheiro com força. E quando voltei à banheira a água já escorria para fora, atingindo os cacos pelo chão. Entrei na banheira usando roupas e fechei as torneiras com a mesma raiva que as abri.
–Você gosta de me ignorar, não gosta?! Então ignora isso.
Afundei meu corpo na banheira e coloquei minhas mãos nas bordas laterais, para que a qualquer caso eu me force a ficar submersa.
Eu vou dar um fim a essa história.
Todos nós queremos saber como acaba.
Acho que todos tem uma história para contar.
E todos esses ‘’viveram felizes para sempre’’, não gostaria de saber?
Eu gostaria de saber como acaba a minha história. Eu vou adiantar o meu final
E depois de todos esses momentos, você poderia me responder?
Eu tenho um final feliz?
–Rin! RIN!
Franzi o cenho enquanto estava submersa. Não creio que a última coisa que escutarei será os gritos de Len.
Isso é, é somente a voz dele. Se ele estivesse aqui para me tirar da água e gritar comigo por fazer coisas tão idiotas.
É, sempre me achei complicada, mas agora minha mente é complicada. Você acha normal escutar a voz de um garoto de uma história incompleta? Eu também não.
–RIN! Levanta agora! – ‘’Len’’ continuava insistindo.
‘’Não!’’ Gritei em meus pensamentos. ‘’Você nem está aqui!’’
–Levanta agora! –Ele continuava.
Eu virei Ariel ou o quê?! Caralho, a quanto tempo estou na água?!
‘’Você não manda em mim!’’
–LEVANTA! – ‘’Len’’ ficava mais alterado a partir dos segundos que se passavam. – Não estou te pedindo! ESTOU TE OBRIGANDO!
Pronto, o ar começou a me falhar.
‘’Não. Eu vou fazer o que faz comigo. Eu vou te ignorar. Essa história precisa de um fim’’
–RIN!
‘’Não, Len. Vai ficar tudo bem. ’’
Tirei minhas mãos da borda da banheira e cobri meus ouvidos com ela. Não adianta, parece que sua voz vinha da minha cabeça.
Mas eu preciso te ignorar.
Não é um final feliz.
E nem deve ser.
///////
Espirrei pela trigésima oitava vez.
Eu não tenho coragem para morrer.
E é exatamente por isso que estou do lado de fora da banheira. Encolhida do lado dela. E eventualmente batendo a mão na água de pura raiva que me percorre.
Era para eu estar ali.
Boiando, sem nenhuma respiração ou batimento cardíaco.
Mas não.
Os gritos do garoto não permitem a garota se matar.
Porque a garota é ingênua, e não consegue morrer acreditando que ouvindo a sua voz ele está realmente ali, vivo.
Garota idiota.
Garota que vai pegar um resfriado se não trocar as roupas encharcadas e continuar no chão frio do banheiro.
Garota absurdamente idiota.
Cinco e vinte e oito da manhã, e essa garota chorando no banheiro.
Depois de um tempo eu resolvi sair de lá.
Eu troquei de roupa, pois roupas molhadas fazem um peso de hipopótamo obeso.
Agora, estou sentada no sofá novamente, balançando uma xicara de cappuccino quente, observando pela vidraça o clima ameno e nublado.
Ah, estou num filme dramático e não me contaram.
Continuei observando a paisagem por mais um tempo. Até soltar a xicara no chão, a dividindo em pedaços e espalhando café pelo tapete.
Saí correndo da sala e observei o relógio da parede. Duas e quarenta e cinco da tarde.
Continuei correndo pelos cômodos até chegar onde eu queria.
Quando cheguei até a sacada, parei na sua borda, apoiando minhas mãos nela para parar o meu impulso.
Olhei para baixo e senti a brisa assoprar alguns fios de cabelo. Vi aqueles prédios iluminados vizinhos, as pessoas com suas vidas comuns e seus problemas comuns, o trânsito movimentado.
Fim, isso precisa de um fim.
Me apoiei para subir encima do parapeito da sacada, e assim que consegui equilíbrio. Me levantei e fiquei em pé encima do parapeito. Abri meus braços, me equilibrando por completo e juntando meus pés.
Todos esses finais felizes...
Eu cansei de esperar.
Len, você foi autor de todos os momentos, sendo eles tristes ou felizes.
Então pode me dizer?
Eu tenho um final feliz?
Movi um dos meus pés,
Então fui envolvida por dois braços.
Caímos os dois pra trás, atingindo o chão da sacada com força.
Fiquei furiosa com a pessoa que me impediu de ter um final.
Me preparei pra xingar o infeliz de tudo quanto que é nome.
Então me virei.
Abri a boca, mas não produzi nenhum um som.
Levei minha mão trêmula até sua bochecha e a toquei.
Aquilo não era ilusão.
Se não estivesse completamente paralisada eu daria um grito tão alto que toda Tokyo seria capaz de ouvir.
Mas enfim, você voltou.
O único som que minha boca conseguiu produzir foi,
–Len.
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